Festas de Santa Luzia – Castelejo – Fundão

Festas de Santa Luzia

As Festas de Santa Luzia realizam-se a 15 de Setembro no santuário homónimo, situado numa colina sobranceira à aldeia de Castelejo (10 km a poente do Fundão).

E, juntamente com a Romaria da Senhora do Almortão (Idanha-a-Nova) e a Festa de Nossa Senhora das Dores (Paul), é uma das grandes romarias da Beira Baixa.

A capela data do séc. XVIII e do seu adro contempla-se a vertente ocidental da Serra da Gardunha. São bem visíveis as antenas colocadas por cima de Castelo Novo, situada na vertente contrária.

De resto, é possível, a partir do santuário, apanhar um caminho de terra que sobre toda a encosta, passando nos dois pontos referidos (cabeço e aldeia).

A viagem, que proporciona panoramas interessantes, só é possível em viatura 4×4 [ao tempo da elaboração deste texto].

Dos poderes atribuídos a Santa Luzia faz parte a protecção da vista. O número de romeiros costuma ser grande, ultrapassando os cinco milhares, facto a que não é estranha a circunstância de a festa coincidir com o feriado municipal do Fundão.

As diversas celebrações

As celebrações, tanto religiosas como profanas, têm início a 14 de Setembro.

Ao fim da tarde realiza-se uma procissão com velas desde a igreja paroquial do Castelejo até à capela, transportando o andor da Senhora dos Milagres.

Ao mesmo tempo desde do santuário uma outra procissão encabeçada pelo andor de Santa Luzia. Conforme manda a tradição, os cortejos encontram-se a meio da rampa e as duas imagens «cumprimentam-se» e seguem juntas para a capela.

Nessa noite e na noite seguinte há animado arraial com bandas de música e os famosos bombos da vizinha aldeia de Lavacolhos. Todo o cimo o Monte de Santa Luzia é ocupado por tendas e bancas dos mais diversos comércios.

No dia 15 realiza-se missa campal e registam-se as maiores multidões. A festa prolonga-se ainda para o dia seguinte, celebrando Santa Eufémia.

É já uma cerimónia praticamente restrita às pessoas da freguesia, realizando-se procissão com o andor da santa em torno da capela.

Fonte: GUIA Expresso “O melhor de Portugal” – 12 – Festas, Feiras, Romarias, Rituais (texto adaptado e ampliado) | Imagem de destaque

 

Bombos de Lavacolhos | Fundão – Beira Baixa

Bombos de Lavacolhos

Em plena Beira Baixa, a aldeia de Lavacolhos, no concelho do Fundão, destaca-se pelos seus conhecidos bombos que concorrem sempre para a solenização de todos os momentos importantes da sua vida colectiva.

Calculando-se que existem desde há mais de trezentos anos, os Bombos de Lavacolhos actuavam obrigatoriamente por ocasião da Festa do Senhor da Saúde que ocorre no terceiro domingo do mês de Agosto e ainda na véspera de Santa Luzia, festividade que tem lugar a 15 de Setembro, mas sempre à margem das celebrações litúrgicas.

O ritmo é cadenciado e violento mas de simples execução, não seguindo uma regra que obrigue à transmissão, de geração em geração, do seu saber, deixando antes à iniciativa do executante a liberdade da imitação. Aos jovens compete apenas a tarefa de se iniciarem na arte de tocar o bombo de modo a preservarem o rito tradicional.

Tocar bombo é uma arte

A arte de fazer rufar o bombo em Lavacolhos consiste em fazer ressoar a membrana de pele de cabra de forma ritmada, sendo característica a forma como o tocador conserva o pé esquerdo sempre à frente, suportando o bombo com a perna e fazendo-o saltar sempre que com a maceta lhe desfere violentas pancadas que o fazem ressoar de uma forma única.

Aqui, ao contrário do que sucede noutras regiões do país, os bombos aparecem associados ao pífaro genuinamente beirão, o qual constitui o elo de ligação entre os restantes instrumentos, introduzindo-lhe uma componente melódica que lhe confere uma particular harmonia.

Também a caixa vem associada a estes ritmos predominantemente pastoris mas que não deixam de nos sugerir algo de marcial, quase a desvendar-nos segredos dos ancestrais povos lusitanos que ousaram desafiar a globalização então imposta pelo império romano.

Ali se dança, em roda ou em fileira, ao ritmo das palmas ou dos estalidos produzidos pelos dedos em castanholas. Cantam-se composições de sabor medieval não obedecendo a qualquer norma estética estabelecida, mas em tom gritado a fim de possuir longo alcance e sempre retomado por um conjunto de vozes que lhe confere uma dimensão colectiva.

Oh ! Alto, Oh alto
Oh ! Alto, Oh alto
Quanto mais acima, maior é o salto
Larilolela, oh alto, oh alto

Oh! Ana vai ver
Oh! Ana vai ver
O fogo no mar e os peixes a arder
Larilolela, Oh Ana vai ver

Eu bem te dizia
Eu bem te dizia
Se não me amasses, eu logo morria
Larilolela, eu bem te dizia

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História