Trajos do Alentejo – Evolução do trajo e do penteado

Evolução do trajo e do penteado

(camponeses, lavradores e artífices e as suas famílias)

Em remotos tempos, as mulheres usavam saias de catimbu, fazenda espessa de lã, geralmente em azul-escuro ou castanho, com barra amarela, cor-de-rosa ou encarnada. Estas saias tinham, de ordinário, três panos e eram demasiadamente compridas, passando mais tarde a usar-se poço abaixo do joelho.

Por baixo da saia de catimbu, traziam uma de estamenha, tecido de lã e linho; mas esta, em vez de barra, terminava por uma orla formada a pontos de tranca de lã em espiral, distanciados de um centímetro pouco mais ou menos. Usavam ainda, sob a estamenha, saias de beata de seda, uma espécie de flanela de algodão felpuda.

As camisas eram sempre de linho, sendo frequente encontrarem-se algumas em que a parte correspondente ao tronco era de linho, e a inferior de estopa ou estopinha. Nas mangas, que quase todas tinham, e nos ombros eram bordadas com linha caseira, isto é, com fios de linha adrede preparados.

No peito, sobre a camisa, vestiam um colete de pano encarnado, enfeitado com fitas de cor diferente, e sobre este a roupinha, uma espécie de corpete muito justo e que, conforme se destinava ou não para dias festivos, era confeccionada em seda de várias cores, ou em pano azul de lã.

As mangas desta interessante peça de vestuário eram também muito apertadas por meio de pregas longitudinais no braço e antebraço, notando-se apenas uma parte mais larga na região do cotovelo que deu a tais mangas a denominação de mangas de balão.

Sobre a roupinha usavam ainda a capa de bombonete, que era uma capa pequena de tule ou renda bordada a branco com que cobriam apenas os ombros e cujas pontas iam prender-se adiante, sobre o seio, com um alfinete ou uma fita de seda branca.

Trajos para os dias de festa

Nos dias de maior solenidade, como casamentos, festa de S. Pedro, etc., as lavradoras vestiam saias de seda, chamadas saias de rua, que, com o desuso, têm sido transformadas, nestes últimos tempos, em lindíssimas colchas.

“Esboços do País, Caráter e Traje em Portugal e Espanha, realizados durante a Campanha e na Rota do Exército Britânico em 1808 e 1809” – J. Clark sculp.

Com o decorrer dos tempos, as saias de catimbau cederam o lugar às de castorina fina; a roupinha apertada, a outra de mangas largas feitas dos mais variados tecidos, e a capa de bambonete a lindíssimos lenços de pescoço, em lã ou em seda, na maior parte das vezes bordados pelas portadoras.

As saias de castorina ainda hoje se usam, embora arrebicadas de pregas e plissados, e foram elas que, com os lenços do pescoço e a tradicional roupinha, constituíram, por largos anos, o trajo característico e interessantíssimo das donzelas nisenses.

Houve uma época em que o luxo e a ostentação se aferiam pelo número das saias usadas, sendo frequente aparecerem nos bailes raparigas cuja cintura tinha de suportar o peso de doze daquelas incómodas peças de vestuário! Era um martírio, principalmente de Verão!

E, como se este peso não fosse bastante para cruciar as pobres moças, ainda o peito e o pescoço tinham de suportar a pressão de várias gargantilhas, cordões, grilhões, cadeias, etc., que algumas ostentavam, como ourivesarias ambulantes, vaidosamente.

Mantilha

Servia-lhes de agasalho – e nem de outra forma saíam à rua – numa mantilha roxa, forrada de beata encarnada, na parte que colocavam sobre a cabeça. Mais tarde a mantilha roxa foi substituída por outra de pano preto, com que assistiam às cerimónias religiosas e ocultavam o rosto à indiscrição dos curiosos.

Hoje a mantilha apenas é usada por algumas viúvas mais aferradas à tradição e ainda assim só nos primeiros tempos de viuvez.

O que todas as nisenses ainda usam são os xailes de diferentes cores, desde o preto nas missas e enterros até aos mais garridos e finos de lã de seda, aparecendo mesmo caríssimos manteaux Manilla, importados do país vizinho.

O penteado também se modificou muito. As nossas patrícias de há mais de cinquenta anos usavam o cabelo apartado ao meio e atado atrás em forma de martelo, sendo a trança de 4 ou 5 pernas. Enfeitada com fitas de várias cores.

Outras vezes, formavam duas pequenas tranças que iam dos temporais ao martelo, chamando-se este penteado cabelo de arrepio.

Trajo Português – Trajos e conexos | Etnografia Portuguesa

Trajo Português

Neste artigo, vamos divulgar, de forma minimamente sistematizada, informações  publicadas pelo Dr. José Leite de Vasconcelos na sua obra “Etnografia Portuguesa” – Livro III, sobre os trajos em Portugal:

“O trajo em geral pode ser considerado segundo o tempo, a idade, o sexo e a fortuna.

Segundo o tempo: primitivo, medieval, quinhentista, setecentista, oitocentista, moderno, da moda (ou à moda), de partes do dia e de estações do ano.

Segundo a idade: de criança de colo, de jovem, de adulto e de velho.

Segundo o sexo: masculino e feminino.

Segundo a fortuna: pobre e rico.

