Festa das Cruzes em Barcelos | Minho

Festa das Cruzes – Barcelos

A Festa das Cruzes, em Barcelos, assinala-se todos os anos no princípio de Maio.

O dia 3 de Maio é consagrado ao Senhor Bom Jesus da Cruz e é feriado municipal em Barcelos. A festa tem normalmente 5 dias, incluindo o dia 1 e 3 de Maio.

A Festa das Cruzes é a primeira grande romaria do Minho e é também o retrato do Barcelos autêntico nas suas mais originais tradições religiosas, etnográficas e culturais.

As suas origens remontam ao início do séc. XVI e tem origem no milagre das Cruzes, que aconteceu em 1504.

Este facto motivou o nascimento da devoção ao Senhor da Cruz e, posteriormente, a construção do templo barroco, em pleno centro da cidade.

Até ao séc. XX, a festa tinha exclusivamente um cariz religioso. No séc. XX anexaram-se elementos de animação das festas populares.

Barcelos em Festa!

Actualmente, na Festa das Cruzes, Barcelos ganha um aspecto peculiar.

Nestes dias, a cidade recebe milhares de visitantes e forasteiros, nacionais e estrangeiros, que chegam para apreciar os Ranchos Folclóricos, os Zés-Pereiras, as Bandas de música popular, os grupos de cantares populares.

Também os tapetes de flores naturais – que todos os anos engrandecem o Templo do Bom Jesus da Cruz -, a grandiosa procissão da Invenção da Santa Cruz e as grandiosas sessões de fogo-de-artifício e piromusical, que iluminam as margens do rio e embelezam todo o centro histórico da cidade.

Nas Cruzes respira-se em Barcelos o ar típico das romarias minhotas, com os “comes e bebes”, os cantares ao desafio, o artesanato ao vivo, os cortejos etnográficos, as concertinas, o estalejar dos morteiros, o arraial.

Sem esquecer a alegria do povo e toda envolvência cultural e etnográfica associada às romarias populares que fazem desta uma das maiores de Portugal.

São manifestações de uma alegria contagiante que anunciam que Barcelos está em Festa!

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Lenda do Galo de Barcelos | Lendas de Portugal

Lenda do Galo de Barcelos

Ao cruzeiro setecentista que faz parte do espólio do Museu Arqueológico de Barcelos, está associada uma curiosa lenda – a Lenda do Galo de Barcelos.

“Os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não ter descoberto o autor.

Certo dia, apareceu um Galego que se tornou de imediato suspeito do dito crime, visto que ainda não tinha sido encontrado o criminoso. As autoridades condais resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou.

Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse para Santiago de Compostela em cumprimento de uma promessa como era tradição na época, e fosse devoto fiel de S. Paulo e da Virgem Santíssima.

Por isso foi condenado à forca.

Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o havia condenado a tal destino.

A autorização foi-lhe concedida, e levaram-no à presença do dito magistrado, que nesse momento se deleitava e banqueteava com os amigos.

O galego reafirmou a sua inocência…

O galego reafirmou a sua inocência, e perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que se encontrava no centro de uma grande mesa, exclamando:

«É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.».

Isto, perante gargalhadas e risos, que não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo.

O que parecia impossível aconteceu. Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo ergueu-se na mesa e cantou!

Após tal acontecimento mais ninguém duvidava da inocência do Peregrino. O Juiz correu à forca e, com espanto, vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas com o nó lasso, impedindo o estrangulamento.

O homem foi imediatamente solto e mandado em paz.

Volvidos alguns anos, voltou a Barcelos e fez erguer um Monumento em louvor à Virgem e a Santiago.”

Fonte

GEA: A Várias Vozes – Do Passado Fazer Futuro

O Grupo Etnográfico de Areosa (GEA), fundado em 1966, continua a demonstrar uma notável vontade de salvaguardar o património cultural de expressão artística que tanto identifica a comunidade vianense.

Ao longo de mais de meio século de existência, o GEA tem vindo a fazer um trabalho de divulgação desse mesmo património cultural.

E não só através dos muitos espetáculos em Portugal e no estrangeiro, como também junto de músicos, bailarinos, escritores, museólogos, artesãos, fotógrafos, designers, historiadores, artistas gráficos, cineastas e atores profissionais.

Tudo, no sentido de potenciar o cruzamento entre as várias áreas no âmbito da preservação da cultura popular.

Grupo Etnográfico de Areosa, A Várias Vozes

De alguns destes cruzamentos, resulta o seu último projeto de preservação e divulgação: “Grupo Etnográfico de Areosa, A Várias Vozes”.

Neste novo CD, o GEA volta a valorizar o património cultural local que nos torna únicos aos olhos do mundo globalizado.

O projeto integra cerca de 50 músicos, tais como: o maestro Vítor Lima, Rafaela Alves e Diana Leitão dos Contraponto, a soprano Tânia Esteves e a fadista Elsa Gomes.

