Trajes de mulher do norte de Portugal (séc.XIX)

Uma vendedeira do Mercado no Porto

As províncias do Minho e Douro são, incontestavelmente, as que apresentam costumes mais pitorescos e característicos nos trajes dos seus habitantes.

Quem visitar a cidade do Porto tem ocasião de observar a variedade de trajes que as mulheres dos arredores apresentam.

Nas ruas e nos mercados aparecem estas mulheres ostentando os seus elegantes vestuários, de um aspecto muito original e um tanto varonil, e de facto elas desenvolvem uma actividade que lhes dá, em geral, uma certa superioridade ao sexo forte.

É esta raça forte de mulheres que dá as Marias da Fonte, e ninguém depois de as ver duvidará do seu valor.

Uma vendedeira do Mercado no Porto (Desenho de M. de Macedo) “Occidente”, nº173

 

Mulher do Alto Minho

Com a saia farta e muito rodada, ornada de uma larga facha escura, avental de cor, também terminado por uma facha ainda mais larga, chinela de bico, colete enfeitado de botõezinhos miúdos, lenço deitado pelas espaldas cujas pontas se vem cruzar no peito, e sobre o qual se voltam em torno do pescoço os folhos que guarnecem o cabeção da camisa de linho ou estopa, e alguns colares ou cordões donde pendem um coração, uma cruz ou outras medalhas, caminha para o mercado ou para a feira a jovem aldeã.

Sobre o lenço que apenas cobre o alto e a parte posterior da cabeça pousa a sogra ou rodilha em que assenta o canastrel, onde leva o que há-de ir vender.

As mangas arregaçadas deixam ver dois braços roliços mas alvos, e por entre a saia e o colete espipa na cinta um refego da camisa.

Sem perder tempo para o trabalho vai fiando a sua rocada de linho, e quando voltar a casa terá feito algum negócio, e trará meia dúzia de massarocas para acrescentar à teia do ano.

É um traje pitoresco, como todos os do nosso Minho e Beira, que o lápis de Manoel de Macedo teve a descrição de copiar do natural.

Mulher do Alto Minho (Desenho de M. de Macedo) “O Occidente”, nº178

 

Uma ceifeira da província do Minho

A nossa gravura representa uma ceifeira do Alto Minho, com os seus costumes pitorescos e excêntricos, que constituem uma verdadeira riqueza artística para os pintores do nosso país.

É mais um estudo dos costumes nacionais da vasta e opulenta galeria de Manoel de Macedo, um dos poucos que sabe avaliar e explorar o pitoresco português.

Uma ceifeira da província do Minho (Desenho do natural por M. Macedo) “Occidente”, nº150

 

Mulher dos arredores do Porto

“A gravura representa um dos variados tipos de mulheres do Douro que, todos os dias se avistam na cidade do Porto, onde vêm vender nos mercados as frutas, hortaliças, legumes, etc. das suas aldeias.

O seu trajo é extremamente pitoresco, realçado pelo ouro que lhe pende das orelhas e do colo, indo descansar sobre o peito que fica completamente coberto de corações e imagens da virgem, tudo de filigrana do precioso metal.

Esta riqueza representa ordinariamente o fruto das suas economias e quanto tem quanto trazem em cima de si, e a paixão que têm pelas joias obrigam-nas muitas vezes às maiores privações, para adquirirem mais um coração, mais uma conta para o colar de ouro, etc.

Estas mulheres do Douro, assim como as do Minho são de uma grande actividade, trabalhando na lavoura e no seu comércio com mais vigor que os homens daquelas províncias.”

Mulher dos arredores do Porto (Desenho natural por M. Macedo) “Occidente”, nº158

Traje dos estudantes do Liceu – a batina | Alentejo

Traje dos estudantes do Liceu – a batina

«Os estudantes do liceu trajam ainda a teológica batina.

É um resto dos costumes de outrora, em que o ensino era mais eclesiástico de que leigo.

O mesmo se observa noutros liceus, como, por exemplo, no da Guarda.

Por várias vezes se tem debatido na imprensa se convém ou não que os estudantes tenham uniforme.

Os rapazes influem-se principalmente com isto por um bocado de vaidade de se destacarem dos futricas.

Aqui há uns meses os estudantes passam pelo cómico de pedirem ou tentarem pedir ao Governo que lhes desse a batina dos estudantes de Coimbra!

Ora a batina em Coimbra tem uma certa significação, porque representa antigas tradições, embora se vá de tal modo já secularizado, que, com o tempo, tem perdido uma parte do seu comprimento e está hoje reduzida a um casaco.

No Porto, porém, não há esta tradição.

A escola de Medicina, de que me honro de ser filho, teve uma origem muito diversa da Universidade; portanto, a implantação da batina nela parece-me um anacronismo, que só posso explicar pelo hábito que todos têm de imitar o que é dos mais.