O trajo em particular

apresenta-se-nos conforme as alíneas que seguem:

Trajo interior (ou roupa branca, de baixo ou interior ou trajos menores);Trajo civil (ou usual ou paisano, ou à paisana);

Trajo típico (ou de classe): de fadista, de papo-seco, de cigano, etc.;

Trajo circunstancial: de luxo (domingueiro, de cerimónia, de festa), de fantasia (de actrizes, de artistas de circo, etc.), do Carnaval, caseiro, de trabalho, de casamento, de luto, quotidiano ou de semana, de praia;

Trajo profissional: de caçador, de pescador, banheiro, peixeiro, peixeira, pastor, pastora, sapateiro, ferreiro, ferrador, operário, padeiro, porteiro, cozinheiro, etc.;

Trajo regional: de províncias ou áreas geográficas; não há propriamente trajo nacional, mas trajos nacionais;

Trajo uniforme: militar, eclesiástico (talar, hábito, bispo, padre, etc.), académico, de justiça (juiz, advogado, carrasco, etc.), de diplomatas, de funcionários cortezãos, de criados, de gente de bata branca (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, químicos); e

Elementos complementares do trajo: adornos, armas, arrimos, objectos de uso pessoal, cosméticos, tatuagens, barba e cabelo.

Há ainda que entrar em linha de conta com os modos de usar certas peças de vestuário: curto, comprido, arregaçado, de lado, a direito, etc.”1

Trajos de Trás-os-Montes

Trajes de homem e de mulher (arredores de Bragança – depois de 1916)Ler
Pe. Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal

Trajos de homem e de mulher – Mirandela – Ler
Armando Artur do Valle, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa, datado de Julho de 1916

Trajos de Entre Douro e Minho

Maneiras de pôr o lenço na cabeça – Ler

Trajos da Beira

Trajos de Penamacor – Ler
Adelino Esteves Robalo, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa – 08.04.1917

Trajos do Alentejo

Descrição de trajos tradicionais do Alentejo (I) – Ler
Trajo característico | Trajo dos homens no trabalho do campo | Trajo de mulher no trabalho de campo (Vidigueira)

Trajos do Alentejo – Evolução do trajo e do penteado – Ler
José Francisco Figueiredo, Nisa

Trajos do Algarve

Trajo de mulher e homem – Ler
José Guerreiro Murta, 10.04.1917

Trajos da Madeira

Indumentária característica madeirense: camponesa e camponês – Ler
Artigo n’O Século, 23 de Junho de 1901

Vestes Tradicionais da Madeira – Ler
Extracto de um estudo de um aluno da Faculdade de Letras de Lisboa, 30 de Junho de 1916

Vestuário da população de Fajã da Ovelha – Ler
João Augusto Correia de Gouveia, aluno de Antropologia, 18 de Maio de 1914

Trajos dos Açores

Vestuário dos Terceirenses – Ler
Judite Galles, aluna da Faculdade de Letras de Lisboa, 4 de Julho de 1916

Trajes Micaelenses – Ler
De um artigo de Joaquim Cândido Abranches, intitulado Costumes Populares Micaelenses

Peças de vestuário

Mantilha – Ler

A Capucha – Ler

O chapéu Ler

O lenço da cabeça – Ler

Trajos infantis e juvenis – Ler

Artigo em continua atualização.
1 Informações retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos

Trajos tradicionais da Madeira no início do séc. XX

Trajos tradicionais da Madeira

Indumentária característica madeirense: camponesa e camponês

“O trajo da camponesa é muito típico, quando aparece nas festas.

Na cabeça uma carapuça, saia curta de lã encarnada, com listas verticais de cores;

capa de meia cintura, azul-escura, debruada de largas fitas de renda da mesma cor, posta sobre o ombro esquerdo e passando por de baixo do braço direito, indo encontrar-se as duas extremidades um pouco abaixo do peito, descobrindo uma branca camisa de linho, abotoada por grandes botões de oiro, com numerosas pregas e caindo sobre as franjas de um colete de cores, sobre o qual assentam grossos grilhões de oiro.

Usam botas brancas de canhas, debruadas com uma lista vermelha. A meia é branca e vê-se quase até ao joelho, por ser uma saia curta.

O trajar do camponês não é também menos original.

Na cabeça uma carapuça, como a mulher, de forma cónica e pontiaguda, parecendo-se com um funil, feita de pano azul-ferrete.

Jaqueta curta, apertada na cintura, também de pano azul, colete de seda vermelha com botões de vidro de diversas cores, camisa branca, de linho, de grandes colarinhos de bico, voltados para baixo e apertados com dois grandes botões de oiro, de cadeia.

A calça é de linho branco, de pano azul ou de lã amarela, muito larga, caindo sobre uma bota branca, esmeradamente limpa a giz e sem salto.

Artigo n’O Século, 23 de Junho de 1901, sem assinatura” 1

Vestes Tradicionais da Madeira

“As vestes tradicionais são ainda hoje bastante usadas principalmente nas seguintes freguesias: Santo da Serra, Santa Ana, Canhas, Porto de Moniz e Caniçal.

Além das vestes tradicionais, há outros diversos tipos de vestes populares actuais, que por serem menos curiosos não me dei ao incómodo de notar.

No norte da Madeira, as mulheres fiam de lã branca de ovelha e tecem e fazem calças para os homens. Estas têm o nome de serguilha.

As saias riscadas das mulheres chamam-se saias cardadas. São de lã e têm conjuntamente as seguintes cores: amarela, azul, encarnada e verde.