Mas, também, uma nova geração de músicos profissionais que engrandecem a cultura popular e as tradições portuguesas recuperando-as e trazendo-as para a atualidade.

Entre eles: Celina da Piedade, Daniel Pereira Cristo, Augusto Canário, Pi d’Areosa dos Sons do Minho e Ana Santos.

Para além destes, o CD inclui atuais e antigos componentes do  Grupo Etnográfico de Areosa, assim como alguns dos seus amigos de sempre: Júlio Viana, da Orquestra Sopro de Cordas; João Gigante, do projeto PHOLE; Dario Rocha; a Tuna de Veteranos de Viana do Castelo e Fabíola Carneiro.

CD com repertório do GEA

Neste CD são apresentados 21 temas interpretados pelo GEA desde a sua fundação, mas também “Rosa Tirana”. Esta é uma canção original composta pelo maestro José Pedro, com letra de José Fernandes.

Este projeto integra, ainda, o trabalho dos artistas plásticos João Gigante e Hugo Soares e das designers Helena Soares e Sara Costa, que “vestem” o CD com as suas criações. A produção áudio é de Pedro Alves.

Os instrumentos utilizados são: bandolim, braguesa, cavaquinho, contrabaixo, guitarra, guitarra baixo, violino, violoncelo, flauta transversal, gaita-de-foles, acordeão, concertina, assim como vários instrumentos de percussão.

A sua apresentação ao vivo, com todos os participantes, terá lugar no Centro Cultural de Viana do Castelo, a 13 de março de 2020, às 22h00.

A Direção do Grupo Etnográfico de Areosa

 

O “Auto de Floripes” no Teatro Popular Português

Auto de Floripes

Um pouco por todo o país e ainda além-fronteiras, persistem nas tradições populares representações teatrais cujas origens remontam à Idade Média e versam a história lendária do imperador Carlos Magno e a temática das guerras entre cristãos e sarracenos, estes geralmente identificados como turcos em virtude da sua dominação se ter estendido a zona oriental do mar Mediterrâneo.

É célebre a representação do “Auto de Floripes” que ocorre no mês de Agosto, em Mujães, no concelho de Viana do Castelo. A acção decorre entre o adro da igreja paroquial de onde sai o cortejo até à Capela da Senhora das Neves, na confluência com as freguesias de Barroselas e Vila de Punhe.

Ainda, no concelho de Viana do Castelo, na localidade de Portela Suzã esta representação toma a designação de “Auto de Santo António”.

Em S. João da Ribeira, no concelho de Ponte de Lima, a peça toma a designação de “Auto da Turquia”. Tem lugar de Crasto, por ocasião da Festa do Senhor da Cruz da Pedra que se realiza no segundo domingo de Agosto.

Aqui defrontam-se dois exércitos, ostentando as bandeiras onde se inscrevem as respectivas insígnias – a cruz da Cristandade e a Lua Minguante com a Estrela que identifica os muçulmanos – e integrando doze personagens cada, incluindo o rei, o porta-bandeira, o capitão e um espião.

Os cristãos vencem sempre

Os cristãos saem sempre vitoriosos e o auto termina com a rendição inevitável dos turcos e a sua conversão ao Cristianismo.

Com ligeiras alterações e diferentes designações, encontramos ainda a representação do “Auto da Floripes” em Palme, no concelho de Barcelos e “Baile dos Turcos”, em Penafiel.

Em Argozelo, no concelho de Vimioso, é designado por “Auto da Floripes”ou ainda “Comédia dos doze pares de França”. Já em Parada, no concelho de Bragança, chamam-lhe “Auto dos Sete Infantes de Lara”. Em Sobrado, no concelho de Valongo, designa-se por “Dança dos Bugios e Mourisqueiros” enquanto em Vale Formoso, na Covilhã, toma o nome “Descoberta da Moura”.

Também é representada no concelho de A Canhiza, na Galiza, com o nome “Auto do Mouro e do Cristão”.

Em Pechão, no concelho de Olhão, o auto “Combate de Mouros e Portugueses” serviu de argumento a uma longa-metragem. Nesta, o realizador Miguel Mendes, num misto de ficção e documentário, procura retratar o sofrimento da comunidade piscatória daquela vila algarvia.

Auto de Floripes foi levado pelos navegadores portugueses

À semelhança do que sucede com outros elementos da nossa cultura, também o “Auto das Floripes” foi pelos portugueses levado para paragens distantes. Aqui sofreu naturalmente algumas mutações e é actualmente representado com o consequente carácter híbrido resultante do encontro de culturas.

É o que sucede em São Tomé e Príncipe, com a representação de “A Tragédia do Marquês de Mântua e do Príncipe D. Carlos Magno”, também designado por “São Lourenço” por ocorrer no dia dedicado a este santo. Este auto toma no dialecto são-tomense a designação de “Tchiloli”.