Se querem um uniforme, escolham outro; ainda que eu acho isto uma coisa secundária, sem essa grande vantagem que lhe apregoam, e entendo que a principal distinção do estudante é a sua aplicação e o seu saber. » (1)

***

No blogue “Viver Évora” – de onde foi retirada a imagem acima – encontramos o texto de um edital, mandado publicar, a 18 de Julho de 1861, pela reitoria do Liceu de Évora:

EDITAL

João Rafael de Lemos, comissário dos estudos do distrito de Évora e reitor do Liceu Nacional desta cidade, por S. Magestade (sic) o Senhor D. PedroV, (…) faz saber que:

Os alunos do Liceu Nacional desta cidade são obrigados a apresentarem-se em todos os actos escolares com o vestido talar académico, cujo uso lhes foi concedido pela Portaria do Ministério do Reino de 27 de Outubro de 1860, sob pena de serem riscados do livro de matrículas os contraventores.

E para que chegue a notícia aos interessados (…)

Évora, 18 de Julho de 1861

O comissário de estudos e reitor do Liceu

João Rafael de Lemos

(1) Informações retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos

Trajos de Entre Douro e Minho | Lavradeira e Trajo de Afife

Trajo à Lavradeira

O que no país se chama trajo à minhota, à moda do Minho, à vianesa, não é próprio de todo o Minho, como toda a gente sabe naturalmente: em regra è próprio de Viana de Castelo.

No Minho chamam-lhe trajo à lavradeira.

É próprio da aldeia de Santa Marta de Portuzelo, no concelho de Viana do Castelo.

Desnecessário é descrevê-lo: é conhecimento geral e aparece muito particularmente na época carnavalesca.

Mas, diga-se de passagem, que perde muito fora do corpo forte das lavradeiras do Minho, porque só elas sabem luzi-lo, com a sua mobilidade extrema, que lhes dá inimitável graça e donaire.

Trajo de Afife

Outro vestuário típico de Viana do Castelo é o de Trajo de Afife.

As mulheres trazem uma blusa justa ao busto, adulteração do primitivo trajo aldeão. Foi influência da cidade, que é perto.

A saia diferença-se da de Santa Marta de Portuzelo em certas listas serem mais largas, as fundamentais.

Por exemplo: listas largas vermelhas e entre elas uma listazinha preta ladeada por listazinhas brancas.

O forro da saia (isto é, a barra da saia) é, em geral, preto, ao passo que em Santa Marta de Portuzelo é vermelho.

O lenço é semelhante ao de Santa Marta, mas mais franjado.

O avental é semelhante aos da cidade: estreito e não tecido.

Sobre o peito traçam, nem sempre, em lenço, em geral cor de canário.

Usam sombrinha como a das senhoras da cidade.

Extractos de um estudo sobre o trajo minhoto apresentado a José Leite de Vasconcelos, por António de Jesus Gonçalves, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa, em 04.07.1916.

“Uma lavradeira de Afife provida de uma sombrinha luxuosa”

Informações retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos (texto editado e adaptado) | Imagem: “Ilustração Portugueza” nº181 – 9 de Agosto de 1909

Trajos de Entre Douro e Minho – Vila Nova das Infantas

Traje característico das mulheres de Vila Nova das Infantas nos arredores de Guimarães

Traje de andar a cotio ou dos dias da semana

As mulheres têm duas espécies de trajo: o de andar a cotio ou dos dias de semana e o dos Domingos.

O trajo de andar a cotio ainda varia conforme se está no Verão ou no Inverno

No Verão é extremamente simples: camisa de tomentos encabeçada de linho ou estopa fina de meia manga rematada por entremeio e renda de croché, cingida ao corpo pelo original colete de rabos, profusamente guarnecido de fitas de cor, franzidas, ao sabor da fantasia da possuidora.

Este colete é extremamente elegante: nas costas não tem mais de um decímetro de largura, e pelas cavas, fundas, aparecem as ombreiras da camisa, com pregas bordadas a algodão vermelho.

Este colete, muito curto de cinta, termina por seis rabos, dois largos à frente, dois menos largos atrás e entre estes, outros dois estreitos, talvez de um centímetro.

As saias brancas de farta roda são geralmente de pano-cru e por sobre três ou quatro destas saias cai uma outra de riscado, chita ou de um tecido misto (linho de lã) de cor escura.

Um avental grande, também dos mesmos tecidos, cobre a saia até quase à fímbria.

Um lenço de chita, com ramagens, que lhe envolve o busto, cruzado no peito, e um outro apertado no alto da cabeça completam o vestuário usado todos os dias.

Os pés, quase sempre nus, ou, quando muito, dentro de uns socos grosseiros e já concertados (socos tachados).