As mulheres cardam a lã, depois tingem-na e tecem-na. Tingem com uns pós amarelos (batatinha) e com açafrão. Muitos chamam a estes pós: poses encarnados e verdes.

Antigamente, os homens usavam cueca branca de pano de linho da terra, camisa e botões dourados, faixa branca na cintura e carapuça (carbuça ou crabuça). Este trajo é ainda usado na freguesia do Caniçal: devo, porém, dizer que só o vi no sacristão da igreja.

Diz-se que antigamente as mulheres usavam saia, camisa copada, manga curta, colete bordado, como os do Minho, e carapuça; às vezes capa traçada e uns lenços de ouro, hoje muito apreciados.

Extracto de um estudo de um aluno da Faculdade de Letras de Lisboa, 30 de Junho de 1916″ 2

1 e 2 Informações e foto retiradas de “Etnografia Portuguesa” – Livro III – José Leite de Vasconcelos  (texto editado)

Vestuário da população de Fajã da Ovelha | Madeira

Vestuário da população de Fajã da Ovelha

Os trajos, que há poucos anos deixaram de ser usados, aparecem ainda hoje por ocasião das grandes romarias, bailes, etc. É muito interessante tomar parte numa destas romarias.

O trajo da viloa

Assim, os célebres descantes à viola, nos quais às vezes tomam parte quarenta ou mais indivíduos, entrando, é claro, a formosa viloa de

– carapuça na cabeça,

– saia curta de lã encarnada com listas de cores diversas,

– capa a meia cintura dum azul-escuro, debruada de larga fita azul-clara, posta por sobre o ombro esquerdo e passando por baixo do braço direito,

indo encontrar-se as duas extremidades um pouco abaixo dos seios, deixando ver uma branca camisa de linho abotoada por grandes botões de ouro, com numerosas pregas caindo sobre os bordos de um colete de cores várias, sobre o qual caem também as caprichosas dobras grossos grilhões de ouro, restando ainda para completar este trajo deveras gracioso e original as não menos originais botas brancas de canhão, debruadas com uma lista encarnada, calças sobre uma branca meia bordada.

O trajo de vilão

O trajo de vilão já é mais variável; contudo, é também original.

E é esta variedade de trajos que melhor se aprecia nas romarias de que acabámos de falar, aonde se juntam milhares de pessoas de todos os pontos da ilha.

Poucas são as pessoas que usam botas nos dias de trabalho.

Ao domingo, porém, quando vão para a missa, muitas vão calçadas.

É interessante o facto muito frequente de se encontrar muitas dessas pessoas com um pé calçado e outro descalço, trazendo nas mãos a outra bota.

Algumas vezes até trazem as duas botas nas mãos! Este facto faz parte das suas economias.

As botas têm uma forma original: a sola é plana, em salto; os canos podem-se desdobrar, transformando-se assim em botas de água.

Têm quase sempre na extremidade do cano uma lista vermelha, que não aparece quando o cano está desdobrado.

Rara é a pessoa que usa meias.

Vestuário de trabalho

O vestuário do homem, no dia de trabalho, reduz-se ao seguinte: um barrete de lã que deixa pender uma borla também de lã, e que em geral é tecido em casa.

Uma camisa muito grossa, de linho, umas ceroulas do mesmo tecido e um par de calças, tudo isto tecido em geral pela mulher em sua casa ou em casa de um vizinho que possua tear.

Aos domingos, o vestuário é aumentado com um par de botas e um jaleco (jalecre, como lhe chamam) semelhante a um colete, mas que anda sempre desabotoado e muitas vezes ao ombro.

Quando vão para a missa envergam então os seus casacos tecidos também em casa.

 

Sugestão de leitura: Trajos tradicionais da Madeira no início do séc. XX

Fajã da Ovelha

No sítio da Maloeira, da freguesia de Fajã da Ovelha, usa-se ao dia de trabalho apenas ceroulas e camisa, as ceroulas chegam até ao joelho apenas e são tecidas de linho também.

É o único lugar da Madeira onde se usa tal vestuário. Os terrenos da Maloeira não são pantanosos e não devemos por isso atribuir a tal o facto de os trabalhadores de ali usarem ceroulas curtas.

Todo o vestuário, de que acabei de falar, é confeccionado em casa e dura muitíssimo tempo.

Na Fajã da Ovelha existe apenas uma loja de fazendas, que está quase sempre fechada por falta de compradores. Os homens nada compram e se alguma coisa se vende é só para o vestuário das mulheres. Mas no geral as saias destas são tecidas em casa, em diferentes cores. Os lenços são comprados nas lojas.

Poucos adornos possuem, apenas arrecadas e um ou dois anéis de chumbo ou de prata. Tatuagens não existem.

Poucas pessoas possuem relógios de algibeira; a água das regas é em geral marcada pelos relógios de areia (ampulhetas); isto quando querem ter uma maior precisão, porque de contrário regulam-se pelo sol, pelas «sete estrelas», pela Lua, pelo cantar dos galos, etc..

Extracto de um trabalho, intitulado: “Caracteres Étnicos da População de Fajã da Ovelha, apresentado pelo aluno de Antropologia João Augusto Correia de Gouveia, 18 de Maio de 1914″

Informações e foto retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos

Trajos de Penamacor | Trajes da Beira

Trajes da Beira

Como o clima de Penamacor [Beira Baixa], durante o Inverno, é muito áspero e a estação dos frios e chuvas ocupa mais da metade do ano, os campónios, ao comprarem os seus fatos, escolhem sempre fazenda forte e quente e de cor de mel, que é a que mais se adapta aos inconvenientes do trabalho.

