Plantas aromáticas e medicinais | Medicina Popular

Plantas aromáticas e medicinais

“Existem plantas aromáticas e medicinais das mais variadas espécies, apresentando consistência herbácea, semi-herbácea ou lenhosa, e com possibilidade de aproveitamento de uma parte da planta ou da sua totalidade.

Estas plantas possuem na sua composição,

– para além das substâncias presentes em todas as outras (como água, sais minerais, ácidos orgânicos, hidratos de carbono ou substâncias proteicas),

– compostos que as diferenciam e conferem propriedades especiais, tais como alcalóides, glucosídeos, óleos essenciais, taninos, entre outros,

permitindo a sua utilização em medicina, na alimentação, como conservante, aromatizante ou no fabrico de cosméticos e perfumes.

Pertencentes a este grupo de plantas apresentam-se, de seguida, as espécies propostas para sementeira e plantação nas hortas pedagógicas (…), salientando-se que representam apenas parte de um conjunto bastante diversificado, (…).

No entanto, chama-se a atenção para a necessidade de utilização de plantas cuja identidade botânica, segurança e modo de usar não ofereçam qualquer dúvida.”

Características genéricas, partes utilizadas e usos de algumas plantas aromáticas e medicinais

Designação: Alecrim / Rosmarinus officinalis

Características genéricas: arbusto de folha perene, de 0,50m a 1,50m de altura | floração azulada e esbranquiçada todo o ano | cheiro a incenso e cânfora e sabor aromático

Partes utilizadas: ramos floridos e folhas

Usos medicinais: utilizado para fazer óleos emulsionados a quente para a artrite | facilita a digestão, eficaz no tratamento do enjoo e pequenas cólicas intestinais | tem propriedades estimulantes, desinfectantes e anti-oxidantes

Usos culinários e outros: excelente para condimentar carne de borrego, porco, coelho, frango e salsichas | temperar peixe, sopas e guisados, aromatizar azeites e vinagres | confere um gosto forte a bolachas, geleias, salada de fruta e queijos

Designação: Coentro / Coriandrum sativum

Características genéricas: herbácea anual até 0,60m de altura | floração branca – Verão

Partes utilizadas: folhas frescas, sementes secas e moídas

Usos medicinais: reduz a flatulência, tem propriedades anti-sépticas, estimulantes e excitantes

Usos culinários e outros: usa-se em carnes assadas, legumes, molhos e sopas | as folhas são excelentes para temperos de saladas | combinado com outras espécies aromáticas emprega-se no fabrico de charcutaria e licores

Designação: Erva-cidreira / Melissa officinalis

Características genéricas: herbácea vivaz, de 0,20m a 0,80m de altura | floração amarelada, tornando-se branca ou rosada – Julho a Setembro | cheiro agradável, limonado e sabor ligeiramente amargo

Partes utilizadas: caule florido e folhas (devem ser colhidas antes da floração)

Usos medicinais: facilita as digestões e contraria as fermentações intestinais | tem propriedades reconstituintes, relaxantes, anti-depressivas e sedativas

Usos culinários e outros: utilizam-se as folhas inteiras em ponches, bebidas de frutas e chás | condimenta pratos como substituto da casca do limão | aromatizando sopas, saladas, carnes e verduras

Designação: Erva príncipe / Cymbopogon citratus

Características genéricas: herbácea vivaz até 1,60m de altura

Partes utilizadas: folhas frescas

Usos medicinais: eficaz no tratamento do trato digestivo, cólicas intestinais, nevralgias e como estimulante

Usos culinários e outros: chás e bebidas refrescantes | utilizada na aromaterapia e na indústria da perfumaria

Designação: Funcho / Foeniculum vulgare

Características genéricas: herbácea vivaz, de 0,80m a 2m de altura | floração amarela – Junho/Agosto | sabor aromático, anisado, picante e amargo

Partes utilizadas: folhas frescas | raiz – fim do 1º ano | caule e frutos – Setembro-Outubro

Usos medicinais: as sementes são úteis para o tratamento de problemas digestivos | em infusão excelente contra a tosse, flatulência e dores abdominais | propriedades expectorantes, anti-espamódicas e anti-inflamatórias

Usos culinários e outros: as folhas plumosas são uma boa guarnição para legumes, pratos de peixe e sopas | as sementes aromatizam pastéis de maçã, enchidos e vinagres

Designação: Hortelã / Mentha viridis

Características genéricas: herbácea vivaz, com floração rosa – Verão | cheiro suave e muito penetrante

Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas(*) – Julho / Outubro (* parte superior da planta onde se encontram as flores com, por vezes, algumas folhas) | secagem em ramos

Usos medicinais: propriedades analgésicas, anti-sépticas, digestivas, estimulantes e tónicas

Usos culinários e outros: excelente em assados ou estufados de borrego | picada fica bem em sopas de creme e almôndegas | óptima em saladas de fruta

Designação: Hortelã-pimenta / Mentha piperita

Características genéricas: herbácea vivaz, de 0,30 a 0,90m de altura | floração azulada – final do Verão | cheiro intenso e sabor picante

Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas – Julho / Outubro | secagem em ramos

Usos medicinais: muito digestiva e tónica | propriedades desinfectantes, anti-sépticas e balsâmicas | utiliza-se como calmante nervoso

Usos culinários e outros: chás, saladas, pratos de borrego e para aromatizar bebidas refrescantes | das folhas extrai-se uma essência utilizada em licores, pastéis e chocolates | indústria da perfumaria

Designação: Lúcia Lima / Lippia citriodora

Características genéricas: arbusto até 2 m de altura | floração branco-azulada – Verão | folhas com forte aroma a limão

Partes utilizadas: folhas

Usos medicinais: eficaz no combate à insónia e doenças nervosas | propriedades estomacais, expectorantes, digestivas e calmantes

Usos culinários e outros: chás | utilizada no fabrico de licores | indústria da perfumaria

Designação: Orégão / Origanum vulgare

Características genéricas: herbácea vivaz, de 0,30 a 0,80m de altura | floração rosa-púrpura – Julho/Setembro | cheiro aromático, sabor amargo

Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas

Usos medicinais: em infusão ajuda no trato de alterações digestivas, bronquites, tosse e asma | acção expectorante, calmante e reguladora

Usos culinários e outros: excelente para condimentar carne vermelha, frango, saladas, legumes, queijo, ovos e molhos | muito conhecida pela sua utilização na cozinha italiana, grega, mexicana e portuguesa

Designação: Poejo / Mentha pulegium

Características genéricas: herbácea vivaz de 0,15 a 0,40m | floração azul-violácea – Março/Agosto | cheiro agradável

Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas – Julho/Outubro | secagem em ramos

Usos medicinais: eficaz no tratamento de tosse, dores estomacais e cólicas intestinais | digestivo, estimulante e sudorífero

Usos culinários e outros: elemento básico na preparação de algumas sopas e como aromatizante de pratos de carne e peixe

Designação: Salsa / Petroselinum hortense

Características genéricas: herbácea bianual de 0,20 a 0,80m | florescendo no Verão no 2º ano de cultivo – floração branca | existem duas variedades, com folhas lisas e com folhas frisadas, sendo a 1ª mais decorativa e de sabor mais forte

Partes utilizadas: folhas frescas

Usos medicinais: propriedades digestivas, diuréticas, vasodilatadoras, estimulantes e depurativas

Usos culinários e outros: usa-se para acompanhar a decorar diversos pratos como saladas, sopas, molhos, pratos de peixe e carne | pode ser reduzida a puré com um pouco de mateiga

Designação: Tomilho / Thymus vulgaris

Características genéricas: subarbusto perene, de 0,15 a 0,40m de altura | floração rosada ou branca – Maio / Outubro | aroma forte e intenso

Partes utilizadas: caule florido e folhas

Usos medicinais: um dos melhores anti-sépticos de herbário | útil para o tratamento de infecções dos pulmões, cicatrizante, desinfectante, expectorante, broncodilatador, digestivo e antirreumático

Usos culinários e outros: estufados, guisados, sopas, pratos de carne e peixe, porco, frango e ovos | utiliza-se para aromatizar azeites e vinagres

Fornecimento, épocas de plantação e sementeira

As diversas plantas podem ser obtidas por semente ou multiplicadas por estaca. No entanto, se o seu crescimento for lento ou se apresentarem difícil propagação, poderá recorrer-se à compra das plantas já germinadas para posterior plantação, em viveiro da especialidade.

Regra geral, as plantas herbáceas anuais e vivazes deverão ser obtidas a partir de sementes, sendo as primeiras semeadas na Primavera directamente onde se pretende que cresçam, enquanto as segundas deverão ser semeadas no final do Verão em vasos, guardados num estufim durante o Inverno, sendo posteriormente plantadas ao ar livre na Primavera seguinte.

As plantas arbustivas poderão ser multiplicadas por estacaria dos seus ramos lenhosos, preparando-se as estacas durante o seu período de repouso vegetativo, desde os finais do Outono até ao início da rebentação na Primavera.