No Inverno, algumas das saias brancas são substituídas por um saiote vermelho, e por sobre o colete e o lenço de chita usam um casaco redondo, que apenas chega à cintura.

Trajo de Domingo

O trajo de Domingo pode ser igual, mas com maior riqueza, isto é, a camisa toda de linho e bordada nas mangas, o colete de veludo, as saias de fazenda, os aventais de veludo bordado a vidrilhos (mendrilhos, segundo elas), os socos de verniz e forrados, ou então chinelas e meia branca.

Os lenços são: de seda, o da cabeça; um cachené, o do peito.

Às vezes acrescentam a isto o tal casaco redondo, de fazenda leve, com pele a debruá-lo.

Completa o vestuário domingueiro um lenço de bolso, de linho, com entremeio e renda bastante larga, todo bordado a vermelho.

O assunto desse bordado é quase sempre amoroso: uma pomba com uma carta no bico, dois corações juntos engrinaldados de flores, etc., e sempre com uma quadra.

De uma delas me lembro eu:

Nos nossos corações unidos
Brotam sempre lindas flores;
No teu brotam malmequeres;
No meu perfeitos amores.

Extractos de um estudo intitulado “Traje característico das mulheres de Vila Nova das Infantas nos arredores de Guimarães” feito por Beatriz Aurora Maria de Almeida, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa, datado de 10.07.1916.

Lavradeiras negociando a troco de dez rezinhos para a santa da sua invocação o seu grande ramo de flores (Na romaria de São Tiago – Guimarães)

Fonte: “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos | Imagem (meramente ilustrativa): Lavradeiras minhotas na Romaria de São Tiago – Guimarães (“Ilustração Portuguesa” – 1913)

Trajos de Grândola e Trajos de Arronches | Trajos do Alentejo

Trajo de Grândola

O trajo dos pastores pouco difere dos demais trabalhadores rurais, que vivem nas casas de campo.

No entanto é neles mais frequente o uso

– dos botins (bota pelo meio da perna),

polainas (a que noutro tempo ouvi chamar geralmente botinos),

samarra (casaco de pele do ovelha, sem mangas e com uma pequena aba a proteger os úmeros),

pelico de pele de ovelha e semelhante à samarra, mas talvez mais curto diante e com aba da parte de trás (o tapa-cu), para cobrir o espaço debaixo a descoberto pelo guarda-matos (nome vulgar dos safões), podendo a samarra e o pelico terem mangas ligadas por cordões ou correias.

Usam também os trabalhadores de enxada e os ganhões (assalariados com contrato por ano, que se empregam geralmente em trabalhos de culturas e de colheitas) umas metades de chapéu ligadas em volta dos tornozelos, caindo sobre os sapatos para evitar a entrada de terra nestes, a que dão o nome de enteparras (por entreparras ou enteparras, decerto) e semelhantes às polainas vulgares.

Apontamento do Dr. Manuel Matos

Trajo de Arronches 

O alentejano da minha terra, ao contrário de que sucede em outras regiões de Portugal, não prescinde das ceroulas de pano cru e das meias grosseiras, de cores vivas, feitas em casa, por mãos de velhas nos serões de Inverno e nas tardes estivais.

Veste ordinariamente calça de casimira grosseira, que se ajusta inferiormente à perna e se chama por tal motivo calça de boca de sino. Por sobre a camisa ornada de colarinho mole, mas sem gravata, usa o colete quase sempre desabotoado.

Quando o tempo é quente a roupa de cima não vai além das peças já iniciadas, sucedendo usar-se às vezes a jaleca ao ombro. Quando o tempo, ao contrário, é frio, veste a sua jaqueta ou jaleca, talhada sempre curta e ajustando-se ao corpo de uma maneira apertada.

As golas de atraçã, os vivos ou debrunas de fita preta, as alamares de prata – tudo isto hoje está em desuso já, e apenas se conhece de memória e de tradição. O calçado é quase sempre branco – botas e sapatos.

Só domingueiramente se usa o calçado engraxado. A bota alta de montar e a polaina empregam-se apenas quando as necessidades rústicas o exigem. O chapéu usado é o chapéu braguês de aba comprida e larga, chapéu de enormes proporções, que antigamente possuía como ornamentos grandes borlas pretas, hoje desusadas também.

O tipo do capote alentejano é conhecido. Só com a gravura respectiva o poderia descreves competentemente. Os safões ou ceifões de pele de chibo comprados nas feiras usam-se apenas quando as necessidades da vida agrícola aconselham a sua convivência.

Vestuário feminino

O tipo do vestuário feminino está-se incaracterizado também.

As saias de cima, quase sempre de cores vivas, têm comummente muita roda e usam-se sempre compridas.

A mulher da minha terra não sofre como a mulher de Nisa, põe exemplo, a moda da saia curta. As blusas ou roupinhas duma simplicidade extrema, ajustando-se ao corpo e deixando conjecturar toda a plástica do busto.

