As Cavalhadas de São Pedro em S. Miguel – Açores

As Cavalhadas de São Pedro

As Cavalhadas são uma das mais curiosas e originais festas açorianas, realizando-se a 29 de junho, pelo São Pedro, no quadro das festas da cidade de Ribeira Grande, na ilha de São Miguel [Açores].

Incluem um desfile a cavalo, que parece de alguma forma inspirado nos torneios medievais.

Os cavaleiros concentram-se nos arredores da cidade, junto ao Solar de Mafoma, um palacete do século XVIII onde está instalado o Museu de Chá.

Envergam calças e camisa branca e usam capas vermelhas, cavalgando atrás do «rei», uma personagem que exibe longas barbas. Evoluem ao som de cornetas até à Igreja de São Pedro (templo paroquial), em cujo adro declamam quadras.

Depois, o cortejo volta a movimentar-se, tendo como destino o edifício dos Paços do Concelho, frente ao qual voltarão a entoar os seus versos.

A Ribeira Grande, (…) mantém um interessante núcleo urbano. Situada na costa norte de São Miguel, foi elevada a vila em 1507.

A erupção vulcânica de 1563 destruiu a maior parte dos edifícios, só tendo a localidade voltado a assumir alguma importância a partir do séc. XVIII.

Aqui se situa um dos mais invulgares templos barrocos portugueses, a Igreja do Espírito Santo (classificada IIP), cuja fachada tem a particularidade de estar dividida em dois portais, dispostos em ângulo agudo. No interior, também em vez das habituais três naves existem apenas duas.

É ainda conhecida como a Igreja dos Passos por guardar a imagem de Cristo carregando a cruz que integra a procissão dos Passos, no segundo domingo da Quaresma.

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O edifício dos Paços do Concelho é seiscentista, com escadório e torre de relógio acrescentada posteriormente.

 

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Igualmente interessante é a Igreja de Nossa Senhora da Estrela, matriz da cidade, construída em 1517 e totalmente refeita no final do século seguinte. Inclui no coro o famoso arcano.

Trata-se de um conjunto constituído por centenas de figuras moldadas em massa de arroz e goma arábica, representando cenas bíblicas e dispostas como se de um presépio se tratasse. Mas com uma riqueza de pormenor que nem no mais rico presépio se encontra.

Foi laboriosamente feito por uma freira do século XIX e escondido durante alguns anos, com medo de excessos anticlericais dos liberais.

Fonte: In GUIA Expresso “O melhor de Portugal” – 12 – Festas, Feiras, Romarias, Rituais (texto editado e adaptado)