Margot Dias | Pessoas ligadas à Etnografia

Margot Dias

De seu nome de solteira, Margot Schmidt, e nacionalidade alemã, nasceu a 4 de Junho em 1908 em Nuremberga, onde seu pai era Braumeister numa fábrica de cerveja. Morreu em Oeiras, aos 93 anos.

Foi em 1940, no início da guerra, que Margot Schmidt, uma pianista com uma carreira promissora à sua frente – obteve o diploma do Curso Superior de Música da Academia Nacional de Música em Munique-, conheceu António Jorge Dias, que na altura assegurava o leitorado de cultura portuguesa na universidade dessa cidade alemã.

Casaram-se no ano seguinte, tiveram o primeiro de três filhos e decidiram viver em Portugal. Margot Dias trocou a Alemanha por Portugal e o piano pela investigação científica.

O seu trabalho foi pioneiro na área da etnomusicologia, do estudo da cultura material e do parentesco.

Uma notável equipa de trabalho

Com Jorge Dias e o grupo por ele formado, que incluía Fernando Galhano, Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira, constituíram uma equipa de trabalho. Num escasso período de tempo, esta equipa revolucionou os estudos etnológicos e antropológicos em Portugal.

Ainda no início da década de quarenta, Margot Dias ocupou-se do cancioneiro que integra a obra de Jorge Dias sobre Vilarinho das Furnas. Esta obra veio a constituir a tese de doutoramento em Etnologia do marido, apresentada em 1944 na Universidade de Munique.

Vilarinho das Furnas era uma aldeia da serra do Gerês, no Minho, que seria mais tarde sepultada pelas águas do rio Homem.

A partir daí, foi a companheira infatigável de vida e de trabalho deste antropólogo, enveredando por uma carreira ao seu lado, na área da investigação etnológica e etnomusicológica.

Diversos estudos

Em 1947, Jorge Dias integra o Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, então sediado no Porto.

Entre 1957 e 1962, o casal Dias, juntamente com Manuel Viegas Guerreiro, integra a Missão de Estudos das Minorias Étnicas do Ultramar Português. Realiza trabalho de terreno em Moçambique, do qual resultaria a publicação dos quatro volumes de Os Macondes de Moçambique.

Margot Dias ocupou-se dos estudos relativos ao parentesco e à cestaria, completando um trabalho pioneiro em Portugal no tocante a estas matérias.

Em 1962, Jorge Dias criou o Centro de Estudos de Antropologia Cultural, actual Centro de Antropologia Cultural e Social do Instituto de Investigação Científica Tropical. Extinta a Missão das Minorias Étnicas, aquele Centro passou a herdeiro dos materiais nela recolhidos, sendo um dos objectivos deste centro a organização de um museu de etnologia.

A partir daqui, o casal Dias e os seus companheiros conseguem, graças a uma grande unidade e espírito de equipa, disciplina rigorosa e amor ao trabalho, proceder a uma exaustiva investigação de terreno em Portugal. Desta investigação resultaram mais de uma dezena de obras publicadas.

Também procederam a recolhas que constituíram o acervo do Museu de Etnologia do Ultramar. A estas juntaram-se os objectos oriundos da missão e os que viriam a ser recolhidos noutros contextos etnográficos por Vítor Bandeira e demais colaboradores.

Imagem de destaque | Texto elaborado com recolhas feitas na internet

 

O Folclore e a Música Erudita | Textos e Opiniões

O Folclore e a Música Erudita

A música erudita é, por definição, toda a criação musical resultante da erudição, produzida de acordo com regras que foram sendo estabelecidas ao longo de várias épocas. Integra vários géneros que respeitam a diferentes fases estéticas e que vão desde a Idade Média aos nossos dias.

Ela abrange períodos tão distintos que correspondem a categorias tão diversas como

– a música medieval e renascentista,

– a música barroca e a clássica,

– do Romantismo

– e a música contemporânea.

Com influência grega e hebraica, as suas raízes remetem para a liturgia cristã e das canções trovadorescas que estão na origem do cancioneiro galaico-minhoto.

Por conseguinte, o conceito de música erudita não contempla a música popular tradicional.

Porém, muitos foram os compositores que, ao longo dos tempos, se inspiraram nas tradições folclóricas para construírem as suas obras musicais. Bastará que nos recordemos de

– Brahms, Haydn e Beethoven, nos países germânicos,

– Lizt e Béla Bártok, na Hungria

– e Stravinsky, na Rússia.

E, entre nós, Luís de Freitas Branco e Fernando Lopes Graça, Ruy Coelho e Vianna da Motta.

Conforme disse João de Freitas Branco: “Uma história da música portuguesa, ainda que tendo como objecto a arte sapiente de compositores e intérpretes, não pode ignorar o que é, afinal, a mais portuguesa de quantas músicas, porque vive no seio do povo”.