Quase sempre se usa o lenço na cabeça, ora atado com um nó sob o queixo ora atado com um nó também no alto da cabeça. Este lenço da cabeça e às vezes um lenço de malha próprio usam-se no busto, caindo em pontas sobre as costas e abrindo em decote sobre o peito. A mulher da minha terra nunca anda sem meias ou sem sapatos.

Xaile e mantilha

O xaile, grande xaile de merino, é peça de roupa indispensável. Pode usar-se dobrado em bico ou em ar de manta. Este último processo é considerado um processo fino de usar o xaile.

Hoje já não se veem mantilhas; muito raramente também se vê o bioco. Este é caracteristicamente regional, penso eu. É uma espécie de capa de um tecido preto, deixando cair à frente sobre a cabeça e o rosto um véu de tecido preto por igual e transparente.

Era dantes muito usado nos domingos e dias de festa. Foi peça de roupa imprescindível num bragal completo e trajava-se quando ia à missa.

Hoje, como o culto católico está muito em decadência, como quase ninguém vai à missa e as igrejas estão fechadas, o bioco só muito raramente se vê em mulheres de certa idade, que ainda se conservam fiéis ao cumprimento dos preceitos religiosos tradicionais com que foram criadas.

Extractos de um estudo acerca do trajo de Arronches, feito por Teófilo de Oliveira Júnior, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa, datado de Julho de 1916

Fonte: “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos (texto editado e adaptado) | Imagem (meramente ilustrativa): “Tipo do Alentejo” – Boletim Fotográfico – nº10 e 11 – Out e Nov de 1900

Trajos de Entre Douro e Minho | Trajos tradicionais

Trajo da semana

O trajo da semana é pobríssimo, principalmente o das pessoas de idade mais avançada, e compõe-se do que passo a dizer:

– saia de serguilha tecida de lã, avental igual, colete (espartilho) redondo com quatro espigões, de cana à frente, com uma cinta de veludo guarnecida com lãs de várias cores e algumas lantejoulas;

– camisa de linho e um saiote branco com barro de chita, aparecendo por espaços remendos de diferentes cores;

lenço de chita ordinária ao pescoço e idêntico na cabeça;

– pequenas argolas e um fio de contas;

– andam descalças ou calçam uns socos (tamancos) muito usados.

Quando saem para a rega (para regar o milho) ou outro trabalho, usam o mesmo fato, apenas arregaçam as saias por causa da humidade, o que elas chamam ensacar. Na ceifa do centeio ou milho usam um chapéu de palha atado com as pontas do lenço que trazem na cabeça.

Trajo para a igreja

Para a igreja, principalmente em dias solenes, o trajo mudo:

– calçam chinelas pretas com um laço na parte superior e as mais das vezes são cheias de ramalhetes de algodão de várias cores;

– meias de cor, geralmente tecidas por elas;

– vestem quatro, cinco, e quantas vezes seis saias brancas de linho com folhos de morim, com um pequeno bico de croché;

– por cima destas um saiote de pano vermelho com duas barras estreitas de veludo preto, e por cima de tanta saia e saiote vestem a saia de beata preta, também com barras de veludo, avental do mesmo tecido com um folho de setim, chambre de cor com guarnições garridas e lacinhos na frente;

– três, quatro, cinco e mais fios de contas, grilhões em enormes medalhas de ouro, onde colocam os retratos dos seus tones (namorados).

– Das orelhas pende um ou dois pares de argolas grandes.

O penteado é com uma poupinha à frente, muito brilhante devido à banha de porco que elas usam, caindo sobre a testa caracóis ou cachos, que elas fazem com o auxílio de um rabo de garfo; lenço na cabeça completamente variado nas suas cores e cheio de enfeites.

Trajo de feira

O trajo da feira compõe-se do mesmo calçado, saia de anil com silvas de lã de diversas cores, avental do mesmo gosto, algibeira ao lado direito, bordada de missanga e lãs, com o nome de pessoa, onde se vê um lenço branco, marcado com algodão vermelho, tendo nos quatro cantos dizeres engraçados e curiosos;

ao meio do lenço sobressaem certos enfeites, que em geral são: um coração, um amor, um cravo, etc.;

colete vermelho guarnecido de sotage e missanga;

uma camisa alvíssima de linho com punhos ramalhados de vermelho ou azul;

um lenço franqueiro na cabeça;

muito ouro.

A propósito de ouro costumam dizer: «Para a missa o que puderdes, para a feira quanto tiverdes.»

Na mão esquerda usam muitos anéis de prata, naturalmente para indicarem o seu estado de solteiras.

Trajo para ocasião de luto ou dó

Quando é ocasião de luto ou dó vestem-se de preto, cobrem as argolas com pano da mesma cor e deitam uma saia pela cabeça.