A autoria da peça, na forma como é interpretada, é atribuída ao poeta Balthasar Dias, originário da Ilha da Madeira. Deve ter sido introduzida em São Tomé e Príncipe, nos finais do século XVI, pelos portugueses que aí foram plantar a cana-de-açúcar.

Os colonos, constituídos na sua maioria por madeirenses, começaram por integrar nas suas representações os escravos negros provenientes do Congo, Gabão e Camarões, os quais foram gradualmente introduzindo elementos da sua cultura original.

O “Tchiloli” tornou-se já numa das mais importantes atracções turísticas da Ilha do Príncipe com larga projecção internacional:

– serviu de argumento ao filme “Floripes”, de Afonso Alves e Teresa Perdigão

– e tema do livro “Floripes Negra“, de Augusto Baptista, no qual o autor procura demonstrar as suas origens portuguesas.

Carlos Magno

A alusão ao imperador Carlos Magno relaciona-se naturalmente com o facto daquele imperador ter procedido à conversão forçada ao cristianismo dos povos que conquistou, objectivo que, curiosamente, jamais logrou alcançar na Península Ibérica.

Outra particularidade consiste na escolha do dia dedicado a São Lourenço de Huesca para a sua representação, cuja festa litúrgica ocorre a 10 de Agosto.

Em várias localidades, a representação destes autos têm-se verificado de forma cada vez menos regular e, nalguns casos, correm inclusive o risco de passar ao esquecimento.

As peças são quase sempre preservadas apenas pela tradição oral. E, apesar de poderem constituir um meio de atrair visitantes e promover as potencialidades culturais das regiões, a maioria dos municípios e entidades culturais não procede à sua divulgação.

Trata-se de uma situação que pode e deve ser invertida mediante a intervenção dos grupos de teatro e outras associações que procuram preservar a cultura tradicional.

Um aspecto do “Auto de Floripes”, em Viana do Castelo.
A imagem mostra-nos algumas personagens que integram a representação do “Tchiloli”

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História

Cartaz do FolkLoures’20 já foi apresentado ao público

 

O Grupo Folclórico Verde Minho acaba de lançar o cartaz da próxima edição do FolkLoures – Encontro de Culturas, que vai ter lugar no próximo ano em Loures, e que deverá contar com uma presença significativa da região do Alto Minho.

Para a execução gráfica deste cartaz deram um imprescindível contributo os dançadores do Grupo Etnográfico da Areosa – Viana do Castelo, fotografados por Sérgio Moreira & Sílvia Moreira no evento “A minha terra é Viana”, organizado pela AGFAM – Associação de Grupos Folclóricos do Alto Minho.

Sérgio Moreira & Sílvia Moreira é uma das mais conhecidas e conceituadas duplas de fotógrafos minhotos. Sérgio Moreira é natural de Santa Marta de Portuzelo, à sua terra natal dedica muito do seu labor que publica na sua página do FacebookImagens da minha terra – Santa Marta de Portuzelo”.

A esta dupla de fotógrafos se devem inúmeras produções fotográficas para cartazes, como os de Santa Marta de 2013, 2015, 2016. É também autora dos cartazes da Romaria da Senhora d’Agonia em 2015, de Perre em 2013 e de Serreleis em 2016.

Mas, também a beleza da mulher do Minho não escapa à sua objectiva atenta, dedicando-lhe também a página no FacebookBeleza e Tradição”.

Sérgio Moreira frequentou a Academia dos Olhares, no Porto, e o Instituto Português de Fotografia. É fotógrafo da APPIMagem – Associação Portuguesa dos Profissionais da Imagem, e trabalha na Câmara Municipal de Viana do Castelo.

Esta paixão e arte é ainda partilhada com Sílvia Moreira, sua esposa e companheira também nesta área da fotografia, transmitindo-lhe naturalmente a sua sensibilidade e perspectiva.

Através da fotografia, Sérgio Moreira e Sílvia Moreira prestam uma verdadeira homenagem ao Minho e à mulher minhota, porventura a mais bela de Portugal!

Fonte (texto editado e adaptado)

Organizador do FolkLoures – Grupo Folclórico Verde Minho – Loures

O Grupo Folclórico Verde Minho é o anfitrião do FolkLoures – Encontro de Culturas e a quem se deve a criação deste evento que se caracteriza pela sua originalidade, espírito fraterno e carácter inclusivo.

Disse um dia o escritor transmontano Miguel Torga, “…no Minho tudo é verde, o caldo é verde, o vinho é verde…” – não podiam, pois, os minhotos que vivem na região de Lisboa, deixar de tomar para si a identificação cromática que caracteriza a sua região.

Respondendo ao chamamento da terra que os viu nascer, os minhotos que vivem nos arredores de Lisboa, mais concretamente no concelho de Loures, decidiram em tempos criar um grupo folclórico que os ajuda a manter a sua ligação afectiva às origens. Assim nasceu, em 1994, o “Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares Verde Minho”, anunciando como seu propósito a preservação, salvaguarda e divulgação das suas raízes culturais.

