Provérbios sobre os homens e as mulheres

Provérbios sobre os homens e as mulheres

Uma listagem, muito interessante, de provérbios e ditados populares sobre “os homens” e “as  mulheres“, e que foram passando de geração em geração, até aos nossos dias, em populações de Trás-os-Montes e Alto Douro:

Sobre as mulheres

» Menina feia: mulher bonita.

» Mulher e franga, que caiba na manga.

» A mulher e a sardinha quer-se da mais pequenina.

» Sardinha e mulher: a maior que houver.

» A mulher e a pescada quer-se da mais alentada.

» À mulher brava, soga larga.

» À mulher parida e teia urdida, nunca faltou guarida.

» Mulher parida quer galinha.

» Mulher parida: nem farta nem limpa.

» É bem casada a que não tem sogra nem cunhada.

» Sogras são sogas. Cunhadas são cunhas.

» Mulher, como o vento e ventura, depressa muda.

» Mulher assobiadeira ou é bruxa ou feiticeira.

» Mulher sem vergonha é pior que peçonha.

e ainda mais…

» Mulher que a dois ama a dois engana.

» Mulher que bem se arreia nunca é feia.

» Não é brava a mulher que cabe em casa.

» Livra-te da mula que faz him e da mulher que sabe latim.

» Do mar, se tira o sal; e da mulher, o mal.

» Com afagos, a mula e a mulher fazem o que o homem quer.

» Digna é de fama a mulher que não tem fama.

» Mulheres, onde estão, sobejam; onde não estão, faltam.

» Antes mulher de ninguém que amante de alguém.

» Formosura de mulher não faz o homem rico.

» À mulher casta Deus lhe basta.

» O melão e a mulher estão mais no acertar do que no escolher.

» O mal da mulher entra-lhe pelos ouvidos.

» Mulher honrada não tem ouvidos nem olhos.

» É boa e honrada e viúva sepultada.

» Da má mulher te guarda e da boa não te fies nada.

» Da galinha, a preta; da pata, a parda; e da mulher, a sarda.

Sobre os homens

» Homem prudente pode mais que o valente.

» Homem prevenido vale por dois.

» Homem precatado, homem dobrado.

» Homem apaixonado não quer ser aconselhado.

» Homem de palha vale mais que mulher de oiro.

» Homem de bem, palavra de rei.

» Homem casado com mulher feia tem a fama segura.

» Homem, barca; mulher, arca.

» Homem, na praça; mulher, em casa.

» Homem que cheire a pólvora; mulher que cheire a incenso.

» O homem põe e Deus dispõe.

» Um homem é um homem, um gato é um bicho.

» Homem endividado: todo o ano apedrejado.

» Homem honrado: antes morto que injuriado.

» Homem de capa no Verão: ou roto ou ladrão.

» Um homem nunca chora, mesmo que veja as tripas de outro

» Os homens não se medem aos palmos.

» De homem para homem, não há diferença de boi.

» Os homens conhecem-se pelas palavras, os bois pelos cornos.

» Homem peludo, ou forte ou amorudo.

» Homem barbado, homem honrado.

» Homem de barba ruiva, uma diz, outra cuida.

» Homem velhaco, três barbas ou quatro.

e ainda mais…

» A homem calado e mulher barbada, em tua casa não

» Homem ruivo e mulher barbuda, de longe os saúda.

» Homem com fala de mulher nem o diabo o quer.

» Homem ruço: mau pêlo, má casta e mau cabelo.

» Acautela-te do homem que não fala e do cão que não ladra.

» Marido sem cuidado e casa sem telhado, de graça, é caro.

» De homem muito cortês foge de vez.

» De homem assinalado toma cuidado.

» Homem do mar, cabeça no ar.

» Homem e guerra, vê-los a meia légua.

» Homem grande, besta de pau.

Homem pequeno…

» Homem pequeno, saco de veneno.

» Homem pequeno, coração ao pé da boca.

» Homem pequenino, ou velhaco ou dançarino.

» Homem pequenino, ou embusteiro ou bailarino.

» Homem magro, não de fome, fugir dele que não é homem.

» Homem magro, não de fome, é diabo, não é homem.

» Homem pobre com pouco se alegra.

» Homem pobre: meia de seda e caldeirão de cobre.

» Homem pobrete mas alegrete.

» Quanto mais roto mais garoto.

» Homem avascado: nem quieto nem calado.

» Homem que bate no peito, velhaco perfeito.

» Homem que reza e chora, Deus nele mora.

» Homens Joões ou brutos ou bufôes.

» Homens, três por nove ruas.