Se os maridos se ausentarem por muito tempo, para o estrangeiro, principalmente para o Brasil, também usam o mesmo vestuário triste.

Trajos de homem

Os homens, no seu trajo mais simples, usam nos dois dias de trabalho calças de linho, não trazem casaco, ou, se trazem, é esfarrapado, servindo o próprio forro remendado; na cabeça põem uma carapuça ou chapéu esfuracado.

Para a feira levam calças brancas, se é no Verão, e no Inverno outras quaisquer;

faixa azul ou vermelha em volta da cinta, colete de pele de coelho ou lebre;

corrente de prata com peças antigas, anéis e os retratos das tónias;

casaco preto, chapéu castanho;

sapatos de couro branco com a biqueira voltada para cima, ou então tamancos de couro preto com biqueiras amarelas.

Extractos de um estudo feito por Júlio Pereira Pinto Júnior, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa, datado de 02.03.1917.

Lavradeira dos arredores de Viana do Castelo

Fonte: “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos (texto editado e adaptado) | Imagem: “Ilustração Portugueza” – nº216, 11 de Abril de 1910.

Trajo regional de Portalegre | Trajos do Alentejo   

Trajo regional de Portalegre  

“Foi nomeada uma comissão oficial sob a presidência do Sr. Dr. Virgílio Correia, para colher todos os elementos de elucidação que permitam organizar uma espécie de cadastro da indumentária regional portuguesa, tão curiosa, variada e, por vezes tocada de revivescências multisseculares.

Li algures que essa comissão pensa em distribuir largamente um questionário, para a sua colheita de informações.

Como, porém, é de uso não responder a estas coisas, não por menos consideração, mas por feitio nosso, anteciparei duas palavras acerca de tão interesse contribuição etnográfica.

O trajo masculino desta região, de uso habitual, conta essencialmente das seguintes peças:

– jaqueta, ou jaleca à alentejana, de surrobeca, e colete;

– calça da mesma fazenda, justa à perna, caindo em polaina sobre o sapato;

– cinta de merino preto; de atanado branco com salto de prateleira;

– camisa branca engomada, com colarinho fechado por botões duplos, de ouro ou prata;

– capote à alentejana, de burel, farto, cómodo, que se veste ou despe rapidamente, a pé ou a cavalo; ou manta alentejana, que se conduz ao ombro.

Na estação invernosa aparece a vestimenta de peles, que se compõem destes artigos:

Safões e pelico

Safões: constam de duas peles, geralmente de carneiro, com a lã para o exterior, reunidas de modo a adaptarem-se à cintura, cobrindo as calças e revestindo as pernas.

Seguram-se por meio de correias, fivelas e botões, que abotoam pelo lado interior das pernas. Também se fazem de peles curtidas. Há-os de luxo e modestos.

Foram usados em França pelas tropas portuguesas nos serviços das trincheiras.

Pelico: é de pele de cabra ou de cão, com o pêlo para fora. Introduz-se pela cabeça, caindo pela frente das costas, cobrindo o tronco.

Não tem mangas. Completa-se com o tapa…, em que a reticência cobre discretamente um elemento monossilábico do nome composto, que só interessa ao vocabulário rústico.

É uma pele rectangular que cobre as nádegas, munida de duas correias que a fixam à cintura.

Dá ao pelico o aspecto duma casaca e usa-se, quando se trabalha na terra, à chuva.”

Extracto de artigo de F.S. de Lacerda Machado, publicado no DN, em 9.02.1926

Alentejanos vestidos de pelico e safões (Alandroal – Alentejo)

Informações retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos (texto editado e adaptado)

A Mulher Estremenha | Trajes regionais de Portugal

A Mulher Estremenha

As divisões administrativas raro obedecem ao constitucionalismo regional, quer no aspecto externo, quer no ponto de vista interno ou etnográfico.

Se nos referirmos concretamente à Estremadura, observamos caracteres próprios e caracteres que o não são:

– ao Norte poderá ver-se uma confusão não estranhável com a Beira-Marítima [Beira Litoral];

– a Nordeste, pelo Zêzere, uma sobreposição de estremenho ao beirão da Beira Baixa;

– a Este, o Ribatejo prolonga-se para a margem esquerda do Tejo, mas não tão além como devera de ser;

– para Sul, está incluída na Estremadura Transtagana, hoje incluída no distrito de Setúbal, a vasta região meridional, que só administrativamente continua o Ribatejo esquerdenho.

De onde se conclui, para o apontamento do traje, agora em vista, que a estremadura característica abrange estes três tipos, ao mesmo tempo etnográficos e panorâmicos, isto é, interna e externamente considerados:

– a região plana do Norte, a ligar-se pela costa com a Beira-Marítima [Beira Litoral], de Pombal para baixo, em torno de Leiria e Alcobaça – a Gândara;

– o vale do Baixo-tejo, nas planas baixas e inundáveis, a um e outro lado do rio – o Ribatejo;

– e as circundezas de Lisboa, nestes territórios tectónicas de formação movimentada, que teriam de ser chamadas a constituir a terra dos saloios.

