Trajo regional de Portalegre | Trajos do Alentejo   

Trajo regional de Portalegre | Trajos do Alentejo   

Trajo regional de Portalegre  

“Foi nomeada uma comissão oficial sob a presidência do Sr. Dr. Virgílio Correia, para colher todos os elementos de elucidação que permitam organizar uma espécie de cadastro da indumentária regional portuguesa, tão curiosa, variada e, por vezes tocada de revivescências multisseculares.

Li algures que essa comissão pensa em distribuir largamente um questionário, para a sua colheita de informações.

Como, porém, é de uso não responder a estas coisas, não por menos consideração, mas por feitio nosso, anteciparei duas palavras acerca de tão interesse contribuição etnográfica.

O trajo masculino desta região, de uso habitual, conta essencialmente das seguintes peças:

– jaqueta, ou jaleca à alentejana, de surrobeca, e colete;

– calça da mesma fazenda, justa à perna, caindo em polaina sobre o sapato;

– cinta de merino preto; de atanado branco com salto de prateleira;

– camisa branca engomada, com colarinho fechado por botões duplos, de ouro ou prata;

– capote à alentejana, de burel, farto, cómodo, que se veste ou despe rapidamente, a pé ou a cavalo; ou manta alentejana, que se conduz ao ombro.

Na estação invernosa aparece a vestimenta de peles, que se compõem destes artigos:

Safões e pelico

Safões: constam de duas peles, geralmente de carneiro, com a lã para o exterior, reunidas de modo a adaptarem-se à cintura, cobrindo as calças e revestindo as pernas.

Seguram-se por meio de correias, fivelas e botões, que abotoam pelo lado interior das pernas. Também se fazem de peles curtidas. Há-os de luxo e modestos.

Foram usados em França pelas tropas portuguesas nos serviços das trincheiras.

Pelico: é de pele de cabra ou de cão, com o pêlo para fora. Introduz-se pela cabeça, caindo pela frente das costas, cobrindo o tronco.

Não tem mangas. Completa-se com o tapa…, em que a reticência cobre discretamente um elemento monossilábico do nome composto, que só interessa ao vocabulário rústico.

É uma pele rectangular que cobre as nádegas, munida de duas correias que a fixam à cintura.

Dá ao pelico o aspecto duma casaca e usa-se, quando se trabalha na terra, à chuva.”

Extracto de artigo de F.S. de Lacerda Machado, publicado no DN, em 9.02.1926

Alentejanos vestidos de pelico e safões (Alandroal – Alentejo)

Informações retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos (texto editado e adaptado)