Visa através da sua atuação promover as tradições da nossa região nomeadamente junto dos mais jovens ao mesmo tempo que valoriza os seus conhecimentos musicais e da etnografia minhota.

8º Encontro Luso Galaico de Música Popular

 

No próximo dia 9 de Novembro, sábado, pelas 21h30, no Cine Teatro João Verde, vai realizar-se o 8º Encontro Luso Galaico de Música Popular, promovido pelo Grupo Popular “Os Teimosos”, com o apoio da Câmara Municipal de Monção.

Além do grupo anfitrião, a 8º Encontro Luso Galaico de Música Popular vai apresentar as atuações de Jorge Nande, de Monção, do Grupo Zaatam, de Satão, do Grupo de Gaitas de Xuntanza, de Rendufe, Tui, e da Banda de Salvaterra de Miño, os dois últimos provenientes da vizinha Galiza.

Este intercâmbio musical e cultural promete uma noite animada com os sons caraterísticos desta região transfronteiriça, sendo essencialmente marcado pelo convívio e confraternização entre os agrupamentos presentes e o público das duas margens do rio Minho.

A entrada, no valor de 3,50 €, pode ser adquirida na Loja Interativa de Turismo ou naquele equipamento cultural.

O Grupo Popular “Os Teimosos”

“Teimam em aprender a Tocar e a Cantar, insistem em divulgar o nosso património cultural através de canções tradicionais.

Os elementos do grupo pretendem continuar a representar as canções e sons populares. Sabendo, contudo, que o percurso não será fácil, apelaram a algumas autoridades no sentido de os apoiaram, e a um Maestro, o Sr. Filipe Cunha, para os ensinar e ensaiar nas vozes e nos instrumentos.” Fonte

Sobre Monção

O concelho de Monção situa-se no limite norte de Portugal, inserindo-se na região do Alto Minho juntamente com mais nove municípios. Estabelece fronteira com Espanha, através do Rio Minho, confinando com os concelhos de Arcos de Valdevez, Melgaço, Paredes de Coura, e Valença.

Para fins administrativos e estatísticos, o Concelho de Monção pertence à Região Norte de Portugal, enquadrando-se na sub-região do Minho-Lima, compreendendo 33 freguesias ao longo de uma superfície territorial de cerca de 211 km2.

Servido por óptimas vias de comunicação, o concelho está localizado, sensivelmente, a 120 Km do Porto, 70 Km de Viana do Castelo e Braga, 35 Km de Vigo e 32 Km da fronteira de S. Gregório. Fonte

 

Trajes do Vale do Lima – Alto Minho | Trajes tradicionais

Lã e linho – fibras naturais com que se confecionavam os trajes no Vale do Lima

A lã e o linho constituíam, por excelência, as fibras naturais usadas para a confecção da roupa. Esta última adoptada sob o tríplice aspecto de linho, estopa e tomentos. As fibras do linho eram e ainda são usadas para fazer camisas, saias, lenços… enfim, a roupa da casa.

As peças de vestuário que a família não estava habituada a fazer eram entregues aos cuidados de um profissional.

O vestimenteiro, para os homens, fazia um terno: calças, colete e jaqueta. O colete que, em tempos pouco distantes, eram geralmente de linho e mais ou menos bordados (Cabração), deu lugar aos coletes de cotins e riscados.

As calças, de burel (Rebordões, Amarela, Arga), de lã e estopa (Soajo) ou até de qualquer outro tecido mais moderno para a festa, vieram substituir os calções outrora em voga e hoje apenas usados em algumas localidades (Lindoso).

Chapéus e lenços

O chapéu de aba larga não se vê em mulheres, mas é comum nos homens. Nos trabalhos do estio, porém, o chapéu de palha de centeio, fabricado geralmente no local, é que era adoptado. As mulheres usavam frequentemente o lenço adquirido nas feiras.

Os homens usavam como agasalho uma capa comprida com cabeção e gola alta, sem mangas nem botões (Refoios, Rebordões).

Os agasalhos das mulheres eram os extintos mantéus. De resto, contra o frio, os meios de defesa eram parcos. Do Soajo a Lindoso, e na Amarela, as mulheres punham um avental sobre a cabeça e ombros.

Avental que, aliás, quando é mais amplo e específico para esse uso recebe o nome de “mantilha“.

Já em Arga e nas povoações adjacentes como Estorãos e S. Lourenço, adoptam, pela cabeça e ombros, uma saia. Antes, porém, de se generalizar este costume, a moda era o mantéu, “do pescoço até ao giolho“, sem mangas, nem gola ou capuz.

