As refeições no tempo dos nossos avós – Portugal

As refeições no tempo dos nossos avós – Minho

Concelho de Melgaço

Parva – Refeição que se toma ao sair para o trabalho. Consta de pão de milho e uma porção de aguardente.

Almoço – Às 9 horas; pão, vinho, às vezes sardinhas, bacalhau.

Merenda – Ao meio da tarde; pão, vinho.

Ceia – Caldo

Castro Laboreiro

De manhã – Água de untos com pão de centeio.

Ao meio-dia – Caldo de carne de porco ou com graxa, com feijão seco, batata e legumes; prato bom de batatas cozidas, temperadas com azeite, pimenta e colorau e um naco de carne.

Às 4 horas, merenda – Tigela de leite com sopas de centeio ou tigela de sopas de vinho.

Ceia – Papas de água, lei e farinha milha, pouco grossa, e, às vezes, com miolo de pão de centeio; outro prato de batatas cozidas com carne de porco.

As refeições no tempo dos nossos avós – Beiras

Refeições de trabalhadores na Beira Baixa e parte da Beira Alta, no Verão:

Almoço, às 7 horas.

Fatia, às 10 horas.

Jantar, às 12 horas.

Merenda, às 16,30 horas.

Ceia, às 20 horas.

Gozam de trato privilegiado os trabalhadores da malha do pão e do linho, os alfaiates e os que fazem o vinho nos lagares. Estes últimos têm mais uma refeição às 23 horas, se trabalharem de noite.

Meda, distrito da Guarda

Desjejum, ao levantar – Pão ou qualquer outra comida leve, às vezes pingoça de vinho ou de aguardente.

Almoço

Fatia – Várias comidas às vezes de garfo, com azeitonas e queijo. Não se toma caldo.

Jantar, ao meio-dia.

Merenda, pelas 15 – 16 horas – como a fatia.

Ceia.

Na pisa das uvas, no lagar, os homens tomam no fim, aí pela meia-noite, leve refeição regada com vinho, carne, batatas, arroz, chamada ceote.

Oliveira de Azeméis

O primeiro almoço chama-se aqui quebra-jum.

Albergaria-a-Velha

O trabalho é, hoje, pago a seco. Antes serviam-se as seguintes refeições aos trabalhadores:

Parva, cedo – Broa e vinho.

Almoço, pelas 8 horas – Sardinhas ou bacalhau com toucinho, couve ou feijão com batatas. Vinho, se o havia.

Jantar, ao meio-dia – Caldo, carne ou bacalhau ou sardinhas, batatas, hortaliça. Vinho, se o havia.

Merenda, às 17 horas – Azeitonas, pão e vinho.

Ceia – Caldo, sardinhas, pão e vinho ou bacalhau.

Consoa – A ceia do dia de jejum e a do Natal. Mais avantajada que as outras.

Vila de Almeida

Os trabalhadores do campo tomam entre o almoço, que é pelas 7,30 horas, e o jantar, que é ao meio-dia, uma refeição leve chamada ingorra, que consta, por exemplo, de queijo ou azeitonas ou carne com pão.

Rapa, concelho de Celorico da Beira

Petica, petiquita e também parva e mastiga, de manhã – Pão e azeitonas ou queijo com vinho ou aguardente.

Almoço, às 8 horas – Caldo, batatas e azeitonas, sem vinho. Nas ceifas é mais abundante.

Em certos serviços, como no do linho e das ceifas, comem às 10 horas.

Jantar, pelo meio-dia – Caldo, feijão, batatas e conduto (carne, bacalhau, sardinhas). O conduto por excelência é a carne e o enchido. Vinho. Isto, o habitual; o tipo de jantar varia um pouco com os serviço.

Merenda, às 16 horas, nas ceifas e malhas – Uma almofia (bacia grande) de feijão, temperado com azeite e vinagre, e outra de alface, bacalhau frito ou carne, papas de milho, às vezes com mel e açúcar. Vinho.

For disso e refeição é constituída pão e azeitonas ou pão e queijo, sem vinho.

Ceia, ao anoitecer: nas ceifas – Batatas com azeite e vinagre e papas de milho. Fora disso, caldo e batatas e azeitonas, sem vinho, como no almoço.

Comida – É o termo geral empregado.

Há comidas especiais, como, por exemplo, as fritas dos baptizados, em que são indispensáveis o arroz-doce e os coscoréis.

A refeição nocturna de quem jejua é a consoada, mas consoada é também a ceia do Natal.

Alforge – É o alforge com a comida, «leva bom alforge», «comida de alforge»; mas não se diz «comer o alforge».

Estar em jejum ou com fome diz-se «estar em reque». Expressões sinónimas desta: «Estar a tocar harpa», «Estar com as tripas aos estoiros», «Estar com a barriga a dar horas», «Estar-se-lhe a fazer o luar pardo».

Vilar Seco, concelho de Nelas

Chamam rolões aos milhos de Mondim; a mó cimeira alteia-se um pouco para o grão sair mal moído.

Canas de Senhorim, concelho de Nelas

Às mulheres que sacham o milho dão grandes merendas e grande primeiro almoço: de rolões com açúcar ou com mel.

Mizarela, concelho da Guarda

Piqueta – É uma das comidas no trabalho do linho. Uma cantiga:

                    Maça, maça, minha maça,

                    Maça, maça o linho bem.

                    Não olheis para a portela

                    Que a piqueta já lá vem.

Carregal do Sal

Mata-bicho, ao levantar – Aguardente ou café.

Desjuamento, ao nascer do Sol – Sardinhas ou queijo ou carne.

Petica, às 9 horas – Pão, vinho ou sardinhas ou azeitonas.

Almoço, às 10h – Caldo, feijão, arroz.

Jantar, ao meio-dia – Caldo, arroz com bacalhau.

Merenda, às 17 horas – Sardinhas, bacalhau, azeitonas.

Ceia, às 8 ou 9 horas, no Verão, e às 8 horas, no Inverno .

Na Quaresma, quando se jejua:

Parva – Um pouco de pão, em vez do almoço.

Jantar

Ceia

Lajeosa, concelho do Sabugal

Fatiga ou fatia, às 7 horas – Pão e azeitonas ou queijo.

Segundo almoço, das 8 para as 9 horas – Migas, batatas, azeitonas e sardinhas.

Jantar, ao meio-dia.

Petica, pelas 14 horas – frutas e pão.

Merenda, pelas 17 – 18 horas – Bacalhau frito, papas de leite, azeitonas, salada.

Ceia, ao escurecer – Caldo, batatas, azeitonas, papas. Sem vinho.

As refeições no tempo dos nossos avós – Estremadura

Lisboa (o que se come e onde):

«Foram célebres os bifes do Marrare e do Jansen, as iscas à cortadora, por 80 réis. Lisboa, e as iscas com ou sem elas, a 20 e 30 réis. Lisboa hoje, petisca, toma leite…chá e come bolos. Antigamente comia nos restaurantes manhosos e nas tascas, mas comia. Hoje alimenta-se… nas leitarias. De maneira que os finos vão à Garret, ao Tavares, à Marques ou comem bem ou comem bolos…Os médios, a quem apraz comida suculenta, vão ao Estrela de Ouro, aos Irmãos Unidos, ao Leão de Ouro, aos restaurantes da Rua de S. Julião ou ao Martinho da Arcada… Há os que preferem a Travessa da Palha e o Arco do Bandeira… onde por menos não são pior servidos.