No traje, que define objectivamente a mulher, a Estremadura reparte-se nos tipos correspondentes às três regiões:

– a gandareira,

– a ribatejana, a que poderíamos chamar «campina», por paralelismo com a designação da facies masculina de indumenta,

– e a saloia.

Invoco dois depoimentos da gandareira, um estrangeiro, outro nacional:

Lisboa, Caldas da Rainha e Alcobaça

1º – M.me Rattazzi foi de Lisboa às Caldas, a Alcobaça, etc. – via ordinária, evidentemente.

Depois de se referir a que «a vida rústica exerce-se ao ar livre», menciona a impressão que as mulheres lhe deixaram: – aldeãs com cestos à cabeça, com bilhas de leite nos braços, fazendo meia e parando para dar os bons dias aos compadres… [Portugal de Relance, tradução portuguesa do livro Le Portugal à vol d’oiseau, – vol. II, pág. 116].

E logo adiante em Alcobaça: «aldeãs de pele queimada e grandes olhos negros caminhavam alegremente».

Em Leiria

2º – Eça de Queiroz descreve a praça de Leiria, às horas da missa, em O Crime do Padre Amaro (8ª ed., pág. 316): – «as mulheres, aos pares, com uma fortuna de grilhões e de corações d’ouro sobre os peitos pejados».

O mercado de Leiria ao Domingo é um museu.

Guardadas ao proporções, a gandareira é a minhota do Sul, no pitoresco e colorido como nos tecidos do trajo.

Serguilhas nas saias rodadas, azuis com barras; corpinhos variegados em que vibra um veludinho de pintura flamenga, e faz ver nas mulheres umas figurinhas escapas de uma qualquer tábua de Nuno Gonçalves ou Frei Carlos; um chapelinho de forma de pudim, na cabeça; a saia escura, mesmo negra, que serve de capa, ou para o frio ou para cerimónia, como na igreja, ou de visita; chinelas biqueiras nos pés, – aí está o traje mais curioso da Estremadura.

Mulher viva, de uma actividade urgente na região rica…

No Ribatejo

No Ribatejo, o pitoresco do traje é superior no homem, que Fialho de Almeida assim descreve em Os Gatos: – «calção azul e sapatos de espora, e barrete verde ou rubro, plantado esculturalmente numa sela mourisca, com seu xairel de pele de cabra.» (4ª ed., vol. IV, pág. 140).

A mulher é ao par dele uma nota fresca, de cor simples: panos de loja, que na pujança agrícola não há labor de tecelagens, e está-se mais cerca da moda de Lisboa, de onde se repartem os figurinos e as cantigas; cores leves; ventalotes curtos, lençaria traçada ao peito, saiotes de uma cor, saias claras.

A saloia

A saloia teve o seu quindim de indumentário.

É vê-la nas aguarelas luminosas de Roque Gameiro e de Alberto Sousa, com o seu barrete vistoso em bico [na imagem], hoje apenas com similar no carapuço da Madeira.

Hoje é talvez a mais marafona das mulheres de Portugal: camisete clara, solta; saia rodada curta, a mostrar os pés dentro de grossas e altas botifarras de atanado; lenço de preferência claro, caído, a meter-lhes a cabeça num capuz sem capa.

Olhando-nos desconfiada, ela aí passa nas ruas de Lisboa, de trouxa de roupa à cabeça, ou a vender broas de pão-milho, laranja da China, tremoço saloio e outras mercancias.

E quem quiser ilustração para o conto, não há como folhear o ensaio bibliográfico dos Costumes Portugueses, editado pelo meu amigo ilustre, que é o académico sr. Henrique de Campos Ferreira Lima; folhear e escolher.

Luís Chaves

In “Alma Nova” – V séria – nº 13 – Maio de 1929 (texto editado e adaptado) | Imagem: “A volta do mercado” – Roque Gameiro, in «Ilustração Portugueza», nº624 – 4 de Fevereiro de 1918

Traje de mulher da ilha do Faial – Açores | Trajes regionais

Traje de mulher da ilha do Faial

A ilha do Faial é uma das mais formosas do arquipélago dos Açores, situada a 38º e 31′ de latitude N e 19º e 33´ de longitude O de Lisboa.

Abrange uma superfície de 35 quilómetros de comprimento por 20 de largura.

O número dos seus habitantes é de cerca de 24.000, com 5.400 fogos distribuídos pela capital da ilha e 9 aldeias, além de pequenas povoações.