A origem das desgarradas

Desde logo, podemos situar nas “cantigas de escárnio e maldizer” a origem das desgarradas e cantares ao desafio, da mesma forma que os poetas repentistas se filiam na tradição dos jograis e menestréis, conservando a sátira como sua principal característica.

Retomando as palavras de João de Freitas Branco, “…as danças dos pauliteiros, com seus trajes e preceitos curiosíssimos, dir-se-iam também reconstituições de costumes medievais, enquanto as encomendações das almas acusam de outro modo a penetração cristã.

Os belos corais alentejanos sugerem a influência da música polifónica religiosa, que foi tão brilhantemente cultivada na região, e outros exemplos, nomeadamente no Douro Litoral, descendem também do canto a duas e mais vozes de há centenas de anos, conservando por vezes, pouco deterioradas, formas definidas, designadamente de vilancico, e permitindo até, num ou outro caso, aventar a hipótese de proveniência de trechos conhecidos por via dos cancioneiros renascentistas”.

Com efeito, o cante alentejano deve em grande parte a sua influência à música polifónica dos frades da Serra d’Ossa e à denominada “Escola de Évora” que constituiu um dos expoentes do período barroco, considerada a idade de ouro da música portuguesa, denunciando o cantochão no modo muito peculiar da forma mais solene de cantar na margem direita do rio Guadiana.

Antes, porém, encontramos no teatro de Gil Vicente a inspiração da música tradicional a acompanhar versos de sabor popular:

Em Portugal vi eu já
Em cada casa pandeiro
E gaita em cada palheiro;
E de vinte anos a cá
Não há hi gaita nem gaiteiro

Inspiração no folclore português

É ainda nesta época, mais concretamente durante o reinado de D. João V, que o célebre compositor Domenico Scarlatti, filho do não menos famoso Alessandro Scarlatti, se fixa em Lisboa e passa a viver na corte portuguesa, tendo aí desempenhado as funções de compositor real e mestre dos príncipes.

Também ele se inspira no folclore português e compõe duas sonatas baseadas num fandango e numa canção típica da Estremadura.

Michel Giacometti | Pessoas

Michel Giacometti

Etnomusicólogo corso, nascido em Ajaccio, na Córsega, a 8 de Janeiro de 1929 e faleceu em Faro, a 24 de Novembro de 1990.

Fez importantes recolhas etno-musicais em Portugal. Estudou na Suécia, doutorando-se posteriormente na Universidade da Sorbonne (Paris).

Numa visita ao Museu do Homem, em Paris, a música popular portuguesa despertou-lhe um interesse tal que fez com que se mudasse para o nosso país, em 1959, tendo-se instalado em Bragança. Um ano depois, Michel Giacometti já tinha fundado os Arquivos Sonoros Portugueses.

Ao longo de 30 anos (até 1982), percorreu o país, gravando centenas de cantares e músicas tradicionais, dando origem àquele que é, até hoje, o mais exaustivo levantamento da cultura musical portuguesa.

Do seu espólio constam ainda centenas de instrumentos musicais, fotografias, recolhas de literatura popular e de instrumentos e materiais ligados ao trabalho rural, parte dos quais deu origem, em 1987, ao Museu do Trabalho Michel Giacometti (Setúbal).

Editou, em colaboração com Fernando Lopes Graça, uma Antologia da Música Regional Portuguesa (1963, em cinco volumes) e, em 1981, um Cancioneiro Popular Português. Foi ainda autor de uma série de documentários televisivos, sob o título Povo que Canta.

Grande parte do seu espólio musical (também pertencente ao acervo do Museu Nacional de Arqueologia e Etnografia, em Lisboa) encontra-se ainda por editar ou organizar.

Fonte: Enciclopédia Universal Multimédia da Texto Editora – 1997 (adaptado)

Michel Giacometti – Filmografia completa

Um documento único em Portugal!

«Há uma velha moda alentejana, entre as muitas que ele por cá ouviu e gravou, que diz: Eu sou devedor à terra / A terra me ‘stá devendo / A terra paga-m’em vida / Eu pago à terra em morrendo. Deste povo que canta a vida do mesmo modo que canta a morte, como se uma não tivesse sentido sem a outra, guardou Michel a alma antiga já em névoa. E por isso não foi morrendo que ele pagou a sua dívida à terra Portuguesa, foi nela vivendo. (…)

Michel Giacometti é, repete-se, um português que, não por acaso, nasceu um dia na Córsega. Sempre o vimos como tal. E continuaremos a vê-lo, agora que por graças da técnica, ele regressa vivo para nós.

Ouçam-no, vejam-no, admirem o seu trabalho e empenho. O que ele filmou e gravou ter-se-ia perdido para sempre, não fosse a sua teimosia. Giacometti salvou-nos a alma.»

Nuno Pacheco (Público) 

Festival CIOFF® Culturas Mediterrânicas em Lisboa

O Festival, que se assume como uma mostra cultural das tradições, usos e costumes dos países do mediterrâneo e de influência mediterrânica, decorre de 12 a 16 de Setembro em Lisboa, no Parque de Jogos 1º de Maio.