» Homem velho e mulher nova: filhos até à cova.

» Perde-se o velho por não poder e o novo por não saber.

» O homem que em novo não trabalha, em velho dorme na palha.

» O homem é fogo, a mulher estopa: quando se juntam, vem o diabo e sopra.

» Três coisas deitam o homem a perder: muito falar e pouco saber; muito gastar e pouco ter; muito presumir e pouco valer.

» Três coisas mudam o homem: a mulher, o jogo e o vinho.

» Três coisas enganam o homem: as mulheres, os copos pequenos e a chuva miudinha.

» Morra um homem, deixe fama.

Fonte: “Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro” – Joaquim Alves Ferreira, IV Volume, 1999

Trajo do Monte Real – Leiria | Estremadura

Trajo do Monte Real

Na descrição do tipo de vestuário de Monte Real, temos sucessivamente de considerar o dos homens, o das mulheres e o das crianças.

1.- Homens:

No trajo dos homens devemos ainda distinguir o fato do domingo e o fato da semana.

a) O trajo do domingo consta geralmente de um fato de cotim preto, formado por um casaco curto com os cantos arredondados; por um colete com gola, deixando ver a camisa, quase sempre de riscado, com um colarinho estreito com os cantos arredondados, onde às vezes se nota uma gravata de cores berrantes; e por umas calças com a forma de boca de sino.

O calçado é, em geral, constituído por sapatos de prateleira ou de meia prateleira, e mais raras vezes por botins, usados em geral pelos que são remediados. As meias usam-se ainda pouco. Para a cabeça têm um chapéu de abas largas, a que dão o pomposo nome de chapéu fino.

Trazem ainda, ao domingo, grandes correntes de prata ou de ouro, às vezes com um cornicho, e também cordões de libras, que prendem de um lado um relógio metido dentro de uma bolsa de lã com borlas, e do outro, por vezes, um pequeno espelho. Para as costas têm, quando remediados, uma capa preta, mas que só usam em ocasiões solenes.

b) O trajo da semana é muito mais simples do que o que acabamos de descrever. Em geral, ainda em mangas de camisa, isto é, sem casaco, e apenas com umas alças velhas arregaçadas, ou umas ceroulas de ganga, ou de pano cru, curtas e largas. Sempre descalços; trazem no Inverno um barrete na cabeça, e no Verão às vezes um chapéu velho.

2.- Mulheres:

O vestuário das mulheres é constituído, em Monte Real,

– por blusas ou batinés com mangas compridas e de abotoar ao lado;

– por saias de chita ou estamenha, franzidas junto a um cós largo e com barras de ganga de assento preto e olhos amarelos, frequentemente alteadas com um cordel tecido com algodão de várias cores e com maçanetas nas extremidades;

– por aventais de riscado escuro; por canos para as pernas, usados mesmo no rigor do Verão.

Geralmente andam descalças e só nas ocasiões solenes deixam ver uns sapatos pretos e umas meias pretas ou da cor do vinho.

Na cabeça nota-se-lhes quase sempre um lenço encarnado, atado de modo a poderem colocar-se as suas pontas num chapéu preto, de forma arredondada, como no Minho, enfeitado com um penacho preto e penas de várias cores, fixas numa conta dourada.

Nas abas do chapéu, encontra-se quase sempre um lenço branco, muito bem dobrado.

Para as costas têm, em harmonia com as posses, saias de estamenha, de castorinha ou beata, e também já xailes.

Nas orelhas luzem botões de ouro; ao pescoço uma medalha, e nos dedos anéis de prata ou de chumbo.

Aos domingos, quando as posses o permitem, trazem cordões aparelhados com libras, medalhas, cruzes e, às vezes, corações, que noutros tempos teriam servido de amuleto e cuja significação se perdeu.

3.- Crianças:

As crianças até aos três anos usam apenas umas botas que lhes deixam à mostra parte das pernas, e andam em gadelhe (em cabelo).

Ao pescoço trazem, por vezes, bentos e amuletos.

Depois, até aos cinco anos, passam a usar um barrete na cabeça, umas calças abertas, mas já com bolsos, e andam vulgarmente em mangas de camisa, a não ser aos domingos, em que trazem umas blusas de cor ou camisolas azuladas ou verdes, andando descalças até mesmo nesses dias.

Depois desta idade, o trajo das crianças começa a assemelhar-se ao dos adultos.

Extractos de um estudo sobre o trajo do Monte Real (concelho de Leiria), feito por Manuel Domingues Heleno Júnior, estudante da Faculdades de Letras de Lisboa, datado de Maio de 1917.

Fonte: “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos

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