Do alfaiate exigem pouco, apenas «forte e franco».

Trajes masculinos

Usam botas de bezerro, raramente sapatos, fitas para resistir e durar, e para agasalho, com duas solas por baixo, convenientemente brochadas e com canos que vão até um pouco abaixo do joelho.

As calças são largas, tanto na cintura como nas pernas; o casaco (ou jaqueta ou vestia) e o colete têm o comprimento normal e a largura suficiente para deixar livres os movimentos dos braços do tronco.

A camisa sempre alvíssima tem colar curto e franco para não impedir o livre movimento do pescoço.

O chapéu, sempre preto, é rude, grosseiro, de abas largas e um pouco erguidas e de uma espessura razoável. A largura e a espessura deste, relativamente consideráveis, preservam bem, pelo menos o rosto, da chuva e dos ardores do Sol.

Como o campónio não usa suspensórios, ou alças como se lhe chama aqui, sucede que as calças lhe caem abaixo um pouco do ponto normal, o que faz que a camisa saia um pouco e o ventre se torne algo saliente.

Os fatos são sempre de cor parda, confundível com a cor do pó da terra arenosa, e a fazenda mais usualmente empregada é a «saragosa pelota».

Usam também uma camisola geralmente de cor encarnada e de fazenda felpuda para mais facilmente resistir ao rigor dos frios da estação invernosa.

Tem esta o cumprimento e o feitio dum casaco; abotoada geralmente ao lado e tem um bolso postiço (chama-se-lhe assim porque é posto por fora), onde o campónio costuma meter os apetrechos de fumar – tabaco, petiscos, pederneira, isca ou fusil.

No Inverno ou no Verão

Servem-se de um lenço, chamado de Alcobaça ou tabaqueiro, o qual metem de preferência na copa do chapéu, durante o Inverno, e entre a camisa e o peito, quando de Verão.

O trajo de Inverno pouco diverge do de Verão, porque como o povo diz, «o que tira o frio também tira o calor». Quando muito, deixam o casaco em casa e saem com camisola, sempre encarnada, para os seus trabalhos agrícolas.

O fato que usam as pessoas bem remediadas pouco diverge daquele acabado de descrever. A fazenda, o feitio e a cor são idênticos, mas, claro, com menos manchas e remendos.

O chapéu é também preto, de abas pequenas e flexíveis. A camisa é de linho, também com o colar curto e franco; é levemente engomada. Como os homens remediados não se empregam em trabalhos tão rudes, é raro verem-se com «as calças ao fundo da barriga», como aqui se diz.

Durante a semana usam calçado grosseiro, semelhante ao dos campónios, mas aos domingos, dias santos, festas, casamentos, baptizados, etc., põem botas pretas.

Nesses dias festivos o fato é preto; este fato preto dura muitos anos e às vezes a vida inteira, pois é o do casamento e aquele que o cadáver leva para a sepultura. Alguns usam uma cinta – tira de pano de lã, com a largura de palmo e meio, com a qual dão dez ou doze voltas à cintura. As pessoas que usam cinta servem-se dela como agasalho e algibeira, onde metem o lenço, a carteira, etc.

De Inverno usam capas semelhantes às capas académicas.

Superstições relacionadas com o vestuário

Superstições com vestuário

Superstição (do latim superstitio, “profecia, medo excessivo dos deuses”) ou crendice é a crença em situações com relações de causalidade que não se podem mostrar de forma racional ou empírica. Ela geralmente está associada à suposição de que alguma força sobrenatural, que pode inclusive ser de origem religiosa, agiu para promover a suposta causalidade.

Superstições são, por definição, não fundamentadas em verificação de qualquer espécie. Elas podem estar baseadas em tradições populares, normalmente relacionadas com o pensamento mágico. Por regra,  quem é supersticioso acredita que certas ações (voluntárias ou não) tais como rezas, curas, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de maneira transcendental a sua vida. (Fonte, texto adaptado)

A seguir, vamos transcrever algumas superstições relacionadas com o vestuário, apresentadas pelo Dr. José Leite de Vasconcelos, na sua obra “Etnografia Portuguesa“:

Listagem de superstições com o vestuário

A nudez favorece a irradiação da força mágica, que reside no homem, e ao mesmo tempo fá-lo mais sensível a forças exteriores (Handw., IV, 514).

No concelho de Vila Velha de Ródão, freguesia do Fratel, e também em Oliveira do Hospital, Travanca de Lagos, Andorinha, dizem que os cães não ladram aos homens nus e que os ladrões se aproveitam disso.

Na Beira Alta, quando as mulheres cosem botões em roupas que as pessoas tenham vestidas, dizem: «Não coso vivo nem coso morto, coso o vestido porque está roto.»

Quando se cose e a linha embaraça, em Lisboa, para se desembaraçar vai-se cantarolando continuamente: «Desembaraça-te, linha, que eu te darei uma caixinha.» E no Algarve dizem:

Senhor Sant’Ana,
Por aqui passou,
Tudo quanto viu,
Tudo desempeçou.

