Danças Tradicionais da Lousa inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial
As Danças Tradicionais da Lousa constituem uma das mais singulares manifestações do património cultural imaterial português. Realizadas anualmente na aldeia da Lousa, concelho de Castelo Branco, integram as festividades em honra de Nossa Senhora dos Altos Céus, padroeira da localidade, e representam uma tradição profundamente enraizada na identidade e na memória coletiva da comunidade.
A origem destas danças é tradicionalmente associada à Lenda da Praga de Gafanhotos que terá assolado a região por volta de 1640. Como forma de agradecimento pela proteção divina atribuída à intervenção de Nossa Senhora dos Altos Céus, a população da Lousa terá assumido o compromisso de perpetuar estas danças como expressão de fé, devoção e reconhecimento.
O ciclo coreográfico é composto por três manifestações distintas:
– a Dança das Virgens, também conhecida por Dança das Donzelas;
– a Dança dos Homens, igualmente designada por Farrombana ou Dança das Genebres;
– e a Dança das Tesouras, de caráter mais teatral e festivo.
Estas representações decorrem durante o terceiro fim de semana de maio, no contexto das festas religiosas da aldeia.
A Dança das Virgens é executada por oito jovens vestidas de branco e adornadas com ouro, que recitam quadras dedicadas à padroeira antes de realizarem uma coreografia acompanhada por guitarra portuguesa.
A Dança dos Homens envolve seis dançarinos trajados de branco, acompanhados por três madamas, ao som da viola beiroa e das genebres, instrumento musical raro e característico da região.
Já a Dança das Tesouras, apresentada na segunda-feira das festas, introduz uma dimensão lúdica e cénica, utilizando tenazes de ferro que simbolizam tesouras de tosquia e proporcionando momentos de grande interação com o público.
Estas danças distinguem-se não apenas pelo seu valor artístico e performativo, mas também pelo forte envolvimento comunitário que assegura a sua transmissão entre gerações. A preparação dos festejos, os ensaios, a preservação dos trajes, dos instrumentos musicais e dos saberes associados mobilizam anualmente a população da Lousa, reforçando os laços sociais e o sentimento de pertença.
Reconhecendo a sua relevância histórica, cultural e identitária, as Danças Tradicionais da Lousa foram inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial por decisão da Direção-Geral do Património Cultural, formalizada em dezembro de 2014 e publicada em Diário da República em janeiro de 2015. Este reconhecimento destacou a profundidade histórica da tradição, a sua importância para a comunidade local e o empenho dos seus praticantes na preservação e transmissão deste património único.
Hoje, as Danças Tradicionais da Lousa permanecem vivas e ativas, constituindo um notável exemplo de continuidade cultural e de salvaguarda do património imaterial português, mantendo-se como um dos mais relevantes símbolos identitários da Beira Baixa e da comunidade que as criou e preserva.

