Trajes de homem e de mulher | Trás-os-Montes

Trajes de homem e de mulher

(arredores de Bragança – depois de 1916)

Os trajes de homem são:

para a cabeça – chapéu, gorro ou boné. O gorro ou boné é de uso recente, vinte a vinte e cinco anos o máximo, e tardou a conferir-se-lhe foros de tolerância. Para a parte superior do tronco temos: jaqueta, também dita quinzena; colete; camisola e camisa; para a inferior temos: calças, também ditas pantalonas, que cobrem as pernas do meio da tíbia para baixo.

Para os pés há: sapatos, também ditos butes, quando sobem algo do artelho para cima, e botas, quando têm canos altos; socos de madeira por baixo, muito grosseiros, quando são um pouco mais aperfeiçoados dizem-se socas; meias, meotes ou crepins; as meias sobem até pouco abaixo do joelho e os crepins ou meotes chegam um pouco abaixo do meio da tíbia.

Há ainda, para as mãos, luvas que tomam o nome de confortantes, quando apenas guarnecem parte da mão, deixando os dedos a descoberto.

O uso da capa de burel é geral.

As mulheres têm:

Mantilha– capa larga e comprida usada desde a cabeça ou desde os ombros até quase aos pés. No feitio é quase idêntico à capa eclesiástica ou à antiga capa liceal dos estudantes (evolução da toga romana?). É a capa solene, usada pelas mulheres de respeito.

Capucho – capa usada pelas mulheres; é de forma triangular e tapa desde os ombros até pouco abaixo das nádegas. Toma o nome de mandila quando é do formato quadrangular, embora sempre se use dobrada triangularmente no sentido diagonal.

Chaile – nesta região não chega à importância da mantilha.

Jaqué – casaco usado pelas mulheres, muito esticadinho e mal tapa a cinta.

Casaco redondo – amplo e desce até à cinta.

Casaco cintado – apertado, conforme os contornos do corpo, desce pouco abaixo da cinta.

Colete – igual ao que se usa por toda a parte.

Garibalda – casaco redondo, mas de tecido ligeiro, próprio da estação calmosa.

Camisa – igual à das outras regiões.

Da cintura até aos pés

Faixa – tira de pano felpudo, vermelho, que dá duas ou três voltas ao corpo, usada pelas mulheres logo por baixo do colete para agasalhar os peitos e apenas desce à cinta, ao contrário da faixa usada pelos homens, que é preta e raramente vermelha ou azul, enroscada em volta da cinta.

Saia – igual à das outras regiões.

Saia de dentro – igual à das outras regiões.

Saiote – igual à das outras regiões.

Enágua – saia branca usada pelas mulheres junto ao corpo, quando a camisa apenas desce pouco abaixo da cinta.

Sapatos.

Chinelas.

Sócos.

Sócas.

Chalocas – socas de madeira por baixo, com a diferença que do meio do pé para trás o cabedal tem palmilha por baixo e não está pregado na madeira, facilitando assim o andar. Também lhe dão o nome de galochas.

Descrição feita por Pe. Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal

Informações retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos (texto editado)

Imagem de destaque

Vestuário do Cartaxo – Trajos do Ribatejo    

Vestuário do Cartaxo

O trajo das mulheres do campo, chamadas campinas, conta de anáguas com folhos brancos, costumando ser mais compridas que as saias de cima, que são de seriguilha, e uma roupinha muito justa ao corpo. Nos pés usam meias e tamancos; na cabeça, um lenço, de preferência vermelho. Este fato é usado pelas mulheres, nos dias de trabalho.

Ao domingo, principalmente para assistir à missa, usam saias bastante rodadas e compridas, e todas com uma capa do feitio das capas dos estudantes, havendo mulheres que as traçam com muita elegância. Na cabeça, um lenço escuro.

Os homens usam sapatos de salto de prateleira, calça exageradamente justa, fazendo polaina sobre o pé, e jaqueta muito curta para deixar ver uma cinta-preta ou vermelha. Os mais abastados usam-na de seda. Para abafo usam uma manta riscada, à qual eles dão o nome de manta lobeira.

Na cabeça, um barrete ou um chapéu com abas muito largas. Na mão trazem um varapau com as duas extremidades chapeadas de metal amarelo. É preciso notar que estes trajos são simplesmente usados pelas pessoas do campo, porque as outras pessoas da vila usam modas às vezes bem exageradas.

Extractos de um estudo sobre o vestuário do Cartaxo, feito por Clotilde Leal Lino de Sousa, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa, datado de 9.07.1916

Fontes: Informações retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos | Imagem 

O concelho do Cartaxo

Situado no coração do Ribatejo, o concelho do Cartaxo ocupa uma área de cerca de 160 km2, sendo constituído por seis freguesias – União de Freguesias do Cartaxo e Vale da Pinta, União de Freguesias de Ereira e Lapa, Pontével, Valada, Vale da Pedra e Vila Chã de Ourique.

