Tradicional desfolhada à moda do Minho!

 

No próximo dia 5 de Outubro (data em que se comemora a Implantação da República em Portugal e a assinatura do Tratado de Zamora – entre D. Afonso Henriques e seu primo, Afonso VII de Leão, em 1143), o Grupo Folclórico Verde Minho vai realizar mais um Encontro de Tocadores de Concertina.

Esta iniciativa terá início pelas 16h00, nas instalações do Grupo União Lebrense (A-das-Lebres | Loures) e será precedida, a partir das 14 horas, da recriação de uma tradicional desfolhada à moda do Minho.

 

O Minho é Verde – Folclore é Verde Minho!

Disse um dia o escritor transmontano Miguel Torga, “…no Minho tudo é verde, o caldo é verde, o vinho é verde…” – não podiam, pois, os minhotos que vivem na região de Lisboa, deixar de tomar para si a identificação cromática que caracteriza a sua região.

Respondendo ao chamamento da terra que os viu nascer, os minhotos que vivem nos arredores de Lisboa, mais concretamente no Concelho de Loures, decidiram em tempos criar um grupo folclórico que os ajuda a manter a sua ligação afetiva às origens. Assim nasceu em 1994 o “Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares Verde Minho”, anunciado como seu propósito a preservação, salvaguarda e divulgação das suas raízes culturais.

Visa através da sua atuação promover as tradições da nossa região nomeadamente junto dos mais jovens ao mesmo tempo que valoriza os seus conhecimentos musicais e da etnografia minhota.

As danças e cantares que exibe são alegres e exuberantes como animadas são as mais exuberantes romarias do Minho. Trajam de linho e sorrobeco e vestem trajes de trabalho e domingueiros, de mordoma e lavradeira, de noivos, de ir ao monte e à feira. Calçam tamancos e ostentam o barrete e o chapéu braguês. As moças, graciosas e belas nos seus trajes garridos bordados pelas delicadas mãos de artista, com a sua graciosidade e simpatia, exibem vaidosas os colares de contas e as reluzentes arrecadas de filigrana que são a obra-prima da ourivesaria minhota.

Ao som da concertina e da viola braguesa, do bombo e do reque-reque, dos ferrinhos e do cavaquinho, cantam e dançam a chula e o vira, a rusga e a cana-verde, com a graciosidade e a desenvoltura que caracteriza as gentes do Minho. O seu reportório foi recolhido em meados do século passado, junto das pessoas mais antigas, cujo conhecimento lhes foi transmitido ao longo de gerações, nas aldeias mais remotas das serranias da Peneda e das Argas, nas margens do Minho e do Lima, desde Melgaço a Ponte da Barca, do Soajo a Viana do Castelo. Levam consigo a merenda e os instrumentos de trabalho que servem na lavoura como a foicinha e o malho, os cestos de vime e os varapaus, as cabaças e os cabazes do farnel.

Qual hino de louvor ao Criador, o Minho, terra luminosa e verde que a todos nos seduz pelo seu natural e infinito encanto, salpicado de capelinhas aonde o seu povo acorre em sincera devoção, é ali representado por um punhado de jovens, uns mais do que outros, os quais presenteiam o público com o que o Minho possui de mais genuíno – o seu Folclore! Fonte (texto adaptado)

Sobre a Concertina…

Perde-se nos tempos a origem dos instrumentos musicais que precederam a concertina: remonta a 2.700 anos a.C. a origem na China do Cheng, porventura o seu mais antigo antecessor, cujo som era produzido por palhetas que vibravam por meio de pressão de ar. Inspirado no ancestral Cheng, em 1780, o musicólogo russo Kirschnik introduziu o sistema no instrumento o sistema de lâmina de metal aos tubos dos órgãos que fabricava.

Porém, é a chamada “concertina inglesa” – entre nós frequentemente designada por harmónio em virtude do seu fole e formato ortogonal – a que mais se aproxima do modelo que atualmente conhecemos e empregamos no nosso folclore. Coube ao inventor inglês Charles Wheatstone a invenção, em 1829, da moderna concertina.

Trata-se já de um instrumento com escala cromática ou seja, com uma escala musical abrangendo todos os 12 tons disponíveis. A sua denominação refere-se a um conjunto de instrumentos musicais dispondo de lingueta livre e funcionamento por fole, construídos de acordo com vários sistemas.

A partir sobretudo da segunda metade do séc. XIX, a concertina difundiu-se rapidamente por toda a Europa e atravessou o oceano Atlântico, tendo-se popularizado em ambos os continentes como um dos instrumentos da chamada música folclórica, relegando alguns mais rústicos para o esquecimento.

A concertina veio para ficar! A sua sonoridade alegre encantou sobretudo o minhoto que agora, em circunstância algum, dispensa a sua companhia. E, para onde quer que vá, o minhoto leva-a consigo… e eis que a festa está montada, com os seus cantares ao desafio, os seus bailaricos, mas sempre ao som da concertina!

Teotónio Gonçalves, Presidente da Direção do Grupo Etnográfico Verde Minho