Lá existe o João do Grão… e o Cesteiro, onde o vinho verde, no Verão, é coisa de ressuscitar um morto. Depois os restaurantes-tabernas em volta da Praça da Figueira, com a bela sardinha a saltar…

Há as tendinhas-barracas, em volta do Mercado de 24 de Julho…

Há ainda os clubes chiques e as tascas, onde se alimentam actores e noctívagos…, as cozinhas económicas e a sopa dos pobres, à porta dos quartéis…

Lisboa come também nas hortas, em Algés, em Benfica, no Lumiar. Come o que leva de casa e o que encontra no caminho. Come bacalhau e queijo Roquefort, come presunto Anglo e presunto de Lamego, come foie-gras e alheiras de Bragança… Come-se [goraz] assado, cozido, frito, de salmoura, de escabeche, com molho ou sem molho, em gigot, sur canapé, nu ou vestido, grelhado ou no espeto, refogado ou em recheio, no forno ou nas brasas, estufado ou em sangue, com trufas ou com pickles, de cebolada ou de caril, de empadão ou de fritangada.»1

Diário de Notícias, de 29-III-925

As refeições no tempo dos nossos avós – Alentejo

Tolosa, concelho de Nisa:

A alimentação do povo consta do seguinte:

a) Cozinha;

b) Conduto;

c) Pão.

Chamam cozinha à comida que se come quente, geralmente em pratos: feijão com couve, carne, peixe, arroz, batatas.

Conduto é o que se come avulso com pão: chouriço assado e comido com pão é conduto, toucinho assado e avulso com pão é conduto, como o é cebola com pão, mas cozinhada com batatas será cozinha, como cozinha são, por exemplo, sardinhas com batatas servidas no prato.

Beja:

Almoço, 9 horas.

Jantar, meio-dia.

Merenda, 17 horas.

Ceia, ao anoitecer.

Odemira:

Refeições no campo:

Almoço, pelas 7 horas, no Verão, e 8, no Inverno – Papas de milho, podendo levar leite ou toucinho. E também açorda, que pode levar batatas. Ainda por 1920 se comiam no campo centeio e milho, hoje já quase só come trigo.

Jantar – Cozido de feijão seco ou verde, grão-de-bico, chícharos, fava verde, ervilhas, couve, repolho, quase sempre com toucinho ou então carne. À sexta-feira, tempero de azeite em sopa de pão e trigo.

No Verão come-se melancia.

Merenda – Pão com azeitonas, mel ou queijo. Dá-se de Abril em diante.

Ceia – quase sempre igual ao almoço. Raramente vinho; bebem-no, depois, nas tabernas, por atacado.

As refeições no tempo dos nossos avós – Algarve

Mexilhoeira Grande, concelho de Portimão:

Jantar, ao meio-dia. Se dá meio-dia antes de se jantar, diz-se:

               Meio-dia!

               Panela cheia, barriga vazia.

Se houve o meio-dia depois do jantar:

               Meio-dia!

               Barriga cheia, panela vazia.

Fonte: J.Leite de Vasconcelos – Etnografia Portuguesa – Vol. VI – p.397 e seg. | Imagem de destaque retirada da obra “O Douro” de Manuel Monteiro

A Lenda dos Sete Ais | Sintra – Estremadura

A lenda dos sete ais!

Esta é uma lenda estranha que está na origem do nome de um local do concelho de Sintra (Seteais) e que remonta a 1147, data em que D. Afonso Henriques conquistou Lisboa aos Mouros.

Destacado para ocupar o castelo de Sintra, D. Mendo de Paiva surpreendeu a princesa moura Anasir, que fugia com a sua aia Zuleima. A jovem assustada gritou um “Ai!” e quando D. Mendo mostrou intenção de não a deixar sair, outro “Ai!” lhe saiu da garganta.

Zuleima, sem lhe explicar a razão, pediu-lhe para nunca mais soltar nenhum grito do género, mas ao ver aproximar-se o exército cristão a jovem soltou o terceiro “Ai!“.

D. Mendo decidiu esconder a princesa e a sua aia numa casa que tinha na região e, querendo levar a jovem no seu cavalo, ameaçou-a de a separar da sua aia se ela não acedesse e Anasir deixou escapar o quarto “Ai!“.

Anasir apaixonou-se por D. Mendo de Paiva

Pouco depois de se instalar na casa, a princesa moura apaixonou-se por D. Mendo de Paiva, retribuindo o amor do cavaleiro cristão que em segredo a mantinha longe de todos.

Um dia, a casa começou a ser rondada por mouros e Zuleima receava que fosse o antigo noivo de Anasir, Aben-Abed, que apesar de na fuga se ter esquecido da sua noiva, voltava agora para castigar a sua traição.

Zuleima contou a D. Mendo que uma feiticeira lhe tinha dito que a princesa morreria ao pronunciar o sétimo “Ai!“. Entretanto, Anasir curiosa pela preocupação da aia em relação aos seus “Ais”, exprimiu o quinto e o sexto consecutivamente, desesperando a sua aia que continuou a não lhe revelar o segredo.

D. Mendo partiu para uma batalha e passados sete dias foi Aben-Abed que surpreendeu Anasir, que soltou o sétimo “Ai!“, ao mesmo tempo que o punhal do mouro a feria no peito.

Enlouquecido pela dor, D. Mendo de Paiva tornou-se no mais feroz caçador de mouros do seu tempo.

Texto retirado de site já desactivado | Imagem de Jazi Araújo

 

A Região Saloia fica a oeste de Lisboa

A Região Saloia

Existe na Estremadura uma área, mais ou menos vasta, com particularismos que a tornam uma região específica do ponto de vista etnográfico.

Trata-se da chamada região saloia que se estende a norte e ao longo da faixa litoral a oeste de Lisboa, desde Mafra e Loures, passando pelos concelhos de Sintra, Oeiras e chegando até às portas de Benfica onde em tempos idos se efectuava a pesagem dos produtos que entravam na cidade.

Aqui, à medida que a população urbana aumentou, a cidade alargou os seus domínios para os arrabaldes transformando velhas hortas em novas construções de betão e cimento armado.

A designação alfacinha que tradicionalmente se atribuía aos lisboetas ficou como uma ténue lembrança de uma época há muito desaparecida e que evoca a proximidade rural da cidade e dos tempos de lazer dos seus habitantes.

Da velha Porcalhota resta agora um típico chafariz. O crescimento desordenado da Amadora tudo fez desaparecer, até o afamado “Pedro dos Coelhos“. Desde a Funcheira até aos cabeços de Mafra inúmeros foram os moinhos que desapareceram.

O desenvolvimento extinguiu antigas profissões como o almocreve e a lavadeira, o moleiro e o carroceiro. Sobrevivem, no entanto, muitas quintas rurais e alguns pastores continuam a apascentar os seus gados nos terrenos que ainda restam com os prédios à vista a pouca distância.

Feiras e Romarias

As antigas feiras saloias como as que se realizam na Malveira, Mercês ou em S. Pedro de Penaferrim continuam bastante concorridas mantendo muito do seu tipicismo.

Contudo, já não são apenas alfaias, os produtos hortícolas e outros géneros produzidos pelos agricultores da região o que se encontra nessas feiras, mas também as bugigangas da era electrónica e outros artigos de fancaria.

