Plantas e ervas medicinais – usos cosméticos e outros

 

“Desde o dia em que Eva, arrancando uma folha – de parreira ou de figueira (?) – para enfeitar a sua nudez, entendeu que a mãe-natureza lhe podia fornecer as armas do encanto e da sedução.

Esta utilização de cosmética e venérea atravessaria todas as antigas culturas – os gregos desenvolveram uma filosofia completa de saúde e beleza à base de plantas; os romanos entregaram-se ainda mais aos cuidados com o corpo; por altura do renascimento fazia-se a separação entre os cuidados da pele e os cuidados de saúde; e, a partir do século XIX, nos Estados Unidos da América, a cosmética organizou-se como actividade industrial, com a utilização de conservantes e a produção em massa.

No entanto, todas as receitas, truques de beleza, passados de mães para filhas durante gerações sucessivas, são tão antigas quanto a feminilidade sensual ou os hábitos de cortejar.

Afinal, as plantas ou as ervas continuam as mesmas, provavelmente, as mulheres e os homens é que não lhes fazem mais fé…”

 

Cremes e loções para a pele

Água-de-colónia: misture dez gramas de essência de bergamota com dez gramas de essência de limão, dez gramas de essência de cidra, cinco gramas de essência de alecrim, cinco gramas de essência de flor de laranjeira, cinco gramas de essência de rosmaninho, duas gramas e meia de canela e um litro de álcool a noventa graus.

Acrescente cento e cinquenta gramas de água de melissa e cem gramas de alcoolato de alecrim. Deixe macerar durante uma semana e filtre de seguida.

Leite de limpeza de funcho (para peles oleosas): numa panela aqueça meia chávena de soro de leite coalhado e duas colheres de sopa de sementes de funcho esmagadas, em lume brando durante meia hora.

Deixe a descansar cerca de duas horas. Coe, enfrasque e coloque no frigorífico.

Têm um poder de conservação até uma semana.

Queimaduras solares da pele: para queimaduras leves, utilize a cozedura de folhas de sabugueiro que serve para aclarar as manchas da pele e para lavar os olhos.

Creme de protecção para as mãos: derreta quatro colheres de sopa de vaselina em lume brando e junte-lhe dois punhados de flores frescas de sabugueiro. Deixe a macerar durante três quartos de hora, aquecendo a vaselina sempre que esta solidificar.

Aqueça e coe por um crivo para um frasco com tampa de enroscar.

Deixe arrefecer e feche o frasco.

Loção para o cabelo: faça ferver algumas bagas de sabugueiro com vinho ou vinagre, e depois de fria, aplique na lavagem do cabelo.

 

 

Síntese de usos na cosmética

Plantas para cremes e loções

Agrião — o sumo para atenuar as manchas

Alecrim — antisséptico revigorante; limpezas em profundidade

Alfazema — agente de limpeza; tónico para a pele

Borragem — para peles secas e sensíveis

Sabugueiro (flor) — tónico para todo o tipo de peles (atenua as rugas e as sardas); acalma as queimaduras solares

Funcho — agente de limpeza e acalmante; purifica as peles oleosas

Hortelã-pimenta — aclara o tom de pele

Salsa — agente condicionador de peles secas e sensíveis

Salva — adstringente de limpeza e estimulante

Tomilho — agente de limpeza estimulante

Urtiga — excelente para peles oleosas

Plantas para banhos

Para banhos estimulantes — alecrim, alfa­zema, erva-cidreira, funcho, hortelã, louro, poejo, salva, tomilho

Para banhos tónicos — silva (folhas), urtiga

Plantas para máscaras faciais

Para peles oleosas — funcho (semente), salva

Para peles normais — funcho, hortelã, urtiga, zimbro

Plantas as mãos e os pés

Para amaciar e suavizar as mãos — funcho, sabugueiro (flor)

Para os pés cansados — alfazema, louro, manjerona, salva, tomilho

Plantas revigorantes para os olhos

Hortelã — reduz as olheiras

Malva — amacia a pele em volta dos olhos

Funcho (sementes) — reduz as inflamações e dá brilho

Plantas para tratamento do cabelo

Para amaciar os cabelos oleosos — alecrim, alfazema (rosmaninho), erva-cidreira, hortelã

Para amaciar os cabelos secos — flores de sabugueiro, salsa, salva, urtiga

Tónico capilar (dar brilho ao cabelo) — agrião, alecrim, salsa, salva, urtiga

Para a prevenção da caspa — alecrim, salsa, tomilho, urtiga

Plantas para os cuidados orais

Alfazema (água de), hortelã-pimenta — lavagem da boca

Alecrim — para suavizar a boca

Urtiga, salva — suavizar o hálito

Salva — limpeza dos dentes

Nota: Antes de usar qualquer preparado destas e de outras plantas, experimente primeiro em pequenas quantidades.