A nossa gravura representa uma mulher dessas aldeias em seu traje característico, que tem bastante de singular, com quanto tenha certa semelhança com os trajes mirandeses na província de Trás-os-Montes.

Se considerarmos que o clima da ilha do Faial é muito temperado, ainda mais nos deve surpreender aquele rodado capote de pano com um tão abundante capuz, do que para ser usado num clima quente, onde crescem as bananas e os ananases.

Há muitas destas contradições nos hábitos do povo, muito principalmente entre as povoações que, como esta, se formaram por meio da colonização que lhe levou os costumes dos colonizadores, embora esses costumes se modifiquem com o andar dos tempos.

Colonização dos Açores

Os Açores principiaram a ser colonizados pelos flamengos em 1466, por cedência que el-rei D. Duarte fez a sua irmã, D. Isabel de Borgonha, mãe de Carlos, o Temerário, e só depois, por 1500, é que os portugueses povoaram progressivamente aquelas ilhas.

Este traje ressente-se, evidentemente, da Idade Média, e resta saber se ali o deixaram os flamengos ou ali foi levado pelos portugueses.

Seja como for, é certo que ele pouco se coaduna, quer com o clima da ilha quer com os hábitos dos folgazões faialenses, muito dados a danças e divertimentos, e ainda menos a fazer realçar a beleza das faialenses, que são em geral formosas e de boas formas.

Costumes Portugueses – Um traje de mulher na ilha do Faial (Desenho de M. de Macedo)

Fonte: “Occidente”, nº223 – 1 de Março de 1885 (texto editado e adaptado)

Colóquio “Curvas, Espartilhos e Roupas de Baixo”

Integrado nas comemorações dos 730 anos de existência, a Universidade de Coimbra, através da Faculdade de Letras – Centro de História da Sociedade e da Cultura, promove, nos dias 4 e 5 de março,  o colóquio internacional “Curvas, Espartilhos e Roupas de Baixo: Uma História Íntima da Sedução Feminina (Séculos XIX e XX)

O colóquio tem dois eixos temáticos

– “Seduzir pelo corpo e pelo espírito” e

– “Indumentária feminina e novos desafios: arte, folclore e design

contando também com uma mesa-redonda.

Programa

4 de março

Link: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/82954751624?pwd=bTArTlBvNVJvODJ5K002M0QwM1JYZz09

ID da reunião: 829 5475 1624

Senha de acesso: 929437

Manhã

10h00 | Sessão de Abertura

Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra – Amílcar Falcão

Diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra – Rui Gama

Vice-presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira – Francisco Cardia

Conservadora do Museu Municipal Santos Rocha da Figueira da Foz – Ana Margarida Serra Ferreira

Coordenador Científico do Centro de História da Sociedade e da Cultura – José Pedro Paiva

Sessão 1

Seduzir pelo corpo e pelo espírito

10h30 | Irene Vaquinhas (FLUC-CHSC)

As armas da sedução feminina: das “cinturinhas de vespa” às “pernocas ao léu” (2ª metade do século XIX-princípios do século XX)

11h00 | Maria Izilda Santos de Matos (PUC-SP)

Sorriso: sedução, beleza e ousadia – intimidades e publicidades

11h30 | Jaime Ricardo Gouveia (FLUC-CHSC)

Roupas de baixo das gentes de cima. O caso dos Coutinhos (séculos XIX e XX)

12h00 | Debate

Tarde

Mesa redonda | Roupas de baixo e roupas de cima: a importância da musealização do traje

14h30 | Madalena Braz Teixeira (ex-Diretora do Museu Nacional do Traje)

A moda no século XX e o seu forro interior

15h00 João Alpoim Botelho (Diretor do Museu Bordalo Pinheiro, ex-Diretor do Museu do Traje de Viana do Castelo)

Trajes de lavradeira: o que oculta a sua “polychromia pittoresca e variegada”

15h30 | Debate

Moderação: Ana Margarida Serra Ferreira (Conservadora do Museu Municipal Santos Rocha da Figueira da Foz)

16h00 | Apresentação do Catálogo I – Irene Vaquinhas e Jaime Ricardo Gouveia

Curvas, espartilhos e roupas de baixo: uma história intima da sedução feminina (séculos XIX e XX)

5 de março

Link: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/84040639080?pwd=RVRsa1J1QkcxYkdhRmkwMWxDOXdsZz09

ID da reunião: 840 4063 9080

Senha de acesso: 103268

Manhã

Sessão 2

Indumentária feminina e novos desafios: arte, folclore e design

9h30 | Daniel Café (Presidente da FFP)

– A roupa de baixo da tradição popular portuguesa

10h00 | Ludgero Mendes (Presidente da AG da FFP)

Usos e recursos da roupa de baixo na indumentária popular

10h30 | Joana Teodoro (ESAD, Fundadora e Diretora da empresa criativa Recycled Clothing) e Anita Gonçalves (ESAD)

– A moda e o upcycling de vestuário: celebrar o passado, transformar o presente e desenhar o futuro

11h00 | Debate

Moderação: Jaime Ricardo Gouveia e Sónia Nobre

Os Trajos – Notas e registos de etnografia alcobacense

Os Trajos

O linho que estou ceifando
aqui nasceu e cresceu
também o hei-de fiar
com roca que amor me deu.