O campo, o bairro e a lezíria, com o rio aos pés, atribuem ao Cartaxo uma grande riqueza paisagística. A cultura da vinha e a produção de vinho estiveram desde sempre ligadas ao concelho, valendo-lhe o título de Capital do Vinho. Fonte

 

Vestuário da aldeia de Costa de Cima – Leiria

Vestuário da aldeia de Costa de Cima – Leiria

Trajo domingueiro das mulheres

O trajo domingueiro das mulheres, usado ainda há uns vinte anos, compunha-se de uma saia redonda, de farta roda, casaco cintado, capa comprida até aos pés, capa esta que podia ser de pano preto, cinzento ou azul, mas o mais fino era o pano preto.

A capa podia ser simples ou enfeitada à frente com bandas que acompanhavam toda a capa, e atrás terminava em bico. A completar este trajo, usavam um lenço de Bretanha.

Ricos e pobres trajavam assim. A diferença consistia apenas na qualidade do tecido. Nos pés, tamancos ou sapatos, toscamente feitos. Meias só as mais abastadas as usavam.

As capas, porém, foram sendo postas de parte e hoje já pouco se usam. Só uma ou outra pessoa antiga as usa. O lenço de Bretanha foi substituído pelo lenço de seda, de lã ou ainda de chita.

Muitas mulheres usam um chapéu de feltro ou veludo, por cima do lenço, como as Ovarinas. Esse chapéu é mais ou menos enfeitado, ou com uma fivela ou com um feixe de peninhas de cores.

Também a substituir a capa, usam algumas mulheres uma saia a cobrir os ombros. Essa saia é de chita ou de lã grosseira, tecida em casa.

O trajo dos homens

O trajo dos homens é também simples. Trajam uma jaqueta curta, calça estreita, em geral de pano castanho-escuro, sapatos ou tamancos, e na cabeça um barrete de lã preta ou um chapéu de abas. Em volta da cinta, uma faixa de lã, geralmente preta.

A camisa é uma camisa vulgar, de riscado. Alguns, porém, trajam um pouco mais à cidade e esses fazem consistir o seu luxo no uso de gravata.

Há quarenta para cinquenta anos, via-se um outro trajo entre os homens mais abastados: compunha-se de uma jaleca, calção um pouco acima do joelho, botas altas a acompanhar os joelhos e a aparecer a meia branca de lã ou de algodão (segundo a estação), por cima da bota.

Na cabeça, um chapéu largo. O calção desapareceu completamente e hoje nem uma só pessoa se vê assim.

Outras informações

Também o trajo feminino actualmente varia conforme as posses de cada mulher. Algumas saias, as das raparigas, são enviesadas, outras de roda farta; os casacos pouco se usam; substituem-nos por blusas.

Nos ombros, põem um xalinho, e na cabeça um lenço; nos pés meias e sapatos de cabedal grosso. São as mais jeitosinhas.

As pessoas mais abastadas, em contacto com a cidade, vão-se apurando na maneira de vestir, e o seu luxo consiste num casaco a imitar uma ou outra moda, dentro de uns certos limites, numa mantilha e num leque; e são estas as senhoras da terra. Algumas usam uma mantilha de bico.

O ouro é pouco usado e isso devido, talvez à pobreza da terra.

Extractos de um estudo sobre o vestuário da aldeia de Costa de Cima (concelho de Leiria), feito por Esméria de Sousa, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa, datado de 11.07.1916

Fonte: Informações retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos | Imagem

 

Fernando de Castro Pires de Lima | Etnógrafo

Fernando de Castro Pires de Lima

Médico, Escritor e Etnógrafo português. Nasceu no Porto, a 10 de Junho de 1908, cidade onde também faleceu, a 3 de Janeiro de 1973).

Filho do Dr. Joaquim Pires de Lima e de Maria Henriqueta da Silva e Castro, era descendente de lavradores minhotos setecentistas, naturais de Carreço, concelho de Viana do Castelo [Minho] . Casou com Maria Adélia Barbot Ferreira (1915-2001).

Diplomou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Foi assistente do Hospital Geral de Santo António e director da respetiva Enfermaria, professor de Higiene no Conservatório de Música no Porto e diretor da Biblioteca Popular e do Arquivo de Medicina Popular.

Na área da Etnografia, foi presidente do Instituto de Etnografia e director do Museu e Etnografia e História do Porto (actual Museu de Etnografia).

