Sobre a região vitivinícola do Douro, em 1900

A Região do Douro

“A 3ª região vinícola, ou região do Douro é formada por uma estreita faixa ao sul dos distritos de Vila Real e Bragança, no limite confinante com a região de Entre Douro e Minho até Barca d’Alva na fronteira espanhola.

Abrange uma extensão total calculada aproximadamente em 35.000 hectares.

Considera-se subdividida em duas partes: uma denominada do Alto Douro compreendida entre Barqueiros e o ponto denominada o Cachão da Valeira, próximo de Vila Nova de Pesqueira, e a segunda denominada Douro Superior e compreendendo a zona restante desde o Cachão até Barca d’Alva.

O Alto Douro, antigamente a parte mais afamada pelos seus finíssimos vinhos do Pinhão, tem por centro principal a Régua, por assim dizer a capital de todo o país vinhateiro do Douro.

Vista panorâmica da Régua

Era esta antigamente a parte mais rica da região, pelas suas notáveis vinhatarias, onde se produziam os mais generosos e finos vinhos do Porto.

Hoje o Douro superior possui quintas igualmente notáveis donde são oriundos vinhos do mais alto valor que em nada desmerecem da fama e nome que tinham os vinhos da antiga demarcação.

Por isso, esta zona privilegiada em todo o mundo, pelas suas excecionais condições naturais, toda ela é conhecida como o país vinhateiro do Douro, sendo em todos os seus pontos igualmente célebre e origem dos mais finos vinhos generosos que se conhecem.

O cultivo das vinhas em socalcos

A vinha é aqui cultivada em socalcos ou degraus, sustidos por muros de pedra solta, denominadas geios, formando como que um anfiteatro de plantas viçosas e verdejantes, na época da sua maior vegetação, o que dá a esta região especial do país um aspecto característico e original ao mesmo tempo encantador e imponente.

As vinhas revestem íngremes encostas de montanhas que pendem sobre o Douro e os seus afluentes, e vão desde os pontos mais baixos, junto aos rios, até quási às cumeadas dos cerros, debruçando-se airosas e opulentas sobre as correntes caudalosas.

Como se orgulham da sua pujança, e ciosas dos delicadíssimos frutos que produzem, capricham em se mostrar pingues e férteis, mas em se furtarem quási inacessíveis aos tratamentos do homem e a deixar-lhes só com muita dificuldade colher os seus óptimos frutos amadurecidos no cimo das escarpadas ravinas.

A Quinta do Vesúvio

Quinta do Vesúvio, no Douro, propriedade do sr. António Bernardo Ferreira

A imagem que apresenta a quinta do Vesúvio representa o aspecto das vinhas nesta região privilegiada do país, da qual nestas notas rápidas, nós não podemos dar se não uma pálida e imperfeita impressão.

Àqueles que melhor pretenderem conhecer os tesouros que se encerram nesta parte riquíssima do país vinícola, recomendamos a leitura do livro notável do Visconde de Vila Maior [Le Douro Illustrado, par le Visconte de Villa Maior], em cujas páginas se encontra a descrição minuciosa destas paragens.

A região vinícola do Douro produz em média 285.000 hectolitros de vinhos da mais fina qualidade, os quais, depois de devidamente beneficiados nos armazéns de Vila Nova de Gaia, são exportados para todos os mercados do mundo com o nome de vinhos do Porto.

É incontestavelmente esta, pela superior qualidade dos seus vinhos, a mais notável região vinícola de Portugal.”

Tipo de quintas no Douro

 

Chegada do Vinho do Douro ao Porto (Parte segunda – Capítulo I – Os vinhedos e os vinhos) “Occidente”, nº785 – 1900

Fonte: “Occidente”, nº787 – 1900 (texto editado e adaptado) | Imagem: “Barco Rabelo transportando vinhos pelo Rio Douro