O povo ainda acorre em romaria à Senhora das Mercês e à Senhora da Natividade, preservando costumes que se apresentam estranhos aos novos habitantes que para ali foram viver, levados pelo comboio que liga Lisboa a Sintra.

Na Feira das Mercês, considerada uma das mais características da região saloia, as moças já não se derretem à passagem dos rapazes junto ao muro. A lembrar tal costume ficou o “muro do derrete” consagrado na toponímia local.

E, a perpetuar os antigos costumes saloios, deixou Leal da Câmara magníficas aguarelas que podem ser admiradas na casa-museu que ostenta o seu nome e está instalada nas proximidades do recinto da feira.

«Saloias», por A. Dias Beja – “Ilustração” – nº102 – 16 de Março de 1930

São muitos os grupos folclóricos desta região que, de igual modo, preservam a memória das suas gentes, alguns dos quais acessíveis através da Internet, como sucede nomeadamente com as “Lavadeiras da Ribeira da Lage“.

Também o cinema português celebrizou esta região, salientando-se o desempenho de Beatriz Costa no célebre filme “A aldeia da roupa branca” enquanto a banda desenhada consagrou “grilinho” e “zé pacóvio” entre os seus heróis.

A típica aldeia saloia do mestre João Franco

No entanto, um ponto digno de especial referência é a típica “aldeia saloia” do mestre João Franco.

Quem vai de Mafra à Ericeira tem forçosamente a obrigatoriedade de parar na pequena localidade do Sobreiro onde o artista deu vida a um verdadeiro espaço etnográfico que lembra o modo de vida das gentes locais, reconstituindo o açougue e o ferrador, a capela e o moinho, a taberna e a escola da nossa infância.

Das mãos do barrista saem verdadeiras obras de arte popular muito procuradas por quem visita o local, o qual supera o próprio Convento de Mafra em número de visitantes.

Sempre que vem a Portugal, o escritor brasileiro Jorge Amado visita a “aldeia saloia” e abraça o seu amigo que ali não larga a roda do oleiro [ambos agora já falecidos].

Desde os primórdios da nacionalidade, foi preocupação dos nossos primeiros reis que os mouros, judeus e cristãos vivessem em comunidades separadas a fim de prevenir possíveis conflitos, gozando no entanto de protecção.

Foi assim que surgiu o bairro lisboeta da mouraria, tal como existira as judiarias para os lados da actual rua da Madalena e junto à ribeira velha.

Com o tempo, os mouros forros, assim chamados por se tornarem livres, foram-se estabelecendo nos arredores de Lisboa, dedicando-se preferencialmente à agricultura e outros trabalhos relacionados com esta actividade.

Herança árabe

Foram estes mouros que passaram a ser designados por saloios, expressão cuja origem não se conhece com rigor mas que deve em princípio ser originada das palavras árabes salah, çala ou çalaio que significam, respectivamente, a oração que o muçulmano reza diariamente ou ainda o imposto a que eram obrigados os padeiros saloios.

Fisionomicamente, o saloio genuíno conserva ainda muitas das características que o ligam aos povos do norte de África. De resto, a região é rica em topónimos e outros vestígios de origem árabe.

Salientam-se nomes como Penaferrim, Albarraque, Algueirão e Almoçageme, além de restos de antigas habitações, necrotérios e mesquitas transformadas em templos cristãos.

A chamada região saloia constitui, por assim dizer, um dos mais coloridos azulejos que integram o diversificado painel de costumes locais que a Estremadura representa e que inclui nomeadamente as comunidades piscatórias e os salineiros da outra banda do rio Tejo.

É, no entanto, uma área condenada ao desaparecimento à medida que a sua agricultura vai sucumbindo ao avanço da construção urbana e consequente fixação de novas populações constituídas por “saloios” das mais diversas proveniências.

Nem sempre o desenvolvimento representa um efectivo progresso para o bem-estar do ser humano!

Conjunto escultórico alusivo à tradição da região saloia, em Loures. (Foto: Carlos Gomes)

 

Origem da palavra “saloio”? (1)

Quando D. Afonso Henriques conquistou Lisboa aos mouros, para não despovoar a terra, deixou-os ficar de posse dos seus bens e casas, impondo-lhes certos tributos.

Este benefício e tolerância, que a política e a humanidade aconselhavam, estendeu-se aos lugares circunvizinhos da cidade.

Esta foi logo aumentando em população cristã, que em si absorveu a raça mourisca pelo decurso dos tempos, o que não era tão fácil no campo.

Dizem que a estes mouros dos arredores davam, antigamente, o nome de Çaloyos ou Saloios, tirado do título da reza que repetem cinco vezes ao dia, chamada çala.

Ficou subsistindo o nome, ainda depois de povoados esse lugares por cristãos.

E talvez da mesma origem proviesse um antigo tributo que se pagava do pão cozido em Lisboa e seu termo, e que era conhecido pela denominação de çalayo.

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História | (1) Fonte: “Ilustração” nº262 – 1936

Trajo do Monte Real – Leiria | Estremadura

Trajo do Monte Real

Na descrição do tipo de vestuário de Monte Real, temos sucessivamente de considerar o dos homens, o das mulheres e o das crianças.

1.- Homens:

No trajo dos homens devemos ainda distinguir o fato do domingo e o fato da semana.

a) O trajo do domingo consta geralmente de um fato de cotim preto, formado por um casaco curto com os cantos arredondados; por um colete com gola, deixando ver a camisa, quase sempre de riscado, com um colarinho estreito com os cantos arredondados, onde às vezes se nota uma gravata de cores berrantes; e por umas calças com a forma de boca de sino.

O calçado é, em geral, constituído por sapatos de prateleira ou de meia prateleira, e mais raras vezes por botins, usados em geral pelos que são remediados. As meias usam-se ainda pouco. Para a cabeça têm um chapéu de abas largas, a que dão o pomposo nome de chapéu fino.

Trazem ainda, ao domingo, grandes correntes de prata ou de ouro, às vezes com um cornicho, e também cordões de libras, que prendem de um lado um relógio metido dentro de uma bolsa de lã com borlas, e do outro, por vezes, um pequeno espelho. Para as costas têm, quando remediados, uma capa preta, mas que só usam em ocasiões solenes.

b) O trajo da semana é muito mais simples do que o que acabamos de descrever. Em geral, ainda em mangas de camisa, isto é, sem casaco, e apenas com umas alças velhas arregaçadas, ou umas ceroulas de ganga, ou de pano cru, curtas e largas. Sempre descalços; trazem no Inverno um barrete na cabeça, e no Verão às vezes um chapéu velho.

2.- Mulheres:

O vestuário das mulheres é constituído, em Monte Real,

– por blusas ou batinés com mangas compridas e de abotoar ao lado;

– por saias de chita ou estamenha, franzidas junto a um cós largo e com barras de ganga de assento preto e olhos amarelos, frequentemente alteadas com um cordel tecido com algodão de várias cores e com maçanetas nas extremidades;

– por aventais de riscado escuro; por canos para as pernas, usados mesmo no rigor do Verão.

Geralmente andam descalças e só nas ocasiões solenes deixam ver uns sapatos pretos e umas meias pretas ou da cor do vinho.