Obras publicadas

Fernando Pires de Lima escreveu um vasto número de obras,

– “A Metafísica perante a inquietação científica” (1937),
– “Salazar no vértice de oito séculos de história“,
– “O Simbolismo Cristão na Cantiga Popular” (1941),
– “Ensaios” (1943),
– “Nossa Senhora de Portugal” (1947), em co-autoria com o pai (1947);
– “A Nau Catrineta” (1954)

algumas delas de evidente registo etnográfico:
– “Cantares do Minho“, em 2 volumes (1937-1942),
– “Tradições Populares de Entre-Douro-e-Minho” (1938, escrito em conjunto com seu pai),
– “O Vinho Verde na Cantiga Popular“, em colaboração com a irmã, Maria Clementina (1939),
– “Romanceiro Minhoto” (1943)
– “São João na alma do Povo” (1944),
– “O amor na quadra popular” (1945).
– “Cancioneiro” (1962)
– “Ensaios Etnográficos” (1968, escrito em dois volumes).

Ao longo da sua vida, colaborou em publicações científicas e publicações periódicas como

– a “Revista de Guimarães“, fundada em 1883 pela Sociedade Martins Sarmento,

– e a “Revista Lusitana”, instituída por José Leite de Vasconcelos,

onde escreveu acerca de temas etnográficos.

Colaborou, também, na “Revista de Tradiciones Y Dialectologia“, de Madrid, na qual editou o estudo “Afinidades Galaico-Portuguesas no Cancioneiro Popular“, premiado pela Real Academia Gallega.

Membro de associações científicas e culturais

Pires de Lima foi igualmente um reputado conferencista e membro de associações científicas e culturais, nacionais e estrangeiras:

Associação dos Arqueólogos do Instituto de Coimbra,

Sociedade de Antropologia e Etnologia do Porto,

Instituto de História e Etnografia de Lisboa,

Instituto de Antropologia de Paris,

Sociedade de Folklore do Brasil,

Federação das Academias de Letras do Brasil,

Associação de Escritores Médicos de Madrid,

Real Academia Gallega,

Seminário de Estúdios Gallegos,

Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto,

Academia das Ciências, etc.

Fonte: Enciclopédia Universal Multimédia da Texto Editora (1997) | Universidade Digital / Gestão de Informação

Trajos do Alentejo – Evolução do trajo e do penteado

Evolução do trajo e do penteado

(camponeses, lavradores e artífices e as suas famílias)

Em remotos tempos, as mulheres usavam saias de catimbu, fazenda espessa de lã, geralmente em azul-escuro ou castanho, com barra amarela, cor-de-rosa ou encarnada. Estas saias tinham, de ordinário, três panos e eram demasiadamente compridas, passando mais tarde a usar-se poço abaixo do joelho.

Por baixo da saia de catimbu, traziam uma de estamenha, tecido de lã e linho; mas esta, em vez de barra, terminava por uma orla formada a pontos de tranca de lã em espiral, distanciados de um centímetro pouco mais ou menos. Usavam ainda, sob a estamenha, saias de beata de seda, uma espécie de flanela de algodão felpuda.

As camisas eram sempre de linho, sendo frequente encontrarem-se algumas em que a parte correspondente ao tronco era de linho, e a inferior de estopa ou estopinha. Nas mangas, que quase todas tinham, e nos ombros eram bordadas com linha caseira, isto é, com fios de linha adrede preparados.

No peito, sobre a camisa, vestiam um colete de pano encarnado, enfeitado com fitas de cor diferente, e sobre este a roupinha, uma espécie de corpete muito justo e que, conforme se destinava ou não para dias festivos, era confeccionada em seda de várias cores, ou em pano azul de lã.

As mangas desta interessante peça de vestuário eram também muito apertadas por meio de pregas longitudinais no braço e antebraço, notando-se apenas uma parte mais larga na região do cotovelo que deu a tais mangas a denominação de mangas de balão.

Sobre a roupinha usavam ainda a capa de bombonete, que era uma capa pequena de tule ou renda bordada a branco com que cobriam apenas os ombros e cujas pontas iam prender-se adiante, sobre o seio, com um alfinete ou uma fita de seda branca.

Trajos para os dias de festa

Nos dias de maior solenidade, como casamentos, festa de S. Pedro, etc., as lavradoras vestiam saias de seda, chamadas saias de rua, que, com o desuso, têm sido transformadas, nestes últimos tempos, em lindíssimas colchas.

“Esboços do País, Caráter e Traje em Portugal e Espanha, realizados durante a Campanha e na Rota do Exército Britânico em 1808 e 1809” – J. Clark sculp.

Com o decorrer dos tempos, as saias de catimbau cederam o lugar às de castorina fina; a roupinha apertada, a outra de mangas largas feitas dos mais variados tecidos, e a capa de bambonete a lindíssimos lenços de pescoço, em lã ou em seda, na maior parte das vezes bordados pelas portadoras.