Vestir a roupa virada é mau agouro (Abade José Tavares, Carviçais, Moncorvo, Abril de 1904), mas em Lisboa, vestir uma peça de roupa do avesso é sinal de que se vai receber uma prenda nesse dia (Cf.: Handy.: «Kleid tausch»).

Para quem tem dores de cabeça

Há na Capela da Senhora do Castelo (Carviçais, Moncorvo, informação do Abade José Tavares, 1904) uma santa com um chapéu na cabeça. Quem sofre de dores de dentes e põe sobre a cabeça o chapéu do santo fica curado.

Em Lisboa, crê-se que, se uma rapariga põe o chapéu de um homem, não se casa.

Durante algumas dezenas de anos foi costume, pelo menos em Lisboa, as mulheres nunca entrarem num templo, de cabeça descoberta: se não tinham chapéu e mantilha, colocavam um lenço de assoar.

Em Carviçais, Moncorvo (Abade José Tavares, 1904), crê-se que quem morre mascarado vai para o Inferno. Também ali se crê que é de muito mau agouro dormir com os sapatos no sobrado, voltados com as palmilhas para cima, ou com os sapatos à cabeceira, ou com o chapéu aos pés (ou com a candeia no chão). Também é aziago, algures, colocar os sapatos em disposição inversa.

Paremiologia:

«Quem tem capa sempre escapa».

«Capote no Verão, ou é rato ou é ladrão».

Fonte: Etnografia Portuguesa – vol.VI, J. Leite de Vasconcelos

Várias superstições que dizem respeito às crianças

Superstições

Superstição (do latim superstitio, “profecia, medo excessivo dos deuses”) ou crendice é a crença em situações com relações de causalidade que não se podem mostrar de forma racional ou empírica.

Ela geralmente está associada à suposição de que alguma força sobrenatural, que pode inclusive ser de origem religiosa, agiu para promover a suposta causalidade.

Superstições são, por definição, não fundamentadas em verificação de qualquer espécie. Elas podem estar baseadas em tradições populares, normalmente relacionadas com o pensamento mágico.

Por regra,  quem é supersticioso acredita que certas ações (voluntárias ou não) tais como rezas, curas, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de maneira transcendental a sua vida. (Fonte, texto adaptado)

A seguir, vamos transcrever algumas superstições, apresentadas pelo Dr. José Leite de Vasconcelos, na sua obra “Etnografia Portuguesa“, e que dizem respeito às crianças:

Superstições acerca das crianças

Se a criança nasce ao sábado ou a o domingo, não entrará com ela causa ruim; se à sexta-feira, as bruxas não querem nada com ela; se em dia de Ano Bom ou Natal, será feliz; se em ano bissexto, não será atacada de bexigas. Dá azar nascer em 3 ou 13.

Acredita-se em horóscopos, como se vê, por exemplo, neste texto do séc XVIII:

Ó meu pai, vossa mercê

Já leu Lunário Perpétuo?

Já li, mas isso a que vem?

Ele diz que, em se sabendo

O planeta que domina

Em o dia de nascimento,

Se adivinha toda a sina

Que há-de ter o tal sujeito.

Tiram-se oráculos em datas célebres da vida infantil, como nascimento, desmama. Estendem-se, por exemplo, diante da criança certos objectos: dinheiro, cartas de jogar, etc.; aquele a que ela deitar a mão é prognóstico para a vida toda.

É também costume tirarem as crianças as sortes nas rifas (Beira Alta).

No concelho de Moncorvo vão as crianças com imagens de santos e formando procissão pelas ruas e campos, cantando estridulamente:

Água e mais água

Cais sobre nós;

Grandes e pequenos

Todos pão comemos.

Caia no centeio,

Que inda no ’stá cheio;

Caia na cevada

Que inda no ’stá grada;

Caia no trigo

Que inda no ’stá florido.

Minho, Estremadura e não só…

Os pais e parentes dos meninos dão-lhes as mãos a beijar para que cresçam (Melgaço) [Minho]. Quando se medem aos 3 anos o mais que, depois, cresçam é o dobro (Ponte da Barca, Galveias).

Quando se corta o cabelo, a primeira vez, a uma criança, vão-se colocar uns fios no rebento de uma silva, sobretudo na noite de S. João, para que o cabelo cresça (Tarouca). Em S. Paio de Jolda enterram o cabelo em terra preta, para que fique preto. A rapaz que rapa a panela das papas não lhe nasce a barba (Maia).

Dizem que as crianças que brincam com o lume mijam à noite na cama (Óbidos e Lisboa) [Estremadura].

Leva-se uma criança a um moinho, a primeira vez, toma-se-lhe a mão direita e mete-se-lhe no adilhão da mó (o buraco onde cai o grão) e diz-se três vezes assim:

Consoante este moinho anda em vão,
Quando vires com os olhos, faças com a mão.
Só o alheio não!
Pela graça de Deus e da Virgem Maria.
Rezam-se três padres-nossos e três ave-marias (Melgaço).

Quando as crianças já sabem pegar em tesouras, dá-se-lhes um bocadinho da envide (cordão umbilical que se tem guardado) para a irem cortar debaixo de uma laranjeira, a fim de serem felizes (Lagoa).

Fonte: Etnografia Portuguesa – vol.VI, J. Leite de Vasconcelos

Superstições relacionadas com a água

Sobre superstições

Superstição (do latim superstitio, “profecia, medo excessivo dos deuses”) ou crendice é a crença em situações com relações de causalidade que não se podem mostrar de forma racional ou empírica. Ela geralmente está associada à suposição de que alguma força sobrenatural, que pode inclusive ser de origem religiosa, agiu para promover a suposta causalidade.