Os ramos para as estacas devem ser novos, de preferência formados na Primavera anterior, e estarem bem secos. Cortam-se com um cumprimento igual e entre 0,15 e 0,20m, podendo ser plantados de seguida na mesma posição que tinham na planta-mãe, a 2/3 do seu comprimento, para que possam enraizar.

Para se efectuarem as plantações e sementeiras, o terreno deve estar bem trabalhado e drenado. Caso não se verifique esta última condição, acrescentar-se-á musgo de turfa, terra vegetal à base de folhas ou adubo composto.

Épocas de colheita

No decorrer do desenvolvimento de cada planta há um período que se considera o mais propício para a colheita, no qual cada uma das partes contém o teor máximo de princípios activos perfeitamente desenvolvidos.

De um modo geral, os caules colhem-se no Outono, os botões na Primavera, a colheita das folhas faz-se no período que antecede a época de floração, as flores e as sumidades floridas devem ser colhidas no início do seu desabrochar (antes que as pétalas murchem), e os frutos carnudos e secos colhem-se na maturação.

Quando a planta está seca colhem-se as sementes. As raízes desenterram-se fora do período de plena vegetação da planta, isto é, no Outono ou na Primavera.

Para evitar o apodrecimento é necessário escolher um dia de bom tempo e uma hora em que o orvalho esteja praticamente dissipado e as flores abertas, por exemplo cerca das 9h ou 10h da manhã ou no fim da tarde.

Secagem

À colheita sucede-se a secagem, que possibilita a eliminação de uma certa quantidade de água retida pela planta. É uma operação importante que deve ser realizada de imediato. Assim, antes ainda de dar início a uma colheita, é necessário procurar um local apropriado e preparar os meios para a secagem.

No decorrer desta operação, as plantas não devem ser misturadas. É possível que um molho de plantas necessite de uma lavagem devido ao pó ou à lama na folhagem; nesse caso, deverá proceder-se imediatamente a uma secagem com ar quente, pelo menos até à fase do primeiro emurchimento.

Para acelerar a primeira etapa da dessecação, o emurchimento, as plantas devem ser colocadas ao Sol. Realizado rapidamente, este emurchimento diminuirá os perigos de fermentação se for seguido de uma boa ventilação à sombra.

Os molhos de plantas devem ser pendurados com a parte inferior para cima, em cordas ou arames pendurados numa divisão à altura de um homem.

Folhas, flores e raízes

As folhas e as flores devem ser separadas do caule, e as raízes, cortadas em fragmentos, devem ser colocadas em caixotes cujo fundo foi previamente forrado com juta ou serapilheira, deixando circular o ar fresco vindo de baixo.

A secagem permite eliminar cerca de 50% a 90% do peso inicial da planta, por perda de água. O tempo de secagem deve depender da quantidade de água a eliminar e da resistência da planta á evaporação.

Nas melhores condições a secagem faz-se em 6 dias, e mais frequentemente entre 10 e 12 dias. Se o arejamento for suave, o único inconveniente de prolongar a secagem é o perigo de acumulação nas plantas, pelo que é preferível não ultrapassar as três semanas.

Para avaliar o grau de dessecação das folhas e das flores, é necessário que, ao tocar-lhes, não se sinta qualquer humidade e que estejam rígidas e não quebradiças.

Conservação

Quando estiverem bem secas, as plantas podem ser conservadas, ao abrigo do ar, da luz, da humidade e do pó, em caixas de lata bem fechadas, em sacos de papel grosso fechados com uma fita adesiva ou em sacos de plástico.

Se se adoptar este último modo de conservação deverá ter-se muito cuidado, e oito dias após a embalagem das plantas observá-las com atenção. O mínimo depósito de vapor na parte interna do saco indica que a secagem não foi suficiente e terá de ser concluída.

Em cada uma das embalagens deverá colocar-se uma etiqueta bem visível com o nome da planta e data da colheita. Em geral, as plantas secas tornam-se inactivas ao fim de 6 meses.

Receitas

Bolachas de Alecrim

Ingredientes: 180g (chávena e meia) de farinha | 50g (8 colheres de sopa rasas) de manteiga | 25g (4 colheres de sopa rasas) de açúcar | 2 colheres de sopa de alecrim picado

Preparação: Bata a manteiga com o açúcar até obter um creme leve e macio e em seguida junte a farinha e o alecrim. Amasse bem até formar uma bola, estique-a, com o rolo da massa, numa tábua polvilhada com farinha e corte uns círculos. Coloque-os num tabuleiro untado. Decore com pezinhos de alecrim e leve ao forno a 230ºC durante doze minutos ou até as bolachas estarem firmes e douradas.