Na cabeça nota-se-lhes quase sempre um lenço encarnado, atado de modo a poderem colocar-se as suas pontas num chapéu preto, de forma arredondada, como no Minho, enfeitado com um penacho preto e penas de várias cores, fixas numa conta dourada.

Nas abas do chapéu, encontra-se quase sempre um lenço branco, muito bem dobrado.

Para as costas têm, em harmonia com as posses, saias de estamenha, de castorinha ou beata, e também já xailes.

Nas orelhas luzem botões de ouro; ao pescoço uma medalha, e nos dedos anéis de prata ou de chumbo.

Aos domingos, quando as posses o permitem, trazem cordões aparelhados com libras, medalhas, cruzes e, às vezes, corações, que noutros tempos teriam servido de amuleto e cuja significação se perdeu.

3.- Crianças:

As crianças até aos três anos usam apenas umas botas que lhes deixam à mostra parte das pernas, e andam em gadelhe (em cabelo).

Ao pescoço trazem, por vezes, bentos e amuletos.

Depois, até aos cinco anos, passam a usar um barrete na cabeça, umas calças abertas, mas já com bolsos, e andam vulgarmente em mangas de camisa, a não ser aos domingos, em que trazem umas blusas de cor ou camisolas azuladas ou verdes, andando descalças até mesmo nesses dias.

Depois desta idade, o trajo das crianças começa a assemelhar-se ao dos adultos.

Extractos de um estudo sobre o trajo do Monte Real (concelho de Leiria), feito por Manuel Domingues Heleno Júnior, estudante da Faculdades de Letras de Lisboa, datado de Maio de 1917.

Fonte: “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos

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Trajos tradicionais: o lenço da cabeça

Lenço da cabeça

Minho

À lavradeira, atado no alto da cabeça (Viana do Castelo); as mulheres do Baixo Minho usam geralmente na cabeça lenço de cor: amarelo ou vermelho; os tamancos, a capa escura e o lenço amarelo constituem um trajo característico.

Num adjunto é curioso observar a abundância de colorido, que ressalta de toda a parte (1). Em Paredes do Monte (Melgaço) chamam a este lenço amarelo ou vermelho lenço de quespoço (2), geralmente traçado no peito.

Notas:
(1) Também quem vem do Sul é impressionado no Minho pelo barulho dos tamancos, na rua, pois quase toda a gente anda assim calçada. (Apontamento de 1894).
(2) Há também o lenço da mão ou lenço de assoar, que às vezes serve também de enfeite:

Estes rapazes de agora
Todos quer andar na moda:
Traz um lencinho no bolso
Com as pontinhas de fora.

Trás-os-Montes

Escuro, usado pelas mulheres de Vila Pouca de Aguiar; na cabeça e que envolve depois o pescoço (Mourilhe, Barroso); bordado a cores no bolso da jaleca e com diferentes palavras: «amor», «não me esqueças», «soidades», etc. (usado pelos pimpões da Lombada).

Beira

De cor (amarelo, vermelho), em Tocha, perto da Figueira; de cor, pelas tricanas de Coimbra; com a ponta escondida pelo xaile (Albergaria-a-Velha); de seda, usado por uma noiva, à volta de 1880, na Rapa; por baixo do chapéu usam-no as peixeiras da Figueira; as mulheres de Aveiro, que usam xaile e lenço, trazem a ponta do lenço invariavelmente por dentro do xaile: é típico.

No Fratel, Beira Baixa, usam o lenço como as mulheres de Quadrazais, quando vão lavar a roupa; atado para trás, as mulheres de idade, quando saem à missa ou a enterros; com um nó atrás e outro à frente, as raparigas novas, na monda; à maneira arraiana, quando trabalham no campo ou amassam.

 

Lenços no Sabugal, Belmonte e Carvalhal Formoso, Rebelhes, etc. 1 e 1-A – Lenço à Quadrazenha (de Quadrazais) 4 e 4-A – Para a “sacha” (1 nós atrás e outro à frente) 2 e 2-A – A tudo para trás 5 e 5-A – À arraiana 3 e 3-A – Atado à velha, ou para a Igreja, 1 nó 6, 6-A e 6-B – Lenço de Entrudo 3-B – O mesmo, com 2 nós

 

Estremadura

As mulheres de Torres Novas (1918) usam-no com a ponta caída sobre o xaile; as mulheres do campo, de Leiria, usam-no de cor ou preto, sob o chapelinho com as pontas para as costas, e, quando transportam carretos, levam-no sobre uma rodilha, prendendo as pontas, que caem sobre as costas, passando o lenço em volta do pescoço.

Alentejo

De seda, para senhoras que vão à missa (e só para isso, não para visitas), à volta de 1860, em Mértola; por debaixo do chapéu de lã, pelas mulheres do campo, em 1916, no Alandroal; atado à amassadeira, isto é, em volta da cabeça atado adiante, com a ponta caída sobre o ombro, e usam-no sempre assim quando amassam o pão (e daí o nome), embora o ponham normalmente deste modo (as mulheres de Campo Maior e do Alandroal); atado na cabeça, caídas as pontas para trás, quando trabalham no campo, sob o chapéu (Nisa e Tolosa, 1920); de seda ou de chita, traçado sobre a roupinha e sobre o peito.

Algarve

Da cabeça, usado sob o chapéu (Tavira, 1894); Portimão, Monchique); apertado sob o queixo (Faro, Algoz, etc.); com ele se faz o minhoco ou bioco (Portimão).

Madeira

Usado por baixo da carapuça.

Açores

Usado pelas mulheres sob o chapéu (Pico); atado sob o queixo e ponta caída nas costas (Horta, Furnas).

Fonte: “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos

Queijos de Portugal | Gastronomia Regional

Queijos de Portugal – A cada região os seus queijos

O fabrico de queijos é o resultado de um acumular de saberes herdados ao longo de várias gerações. Esta arte muito antiga de conservação do leite sob a forma de queijo tem sido transporta através dos tempos, dando origem a produtos que respeitam os segredos de cada região. Os métodos de produção e o tipo de leite utilizado geram produtos com diferentes texturas, sabores e aromas.

Portugal é um país com grande produção de queijos, pelo que vamos apresentar alguns dos mais afamados, mostrando, antes, as principais características, conforme as respetivas regiões.

Beiras – A zona das Beiras é conhecida pela sua produção de queijos de ovelha de texturas amanteigadas. No entanto, esta região oferece um conjunto de outros queijos com diferentes texturas, aromas e sabores mais fortes e picantes.

Alentejo – Desta zona do país chegam-nos queijos mais pequenos no tamanho, mas grandiosos no sabor. São produzidos, na sua maioria, com leite cru de ovelha, e apresentam texturas mais amanteigadas ou mais curadas, dependendo da região do Alentejo.

Península de Setúbal – Uma zona que tem a sua tradição no fabrico do queijo profundamente ligada à produção do queijo de Azeitão. Um queijo amanteigado, com a textura, sabor e aroma caracterizados pela proximidade da Serra da Arrábida.

Ilhas – Nos Açores, a tradição queijeira está ligada ás pastagens e produção de leite de vaca. Dessa Região Autónoma chagam-nos queijos de grande porte, com curas variadas que dão origem a diferentes texturas e aromas.

Queijo da Serra – Beira Alta

É o nosso queijo mais afamado tanto no país como entre os apreciadores de todo o mundo.

A sua produção, com leite de ovelha mugido principalmente entre os meses de Novembro e Março, obedece a normas rígidas e tem região demarcada.