Capucha para homens e mulheres

Mas entre todos os agasalhos, a capucha era o mais vulgarizado e preferido, tanto por homens como por mulheres. Consistia num rectângulo que, cobrindo a cabeça, prendia ao pescoço, dilatava-se nos ombros e podia, até, descer um pouco, adaptando-se ao corpo.

A capucha era de tomentos (Arga), ordinariamente de burel (Cabreira, Gralheira, etc.) e, para a missa ou dias festivos, de saragoça.

À coroça ou palhoça, principal protecção contra a chuva, há a acrescentar o safão, especialmente destinado aos trabalhos no mato e no monte. Na serra de Arga, os safões era feitos geralmente de pele de cabrito.

Suspensos da cintura aos joelhos ou começando mesmo a meio do peito, impedem o estrago das roupas nas segadas. Note-se, no entanto, que, como no Soajo, o safão é já ou virá a sê-lo, em breve, um acessório dispensado e esquecido.

Meias e calçado

As meias eram fabricadas em malha de lã e, inicialmente, de retalhos unidos. Abundavam na serra sob as denominações de, para homens, “carpins” ou “meiotes” e, para mulheres, “piúcas” (quando sem pé). Estas eram meias de malha de lã, geralmente brancas, apenas do cano do joelho ao tornozelo (Arga).

O desuso das meias de lã tradicionais instala-se, contudo, no Soajo e na Amarela, tendo-se-lhe antecipado nas faldas da Serra de Arga (Cabração): onde se usavam as chamadas “peúgas de cabrestilho“, ou seja, com uma presilha por baixo.

Os socos de madeira, hidrófugos e quentes, eram e ainda são o calçado usado por ambos os sexos, concebido para os maus caminho do campo.

Os socos, chancas ou tamancos são abertos, no Verão, ou fechados, no Inverno, e são feitos de madeiras locais, como o amieiro. Os modelos fechados são umas botas de couro e sola de “pau”, de cano curto e apertadas com cordões de couro.

Ao calçado ocorre associar as polainas que, apesar de terem caído em desuso, são inequivocamente úteis para o frio, a chuva, a neve e, de um modo geral, todo o serviço no campo ou no monte.

Geralmente eram só adoptadas pelos homens mas as mulheres serranas, da Arga, também as usavam na estação rigorosa. As polainas femininas também eram de burel mas mais curtas.

Os lenços de namorados

Os lenços de namorados, outrora de estopa (Arga) e, depois, de linho e de cambraia, eram comuns quer na zona ribeirinha, quer nas localidades serranas. Bordados a ponto cruz, apresentavam dizeres de cariz amoroso, como esta quadra da serra Amarela:

«Neste lenço quis fazer
Obras da minha habilidade
Para um dia dar de prenda
A quem tenho amizade.»

Ou esta outra:

«Nada mais
Posso dizer
Soute firme
Até morrer.»

Fonte: “Cores, sabores e tradições – Passeios no Vale do Lima” (texto editado com subtítulos) | Imagem de destaque

Folclore: onde surgiu o primeiro Grupo Folclórico?

Onde surgiu o primeiro Grupo Folclórico?

Durante muito tempo, considerou-se o antigo Rancho das Lavradeiras de Carreço, fundado em 1904, como o mais antigo agrupamento folclórico constituído em Portugal.

Contudo, um documento que data de mais de dez anos anteriores à sua fundação leva-nos a concluir que, até novas provas em contrário, foi em Ponte de Lima que pela primeira vez surgiu um grupo folclórico devidamente organizado e trajado.

Com efeito, o jornal humorístico “O Sorvete” que se publicava no Porto, dava a conhecer na sua edição nº. 123 de 4 de Setembro de 1892 a deslocação àquela cidade do “grupo de lavradeiras de Ponte do Lima” (foto da página do jornal abaixo nesta matéria).

O grupo de lavradeiras de Ponte do Lima no Porto

E, com o título “O grupo de lavradeiras de Ponte do Lima no Porto“, fá-lo nos seguintes termos:

Graças á iniciativa dos generosos Bombeiros Voluntarios tiveram os portuenses occasião de vêr com os seus proprios olhos o que é uma esturdia no Minho. Lavradores e lavradeiras de puro sangue. Musica genuina da aldeia; cantadores e cantadeiras de fina raça; danças e cantares, tudo, enfim que o Minho tem.

Lourenço, o director da musica, tornou-se a figura mais saliente entre o seu grupo, pois que, ás primeiras gaitadas adquiriu logo as simpatias do publico que o chamou repetidas vezes e o cobriu de aplausos delirantes.

O sympathico Lourenço, quer na flauta, que toca bem – quer no sanguinho de Nosso Senhor Jesus Christo – mostrou-se um bom beiço. Das raparigas: a Thereza, a Rita e a Maria, muito alegres e folgazonas, as outras tambem muito pandegas. E p’ra que viva Ponte do Lima!