As saias de castorina ainda hoje se usam, embora arrebicadas de pregas e plissados, e foram elas que, com os lenços do pescoço e a tradicional roupinha, constituíram, por largos anos, o trajo característico e interessantíssimo das donzelas nisenses.

Houve uma época em que o luxo e a ostentação se aferiam pelo número das saias usadas, sendo frequente aparecerem nos bailes raparigas cuja cintura tinha de suportar o peso de doze daquelas incómodas peças de vestuário! Era um martírio, principalmente de Verão!

E, como se este peso não fosse bastante para cruciar as pobres moças, ainda o peito e o pescoço tinham de suportar a pressão de várias gargantilhas, cordões, grilhões, cadeias, etc., que algumas ostentavam, como ourivesarias ambulantes, vaidosamente.

Mantilha

Servia-lhes de agasalho – e nem de outra forma saíam à rua – numa mantilha roxa, forrada de beata encarnada, na parte que colocavam sobre a cabeça. Mais tarde a mantilha roxa foi substituída por outra de pano preto, com que assistiam às cerimónias religiosas e ocultavam o rosto à indiscrição dos curiosos.

Hoje a mantilha apenas é usada por algumas viúvas mais aferradas à tradição e ainda assim só nos primeiros tempos de viuvez.

O que todas as nisenses ainda usam são os xailes de diferentes cores, desde o preto nas missas e enterros até aos mais garridos e finos de lã de seda, aparecendo mesmo caríssimos manteaux Manilla, importados do país vizinho.

O penteado também se modificou muito. As nossas patrícias de há mais de cinquenta anos usavam o cabelo apartado ao meio e atado atrás em forma de martelo, sendo a trança de 4 ou 5 pernas. Enfeitada com fitas de várias cores.

Outras vezes, formavam duas pequenas tranças que iam dos temporais ao martelo, chamando-se este penteado cabelo de arrepio.

Trajo Português – Trajos e conexos | Etnografia Portuguesa

Trajo Português

Neste artigo, vamos divulgar, de forma minimamente sistematizada, informações  publicadas pelo Dr. José Leite de Vasconcelos na sua obra “Etnografia Portuguesa” – Livro III, sobre os trajos em Portugal:

“O trajo em geral pode ser considerado segundo o tempo, a idade, o sexo e a fortuna.

Segundo o tempo: primitivo, medieval, quinhentista, setecentista, oitocentista, moderno, da moda (ou à moda), de partes do dia e de estações do ano.

Segundo a idade: de criança de colo, de jovem, de adulto e de velho.

Segundo o sexo: masculino e feminino.

Segundo a fortuna: pobre e rico.

O trajo em particular

apresenta-se-nos conforme as alíneas que seguem:

Trajo interior (ou roupa branca, de baixo ou interior ou trajos menores);Trajo civil (ou usual ou paisano, ou à paisana);

Trajo típico (ou de classe): de fadista, de papo-seco, de cigano, etc.;

Trajo circunstancial: de luxo (domingueiro, de cerimónia, de festa), de fantasia (de actrizes, de artistas de circo, etc.), do Carnaval, caseiro, de trabalho, de casamento, de luto, quotidiano ou de semana, de praia;

Trajo profissional: de caçador, de pescador, banheiro, peixeiro, peixeira, pastor, pastora, sapateiro, ferreiro, ferrador, operário, padeiro, porteiro, cozinheiro, etc.;

Trajo regional: de províncias ou áreas geográficas; não há propriamente trajo nacional, mas trajos nacionais;

Trajo uniforme: militar, eclesiástico (talar, hábito, bispo, padre, etc.), académico, de justiça (juiz, advogado, carrasco, etc.), de diplomatas, de funcionários cortezãos, de criados, de gente de bata branca (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, químicos); e

Elementos complementares do trajo: adornos, armas, arrimos, objectos de uso pessoal, cosméticos, tatuagens, barba e cabelo.

Há ainda que entrar em linha de conta com os modos de usar certas peças de vestuário: curto, comprido, arregaçado, de lado, a direito, etc.”1

Trajos de Trás-os-Montes

Trajes de homem e de mulher (arredores de Bragança – depois de 1916)Ler
Pe. Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal

Trajos de homem e de mulher – Mirandela – Ler
Armando Artur do Valle, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa, datado de Julho de 1916

Trajos de Entre Douro e Minho

Maneiras de pôr o lenço na cabeça – Ler

Trajos da Beira

Trajos de Penamacor – Ler
Adelino Esteves Robalo, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa – 08.04.1917

Trajos do Alentejo

Descrição de trajos tradicionais do Alentejo (I) – Ler
Trajo característico | Trajo dos homens no trabalho do campo | Trajo de mulher no trabalho de campo (Vidigueira)

Trajos do Alentejo – Evolução do trajo e do penteado – Ler
José Francisco Figueiredo, Nisa

