Folclore e Cultura Tradicional | Textos e opiniões

Poderemos assim e numa diferente linguagem [dizer] que “o padrão tradicional (leia-se folclórico) é todo o tipo de elemento cultural que as populações rurais criaram ou adotaram e que se popularizou pela sua adequação às funções e/ou gostos locais ou regionais, vulgarizando-se o seu uso nem todos ou num qualquer grupo social, qualitativa e quantitativamente representativo, durante um espaço de tempo quantitativo”.

“Folclore é, pois, memória de um tempo que já passou e não volta” (A.Lopes)

Património popular não tradicional

Mas o folclore parando ali, sendo simplesmente uma referência no tempo, não impede a evolução, embora agora já na forma de património popular não tradicional, tampouco interfere no aparecimento de novos fenómenos culturais, que devidamente estudados ocuparão o seu lugar.

Como se verifica, uma das condições para ser folclore é ser tradicional, situação que ainda hoje se mantém dado que o mesmo (folclore) não evoluiu, pois diferentes passaram a ser as nossas vivências.

Do tempo em que mesmo as influências que chegavam às nossas comunidades eram adaptadas local e comunitariamente, passou-se ao tempo “em que a realidade local é submersa pelos enormes fluxos de influências que aí chegam é por estes moldada e universalmente uniformizada”.

As formas de viver são cada vez mais iguais, não são semelhantes, não são representativas das respectivas épocas.

E assim, sendo cultura tradicional, é também o guardião da nossa identidade cultural. É certo que esta é evolutiva, mas digamos que num sentido negativo pois quanto mais evolui mais iguais nos tornamos.

Pelo que lá temos que ir ao tal ponto de referência no tempo, à procura da identidade cultural “tradicional”

Falamos do Folclore género cultural, ciência auxiliar da Antropologia Cultural, que naturalmente não alterou a definição no tempo do Estado Novo, pois que aquilo que os grupos (alguns grupos) apresentavam não era folclore. E nós aqui nem falamos de grupos.

Folclore não evolui

Tentando explicar melhor, porque não evolui o Folclore?

Porque aquilo que hoje se faz em qualquer localidade não possui as características que o permita ser considerado no conceito de folclore.

Não constituem formas locais e tradicionais de fazer as coisas. Não resultam (não foram moldadas) por essa usualidade local. São cada vez mais iguais a todas as outras; de outras localidades, regiões, nações, etc.. São efémeras e heterogéneas (cíclicas muitas vezes) e não testemunhos de formas de viver semelhantes e prolongadas no tempo; leia-se, representativas das respetivas épocas”. (Aurélio Lopes)

Entretanto deixamos as “Conclusões” respeitante ao Colóquio realizado em 23 de Janeiro de 2016, com a participação de: Professor Aurélio Lopes, Dr. Ludgero Mendes e Professor Luís Mota Figueira.

Colóquio tradição, cultura e folclore

Montargil, 23 de Janeiro de 2016

 – Conclusões –

Das comunicações e debates havidos, decorrem como sínteses conclusivas:

– Que Folclore pode ser visto como sinónimo de cultura tradicional.

Apesar do folclore atual ser visto em termos retrospetivos. Apesar das componentes culturais que os agrupamentos, ditos de folclore, normalmente utilizam constituírem, apenas, uma parte de um todo cultural e tradicional maior.

– Que a Tradição (que, naturalmente, ainda hoje existe), era nas sociedades ditas tradicionais, o veículo essencial de continuidade de práticas e ideias.

– Que Folclore é património tangível e intangível (ou material e imaterial, se quisermos) embora o património constitua, naturalmente, um conceito mais abrangente.

(Engloba, por exemplo, o património não tradicional, o património monumental, o paisagístico, o artístico, etc.).

– Deste modo, o Folclore tal como hoje o entendemos, corresponde assim à ancestral cultura local tradicional: entenda-se, a maneira local de fazer as coisas, que a tradição enformava e a usualidade comunitária moldava à medida das aculturações populares.

Lino Mendes – Núcleo de Estudos do Folclore – Grupo de Promoção de Montargil