A notícia vem acompanhada de uma ilustração que constitui um desenho assinado pelo próprio responsável da publicação, o conceituado caricaturista Sebastião de Sousa Sanhudo, também ele natural de Ponte de Lima.

O traje característico das lavradeiras

A gravura mostra as lavradeiras com o seu traje característico incluindo os lenços de franjas, os aventais de quadros e as chinelas enquanto os homens com seus coletes e casacas de botões negros e, como não podia deixar de suceder, o inconfundível chapéu braguês por vezes bastante esquecido entre os grupos folclóricos minhotos da actualidade.

Uma particularidade que nos salta à vista é o facto do sympathico Lourenço que aparece com a sua flauta e era o director da música ser um negro cuja origem se desconhece, aparecendo aqui integrado naquele que se julga ter sido o primeiro grupo folclórico português.

Crónica de Severino Costa

Em 14 de Janeiro de 1966, o jornal limiano “Cardeal Saraiva” transcrevia uma crónica produzida pelo jornalista Severino Costa no “Comércio do Porto“. Nela asseverava ser o “grupo de lavradeiras de Ponte do Lima” originário da freguesia da Correlhã, dizendo a dado passo:

Lembrava-me muito bem do simpático Lourenço. Era um exímio tocador de flauta que na minha infância ouvi diversas vezes, não podendo porém, dizer como nem onde. Mas da pessoa lembro-me muito bem. Era um homem de fala muito suave, muito educado, alegre, e tinha uma prosóide curiosa… Nada sei da sua família e de como veio para Ponte de Lima”.

De resto, não sabemos o que levou o autor a concluir a proveniência daquele “grupo de lavradeiras“, a não ser porque ainda deverá ter conhecido ou obtido informações a respeito de algumas das pessoas mencionadas na notícia publicada em “O Sorvete“.

E conclui: “Mas do que parece não ficarem dúvidas, depois do aparecimento deste documento autêntico, é que Correlhã tinha, em 1892, um rancho folclórico. Não se concebe que alguém se tenha lembrado, por acaso, da freguesia de Correlhã.

Se dali foi levado ao Porto, pelos Bombeiros Voluntários, tal grupo, é porque ele existia constituído, com suas danças próprias, com nome firmado, com indumentária“.

Jornal “O Sorvete”

Em todo o caso e qualquer que seja a proveniência exacta do primeiro grupo folclórico, a referida edição do jornal “O Sorvete” vem documentar ter sido em Ponte de Lima a sua origem, informação essa que vem corrigir uma opinião que durante muito tempo foi sustentada nomeadamente pelas vozes mais autorizadas.

Não obstante, o eventual aparecimento de novas provas poderá reservar-nos mais surpresas e inclusive contrariar as conclusões a que até agora chegámos, pelo que nunca devemos dar por definitivo os resultados da nossa investigação.

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História (texto e imagens)

Abertas as inscrições para Academia Folk do GEA

 

Grupo Etnográfico de Areosa abre inscrições para Academia Folk

Para além das tradicionais aulas de dança e de instrumentos tradicionais, o Grupo Etnográfico de Areosa passa a incluir nas suas ofertas formativas, aulas de percussão (às sextas-feiras, às 21h00 – no mesmo dia que as aulas de bandolim, guitarra e cavaquinho) e aulas para quem quiser fazer da dança tradicional um passatempo que ajuda à boa forma física e ao bem-estar (às quartas-feiras, às 18h30).

Às terças-feiras, à mesma hora, as aulas de dança destinam-se a quem quiser integrar o Grupo Etnográfico de Areosa. As aulas decorrem na sede do GEA e as inscrições são feitas através do telefone 967946901 e 966263646.1

Sobre o Grupo Etnográfico de Areosa

Grupo Etnográfico de Areosa (GEA) foi fundado no ano de 1966, e é uma associação cultural que, através do trabalho de valorização das tradições ligadas ao património material e imaterial desta região, nos leva a fazer uma viagem ao passado, à obra artística e às tradições populares de Areosa, em Viana do Castelo.

Tem mais de cinco décadas de intensa actividade no campo da investigação etnográfica, na animação cultural, na exibição da policromia dos trajes “à Vianesa” e das danças e cantares do povo deste Minho sempre em festa, garantem o ânimo para prosseguir um trabalho de união dos povos e das suas culturas.

O GEA enverga o característico e único traje vermelho de Areosa, sendo considerado um dos melhores grupos de folclore nacional, representando dignamente o Alto-Minho e a cidade de Viana do Castelo.

Este Grupo tem sido embaixador da cultura portuguesa em países como Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Polónia, Hungria, Itália, Brasil e Venezuela, tendo servido de inspiração e modelo para a criação de diversos grupos de folclore pelo mundo fora, em países como o Brasil, França, Venezuela e Estados Unidos da América.