Consoante a maturação, que é no mínimo de 30 dias, pode ser amanteigado ou apresentar uma textura mais densa.

O queijo é obtido pelo escoamento da coalhada após coagulação do leite de ovelha cru, com cardo «Cynara Cadunculus». Dele emana um aroma intenso e tem um sabor suave e acidulado.

Hoje, o respeito pelos processos de fabrico artesanal está garantido, para o que contribuem as diversas mostras organizadas na região, geralmente com o apoio das autarquias.

Queijo dos Envendos – Beira Baixa

Para muitos que o conhecem – e não são muitos, visto que as quantidades produzidas são relativamente modestas e em decréscimo concomitante com a redução dos rebanhos de cabras da Beira Baixa – o melhor queijo que se faz em Portugal.

É de cabra, produzido na região de Mação e Proença-a-Nova, e o seu segredo reside no tempero que lhe confere um sabor extremamente acentuado… divinal.

Claro que os poucos especialistas na confecção deste queijo que ainda restam não revelam os segredos.

A melhor maneira de o provar é tentar conseguir um fornecimento na «Tasca do Balau», na aldeia do Padrão, ou fazer amizade com o senhor Sabino (coisa fácil) na mesma aldeia, que o aconselhará sobre a melhor maneira de o adquirir… quando há.

Queijo de Castelo Branco – Beira Baixa

Os apreciadores chamam ao aroma intenso que exala «chulé de Deus».

É um queijo curado obtido com leite de ovelha, embora seja geralmente conhecido pela designação de cabreiro. Mas nada tem a ver com o leite de cabra.

Apresenta uma crosta semi-dura, de coloração amarelo-palha.

Queijo de Azeitão –  Estremadura 

É geralmente um queijo pequeno, semelhante ao da Serra pela textura amanteigada, mas de casca mais espessa.

É produzido na região da península de Setúbal que lhe dá o nome, com leite de ovelha. Resulta do escoamento lento da coalhada, após coagulação do leite cru com flor de cardo. A crosta é maleável, inteira e lisa, amarela ou avermelhada.

Apresenta um aroma delicado e um paladar peculiarmente característico. É frequentemente utilizado como aperitivo, já que certos compostos do cardo usado na coagulação contribuem para estimular o apetite através das reacções químicas que provocam quando entram em contacto com os sucos gástricos.

Quando utilizado como complemento de uma refeição, deve ser servido após o último prato salgado e sempre antes dos doces. De preferência acompanhado por um dos bons vinhos que a região de Palmela, onde este queijo é produzido, nos oferece.

Pode ser um dos bons tintos, mas alguns apreciadores também recomendam um dos brancos de alta graduação que saem das vinhas da península.

Na página seguinte, queijos do Alentejo e dos Açores,

 

A Casa Saloia | Arquitectura e construções populares

A casa saloia

Calcorreando as ruas da velha Loures, vendo aqui e ali este e aquele casario típico da Estremadura, apercebemos nas suas nuances e comparando-as às descrições de crónicas e fotografias de há 100 anos atrás, como seria então a paisagem do Termo.

Casas chãs aglomeradas formando curtas ruas calcetadas, ou de terra batida que era o mais usual;

casario isolado em meio de hortas e quintedos onde, destacado ou discreto, o solar apalaçado dum nobre ou o convento exíguo de alguma freiria de vocação ermitã abrilhantavam ainda mais o já de si soberbo quadro rural lourenho, cujo tipicismo peculiar ou singular é hoje lembrado pelos mais idosos com nostalgia e saudade.

A região saloia

Tal quadro rural de Loures não será muito diferente do da Sintra Saloia de há não muitos anos atrás, como descreve Vitor Serrão (in Sintra (os aglomerados saloios). Editorial Presença, 1.ª edição, Lisboa, 1989):

«A chamada Região dos Saloios – a região que integra os limites cistaganos do Município Olisiponense, ou seja, o território da península de Lisboa, cingido a norte pelos actuais concelhos de torres Vedras e de Alenquer – tem no concelho de Sintra uma das suas zonas mais interessantes sob o ponto de vista de genuíno património edificado.

São vários os núcleos que subsistem, com maior ou menor grau de integridade, característicos da arquitectura dos «saloios», isto é, autóctones moçárabes, herdeiros da cultura hispano-romana florescente nos agrido Município Olisiponense:

são eles, entre outros, o casal de A-dos-Rolhados (freguesia de Algueirão), a aldeia de Broas – nos limites confluentes do concelho com o de Mafra –, o casal de Bolelas e, apesar das contaminações abusivas provocadas pelo urbanismo desordenado e sem critério, as aldeias de S. João das Lampas, Barreira, Cabrela, Azóia, Penedo, Ulgueira, e outras.

«A construção saloia, habitualmente com o seu lagar, fornos, adega, estábulos e curral, com as suas típicas coberturas de quatro águas, um peculiar sistema de aberturas, etc., reflecte sobretudo a actividade agrícola do homem saloio, que continua como os seus antepassados a ser o çahroi da época muçulmana, isto é, o trabalhador do campo.»

O saloio é descendente do moçárabe

Sendo o saloio descendente do moçárabe, será da cultura arábica que herda muitos dos seus usos e costumes, inclusive a arquitectura, como se nota nas formas e proporções daquele que é o seu tecto habitual.

Sobre isto, diz Maria Micaela Soares (in A Mudança na Cultura Saloia. Artigo inserto em Loures, Tradição e Mudança, vol. I, pág. 170. Loures, 1986):

«Imprimia o Saloio à sua habitação a robustez física e de carácter que o individualizaram. Sendo evidente que a casa saloia se insere no tipo de casa tradicional do Sul do País, ela possui um quê distintivo que logo a singulariza na Estremadura.»

Tal singularidade tem base ou raiz sagrada que, para ser compreendida devidamente, ter-se-á de recorrer à intenção do sentido da arquitectura árabe, distendendo-se do Algarve à Estremadura, passando os Alentejos [vd. Casas Portuguesas (Alguns apontamentos sobre o arquitecturar das Casas Simples), por Raul Lino. Lisboa, 1933].

Apesar deste ou aquele excesso destoante, a casa saloia, tal como a árabe, assentou originalmente sobre a raiz quadrada de dois (√2), portanto sobre uma planta quadrada, tendo a primeira no seu centro a casa de fora, ou da entrada, por onde se acedia às restantes divisões.

A segunda fechava-se em torno de um claustro quadrado encerrando no seu centro um jardim ou uma fonte, ou ambas as coisas: tratava-se do universo fechado em quatro dimensões (centro, comprimento, largura, altura).

O jardim central, proibido a estranhos à casa, era uma evocação do “Jardim Proibido” do Éden, aberto exclusivamente à influência celeste (in Dicionário de Símbolos, por Jean Chevalier e Alain Gheerbrant. Paris, 1906).

As construções de planta quadrada

Para Abu Ya´qûb, o quaternário era o número perfeito: o da inteligência e o do nome divino, ALLH.

Não há, pois, diferenças marcantes entre o significado atribuído às construções de planta quadrada, no Ocidente e no Mundo Islâmico (cf. Arquitectura Alentejana: o Quadrado, por Jaime Manuel Sousa. In O Estudo da História, Boletim dos Sócios da Associação dos Professores de História, n.º 5-6 (II Série), 1988).