Superstições são, por definição, não fundamentadas em verificação de qualquer espécie. Elas podem estar baseadas em tradições populares, normalmente relacionadas com o pensamento mágico.

Por regra,  quem é supersticioso acredita que certas ações (voluntárias ou não) tais como rezas, curas, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de maneira transcendental a sua vida. (Fonte, texto adaptado)

A seguir, vamos transcrever algumas superstições e crendices relacionadas com a água, apresentadas pelo Dr. José Leite de Vasconcelos, na sua obra “Etnografia Portuguesa“, e que dizem respeito à água:

Superstições acerca da água

– A água benta tem grande virtude. Quando as mãos suam é bom mantê-las em água benta (Samodães).

– Dizem em Óbidos, Mangualde, Paços de Ferreira e Lisboa que, quando duas pessoas lavam as mãos juntas, em breve bulham. Nos Açores (S.Miguel), para evitar a briga, cospem na água.

– As águas de baptizar as crianças que não estejam baptizadas deitam-se em sítio onde não passe ninguém por cima e em que não dê o sol (Óbidos e Mangualde).

– Não é bom beber água de noite, porque ela está a dormir, e se não puder deixar de beber-se bata-se para a acordar e não fazer mal (Óbidos e Mangualde). Também em Carviçais, Moncorvo, se diz que a água dorme de noite, e em Baião, quando alguém tem sede de noite e quer beber água, é necessário deitar uma pinga fora e diz-se: «Acorda, água, que eu também já acordei!» «Vamos pelo que diziam os antigos»! O mesmo se faz na Beira Baixa, como se vê um trecho de Nuno de Montemor:

«- Para se beber, é preciso acordá-la primeiro.

– E como se acorda?

O velho serrano aproximou-se da cantarinha batendo três vezes no cântaro com os dedos nodosos.

– É assim…- ensinou.

E sacudindo a água verteu-a no copo confiadamente.

– Agora pode bebê-la à vontade…»

– Em Óbidos (Peral) afirma-se que a água é corredia. Bebendo-a de bruços, à noite, a gente levanta-se com o Inimigo (Carviçais, Moncorvo).

– Bebe sangue quem num charco bebe por cima; se for por baixo, bebe matéria (Elvas; informação de António Tomás Pires).

– Não dão maleitas a quem bebe água por uma brecha (mina) nova de água (Cinfães).

– Quem urina num rego de água urina a fortuna.

– Se a água está fria quando se bebe, diz-se que não adivinha outra, i. é, não choverá (Elvas; informação de António Tomás Pires).

Epostracismo, leconomancia e hidromancia

Epostracismo: em Mangualde os rapazes costumam capar a água com pedras.

– Fecundidade

À porta de Dona Aldonça
Corre um cano de água clara,
A mulher que dela bebe
Logo se sente pejada…

Leconomancia e hidromancia: em Mangualde e Óbidos levam água às pessoas que se supõem mordidas por um cão ou qualquer animal raivoso, porque vêem na água o animal que mordeu.

– Em Guimarães, quando as mulheres que têm o diabo no corpo vão á mulher benta, a Braga, para lho expulsar, deitam sal no rio ao passarem por ele (ouvido em 1884).– Em Óbidos, quando vão buscar água à fonte, costumam escorrer bem o cântaro antes de saírem, porque, se levam no fundo algum resto, a fonte seca.

Na Nazaré fazem o mesmo na fonte, para que a fonteira não venha a casar com um bêbedo. As raparigas de …, quando iam à Fonte Velha, costumavam deitar uma gota de água na cavidade de uma pedra que estava ali perto. E no Alandroal, quando trazem o cântaro da fonte com água, atam-lhe uma junca ao gargalo para que a água se conserve fresca.

– Na Estremadura entornar água significa lágrimas, tristezas; por isso em Lisboa deitam-lhe vinho, porque entornar vinho é sinal de alegria.

Fonte: Etnografia Portuguesa – vol.VI, J. Leite de Vasconcelos

Superstições e crendices relacionadas com os animais

Superstições e crendices acerca dos animais

Ligadas aos animais, correm muitas superstições, das quais bastantes se incluíram noutros lugares. Agora ficam aqui reunidas umas, mais características, tanto de carácter geral como de aplicação a um ou outro animal.

Crê-se (por exemplo, em Mangualde e Lisboa) que é bom ter animais em casa, pois certas doenças, e até a morte, vão para eles, em vez de atacarem as pessoas.

Na Idade Média a imaginação viveu imenso de crenças com base na vida dos animais, a que se atribuía influência, por vezes decisiva, na vida humana.

Na literatura portuguesa da época encontram-se referências a obras com aqueles temas, em que se procurava na história natural o que parecesse mais útil à instrução religiosa, pelo seu interesse alegórico:

– os bestiários e os volucrários,

– manuais de história natural,

– escritos com intuitos moralizantes.

Quando nasce um animalzinho, em Pragança, baptizam-no, isto é, dão-lhe um nome e uns dias depois: Cabana (de galhos tortos), Riscada, Preta, Sara (de cor branca junto da boca!).

A cada cordeirinho ou cabrito põem-lhe uma cornicha ao pescoço, por causa do quebranto. E também quando um animal tem diarreia atam-lhe ao rabo uma fita encarnada.