O Grupo participa activamente na Romaria de Nossa Senhora de Agonia, que tem o seu dia a 20 de Agosto, por muitos considerada a Romaria das Romarias em Portugal, e na Quinta do Santoinho, situada em Darque, é grupo residente entre os meses de Maio a Novembro, alternado a sua participação com outros três grupos folclóricos do distrito.2

Em 2019, o Grupo Etnográfico de Areosa (GEA), Viana do Castelo, Portugal, recebeu uma Menção Honrosa no 20º Büyükçekmece International Culture and Art Festival, em Büyükçekmece, Istambul, Turquia. Esta distinção foi-lhe atribuída por um júri constituído por 11 membros, oriundos de 4 continentes. Saber mais

Fontes: 1 e imagens – Newsletter do GEA | 2 – Wikipédia (texto adaptado) 

 

Romaria Minhota 2019 em Belém – Lisboa

 

No próximo dia 15 de Setembro, no Jardim Vasco da Gama, em Belém – Lisboa, a Casa do Minho em Lisboa vai realizar a sua já tradicional Romaria Minhota, de cujo programa fazem parte das seguintes atividades:

15h00 – Missa Campal (em louvor de Nª Sª do Minho e Santiago, presidida pelo Rev.mo Senhor Padre Alexandre Santos)

16h00 – Procissão solene

16h30 – Tarde folclórica, com a participação dos seguintes grupos:

– Associação Rancho Folclórico Alegria do Minho (Alto Minho)

– Grupo Danças e Cantares do Alto do Moinho (Douro Litoral Norte)

– Rancho Folclórico da Casa do Minho em Lisboa (Alto e Baixo Minho)

Com o apoio de toda a Imprensa Minhota

A Casa do Minho em Lisboa

A Casa do Minho em Lisboa (a mais antiga associação regionalista minhota em Lisboa) foi fundada em 1923, por um grupo de minhotos. A ideia era criar uma agremiação que congregasse todos os minhotos que residem em Lisboa, com a finalidade de defender os interesses do Minho e das suas gentes, divulgando e preservando as suas culturas, através do Rancho Folclórico e da Estúrdia Minhota (Grupo de Cantares), bem como dos seus tradicionais almoços e muitos outros eventos.

Sobre o Minho

“Criada como província em 1936, mas extinta como tal em 1976, esta região situa-se no Noroeste de Portugal, entre o rio Minho e o Douro Litoral e entre o oceano Atlântico e Trás-os-Montes e Alto Douro. Ocupa uma área de cerca de 4838 km2 e abrange os distritos de Viana do Castelo e Braga.

O Minho é uma das regiões mais chuvosas da Europa e a de mais elevada precipitação do país. No Inverno há dias relativamente frios, sobretudo no enfiamento dos vales, enquanto o Verão é moderado, apresentando nevoeiros nas zonas mais fundas.

Aqui, a costa marítima desenvolve-se em elevação gradual e circular voltada a oeste. A costa é baixa e recortada, alternando os pequenos lanços de praia arenosa com os rochedos que as marés cobrem na maior parte da superfície.

É uma zona montanhosa, em anfiteatro para o mar desde as serranias do Gerês, Marão e Montemuro, cheia de vertentes alcantiladas, propícias ao desenvolvimento de espécies selvagens, sendo, também por isso, uma das regiões do país com mais notáveis belezas naturais.

Relativamente à vida agrícola, o Minho caracteriza-se pela policultura intensiva e pelo extremo fraccionamento da propriedade. As culturas principais são o milho e a vinha, sendo célebres os seus vinhos verdes. De entre as actividades industriais que contribuem para a riqueza da região, merecem destaque os têxteis, as indústrias eléctricas e electrónicas, as confecções, as construções mecânicas, a celulose, a fiação e o mobiliário.

O Minho apresenta, nos seus principais pratos típicos, a broa, o caldo verde, os rojões e o cozido minhoto, várias receitas de bacalhau, o arroz de pato, e, na doçaria, os mexidos, as cavacas e a aletria de ovos, entre outros.

O povoamento da província data dos mais recuados tempos pré-históricos. Têm sido descobertos, ao longo do litoral e nos vales minhotos, abundantes vestígios da passagem dessas populações primitivas. Mas o património histórico de modo nenhum se limita a este tipo de vestígios, pois por esta zona abundam as casas brasonadas e outros valores arquitectónicos.

O Minho possui uma fisionomia musical popular muito própria. Relativamente ao folclore, esta região não cede primazia a qualquer outra, encontrando o seu poder máximo de expressão na infindável série de grandes e pequenas romarias que ocorrem, sobretudo, no Verão. São, aliás, tradicionais no Minho as manifestações festivas originadas em serviços que impliquem trabalho colectivo.”

Fonte: Minho. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

 

Tradicional desfolhada à moda do Minho!

