As “crendices” das ervas – mezinhas e esconjuros

As “crendices” das ervas

“Como sempre todas as plantas se mostraram importantes para a humanidade, outrora consideradas filhas divinas da Mãe-Terra. Daí a sua também popularização através de envolvimentos mais ocultos pelos seus «atributos mágicos» em

– crendices populares,

– ensalmos,

– esconjuros,

– fórmulas de atalhar

– ou mézinhas

criadas pelas chamadas «mulheres de virtude», «talhadeiras» ou «benzedeiras», pelos feiticeiros ou por tantos de nós em rituais que ainda hoje perduram nas nossas aldeias.

São alguns desses registos que aqui se enumeram porque também fazem parte da vida e da história destas ervas

“Para talhar o zázaro”

(doença da pele que dá nas crianças)

Zázaro anda a saltar
na fonte do pernado
– Disse Deus para S. Mateus:
curas zázaro e zareta
– Com o quê, Senhor?
com a água da fonte
fiolho do monte
sal da marinha
azeite da olívia
com isto
com a graça de Deus
o mal se ausentaria

(Recita-se três vezes em três dias, unta-se a parte afectada com funcho, azeite e água ou machica-se com uma pernica).

“Para matar as lombrigas”

Fazer uma cataplasma de pós de sumagre, de murta, de rosas, de cascas de romã, de baga de acipreste, de bolotas, de alecrim e de rosmaninho – amassado tudo em mel e vinagre e posto no umbigo.

Dizia-se que era remédio certo.

“Alívio dos bruxedos”

Coloque dois ramos de fiolho ou funcho debaixo do travesseiro, ou nos pés da cama, mas em forma de cruz, trazendo alho no bolso e comê-lo.

“Mau olhado e inveja”

Para combater o mau olhado e a inveja nas pessoas, faça fumaças de palhas alhos, arruda e erva da inveja ou congossa, levando as cinzas num farrapo a uma encruzilhada à meia-noite, quando trovejar; se não resultar, ir ao cemitério, trazer um torrão onde se tenha assentado o pé direito e colocar terra em cima de um ramo de sabugueiro, com água de nove fontes, de nove ribeiros e erva de nove terrenos…

“Um ar mau”

Doença que, segundo o povo, se revela por dores fortes de cabeça, arrepios e mesmo febre.

Cura: usar fumos de sementes de nabiça, três areias de sal, três folhas de oliveiras bentas no Domingo de Ramos, três raminhos de alecrim, também bentos, três gotas de azeite e três brasas vivas; a pessoa com este mal deve apanhar o fumo que dali sair passando por ele em cruz.

“Para evitar pesadelos”

Colocar um ou dois pés de alecrim debaixo da almofada que introduzirão ao sono e evitarão pesadelos.

“Para a opilação”

Comer caldos de funchos, espargos-bravos, erva molirinha e serradela. E só beber água de agrimónia, lamegueira e raiz de funcho.

“Remédio para a dor de cabeça”

Alecrim, rosmaninho, arruda, pulitária, aipo, mentrastos e segurelha; – tudo muito bem pisado e colocado na “cova do ladrão”, ao deitar da cama – e diz-se:

Com Deus me deito,
aqui neste leito.
Deito-me doente
e levanto-me escorreito,
em louvor de Sta Maria,
Paz téco aleleuia.
Amén