Trajes do Vale do Lima – Alto Minho | Trajes tradicionais

Lã e linho

A lã e o linho constituíam, por excelência, as fibras naturais usadas para a confecção da roupa. Esta última adoptada sob o tríplice aspecto de linho, estopa e tomentos. As fibras do linho eram e ainda são usadas para fazer camisas, saias, lenços… enfim, a roupa da casa.

As peças de vestuário que a família não estava habituada a fazer eram entregues aos cuidados de um profissional. O vestimenteiro, para os homens, fazia um terno: calças, colete e jaqueta. O colete que, em tempos pouco distantes, eram geralmente de linho e mais ou menos bordados (Cabração), deu lugar aos coletes de cotins e riscados. As calças, de burel (Rebordões, Amarela, Arga), de lã e estopa (Soajo) ou até de qualquer outro tecido mais moderno para a festa, vieram substituir os calções outrora em voga e hoje apenas usados em algumas localidades (Lindoso).

O chapéu de aba larga não se vê em mulheres, mas é comum nos homens. Nos trabalhos do estio, porém, o chapéu de palha de centeio, fabricado geralmente no local, é que era adoptado. As mulheres usavam frequentemente o lenço adquirido nas feiras.

Os homens usavam como agasalho uma capa comprida com cabeção e gola alta, sem mangas nem botões (Refoios, Rebordões). Os agasalhos das mulheres eram os extintos mantéus. De resto, contra o frio, os meios de defesa eram parcos. Do Soajo a Lindoso, e na Amarela, as mulheres punham um avental sobre a cabeça e ombros. Avental que, aliás, quando é mais amplo e específico para esse uso recebe o nome de “mantilha“. Já em Arga e nas povoações adjacentes como Estorãos e S. Lourenço, adoptam, pela cabeça e ombros, uma saia. Antes, porém, de se generalizar este costume, a moda era o mantéu, “do pescoço até ao giolho“, sem mangas, nem gola ou capuz.

Capucha para homens e mulheres

Mas entre todos os agasalhos, a capucha era o mais vulgarizado e preferido, tanto por homens como por mulheres. Consistia num rectângulo que, cobrindo a cabeça, prendia ao pescoço, dilatava-se nos ombros e podia, até, descer um pouco, adaptando-se ao corpo. A capucha era de tomentos (Arga), ordinariamente de burel (Cabreira, Gralheira, etc.) e, para a missa ou dias festivos, de saragoça.

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À coroça ou palhoça, principal protecção contra a chuva, há a acrescentar o safão, especialmente destinado aos trabalhos no mato e no monte. Na serra de Arga, os safões era feitos geralmente de pele de cabrito. Suspensos da cintura aos joelhos ou começando mesmo a meio do peito, impedem o estrago das roupas nas segadas. Note-se, no entanto, que, como no Soajo, o safão é já ou virá a sê-lo, em breve, um acessório dispensado e esquecido.

As meias eram fabricadas em malha de lã e, inicialmente, de retalhos unidos. Abundavam na serra sob as denominações de, para homens, “carpins” ou “meiotes” e, para mulheres, “piúcas” (quando sem pé). Estas eram meias de malha de lã, geralmente brancas, apenas do cano do joelho ao tornozelo (Arga). O desuso das meias de lã tradicionais instala-se, contudo, no Soajo e na Amarela, tendo-se-lhe antecipado nas faldas da Serra de Arga (Cabração): onde se usavam as chamadas “peúgas de cabrestilho“, ou seja, com uma presilha por baixo.

Os socos de madeira, hidrófugos e quentes, eram e ainda são o calçado usado por ambos os sexos, concebido para os maus caminho do campo. Os socos, chancas ou tamancos são abertos, no Verão, ou fechados, no Inverno, e são feitos de madeiras locais, como o amieiro. Os modelos fechados são umas botas de couro e sola de “pau”, de cano curto e apertadas com cordões de couro.

Ao calçado ocorre associar as polainas que, apesar de terem caído em desuso, são inequivocamente úteis para o frio, a chuva, a neve e, de um modo geral, todo o serviço no campo ou no monte. Geralmente eram só adoptadas pelos homens mas as mulheres serranas, da Arga, também as usavam na estação rigorosa. As polainas femininas também eram de burel mas mais curtas.

Os lenços de namorados, outrora de estopa (Arga) e, depois, de linho e de cambraia, eram comuns quer na zona ribeirinha, quer nas localidades serranas. Bordados a ponto cruz, apresentavam dizeres de cariz amoroso, como esta quadra da serra Amarela:

«Neste lenço quis fazer
Obras da minha habilidade
Para um dia dar de prenda
A quem tenho amizade.»

Ou esta outra:

«Nada mais
Posso dizer
Soute firme
Até morrer.»

 

Fonte: “Cores, sabores e tradições – Passeios no Vale do Lima” | Imagem de destaque

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