O efeito maravilhoso do chifre é vulgarmente acreditado: um colocado na lareira repele os feitiços que queiram fazer ao dono da casa ou à sua família – Crê-se em Santa Eulália de Fermentões, concelho de Guimarães.

Superstições e crenças religiosas

Frequentemente as superstições confundem-se com as crenças religiosas. Aceita-se (Évora, etc.) que o hálito das vacas é santo, porque Jesus nasceu junto de uma.

Quem promete cereais para uma festa manda-os pendentes de um jugo levado por dois bois. Os bois jungidos vão na frente da procissão, às vezes em grande número – por exemplo, quinze (Felgueiras, concelho de Moncorvo).

Santo Antão é protector do gado cabrum, lanígero e vacum. Quando há uma epidemia no gado, o dono deste promete uma rês ao santo para a epidemia passar. Na véspera da festa vai com o gado dar voltas à igreja, que tem as portas abertas: a primeira rês que se escapa para a igreja é a que fica pertencendo ao santo (Parede, concelho de Alfândega da Fé).

Em Tolosa, S. Marcos é advogado do gado vacum; Santo Amaro protege especialmente as ovelhas e cabras, e a ele prometem um borrego, se o gado se criar bem. Santo António é advogado de todo o gado.

Patrono dos pastores

O patrono dos nossos pastores é S. João, que é representado com um cordeiro. Os pastores da serra da Estrela, nesse dia, vão lavar o gado ao rio.

No Jarmelo, os pastores fazem cruzes, com anil ou almagre, na lã, para não dar o mal às ovelhas e para não entrarem as bruxas com ele.

Quando nasce um borrego ou um cabrito, se é esperto dizem: «Tão castiço que é! Benza-o Deus!» ou «Santo António o guarde!». Se é fraco, dizem apenas: «Tão rélezinho que é!» (Não dizem «Benza-o Deus!»). No tempo das festas, os pastores levam o gado em volta da ermida, e às vezes nas procissões.

Em Seia há uma reza a S. Romão para espantar os lobos, mas S. Romão é advogado contra os cães danados. Também responsam os lobos, no Barroso, para não irem atacar o gado, quando ele fica no monte.

Parece que é o responso de Santo António, mas a pessoa que me informou só se lembrava das seguintes palavras: «… se o bicho tivesse a boca aberta, que não a pudesse fechar; se a tivesse fechada, não a pudesse abrir…»

Fonte: Etnografia Portuguesa – vol.VI, J. Leite de Vasconcelos  (texto editado) | Imagem de destaque: Jean Baptiste Thomas. Bendición de los animales en San Antonio Abad. Roma, 1823.

Adágios sobre a caça e diversos animais

Adágios e provérbios sobre a caça e animais

A caça é uma das mais antigas atividades do ser humano para a sua sobrevivência. Embora sabe-se que a linhagem de hominídeos que deu origem aos humanos modernos eram omnívoros, é provável que a caça só se tenha tornado uma atividade importante a partir do género Homo.

Isso teria sido determinante no desenvolvimento do senso de colaboração entre humanos, bem como no desenvolvimento de ferramentas. A caça de subsistência ainda é praticada por comunidades indígenas ou de regiões mais isoladas do globo.

Em sociedades agricultoras, a caça envolve uma dupla relação de familiaridade e amizade com os animais domésticos e de hostilidade e agressividade com o mundo selvagem e misterioso. A caça como elemento cultural de uma sociedade faz parte da idiossincrasia dos habitantes rurais, que se transmite de pais para filhos.Fonte

Sobre esta atividade humana, aqui deixamos um conjunto diversificado de adágios:

» No tempo das perdizes, tanto mentes quanto dizes.

» Para caçar, calar.

» Nem moça boa na praça nem homem mau na caça.

» Oficial que vai à caça, não há mercê que Deus lhe faça.

» Mal haja o caçador doido que gasta a vida com um pássaro.

» Quem muito pula pouco caça.

» A caça sai só aos inocentes.

» Quem quer caçar não diz xó.

» Quem porfia mata caça.

» Se caçares não te gabes; se não caçares, não te enfades.

» Para caçador velho, cão velho.

» O caçador de lebres tem que ser coxo.

» Mulher de mercador que fia, escrivão que pergunta o dia, oficial que não vai à caça – não há mercê que Deus lhe faça.

» Quem em caça, política, guerra e amores se meter, não sairá quando quiser.

» A caçar e a comer não te fies no prazer.

E a guerra…

» Guerra, caça e amores, por um prazer cem dores.

» A ir à guerra e a caçar não se deve aconselhar.

» Enquanto uns batem o souto, outros apanham a caça.

» Não é regra certa caçar com besta.

» Se queres cão de caça, procura-o pela raça.

» Mulher e cão de caça, procurai-os pela raça.

» Cão de boa raça, se não caça hoje, amanhã caça.

» A galgo velho deita-lhe lebre e não coelho.

» Galgo que muitas lebres levanta, nenhuma mata.

» O galgo à la larga a lebre mata.

» Em Janeiro nem galgo lebreiro nem açor perdigueiro.

» De Viseu quero o cão para coelho, e não o homem para conselho.

» Ainda que teu sabujo é manso, não o mordas no beiço.

» Amor de mulher e amor de cão nada valem se nada lhe dão.

» A quem não sobeja pão não crie cão.