 

Ervas para o controlo de insectos e limpeza

Formigas (afugentar) : Coloque ramos de poejo ou arruda nas prateleiras e nos armários e de vez em quando agite as folhas para o cheiro se continuar a libertar.

Desinfectantes: Ferva folhas e pequenos caules de alecrim em água durante uma meia hora; esprema e junte-lhe um pouco de sabão de “barra” e pode usar para limpar lava-louças ou casas de banho.

Também pode fazer desinfectantes com folhas e caules floridos de rosmani­nho, salva, tomilho e zimbro.

Repelente de insectos perfumado: Mistura “seca” de poejos contra as formigas e as pulgas; hortelã, arruda e sabugueiro contra as moscas; artemísia, contra as traças; e pétalas de rosa e flo­res de alfazema, para dar cor.

Repelente para mosquitos: Aplique às plantas afectadas uma infusão de folhas de sabugueiro ou folhas reduzidas a cinzas.

Para o controle do gorgulho: Coloque folhas de louro em caixas de farinha, do arroz ou dos legumes secos.

Contra os odores desagradáveis: Colocar ramos de ervas debaixo dos tapetes das carpetes ou à entrada das casas, de alecrim, erva-cidreira, funcho, hortelã, poejo; salva, tomilhos, etc.

Nota: algumas destas espécies são também usadas no sector da pecuária para desinfecção dos animais e dos estábulos.

(Fonte: Etnobotânica – Plantas Bravias, Comestíveis, Condimentares e Medicinais, de José Alves Ribeiro, António Manuel Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva, João Azevedo Editor, 2000)

 

 

A propósito deste tema, sugerimos, ainda, a leitura dos seguintes textos:

Fitoterapia – os benefícios de algumas ervas aromáticas
A história da fitoterapia (tratamento à base de plantas) é tão velha como o mundo, Desde o início dos tempos que o Homem procurou manter a saúde e curar as doenças através do uso de certas plantas, muitas delas conhecidas entre nós como “ervas aromáticas”. Este conhecimento esteve, em tempos, rodeado de segredos e muito ligado às artes mágicas. A partir dos séculos XVI e XVII, particularmente com os descobrimentos portugueses e a importação de muitas plantas exóticas para a Europa, a fitoterapia entrou numa fase de enorme expansão. Continuar a ler

À descoberta das esplêndidas ervas aromáticas
Dizem os historiadores que, desde o Paleolítico, o homem se habituou a procurar as ervas mais apropriadas para a alimentação, mas também para a cura dos seus males. As referências, primeiro em cavernas e, mais tarde, em documentos, são prova disso. A Bíblia, o Talmude e o Corão, por exemplo, mencionam e indicam ervas para uso pessoal e cerimonial. Mas a proliferação das ervas e temperos está sobretudo ligada à história dos meios de transporte e à imigração de povos. A sua importância ganha outra dimensão com o empenho dos europeus, em particular dos portugueses, em encontrar um caminho para a Índia, com a finalidade de adquirir especiarias. Continuar a ler

Doenças e ervas medicinais
Todas as plantas têm princípios activos, capazes de interferir a nível biológico se ingeridos pelo organismo humano. Destiladas, a maioria das plantas produz essências, álcool e gases combustíveis. Associadas a estas substâncias estão outras que, pela sua concentração, dão propriedades específicas às plantas, como é, por exemplo, o caso das papoilas que produzem o ópio. Continuar a ler

Plantas aromáticas e medicinais
“Existem plantas aromáticas e medicinais das mais variadas espécies, apresentando consistência herbácea, semi-herbácea ou lenhosa, e com possibilidade de aproveitamento de uma parte da planta ou da sua totalidade. Estas plantas possuem na sua composição, para além das substâncias presentes em todas as outras (como água, sais minerais, ácidos orgânicos, hidratos de carbono ou substâncias proteicas), compostos que as diferenciam e conferem propriedades especiais, tais como alcalóides, glucosídeos, óleos essenciais, taninos, entre outros, permitindo a sua utilização em medicina, na alimentação, como conservante, aromatizante ou no fabrico de cosméticos e perfumes. Continuar a ler