A Semana Santa e a Páscoa em Loriga – Seia

A seguir ao sermão a “Verónica” cantava pela primeira vez, dentro do mais profundo silêncio, o “Ecce Homo“, que ensaiara durante algum tempo. Era mesmo tratada com “gemadas” para aperfeiçoar a voz e ter forças nos pulmões para poder ser ouvida a grande distância. A representação da “Verónica” era um cargo muito disputado pelas meninas daquelas épocas.

Depois a procissão seguia rua acima, dava volta pela Amoreira, seguia pelo “Fundo” e regressava à Igreja, tudo no mesmo tom de devoção penitência e silêncio.

Terminava assim um dia diferente em Loriga, com o regresso de todos às suas casas, conscientes de uma fé ainda mais forte ao recordarem o martírio doloroso percorrido por Jesus a caminho do Calvário.

Com os tempos esta cerimónia religiosa do “Encontro” foi desaparecendo. Hoje faz parte de recordações de alguns, em que esta tradição em Loriga era vivida com muita fé e devoção.

Sexta-Feira Santa – “O Enterro”

Enterro do Senhor - Semana Santa e Páscoa em Loriga
Enterro de Jesus (Foto ano 1989)

Procissão do Enterro de Jesus pelas principais artérias de Loriga, e tal como a escuridão da noite, é impressionante, o negro das capas com os capuzes na cabeça, que os irmãos da Irmandade das Almas vestem, confirmando assim o aspecto fúnebre e de penitência.

Procissão sempre majestosa que decorre no maior respeito e silêncio, incorporando-se todo o povo numa grande manifestação de fé, devoção e de muito sentimento.

A procissão com a imagem de Jesus deitado no esquife, logo seguido do andor com a imagem de Nossa Senhora, depois de dar a volta à vila, regressa à Igreja sempre no mesmo tom de respeito, penitência e silêncio.

O Domingo de Páscoa em Loriga

Visita Pascal (Foto ano 2002)

O Domingo de Páscoa é um dia diferente em Loriga. Apesar de os tempos serem outros, continua na mesma, a viver-se esse dia com muita devoção e entusiasmo.

No entanto, também é bem que se diga que já pouco tem a ver com os tempos passados. O Domingo de Páscoa, era na verdade vivido diferente dos tempos de hoje.

O Domingo de Páscoa, começava com toda agente a despertar mais cedo, pois não havia tempo a perder. As donas de casa apressavam o almoço e davam os últimos retoques nas respectivas casas.

Era preparada e enfeitada a bandeja dos bolos. Dos “guarda-loiças” eram retirados os melhores cálices e copos. Preparavam-se as garrafas do vinho abafado ou vinho do Porto já há muito tempo guardadas, especialmente, para esse dia.

O início da Visita Pascal

Ao meio-dia em ponto dobravam os sinos da Igreja anunciando a saída do Senhor Padre e da Cruz de Cristo para a sua visita Pascal.

Todas as portas eram bem abertas, trocavam-se as visitas de familiares e amigos. Era uma azáfama total, com as pessoas a correr de um lado para outro quando, por vezes, as visita Pascal condizia numa ou noutra casa ao mesmo tempo. Por norma a visita pascal era realizada por dois padres que percorriam toda a vila, um para o cimo outro para o fundo.

A Visita Pascal terminava já com o cair da noite, sendo bem patente nos rostos o cansaço, mas ao mesmo tempo a satisfação do dever cumprido para com o Senhor e com as famílias. Também, acima de tudo, sobressaía em todos, a Amizade, a Paz e a Fraternidade. Fonte (texto adaptado)

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