A centenária Festa dos Tabuleiros em Tomar

Festa dos Tabuleiros

A Festa dos Tabuleiros realiza-se de quatro em quatro anos na cidade de Tomar.

Tem como ponto central um desfile em que centenas de raparigas (vestidas de branco e cada qual ajudada pelo seu par) transportam à cabeça uma alta armação florida. A armação é constituída por pães enfiados em canas e encimada pela pomba e pela coroa do Espírito Santo.

A Procissão dos Tabuleiros dá a volta à cidade e realiza-se no domingo mais próximo de 20 de Junho. (…)

Na raiz desta cerimónia (que foi regulamentada e ressuscitada nos anos 40, após a Exposição do Mundo Português) estão as Festas do Imperador. Festas instituídas por D. Dinis e pela Rainha Santa no quadro do culto do Espírito Santo.

Esta celebração, muito marcada pelos ideais franciscanos (a fraternidade, a partilha do bodo), terá influências ainda mais antigas. Estas relacionadas com a entrega aos deuses das primícias dos frutos da terra.

Resta saber se este culto do Espírito Santo – mal visto pela Inquisição por bulir com o dogma da Santíssima Trindade – não se arreigou também por influência dos Templários, cuja sede foi em Tomar até à extinção da ordem por alegada heresia, em 1307.

Festa muito antiga

 

A coroa de prata do império da Asseiceira (1544) testemunha a antiguidade do culto em Tomar. Ainda no meio do século passado [séc.XIX] há registos de festas do Espírito Santo na cidade.

Em 1879 realizou-se a primeira festa dos Tabuleiros que se repetiria mais seis vezes até 1910. A implantação de República e a I Guerra Mundial fizeram com que só voltasse a haver cortejo em 1914.

O renascimento da festa, a partir da Exposição do Mundo Português (1940), apenas reteve as características mais espectaculares do evento (o cortejo dos tabuleiros), deixando cair a tradição da coroação e dos impérios.

Pode dizer-se que a festa começa no Domingo de Páscoa, com a saída das coroas.

Antigamente o cortejo saía de casa do mordomo responsável pela guarda das insígnias do Espírito Santo (como ainda sucede nos Açores).

Actualmente, forma-se junto à Misericórdia (fiel depositária das relíquias) e dirige-se para a Igreja de São João Baptista onde é celebrada a missa. Realizam-se sete saídas entre a Páscoa e o Pentecostes, todas percorrendo as ruas da cidade, precedidas por fogueteiros e gaiteiros e acompanhadas por bandas de música.

Criou-se o costume de as ruas serem ornamentadas e, nalgumas artérias do centro histórico, (…), a decoração à base de arcos e flores de papel só tem par na afamada Festa das Flores de Campo Maior.1

Dada a sua complexidade, a festa realiza-se de quatro em quatro anos, tendo havido apenas uma edição em que o povo decidiu adiar a sua realização por um ano, por coincidir com a Expo 98, evento no qual participou com um cortejo a convite do então Presidente da República Jorge Sampaio.2

Fontes: 1 GUIA Expresso “O melhor de Portugal” – 12 – Festas, Feiras, Romarias, Rituais | 2 e imagem de destaque

Lenda de Nª Sª do Naso | Miranda do Douro

Lenda do Naso

A Capela de Nossa Senhora do Naso é um pólo de atracção principalmente em dia de romaria.

Embora à volta desta capela se tenham, recentemente, construído algumas outras capelas, reza a lenda que ela foi edificada por um casal mirandês.

Estando o homem pastoreando o seu rebanho, apareceu-lhe uma Senhora que pediu para lhe construir naquele local uma capela, indicando-lhe, nessa mesma noite, na Serra do Naso, por meio de uma procissão com luzes, o local exacto onde a capela deveria ser erigida. O homem recusou-se, temendo a mulher, mas Nossa Senhora insistiu no pedido.

Muito a medo, o homem fez saber à mulher do desejo da Senhora. Mas a mirandesa não esteve pelos ajustes e começou a refilar: nesse momento ficou tolheita, diz-se que por castigo de Nossa Senhora.

Quando se viu aleijada, a mulher prometeu que faria a capela e, no mesmo momento, voltou ao seu estado normal, pelo que imediatamente se iniciaram as obras.

Consta ainda que, ao serem colocadas as pedras no carro, os bois o “tangiam” sozinhos, sem mostrarem o esforço pelo peso da carrada e sem precisarem de boieiro, regressando a casa dos donos para novo carregamento de pedra.

Assim se construiu a capela desejada, cuja administração é feita por alguém contratado pelos descendentes daquela família.

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