Na cidade islâmica o elemento base é a casa, não a rua. A casa, como a mesquita e a madrasa, é um local sagrado, como diz acertadamente Hélder Manuel Ribeiro Coutinho (in Al-Usbuna – a Lisboa Muçulmana. Revista História, n.º 96, Outubro de 1986).

Afirma o Al-Corão, cap. XLIX: «O interior da tua casa é um santuário: os que o violam chamando-te, quando estás nela, faltam ao respeito que devem ao intérprete do Céu. Devem esperar que saias de lá: a decência o exige».

Sendo a casa a imagem do homem, de seu morador e dono, vimos na Idade Média a combinação das proporções, a unidade de medida ser determinada a partir das dimensões da figura humana, e geometricamente representada pelo quadrado, aplicando-se frequentemente na arquitectura do Renascimento, ainda que durante o Gótico fosse comum o uso de um sistema de proporções inteiramente derivado do quadrado (ad quadratum), no traçado de plantas de catedrais.

O Homem – microcosmo

Esta concepção foi traduzida na célebre imagem de Leonardo da Vinci, onde o Homem, como Microcosmos, aparece inscrito num círculo e num quadrado.

A largura dos seus braços estendidos é igual à altura do tronco e pernas unidas, formando portanto uma cruz (o quaternário), e corresponde à medida do lado do quadrado.

Considerado o centro do Universo, segundo Pico de Mirandola, e elo de ligação entre Deus (o círculo celeste) e o Mundo (o quadrado dos quatro elementos da natureza), através do Homem, cuja individualidade está impressa na robustez, humilde ou rica, de sua casa, se concretiza a quadratura do círculo, problema geométrico designativo da ascese mística, corrente entre os neo-platónicos, permissor da elevação do homem racional à esfera divina.

Por princípio a casa saloia é térrea, chã, encrostando-se no chão como que arrancando a este a seiva telúrica dos veios da Terra, e ao mesmo tempo como que se ocultando das influências funestas da Lua: o saloio é um homem do dia, não da noite. Madruga com os animais e as plantas, não é noctívago e dorme encostado ao seio da Grande Mãe Atégina, a Deusa da Terra, das semeaduras e colheitas, enfim, da Agricultura.

Geralmente o saloio fazia a sua própria casa

Geralmente o saloio, mesmo o abonado, não comprava casa para sua moradia: fazia-a ele mesmo, e por isso as aldeias progrediam aumentando permanentemente os seus fogos (in O Saloio de A a Z, por Maria Isabel Ribeiro. Boletim Cultural´93, edição da Câmara Municipal de Mafra).

A casa saloia quase nunca se limitava a dois compartimentos. Geralmente tinha três divisões: cozinha, casa de fora e alcova. Outras, quatro; e outras, seis divisões, segundo João Paulo Freire (in O Saloio: sua origem e seu carácter: fisiologia, psicologia, etnografia. Porto, 1948).

Raramente havia casas de banho. E a azoteia árabe ou mourisca foi sistematicamente substituída pelo terraço alpendrado, característico do casal saloio.

O saloio defendia-se sempre, na sua habitação, das nortadas. Para o lado do norte, a casa geralmente não tinha janelas. Na arribana as teias de aranha eram mantidas, porque “fazia mal tirá-las”, e para aconchego do gado.

Dava-lhes uma quentura especial que beneficiava o ambiente. O água-vai do saloio, era o indispensável condimento para que o mato se transformasse em estrume, que era uma das grandes riquezas do pequeno lavrador saloio.

Ele não perdia pitada do água-vai, e o mato que o recebia, apodrecia e ganhava aquela fortaleza que o tornava o melhor e o mais barato dos adubos.

A casa caiada de branco

A casa era geralmente caiada de branco e a telha tradicional era a mourisca, em telhado mourisco de duas águas. As mais evoluídas apresentavam quatro e desenvolviam-se em dois pisos.

A principal distinção que pode fazer-se é entre a morada cujos habitantes eram de lida ou à jorna. No primeiro caso, existiam anexos – palhêros ou abogoarias – para acomodação do gado e alfaias; no segundo, somente as divisões destinadas a habitação.

Os saloios mais folgados, com maior pé de meia, tinham casas maiores, com o rés do chão lajeado e uma escada exterior para o sobrado, onde estavam os quartos para toda a família.

A porta tinha um alpendre formado de três lajes e lambris pintados de azul ou vermelho. Assim a casa passava a ter dois pisos corridos: o térreo – as lojas – como arrecadação de aprestos de lavoura, abogoaria, etc., e o andar nobre como local de habitação (cf. Benfica Através dos Tempos, por Padre Álvaro Proença. Lisboa, 1964).

Mas há outro motivo de grande beleza nos solares saloios: o portão do pátio. O frontão que o encima geralmente revela apurado sentido estético, com o seu fino recorte, ladeado por volutas de cal e areia, terminando por elegante pináculo.

Tais ornamentos são milagres de alvenaria. Não é raro que enquadrem painel de azulejos com Nossa Senhora ou São Marçal, este para livrar a casa de ladrões e incêndios, ou ainda Santo António, santo brejeiro e meio pagão na crença popular.

As casas e solares saloios, testemunhos da vivência humana e sagrada do “homem do campo”, ainda hoje e mesmo que rareando, são património a preservar e divulgar, nisto, no que nos toca como concelhio, pelos devidos órgãos dos Municípios de Loures e Odivelas, a bem da Cultura Patrimonial deste belíssimo pedaço do Termo dos Saloios.

Dr. Vitor Manuel Adrião, Professor e Investigador | vitoradriao@portugalis.com

Fonte da imagem de destaque

 

Estremadura – antiga província de Portugal

Estremadura

Instituída em 1936 como província portuguesa e desaparecida administrativamente como tal em 1976, a região da Estremadura ocupa uma faixa litoral no centro do território e compreende concelhos dos distritos de Leiria, Lisboa e Setúbal.

É banhada pelo oceano Atlântico a oeste, e confina com as regiões da Beira Litoral a norte, do Ribatejo a leste, do Alto Alentejo a sudeste, e do Baixo Alentejo a sul.

A Estremadura abrange uma área de 5345 km2 e compreende 31 concelhos:

– 8 do distrito de Leiria,

– 14 do distrito de Lisboa

– e 9 do distrito de Setúbal.

Sendo a faixa de terreno situada a norte e a sul do estuário do Tejo, constitui a parte mais ocidental do território continental português. Nesta região, situa-se Lisboa, a capital do País.

A actividade humana em volta de Lisboa domina todo o conjunto, enquanto centro cultural, político e comercial do país. Aí se destaca também o seu importante porto, e para aí convergem todas as estradas nacionais e as grandes vias internacionais.

Atividade económica e comunicações

Com fáceis comunicações, a Estremadura alimenta uma grande parte da economia, onde concorrem as produções locais, nacionais e até mesmo internacionais.

Em Lisboa e nos seus arredores, concentram-se importantes núcleos económicos de todos os géneros: metalurgia, construção naval, têxteis, produtos alimentares, pescas, produtos químicos, etc. A capital possui uma enorme variedade de empresas e constitui também o maior centro de serviços.

É ainda aqui que se estende a zona de mais intensa actividade turística. Não se limitando aos centros mais conhecidos, distribui-se por um elevado número de pequenas povoações que são o grande refúgio de muita população do País.