Trajos do Algarve

Trajo de mulher e homem – Ler
José Guerreiro Murta, 10.04.1917

Trajos da Madeira

Indumentária característica madeirense: camponesa e camponês – Ler
Artigo n’O Século, 23 de Junho de 1901

Vestes Tradicionais da Madeira – Ler
Extracto de um estudo de um aluno da Faculdade de Letras de Lisboa, 30 de Junho de 1916

Vestuário da população de Fajã da Ovelha – Ler
João Augusto Correia de Gouveia, aluno de Antropologia, 18 de Maio de 1914

Trajos dos Açores

Vestuário dos Terceirenses – Ler
Judite Galles, aluna da Faculdade de Letras de Lisboa, 4 de Julho de 1916

Trajes Micaelenses – Ler
De um artigo de Joaquim Cândido Abranches, intitulado Costumes Populares Micaelenses

Peças de vestuário

Mantilha – Ler

A Capucha – Ler

O chapéu Ler

O lenço da cabeça – Ler

Trajos infantis e juvenis – Ler

Artigo em continua atualização.
1 Informações retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos

Trajos tradicionais da Madeira no início do séc. XX

Trajos tradicionais da Madeira

Indumentária característica madeirense: camponesa e camponês

“O trajo da camponesa é muito típico, quando aparece nas festas.

Na cabeça uma carapuça, saia curta de lã encarnada, com listas verticais de cores;

capa de meia cintura, azul-escura, debruada de largas fitas de renda da mesma cor, posta sobre o ombro esquerdo e passando por de baixo do braço direito, indo encontrar-se as duas extremidades um pouco abaixo do peito, descobrindo uma branca camisa de linho, abotoada por grandes botões de oiro, com numerosas pregas e caindo sobre as franjas de um colete de cores, sobre o qual assentam grossos grilhões de oiro.

Usam botas brancas de canhas, debruadas com uma lista vermelha. A meia é branca e vê-se quase até ao joelho, por ser uma saia curta.

O trajar do camponês não é também menos original.

Na cabeça uma carapuça, como a mulher, de forma cónica e pontiaguda, parecendo-se com um funil, feita de pano azul-ferrete.

Jaqueta curta, apertada na cintura, também de pano azul, colete de seda vermelha com botões de vidro de diversas cores, camisa branca, de linho, de grandes colarinhos de bico, voltados para baixo e apertados com dois grandes botões de oiro, de cadeia.

A calça é de linho branco, de pano azul ou de lã amarela, muito larga, caindo sobre uma bota branca, esmeradamente limpa a giz e sem salto.

Artigo n’O Século, 23 de Junho de 1901, sem assinatura” 1

Vestes Tradicionais da Madeira

“As vestes tradicionais são ainda hoje bastante usadas principalmente nas seguintes freguesias: Santo da Serra, Santa Ana, Canhas, Porto de Moniz e Caniçal.

Além das vestes tradicionais, há outros diversos tipos de vestes populares actuais, que por serem menos curiosos não me dei ao incómodo de notar.

No norte da Madeira, as mulheres fiam de lã branca de ovelha e tecem e fazem calças para os homens. Estas têm o nome de serguilha.

As saias riscadas das mulheres chamam-se saias cardadas. São de lã e têm conjuntamente as seguintes cores: amarela, azul, encarnada e verde.

As mulheres cardam a lã, depois tingem-na e tecem-na. Tingem com uns pós amarelos (batatinha) e com açafrão. Muitos chamam a estes pós: poses encarnados e verdes.

Antigamente, os homens usavam cueca branca de pano de linho da terra, camisa e botões dourados, faixa branca na cintura e carapuça (carbuça ou crabuça). Este trajo é ainda usado na freguesia do Caniçal: devo, porém, dizer que só o vi no sacristão da igreja.

Diz-se que antigamente as mulheres usavam saia, camisa copada, manga curta, colete bordado, como os do Minho, e carapuça; às vezes capa traçada e uns lenços de ouro, hoje muito apreciados.

Extracto de um estudo de um aluno da Faculdade de Letras de Lisboa, 30 de Junho de 1916″ 2

1 e 2 Informações e foto retiradas de “Etnografia Portuguesa” – Livro III – José Leite de Vasconcelos  (texto editado)

Superstições relacionadas com o vestuário

Superstições com vestuário

Superstição (do latim superstitio, “profecia, medo excessivo dos deuses”) ou crendice é a crença em situações com relações de causalidade que não se podem mostrar de forma racional ou empírica. Ela geralmente está associada à suposição de que alguma força sobrenatural, que pode inclusive ser de origem religiosa, agiu para promover a suposta causalidade.