Popular

As grandes modas do século XVIII, a infiltração do luxo em todas as camadas sociais e, ainda, questões de ordem económica, fizeram desaparecer, quási completamente, o encanto dos trajos regionais.

Trajos da rapariga da aldeia

A rapariga da aldeia que era um modelo de simplicidade, que pelas suas mãos fiava e tecia todas as peças do seu vestuário, veste-se agora com os tecidos e as cores mais irritantes, e arrebica-os com os enfeites mais disparatados.

Com a perda daquela simplicidade, daquela harmonia, alguma coisa mais se foi também: – foi uma parte da modéstia que a revestia, da ingenuidade que a caracterizava.

A sua alma já não é aquela alma sonhadora; é uma pretensão viva e áspera, porque nem vale o que é, nem chega a ser o que deseja.

Os trajos antigos mal chegaram até nós.

Ainda recorda o nosso espirito o curioso trajar da mulher serrana: – barrete branco de linho, arrendado com longa e múltipla borla, caía sobre a cabeça e pendia sobre o ombro.

O cabelo raramente se usava comprido; cortava-se em toda a parte posterior da cabeça, deixando ficar sobre a testa uma longa marrafa. Era para este caso que o barrete servia.

As raras mulheres que usavam cabelos compridos, penteavam-nos, apartando-os ao meio.

As duas grandes madeixas enrolavam-se em dois crescentes de madeira lavrada, que descansavam sobre as orelhas. Ao centro deste penteado caia um boné de alta borla, feito de tecido de garridas cores.

O busto vestia-se com as roupinhas, de pano azul, por vezes, até, de chita; tinha largo decote, ou era quási fechada.

O seio era coberto por peitilho de veludo e renda ou por lenço branco lavrado. Quási sempre um grande lenço dobrado em triângulo cruzava no peito e atava duas pontas nas costas, acima da cintura. O bico do lenço caía nas costas em belo elemento decorativo. As cores do lenço eram apropriadas à idade.

A saia…

A saia era de lanzinha azul, de fabrico doméstico, e orlada, na fimbria, de larga barra de veludo ou chita, ou ainda bordada a trancinha ou a ponto de cruz. Outras vezes escolhia-se um tecido de garridas cores, como a que vai representada na gravura.

Os pés calçavam meias de lã ou de linho, e havia, para os dias de festa, as meias bordadas, cuja variedade é extensa.

A rapariga, mesmo a mais pequenina, vestia-se como a mulher, sem nenhuma alteração de forma. Era uma delicada miniatura.

Para as festas e para a confissão tinha-se andaina própria: – na cabeça um lenço de cambraia ou bobinete, bordado, que só deixava a descoberto o terço médio da cara, e que lhe dava um delicado aspecto.

O corpo era envolto em capa de cabeção em bico e bandas com aplicações de veludo lavrado.

Os homens, para os actos da igreja usavam larga capa.

Para o casamento havia a mantilha, espécie de biôco, composto de curta capa com cabeção rígido, à frente do qual caia largo véu.

Este bióco, era, geralmente, emprestado por casa de pessoa rica.

Ao trajar da mulher, descrito, correspondia o do homem, que era bem uma representação das andainas do seculo XVIII.

Trajo do homem

Só a casaca encurtara as abas, transformando-se na véstia de curto rabicho, na véstia que devia dar origem à jaleca atual.

A camisa era de linho, com peitilho de preguinhas ou bordado.

Nos franzidos dos ombros e dos punhos sobrepunham-se desenhos bordados, como aplicações de filigrana.

O colarinho alto e dobrado, era preso por uma ou duas abotoaduras duplas de filigrana de ouro ou prata dourada.

Para os pobres que não podiam comprar o metal precioso, havia os botões esféricos, de linho com aplicações de bordados imitando a filigrana.

O colete era de cor garrida.

Vestia calção e bota alta, ou meia e sapato com fivelas.

Na cabeça o grande chapéu braguês de larga aba e borla, ou barrete de lã.

Era uma figura interessante e grave a de muitos velhos que conhecemos.

M. Vieira da Natividade

Velho trajo da região serrana (1850) (Aguarela de Alberto Sousa)

Fonte: “O Povo da Minha Terra – Notas e registos de etnografia alcobacense – M. Vieira Natividade”  in “Terra Portuguesa – Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia” – nº 17 a 20 – Junho a Setembro de 1917