Nenhuma outra zona portuguesa avulta no turismo nacional como a Estremadura. Para isso concorrem os seus monumentos e museus, e a facilidade das suas comunicações.

À sua extrema variedade de paisagem e de terreno corresponde também uma variedade de culturas, hábitos e costumes, que se pode observar no seio da população.

Gastronomia e romarias

A Estremadura apresenta, nos seus principais pratos típicos,

– a caldeirada de sardinhas,

– as favadas,

– as pataniscas de bacalhau

– e as amêijoas à Bulhão Pato;

– várias receitas de bifes e de coelho;

– os pastéis de Belém e de feijão, o pão-de-ló, entre outros.

Nesta região, as romarias podem não ter a vivacidade e os tons alegres das romarias nortenhas, mas reúnem grandes multidões. A tourada é um elemento habitual dessas festas.

Na periferia de Lisboa realizam-se algumas das mais concorridas festas de Portugal, parte delas caracterizadas por um cerimonial de trajes que vem já de remota idade.

Muitas foram as individualidades que daqui deixaram o seu nome ligado à História portuguesa, na vida militar, na literatura, na arte, na política, etc.

Lisboa sobressai pelo número e qualidade dessas individualidades, dado que é de há muito o maior centro populacional, dotado de condições excepcionais.

Estremadura. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

Grupos Folclóricos e Etnográficos da Estremadura

Grupos Folclóricos da Estremadura

“Erguendo a vista, divisamos além do mar

– a ponta de S. Vicente, ao sul;

– para leste, Évora de um lado e as campinas do Ribatejo do outro

– para norte, Lisboa em anfiteatro sobre a sua baía;

– além dela Sintra e os montes da Estremadura cistagana – a qual, até ao Mondego, forma a primeira zona estremenha,

por onde vamos entrar no exame da última das regiões do nosso território.

O litoral do centro entre o Mondego e o Tejo é a parte mais benigna do País. Aí o ar temperado pelas brisas marítimas mantém um grau de humidade (68 a 85%), e as chuvas, regulares sem serem copiosas (700 a 800mm anuais, e 20 a 30 no Estio), uma rega, que fertilizam os terrenos sem os tornar gordos como os do Norte. Nem o calor (15º a 16º) tisna de Verão as vegetações, nem o frio do Inverno as atrofia.

Por tudo isto. A população abunda, sem exorbitar, como no Minho. E o habitante reúne à laboriosidade de uma vida agrícola a liberdade de uma existência mais ampla.

Por tudo isto, além dos caracteres geognósticos da região, a flora é variada, reunindo o pinheiro bravo e o manso, a vinha, a oliveira e o carvalho, o trigo, o milho e o centeio.

Desde os campos que o Mondego todos os anos fertiliza, por Leiria e Alcobaça vestidas de florestas, pelas veigas do Nabão, chegamos ao Tejo;” (Oliveira Martins, in “Portugal – A Terra e o Homem”)

Rancho Folclórico Nossa Senhora das Neves de Manique de Baixo – FB

Fundado em 2005, desde 2018 que faz parte exclusivamente do Grupo Musical e Desportivo 31 de Janeiro de Manique de Baixo – Cascais.

Rancho Folclórico Infantil do G.D. Lousa

O Rancho Folclórico Infantil do Grupo Desportivo de Lousa, foi fundado em 24 de Abril de 2005, motivado pelo interesse dos pais de algumas crianças que na altura frequentavam o 1º ciclo, da escola de Lousa, em manterem bem vivas as tradições dos seus antepassados.

Grupo de Danças e Cantares do Catujal / Unhos

O Grupo de Danças e Cantares do Catujal/Unhos foi fundado a 11 de Dezembro de 1993 no Catujal, Freguesia de Unhos, concelho de Loures.

Rancho Etnográfico de Danças e Cantares da Barra Cheia

Website com todas as informações sobre o Rancho.

“As Ceifeiras” da Fanadia

Grupo representante do folclore da região etnográfica da Alta Estremadura.

Rancho Folclórico “Os Saloios de D. Maria” – Site

Rancho Folclórico e Etnográfico “Vale Choupinho”

Rancho Folclórico e Etnográfico fundado em 1988, representa as danças, cantares, trajes e tradições da região da Alta Estremadura.

Grupo Recreativo de Danças e Cantares Lagoense

Ourém.

Rancho Folclórico “As Cerejeiras de Fetais”

Site informativo do Rancho Folclórico “As Cerejeiras de Fetais” – Sobral de Monte Agraço – Estremadura Centro (Região Saloia).

Rancho Folclórico do Bairro da Fraternidade

Informações e notícias sobre a actividade do Grupo

Rancho Folclórico S. Miguel do Milharado

Rancho Folclórico do Freixial

Rancho Folclórico Etnográfico da Sociedade Filarmónica Olhalvense

Apresentação do Rancho Olhalvense

Rancho Folclórico e Etnográfico “Os Camponeses” de Varatojo

Demonstra um pouco das várias recolhas e o que temos posto em prática após as recolhas juntos dos idosos da nossa terra para melhor preservar as nossas tradições e costumes dos nossos antepassados.

Portugal e a antiga divisão em Províncias

Portugal e a antiga divisão em Províncias

«Conhecida a orografia e a geognosia do território, brevemente indicaremos o sistema de caracteres agrícolas e climatológicos, ambos subordinados aos anteriores, e todos solidariamente ligados para formar a fisionomia natural das diversas regiões do território português.

A sua antiga divisão em províncias obedecia mais a estas condições naturais do que a moderna divisão em distritos:

– as causas determinantes de uma e de outra são o motivo desta diferença.

As províncias formaram-se historicamente em obediências às condições naturais. Os actuais distritos foram criados administrativamente de um modo até certo ponto artificial.

Umas provinham dos caracteres próprios das regiões, e a administração limitara-se a reconhecer factos naturais.

Outros, determinados por motivos abstractos, nasceram de princípios administrativos e estatísticos (área, quantidade de população, etc.), fazendo-os discordar o menos possível dos limites naturais, geográficos e climatológicos.

Por estes motivos nós agora estudaremos por províncias, e não por distritos, o território português, deixando para o lugar competente o exame do estado actual e da estatística moderna da nação.

A divisão das províncias apoiava-se em factos físicos de um valor eminente. Começando pelo norte, …» (Oliveira Martins, 1845-1894)

»» Trás-os-Montes e Alto Douro

«Uma das onze províncias tradicionais portuguesas criadas em 1936, mas formalmente extintas em 1976, a região de Trás-os-Montes e Alto Douro

– situa-se no Nordeste de Portugal continental,

– correspondendo aos distritos de Vila Real e Bragança,

– bem como a quatro concelhos do distrito de Viseu e a um concelho do distrito da Guarda.

Faz fronteira com a Espanha, a norte e a leste, e confina com as províncias da Beira Alta, a sul, e do Douro Litoral e do Minho, a oeste.» Ler+

» Minho

«Criada como província em 1936, mas extinta como tal em 1976, esta região situa-se no Noroeste de Portugal, entre o rio Minho e o Douro Litoral e entre o oceano Atlântico e Trás-os-Montes e Alto Douro. Ocupa uma área de cerca de 4838 km2 e abrange os distritos de Viana do Castelo e Braga.» Ler+

» Douro Litoral

«Região do Norte de Portugal e uma das onze províncias tradicionais. Ocupando a parte inferior da bacia do rio Douro,

– compreende o distrito do Porto e alguns concelhos dos distritos de Aveiro e de Viseu.