Superstições são, por definição, não fundamentadas em verificação de qualquer espécie. Elas podem estar baseadas em tradições populares, normalmente relacionadas com o pensamento mágico. Por regra,  quem é supersticioso acredita que certas ações (voluntárias ou não) tais como rezas, curas, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de maneira transcendental a sua vida. (Fonte, texto adaptado)

A seguir, vamos transcrever algumas superstições relacionadas com o vestuário, apresentadas pelo Dr. José Leite de Vasconcelos, na sua obra “Etnografia Portuguesa“:

Listagem de superstições com o vestuário

A nudez favorece a irradiação da força mágica, que reside no homem, e ao mesmo tempo fá-lo mais sensível a forças exteriores (Handw., IV, 514).

No concelho de Vila Velha de Ródão, freguesia do Fratel, e também em Oliveira do Hospital, Travanca de Lagos, Andorinha, dizem que os cães não ladram aos homens nus e que os ladrões se aproveitam disso.

Na Beira Alta, quando as mulheres cosem botões em roupas que as pessoas tenham vestidas, dizem: «Não coso vivo nem coso morto, coso o vestido porque está roto.»

Quando se cose e a linha embaraça, em Lisboa, para se desembaraçar vai-se cantarolando continuamente: «Desembaraça-te, linha, que eu te darei uma caixinha.» E no Algarve dizem:

Senhor Sant’Ana,
Por aqui passou,
Tudo quanto viu,
Tudo desempeçou.

Vestir a roupa virada é mau agouro (Abade José Tavares, Carviçais, Moncorvo, Abril de 1904), mas em Lisboa, vestir uma peça de roupa do avesso é sinal de que se vai receber uma prenda nesse dia (Cf.: Handy.: «Kleid tausch»).

Para quem tem dores de cabeça

Há na Capela da Senhora do Castelo (Carviçais, Moncorvo, informação do Abade José Tavares, 1904) uma santa com um chapéu na cabeça. Quem sofre de dores de dentes e põe sobre a cabeça o chapéu do santo fica curado.

Em Lisboa, crê-se que, se uma rapariga põe o chapéu de um homem, não se casa.

Durante algumas dezenas de anos foi costume, pelo menos em Lisboa, as mulheres nunca entrarem num templo, de cabeça descoberta: se não tinham chapéu e mantilha, colocavam um lenço de assoar.

Em Carviçais, Moncorvo (Abade José Tavares, 1904), crê-se que quem morre mascarado vai para o Inferno. Também ali se crê que é de muito mau agouro dormir com os sapatos no sobrado, voltados com as palmilhas para cima, ou com os sapatos à cabeceira, ou com o chapéu aos pés (ou com a candeia no chão). Também é aziago, algures, colocar os sapatos em disposição inversa.

Paremiologia:

«Quem tem capa sempre escapa».

«Capote no Verão, ou é rato ou é ladrão».

Fonte: Etnografia Portuguesa – vol.VI, J. Leite de Vasconcelos

Superstições relacionadas com a água

Sobre superstições

Superstição (do latim superstitio, “profecia, medo excessivo dos deuses”) ou crendice é a crença em situações com relações de causalidade que não se podem mostrar de forma racional ou empírica. Ela geralmente está associada à suposição de que alguma força sobrenatural, que pode inclusive ser de origem religiosa, agiu para promover a suposta causalidade.

Superstições são, por definição, não fundamentadas em verificação de qualquer espécie. Elas podem estar baseadas em tradições populares, normalmente relacionadas com o pensamento mágico.

Por regra,  quem é supersticioso acredita que certas ações (voluntárias ou não) tais como rezas, curas, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de maneira transcendental a sua vida. (Fonte, texto adaptado)

A seguir, vamos transcrever algumas superstições e crendices relacionadas com a água, apresentadas pelo Dr. José Leite de Vasconcelos, na sua obra “Etnografia Portuguesa“, e que dizem respeito à água:

Superstições acerca da água

– A água benta tem grande virtude. Quando as mãos suam é bom mantê-las em água benta (Samodães).

– Dizem em Óbidos, Mangualde, Paços de Ferreira e Lisboa que, quando duas pessoas lavam as mãos juntas, em breve bulham. Nos Açores (S.Miguel), para evitar a briga, cospem na água.

– As águas de baptizar as crianças que não estejam baptizadas deitam-se em sítio onde não passe ninguém por cima e em que não dê o sol (Óbidos e Mangualde).

– Não é bom beber água de noite, porque ela está a dormir, e se não puder deixar de beber-se bata-se para a acordar e não fazer mal (Óbidos e Mangualde). Também em Carviçais, Moncorvo, se diz que a água dorme de noite, e em Baião, quando alguém tem sede de noite e quer beber água, é necessário deitar uma pinga fora e diz-se: «Acorda, água, que eu também já acordei!» «Vamos pelo que diziam os antigos»! O mesmo se faz na Beira Baixa, como se vê um trecho de Nuno de Montemor:

«- Para se beber, é preciso acordá-la primeiro.