O Festival CIOFF® Culturas Mediterrânicas é uma iniciativa do CIOFF® Portugal em parceria estratégica com a Fundação INATEL.

O CIOFF® é a entidade mundial que regula os festivais internacional de Folclore no Mundo. Em Portugal tem 52 associados e é presidido pela Fundação Inatel. O CIOFF® Portugal candidatou-se a organizar, no nosso País, um Festival de Culturas Mediterrânicas, candidatura aceite pela organização.

Os destaques da programação anunciada em conferência de imprensa, no passado mês de Maio, vão para atuação de Rabih Abou-Khalil e do fadista português Ricardo Ribeiro, que abrem o festival no dia 12 de Setembro; no dia 13 é tempo de dar as boas vindas aos enérgicos Folk n’ Roll, da Grécia, que vêm animar o público com uma explosiva fusão entre a sonoridade dos balcãs, ska e reaggae; Diretamente da Macedónia chegam os Fanfarra Luboyna – nome maior da nova música tradicional macedónica – para uma atuação no dia 14. No dia 15, um dia antes do fecho do festival, uma das mais belas e representativas vozes da nova geração de fadistas nacionais, Joana Amendoeira, fecha a noite e o ciclo de apresentações de espetáculos de músicas do mundo. Os concertos têm lugar a partir das 21h. O festival continua no dia 16 de Setembro, com uma grande apresentação dos grupos tradicionais e de folclore dos países convidados.

No âmbito do Festival CIOFF® Culturas Mediterrânicas decorre, em paralelo, a Conferência Internacional “Mediterrâneo: Território dos 5 Sentidos”, organizada pelo CRIA – Centro em Rede de Investigação e Antropologia do ISCTE, pela FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) com o apoio da Associação Turismo de Lisboa – a realizar nos dias 12 e 13 de Setembro no ISCTE. A conferência pretende-se um espaço de encontro de especialistas e personalidades da cultura, para debate sobre o presente e o futuro no mediterrâneo e da cultura como promotor da Paz.

 

Sobre a Conferência

Espaço de encontro de especialistas e personalidades da cultura, para debate sobre o presente e o futuro no mediterrâneo. A cultura como promotor da Paz. Uma Conferência Internacional sobre a temática das culturas mediterrânicas será realizada nos dias 12 e 13 de setembro de 2018, marcando a abertura solene do Festival CIOFF® de Culturas Mediterrânicas.

Esta iniciativa será apoiada pelo Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) e pelo ISCTE-IUL, que a acolhe.

O mote para esta conferência será o de pensar e reflectir sobre várias temáticas, enquadradas por diferentes áreas de estudos, com o Mediterrâneo como pano de fundo, mas sobretudo norteada pelos cinco sentidos – visão, tacto, audição, olfacto e paladar. Para além das cinco conferências enquadradas pelos cinco sentidos, terá igualmente lugar uma conferência final onde se debaterão questões contemporâneas ligadas ao Mediterrâneo, quer enquanto área geográfica quer enquanto área de estudos, contando com oradores nacionais e internacionais.

Desta conferência resultará ainda a edição de um livro de atas, cujos exemplares editados serão oferecidos pelo CIOFF® Portugal a várias organizações e instituições de âmbito cultural reconhecido, bem como de ensino em Antropologia, Etnomusicologia e Sociologia e também a todos os países com representação no CIOFF®.

 

Horários e atividades

Nos dias 12 e 13 o recinto do festival está aberto das 15h às 23h, no dia 14 das 15h às 24, no dia 15 das 10h às 24h e no dia 16 das 10h às 22h. As atividades não se ficam pelos concertos: durante o dia há oficinas diversas, ciclos de cinema, espetáculos de folclore nacional e internacional, animações de rua, gastronomia, artesanato, exposições, uma zona de restauração e espaço criança com atividades para os mais novos. A entrada no recinto e todas as atividades são gratuitas.

Francisco Madelino, Presidente do CIOFF® Portugal, realça os seguintes aspetos deste evento e o porquê do empenho na sua organização:

– A afirmação da riqueza etnográfica do nosso País, quer nos seus conteúdos, quer na qualidade do trabalho dos nossos Festivais CIOFF® e dos grupos etnográficos nacionais associados, tendo estes feito uma adaptação impressionante, nos últimos anos, na investigação e no rigor do que representam.

– A promoção do diálogo intercultural entre os Povos, sobretudo numa região como Mediterrâneo, que tem sido um espaço milenar de misturas culturais, que nos enriqueceram e fazem, e, sobretudo, que deram à Europa contributos civilizacionais importantes.

– Promover espaços de partilha e usufruto, na Cidade de Lisboa e no País, entre gerações. Os países são feitos de raízes culturais ancestrais, mas que se renovam permanentemente, em processos intergeracionais, em que o antigo se renova, numa cadeia de união intemporal.

 

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Informações mais detalhadas sobre a iniciativa:

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