Tendo sido, juntamente com outras, criada como província tradicional portuguesa em 1936, embora extinta formalmente em 1976, a região do Douro Litoral confina com as regiões

– do Minho, a norte;

– de Trás-os-Montes e Alto Douro, a leste;

– da Beira Alta, a sudeste,

– e da Beira Litoral, a sul,

sendo banhada pelo oceano Atlântico, a oeste.» Ler+

» Beira Alta

«Antiga província portuguesa, formalmente estabelecida pela reforma administrativa de 1936 e extinguida pela Constituição da República Portuguesa de 1976, a região da Beira Alta confina com as regiões

– de Trás-os-Montes e Alto Douro a norte;

– Douro Litoral a noroeste;

– Beira Litoral a oeste e sudoeste;

– e Beira Baixa a sul.

Faz fronteira com Espanha, a leste. Abrange cerca de 8500 km2 e compreende 33 concelhos: 18 do distrito de Viseu, 13 do distrito da Guarda e dois do distrito de Coimbra.» Ler+

» Beira Litoral

«Região de Portugal continental que ocupa uma ampla faixa litoral do centro de Portugal e compreende concelhos dos distritos de Aveiro, Coimbra, Leiria e Santarém.

Antiga província portuguesa, formalmente instituída em 1936 e administrativamente extinta com a Constituição de 1976, a região da Beira Litoral confina com as regiões

– do Douro Litoral a norte,

– da Beira Alta e da Beira Baixa a leste,

– e do Ribatejo e da Estremadura a sul.» Ler+

» Beira Baixa

«A Beira Baixa, uma das onze antigas províncias tradicionais determinadas em 1936, confina com as regiões

– da Beira Alta a norte,

– da Beira Litoral a noroeste,

– do Ribatejo, a sudoeste,

– da Estremadura a oeste,

– e do Alto Alentejo a sul.

Faz fronteira com Espanha, a leste. Abrange uma área de aproximadamente 7 800 km2 e compreende 13 concelhos: 11 do distrito de Castelo Branco, um do distrito de Coimbra e um do distrito de Santarém.» Ler+

» Ribatejo

«Criada como província em 1936, mas extinta como tal na Nova Constituição de 1976, a região do Ribatejo situa-se no Centro do território de Portugal continental, ficando em contacto com

– a Estremadura, a oeste e a sul,

– a Beira Litoral, a norte,

– a Beira Baixa a nordeste,

– e o Alentejo, a leste e sul.

Ficam aqui as cidades de Santarém, Tomar, Abrantes, Ourém, Fátima, Torres Novas, Entroncamento, Vila Franca de Xira, Alverca do Ribatejo, Póvoa de Santa Iria, Cartaxo, Rio Maior e Almeirim. O Ribatejo compreende a maior parte do distrito de Santarém e dois concelhos do distrito de Lisboa (Azambuja e Vila Franca de Xira).» Ler+

» Estremadura

«Instituída em 1936 como província portuguesa e desaparecida administrativamente como tal em 1976, a região da Estremadura

– ocupa uma faixa litoral no centro do território

– e compreende concelhos dos distritos de Leiria, Lisboa e Setúbal.

É banhada pelo oceano Atlântico a oeste, e confina com as regiões da

– Beira Litoral a norte,

– do Ribatejo a leste,

– do Alto Alentejo a sudeste,

– e do Baixo Alentejo a sul.» Ler+

» Alentejo

«Estabelecido formalmente em 1936 como província portuguesa, mas desaparecido administrativamente como tal em 1976, o Alentejo, a maior região natural de Portugal, tem uma área de 26 158 km2, o que corresponde a cerca de 29% da superfície total do País.

Encontra-se dividido em duas grandes áreas,

– o Alto Alentejo (12 420 km2), que compreende os distritos de Portalegre e de Évora,

– e o Baixo Alentejo (13 738 km2), que compreende o distrito de Beja e os concelhos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines, pertencentes ao distrito de Setúbal.» Ler+

» Algarve

«Correspondendo integralmente à antiga província com o mesmo nome, criada em 1936, o Algarve é a região de Portugal Continental que se situa mais a sul. Está limitada,

– a norte, pelo Baixo Alentejo,

– a leste, por Espanha, com fronteira no rio Guadiana,

– e, a sul e a oeste, pelo oceano Atlântico.

A sua superfície (4991 km2) representa apenas 5,7% do País e corresponde apenas a um único distrito administrativo, Faro.» Ler+

» Arquipélago dos Açores

«O arquipélago dos Açores é formado por nove ilhas e alguns ilhéus inabitados (as Formigas).

– Ao Grupo Oriental pertencem Santa Maria e São Miguel,

– ao Grupo Central, a Terceira, a Graciosa, São Jorge, o Pico e o Faial;

– e ao Grupo Ocidental pertencem as Flores e o Corvo.

O arquipélago situa-se no Atlântico norte, a 1500 km a oeste de Lisboa e a 3400 km a leste de Nova Iorque.» Ler+

» Arquipélago da Madeira

«Nome de ilha e arquipélago de Portugal. Situa-se no Atlântico oriental e oferece algumas das mais belas paisagens do país.

Como sucede com os Açores, o arquipélago constitui uma região autónoma, administrada por um governo regional com sede no Funchal.

O concelho do Funchal tem uma área de 73,1 km2 e compreende 10 freguesias: Imaculado Coração de Maria, Monte, Santo António, São Gonçalo, Santa Luzia, São Martinho, Santa Maria Maior, São Pedro, São Roque, Sé.» Ler+

Nota: os textos acima foram editados e adaptados.

Comentário

Antes das províncias que se mencionam neste artigo, e que remontam ao Estado Novo, existiram as províncias estabelecidas pela Primeira República, imediatamente após a sua implantação e, curiosamente, antes da aprovação da Convenção Ortográfica de 1911, razão pela qual ainda é utilizada a ortografia anterior nos respectivos mapas.

A preocupação era meramente administrativa, a fim de substituir a divisão distrital que vinha do tempo do liberalismo (ao contrário do que refere o artigo), tendo o Estado Novo inventado “províncias” que na prática nunca existiram enquanto tal.

Até 1974, apenas existiram Juntas Distritais que reuniam os respectivos presidentes de câmara com o governador civil do respectivo distrito a fim de encurtar a distância em relação ao poder central, ao Terreiro do Paço como era comum dizer-se.

Mas muitos autarcas corriam directamente para os ministérios que os recebiam, deixando os governadores civis desautorizados… e reduzindo as suas competência à área da Administração Interna.

O actual regime previu na Constituição a extinção dos cargos de governadores civis e consequentemente dos distritos, não sem antes criar as chamadas regiões administrativas (Regionalização).

Acabou com umas e não criou outras… os distritos apenas permanecem como círculos eleitorais, o que só contribui para ampliar o entorse que é provocado pelo método de Hondt.

Mas, recuando no tempo, a divisão administrativa (e militar) teve por base a identidade história e geográfica (e também etnográfica) pelo que, a norte do rio Douro, sempre existiu a Comarca d’Entre-o-Douro-e-Minho… o Douro Litoral foi porventura uma das invenções mais estapafúrdias do Estado Novo!

Carlos Gomes

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