– E como se acorda?

O velho serrano aproximou-se da cantarinha batendo três vezes no cântaro com os dedos nodosos.

– É assim…- ensinou.

E sacudindo a água verteu-a no copo confiadamente.

– Agora pode bebê-la à vontade…»

– Em Óbidos (Peral) afirma-se que a água é corredia. Bebendo-a de bruços, à noite, a gente levanta-se com o Inimigo (Carviçais, Moncorvo).

– Bebe sangue quem num charco bebe por cima; se for por baixo, bebe matéria (Elvas; informação de António Tomás Pires).

– Não dão maleitas a quem bebe água por uma brecha (mina) nova de água (Cinfães).

– Quem urina num rego de água urina a fortuna.

– Se a água está fria quando se bebe, diz-se que não adivinha outra, i. é, não choverá (Elvas; informação de António Tomás Pires).

Epostracismo, leconomancia e hidromancia

Epostracismo: em Mangualde os rapazes costumam capar a água com pedras.

– Fecundidade

À porta de Dona Aldonça
Corre um cano de água clara,
A mulher que dela bebe
Logo se sente pejada…

Leconomancia e hidromancia: em Mangualde e Óbidos levam água às pessoas que se supõem mordidas por um cão ou qualquer animal raivoso, porque vêem na água o animal que mordeu.

– Em Guimarães, quando as mulheres que têm o diabo no corpo vão á mulher benta, a Braga, para lho expulsar, deitam sal no rio ao passarem por ele (ouvido em 1884).– Em Óbidos, quando vão buscar água à fonte, costumam escorrer bem o cântaro antes de saírem, porque, se levam no fundo algum resto, a fonte seca.

Na Nazaré fazem o mesmo na fonte, para que a fonteira não venha a casar com um bêbedo. As raparigas de …, quando iam à Fonte Velha, costumavam deitar uma gota de água na cavidade de uma pedra que estava ali perto. E no Alandroal, quando trazem o cântaro da fonte com água, atam-lhe uma junca ao gargalo para que a água se conserve fresca.

– Na Estremadura entornar água significa lágrimas, tristezas; por isso em Lisboa deitam-lhe vinho, porque entornar vinho é sinal de alegria.

Fonte: Etnografia Portuguesa – vol.VI, J. Leite de Vasconcelos

Superstições e crendices relacionadas com os animais

Superstições e crendices acerca dos animais

Ligadas aos animais, correm muitas superstições, das quais bastantes se incluíram noutros lugares. Agora ficam aqui reunidas umas, mais características, tanto de carácter geral como de aplicação a um ou outro animal.

Crê-se (por exemplo, em Mangualde e Lisboa) que é bom ter animais em casa, pois certas doenças, e até a morte, vão para eles, em vez de atacarem as pessoas.

Na Idade Média a imaginação viveu imenso de crenças com base na vida dos animais, a que se atribuía influência, por vezes decisiva, na vida humana.

Na literatura portuguesa da época encontram-se referências a obras com aqueles temas, em que se procurava na história natural o que parecesse mais útil à instrução religiosa, pelo seu interesse alegórico:

– os bestiários e os volucrários,

– manuais de história natural,

– escritos com intuitos moralizantes.

Quando nasce um animalzinho, em Pragança, baptizam-no, isto é, dão-lhe um nome e uns dias depois: Cabana (de galhos tortos), Riscada, Preta, Sara (de cor branca junto da boca!).

A cada cordeirinho ou cabrito põem-lhe uma cornicha ao pescoço, por causa do quebranto. E também quando um animal tem diarreia atam-lhe ao rabo uma fita encarnada.

O efeito maravilhoso do chifre é vulgarmente acreditado: um colocado na lareira repele os feitiços que queiram fazer ao dono da casa ou à sua família – Crê-se em Santa Eulália de Fermentões, concelho de Guimarães.

Superstições e crenças religiosas

Frequentemente as superstições confundem-se com as crenças religiosas. Aceita-se (Évora, etc.) que o hálito das vacas é santo, porque Jesus nasceu junto de uma.

Quem promete cereais para uma festa manda-os pendentes de um jugo levado por dois bois. Os bois jungidos vão na frente da procissão, às vezes em grande número – por exemplo, quinze (Felgueiras, concelho de Moncorvo).

Santo Antão é protector do gado cabrum, lanígero e vacum. Quando há uma epidemia no gado, o dono deste promete uma rês ao santo para a epidemia passar. Na véspera da festa vai com o gado dar voltas à igreja, que tem as portas abertas: a primeira rês que se escapa para a igreja é a que fica pertencendo ao santo (Parede, concelho de Alfândega da Fé).