Chá gelado de erva-cidreira e hortelã

Ingredientes: 1litro de água | 1 chávena de chá de hortelã | 2 chávenas de chá de erva-cidreira picada | açúcar o mel, q.b. | limão às rodelas

Preparação: Coloque a águas e as folhas numa panela e leve ao lume alto para ferver. Quando ferver, desligue e coe o chá. Deixe arrefecer e adoce a gosto, guardando no frigorífico até à hora de servir. Sirva com rodelas de limão e folhas de hortelã para decorar.

Fonte: Guia “Plantas Aromáticas e Medicinais” editado pela CM de Peniche

Outras receitas

Receitas populares para curar a tosse

Xarope de Amêndoa
Mete-se uma “machinha” de casca de amêndoa a ferver, com um ramo de salsa e uma “machinha” de cascas de cebolas. Tudo a ferver como sendo um chá, depois de já estar fervido, passa-se por um paninho para coar, para tirar, para ficar só o liquido e depois mete-se a ferver com 250 de açúcar louro e aí uns 5 rebuçados peitorais. Tudo a ferver até ficar um bocadinho em ponto, depois põe-se para dentro de um frasco, de um recipiente e vai-se tomando às colheres. (Gracinda Rolho)

Xarope de Cenoura
Põe-se uma camada de açúcar louro no fundo de uma caixa, “vá” de uma tigela, depois a cenoura às rodelas, outra camada de açúcar, outra camada de cenoura e outra camada de açúcar louro. Deixa-se em infusão e vai ficar tudo em liquido e toma-se às colheres. (Gracinda Rolho)

Aguardente queimada com açúcar
Põe-se o açúcar num prato (de esmalte ou de louça, não pode ser de plástico), depois põe-se a aguardente mas não se mexe, larga-se o fogo à aguardente e deixa-se estar a arder. Quando está quase a apagar tem de se começar a mexer, a mexer, a mexer, a mexer até ela apagar por si. (Maria Duarte)

Receitas populares para curar problemas de barriga e estômago

Chá de malvas
Apanha-se as folhas das malvas, lavam-se e põem-se dentro de uma cafeteira a ferver. (Maria Duarte)

Xarope das Folhas da Laranjeira e Oliveira
Umas folhas de oliveira, umas folhas de laranjeira, uma casca de limão (tudo isto é bom para fazer xarope). Põe-se tudo a ferver com água. (Maria Duarte)

Receitas populares para a cicatrização de feridas

Chá de malvas
Apanha-se as folhas das malvas, lavam-se e põem-se dentro de uma cafeteira a ferver. (Maria Duarte)

Receitas recolhidas na freguesia de Vale da Pinta – Cartaxo (Ribatejo)

A propósito deste tema, sugerimos, ainda, a leitura dos seguintes textos:

Fitoterapia – os benefícios de algumas ervas aromáticas

A história da fitoterapia (tratamento à base de plantas) é tão velha como o mundo.

Desde o início dos tempos que o Homem procurou manter a saúde e curar as doenças através do uso de certas plantas, muitas delas conhecidas entre nós como “ervas aromáticas”. Este conhecimento esteve, em tempos, rodeado de segredos e muito ligado às artes mágicas.

A partir dos séculos XVI e XVII, particularmente com os descobrimentos portugueses e a importação de muitas plantas exóticas para a Europa, a fitoterapia entrou numa fase de enorme expansão. Saber mais

À descoberta das esplêndidas ervas aromáticas

Dizem os historiadores que, desde o Paleolítico, o homem se habituou a procurar as ervas mais apropriadas para a alimentação, mas também para a cura dos seus males.

As referências, primeiro em cavernas e, mais tarde, em documentos, são prova disso. A Bíblia, o Talmude e o Corão, por exemplo, mencionam e indicam ervas para uso pessoal e cerimonial.

Mas a proliferação das ervas e temperos está sobretudo ligada à história dos meios de transporte e à imigração de povos.

A sua importância ganha outra dimensão com o empenho dos europeus, em particular dos portugueses, em encontrar um caminho para a Índia, com a finalidade de adquirir especiarias. Saber mais

Doenças e ervas medicinais

Todas as plantas têm princípios activos, capazes de interferir a nível biológico se ingeridos pelo organismo humano. Destiladas, a maioria das plantas produz essências, álcool e gases combustíveis.

Associadas a estas substâncias estão outras que, pela sua concentração, dão propriedades específicas às plantas. Por exemplo, o caso das papoilas que produzem o ópio. Saber mais