» Em Maio o rafeiro é galgo.

» De Baião, nem homem nem cão.

» Cão que muito ladra não é bom para caçar.

» Cão que lobos mata, lobos o matam.

» O cão no osso e a cadela no lombo.

» Cão que muito lambe tira o sangue.

» O cão velho quando ladra dá conselho.

» Cão azeiteiro nunca bom conselheiro.

» Cão com raiva morde o seu dono.

» Cão bom nunca ladra em falso.

» Quem quer cão tenha pão.

» Cão bom até à morte dá o rabo.

» Se queres que te siga o cão, dá-lhe pão.

» A sebe dura três anos, o cão três sebes, o cavalo três cães, o homem três cavalos, o corvo três homens e o elefante três corvos.

Cão que ladra ou não ladra…

» Cão que não ladra, guarda dele.

» Cão que ladra não morde.

» Cuidado com o homem que não fala e com o cão que não ladra.

» Não fiar de cão que manqueja.

» Quem quer caça vai à praça.

» Porfia mata veado e não besteiro cansado.

» Quem porfia mata veado, que não besteiro cansado.

» Feriste o javali, deixará quem seguia e tornará a ti.

» Não caça do coração senão o dono furão.

» A furão cansado tira-lhe o açaime.

» Fome de caçador e sede de pescador.

» Ler sem entender é caçar sem colher.

» Em Agosto, espingarda ao rosto.

» De má mata nunca boa caça.

» Duma fraca toca nasce um bicho bom.

E o leão?

» O leão não caça pardais.

» Não é tão bom o leão como o pintam.

» Não se entretêm os leões na caça aos tubarões.

» Mais vale ser cabeça de burro que rabo de leão.

» É fraqueza entre ovelhas ser leão.

» A pequeno passarinho, pequeno ninho.

» Quem o pássaro quer matar não o há-de matar.

» A pássaro dormente tarde entra o cibo na venta.

» Agarrem-se os pássaros pelo bico e os homens pela língua.

» Canta cada pássaro conforme o bico que tem.

» Do peixe a pescada, da carne a perdiz.

» Quem a truta come assada e cozida a perdiz não sabe o que faz nem o que diz.

» Das aves boa é a perdiz, mas melhor a codorniz.

» De gaiolas fechadas não saem perdizes.

» Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.

» Em Junho, perdigoto como punho.

» Enquanto não é tempo de muda, caçai comigo aos perdigotos.

» Se fores à caça e matares um perdigão, mostra-o ao juiz e dá-o ao escrivão.

» Caça a perdiz com o vento no nariz, e às narcejas pelas costas o vejas.

» Quando a perdiz canta, bom prado tem.

Fonte: Paulo Caratão Soromenho in “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos

 

Adágios e provérbios sobre a pesca e o pescador

Adágios e provérbios sobre a pesca

“Desde que há memória que a pesca sempre fez parte das culturas humanas, não só como fonte de alimento, mas também como modo de vida, fornecendo identidade a inúmeras comunidades, e como objeto artístico. A Bíblia tem várias referências à pesca e o peixe tornou-se um símbolo dos cristãos desde os primeiros tempos.” Fonte

Sobre esta atividade humana, aqui deixamos um conjunto diversificado de adágios:

» No arrumar da barca se vê o pescador.

» Quem quer pescar há-de-se molhar.

» Quem quer peixe molha o rabo

» Não se pescam trutas a bragas enxutas.

» Não basta ir ao rio com vontade de pescar, é preciso levar rede.

» De rio pequeno não esperes grande peixe.

» Nem tudo o que vem à rede é peixe.

» De grande rio, grande peixe.

» Em rio sem peixe não deites a rede.

» Com vento suão não pesques peixe nem caces com cão.

» Não deixes escapar o camarão pela rede.

» A mulher e o peixe no mar são difíceis de agarrar.

» No grande mar se cria o grande peixe.

» A isca é que engana e não o pescador com a cana.

» Nem de cada malha peixe, nem de cada mata feixe.

» A cabeça de besugo come-a o sisudo, e a de boga dá-a à tua sogra.

» São os peixes que não vêem a água.

» Boa é a truta, bom é o sável, bom é o salmão quando é sazão.

E ainda mais provérbios…

» Na noite envolto, pesca o pescador.

» Ou magro ou gordo aí deixo o peixe todo.

» Fome de rio, sede de mato.

» Peixe caído, peixe vendido.

» Peixe velho é entendedor de anzóis.

» Peixeiro que não mente na bolsa o sente.

» A água é para os peixes e o minar para as toupeiras.

» Os peixes são para nadar e as toupeiras para minar.

» Estar sempre com a caninha na água.

» O peixe deve nadar três vezes: em água, em molho e em vinho.

» Pescador apressado perde o peixe.

» Quão grande é o peixe, tão grande é o sabor.

» Peixe de Maio, a quem vo-lo pedir, dai-o.

» Pescador de cana mais como que ganha, mas, quando a dita corre, mais ganha que come.

» Isco de cana mais come que ganha, mas, quando a dita corre, mais ganha que come.

» A Deus e à ventura, botou a nadar.

» Filho de peixe sabe nadar.

» Ser como o robalo, por causa da boca perdeu o rabo.

» Pescar em águas turvas.

Fonte: Paulo Caratão Soromenho in “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos

Se quiser, pode ficar a conhecer outros provérbios populares…

 

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