Em Tolosa, S. Marcos é advogado do gado vacum; Santo Amaro protege especialmente as ovelhas e cabras, e a ele prometem um borrego, se o gado se criar bem. Santo António é advogado de todo o gado.

Patrono dos pastores

O patrono dos nossos pastores é S. João, que é representado com um cordeiro. Os pastores da serra da Estrela, nesse dia, vão lavar o gado ao rio.

No Jarmelo, os pastores fazem cruzes, com anil ou almagre, na lã, para não dar o mal às ovelhas e para não entrarem as bruxas com ele.

Quando nasce um borrego ou um cabrito, se é esperto dizem: «Tão castiço que é! Benza-o Deus!» ou «Santo António o guarde!». Se é fraco, dizem apenas: «Tão rélezinho que é!» (Não dizem «Benza-o Deus!»). No tempo das festas, os pastores levam o gado em volta da ermida, e às vezes nas procissões.

Em Seia há uma reza a S. Romão para espantar os lobos, mas S. Romão é advogado contra os cães danados. Também responsam os lobos, no Barroso, para não irem atacar o gado, quando ele fica no monte.

Parece que é o responso de Santo António, mas a pessoa que me informou só se lembrava das seguintes palavras: «… se o bicho tivesse a boca aberta, que não a pudesse fechar; se a tivesse fechada, não a pudesse abrir…»

Fonte: Etnografia Portuguesa – vol.VI, J. Leite de Vasconcelos  (texto editado) | Imagem de destaque: Jean Baptiste Thomas. Bendición de los animales en San Antonio Abad. Roma, 1823.

Ditos, provérbios e cantigas sobre a comida e o comer

Sobre a comida e o comer

Antes da sopa,
Molha-se a boca.

Sopa acabada,
Boca molhada.

Quem a meio da sopa não bebe,
Não sabe o que perde.

                                (Beira Alta)

No meio dela,
Molha-se a goela.

Sopa acabada,
Goela molhada.

                                 (Coimbra)

Barriga cheia,
Pé dormente,
Vou-me deitar
Que estou doente!

                                 (Minho)

Ditos e expressões diversas sobre a comida e o comer

Quando se ingeriu um alimento de que se gostou, é costume dizer, como quem quer mais: «Soube a pouco!»

Gostando-se pouco de uma comida também se diz: «Soube que nem ginjas» (Lisboa) com alusão à ginjinha (ginja de infusão em aguardente)? Na Beira Baixa a expressão é: «Soube que nem figos», «…que nem nozes».

A salada deve ser temperada de azeite por um desgovernado, de vinagre por um governo e mexida por um doido (Beira, Estremadura).

A quem diz que vai comer é costume responder: «Que lhe preste!» O dito, muito português, vai sendo substituído por: «Que lhe faça bom proveito!», «Bom proveito!» Os espanhóis dizem também: «Buen provecho!» Os Alemães dizem à latina «Prosit!» No Peral ouvi assim: «Bom proveito à barriga e ao peito!»

Quando A deu qualquer comida a B e lhe cai ao chão, diz este de brincadeira. «Choraste-m’o?». Ou então diz A a sério: «Olha que não foi chorado» (Mesão Frio).

Quem comeu bem a uma refeição exclama: «Estou como um padre», «Estou como um abade».

Quem está à mesa não se faz velho.

O que não mata, farta. O que não mata engorda.

Quem se deita sem ceia toda a noite rabeia. (Porto).

Mas também se diz: Das grandes ceias estão as sepulturas cheias (Passim).

E, por outro lado: Quem ceia e logo se vai deitar, má noite há-de passar (passim). É caso para lembrar o dito latino: «Post coenam centum passus

Quando fica um resto de comida na mesa usa dizer-se: «Cerimónia de Alfaiate.» Em Portalegre: «Honra de Alegrete»; em Góis (distrito de Coimbra): «Honra d’Alvares

De uma coisa que vem muito a propósito diz-se que «caiu como sopa no mel.»

E mais algumas…

Quem tem má boca passa mal.

Quem não trabuca, não manduca.

Nem sempre galinha, nem sempre sardinha.

Quem tarde vier, comerá do que trouxer (Minho).

Quem come perdiz, a barba lho diz (Bragança).

O que faz bem a fígado, faz mal ao baço.

Duas quadras populares

Onze horas e meio-dia,
Eu aqui sem almoçar!
Qual será o coração
Que não se há-de agastar?

                                      (Vila de Rei)

Ao almoço me dão leite,
Ao jantar leite me dão,
À merenda pão com leite,
À ceia leite com pão.

                                     (Concelho de Sabugal)

Fonte: Etnografia Portuguesa – vol.VI, J. Leite de Vasconcelos

Exit mobile version