 

No próximo dia 5 de Outubro (data em que se comemora a Implantação da República em Portugal e a assinatura do Tratado de Zamora – entre D. Afonso Henriques e seu primo, Afonso VII de Leão, em 1143), o Grupo Folclórico Verde Minho vai realizar mais um Encontro de Tocadores de Concertina.

Esta iniciativa terá início pelas 16h00, nas instalações do Grupo União Lebrense (A-das-Lebres | Loures) e será precedida, a partir das 14 horas, da recriação de uma tradicional desfolhada à moda do Minho.

O Minho é Verde – Folclore é Verde Minho!

Disse um dia o escritor transmontano Miguel Torga, “…no Minho tudo é verde, o caldo é verde, o vinho é verde…” – não podiam, pois, os minhotos que vivem na região de Lisboa, deixar de tomar para si a identificação cromática que caracteriza a sua região.

Respondendo ao chamamento da terra que os viu nascer, os minhotos que vivem nos arredores de Lisboa, mais concretamente no Concelho de Loures, decidiram em tempos criar um grupo folclórico que os ajuda a manter a sua ligação afetiva às origens. Assim nasceu em 1994 o “Grupo Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares Verde Minho”, anunciado como seu propósito a preservação, salvaguarda e divulgação das suas raízes culturais.

Visa através da sua atuação promover as tradições da nossa região nomeadamente junto dos mais jovens ao mesmo tempo que valoriza os seus conhecimentos musicais e da etnografia minhota.

As danças e cantares que exibe são alegres e exuberantes como animadas são as mais exuberantes romarias do Minho. Trajam de linho e sorrobeco e vestem trajes de trabalho e domingueiros, de mordoma e lavradeira, de noivos, de ir ao monte e à feira.

Calçam tamancos e ostentam o barrete e o chapéu braguês. As moças, graciosas e belas nos seus trajes garridos bordados pelas delicadas mãos de artista, com a sua graciosidade e simpatia, exibem vaidosas os colares de contas e as reluzentes arrecadas de filigrana que são a obra-prima da ourivesaria minhota.

Ao som da concertina e da viola braguesa, do bombo e do reque-reque, dos ferrinhos e do cavaquinho, cantam e dançam a chula e o vira, a rusga e a cana-verde, com a graciosidade e a desenvoltura que caracteriza as gentes do Minho.

O seu reportório foi recolhido em meados do século passado, junto das pessoas mais antigas, cujo conhecimento lhes foi transmitido ao longo de gerações, nas aldeias mais remotas das serranias da Peneda e das Argas, nas margens do Minho e do Lima, desde Melgaço a Ponte da Barca, do Soajo a Viana do Castelo.

Levam consigo a merenda e os instrumentos de trabalho que servem na lavoura como a foicinha e o malho, os cestos de vime e os varapaus, as cabaças e os cabazes do farnel.

Qual hino de louvor ao Criador, o Minho, terra luminosa e verde que a todos nos seduz pelo seu natural e infinito encanto, salpicado de capelinhas aonde o seu povo acorre em sincera devoção, é ali representado por um punhado de jovens, uns mais do que outros, os quais presenteiam o público com o que o Minho possui de mais genuíno – o seu Folclore! Fonte (texto adaptado)

Sobre a Concertina…

Perde-se nos tempos a origem dos instrumentos musicais que precederam a concertina: remonta a 2.700 anos a.C. a origem na China do Cheng, porventura o seu mais antigo antecessor, cujo som era produzido por palhetas que vibravam por meio de pressão de ar. Inspirado no ancestral Cheng, em 1780, o musicólogo russo Kirschnik introduziu o sistema no instrumento o sistema de lâmina de metal aos tubos dos órgãos que fabricava.

Porém, é a chamada “concertina inglesa” – entre nós frequentemente designada por harmónio em virtude do seu fole e formato ortogonal – a que mais se aproxima do modelo que atualmente conhecemos e empregamos no nosso folclore. Coube ao inventor inglês Charles Wheatstone a invenção, em 1829, da moderna concertina.

Trata-se já de um instrumento com escala cromática ou seja, com uma escala musical abrangendo todos os 12 tons disponíveis. A sua denominação refere-se a um conjunto de instrumentos musicais dispondo de lingueta livre e funcionamento por fole, construídos de acordo com vários sistemas.

A partir sobretudo da segunda metade do séc. XIX, a concertina difundiu-se rapidamente por toda a Europa e atravessou o oceano Atlântico, tendo-se popularizado em ambos os continentes como um dos instrumentos da chamada música folclórica, relegando alguns mais rústicos para o esquecimento.

A concertina veio para ficar! A sua sonoridade alegre encantou sobretudo o minhoto que agora, em circunstância algum, dispensa a sua companhia. E, para onde quer que vá, o minhoto leva-a consigo… e eis que a festa está montada, com os seus cantares ao desafio, os seus bailaricos, mas sempre ao som da concertina!

Teotónio Gonçalves, Presidente da Direção do Grupo Etnográfico Verde Minho