A construção do Folclore na evolução do Homem

O Homem

O homem, considerado na sua individualidade, representa uma espécie de microcosmos da Humanidade, portanto entendida esta como o seu próprio macrocosmo.

Partindo deste princípio, concluiremos que entre as realidades inerentes às duas condições apenas se coloca uma questão de escala, a tornar os objectos apenas diferentes quanto à sua grandeza e dimensão.

Assim, tal como o indivíduo, também os povos e as sociedades humanas evoluem a partir de uma fase embrionária até atingirem a plena maturidade e, à medida que envelhecem, entram em declínio e desaparecem, dando lugar a novos povos e civilizações.

De igual forma, a arte e a cultura reflectem esse percurso de vida dos povos, desde a sua infância até à idade adulta, começando por se exprimir de uma forma rudimentar e quase abstracta até atingir patamares mais elaborados e quase sublimes.

Nos seus primeiros meses de vida, a criança aprende a gesticular os primeiros sons e escuta-os com espanto e agradável surpresa.

Contempla as suas mãos e aprende a manipular o ábaco, adquirindo instintivamente a noção das quantidades que hão-de estimular-se o sentido matemático.

E observa as cores produzidas a partir das suas próprias sujidades, começando por elaborar a sua própria perspectiva plástica.

E estas primeiras reacções quase instintivas vão-se desenvolvendo com o seu crescimento, passando a ordenar as primeiras sílabas e construir a sua primeira orquestra com os tachos da cozinha.

Os primeiros sons são os da Natureza

Qual criança ainda a gatinhar, também a Humanidade começou por escutar os sons da natureza que o rodeia e imitá-los, revelando especial temor por aquilo que ouvia e não enxergava – o vento.

De seguida, passou a representar o seu universo nas paredes da gruta, decorando a sua habitação com magníficas obras de arte, sem jamais imaginar que o seu gesto haveria de se reproduzir até à actualidade.

E, com os calhaus e as peles dos animais que caçava construiu os seus primeiros instrumentos musicais.

A voz humana

Como não podia deixar de ser, a voz constituiu o seu primeiro instrumento musical.

E, apenas quando construiu as primeiras ferramentas, passou a criar aquilo que actualmente se designa por música instrumental.

A princípio, a música era quase exclusivamente rítmica, produzida a partir de batimentos constantes, vibratória e de percussão.

Mas, aos poucos, foi-se tornando cada vez mais melodiosa ao ponto de quase perder o ritmo, qual sinfonia a reproduzir os sons da Natureza e a elevar um hino ao Criador.

E, assim, o Homem foi crescendo e, com ele, a sua arte, as suas leis e instituições, construindo a cultura e erguendo a sua própria civilização.

A cultura tradicional

A cultura tradicional a que convencionamos designar por folclore e etnografia, remete para uma época situada num período de tempo mais recuado pelo que, pela sua própria natureza, caracteriza-se por formas relativamente menos elaboradas e aparentemente mais rudimentares.

O artesanato é, provavelmente, o elemento que com maior rigor exprime o carácter psicológico de um povo – na sua imperfeição genuína, é seguramente, aquilo que melhor o define!

Mas também a música, mais ou menos ritmada, com os seus acordes simples ou mais elaborados e alternados, produzida por instrumentos onde geralmente predomina a percussão.

E, a acompanhá-la, o canto e a dança, por vezes infantis e de uma grande candura, outras porém a denunciar a perda da inocência.

A paisagem impõe um cante melancólico na planície alentejana enquanto na ridente província do Minho o cantar é vivo e, por vezes, até estridente, espirrando a alegria e o colorido intenso das veigas verdejantes.

Deslumbra e encanta o toque melodioso da flauta pastoril.

Mas, nas regiões mais a norte onde subsistem venhas usanças que constituem reminiscências das culturas das tribos célticas e galaicas, esta acompanha o bombo, o tambor e a gaita-de-foles que os grupos de zé-pereiras reproduzem nas arruadas com a sua cadência marcial.

Aqui, mistura-se o lado bucólico do pastoreio na solidão da montanha com o espírito guerreiro dos povos castrejos.

Qual intrusa, a concertina tem vindo nos últimos tempos a misturar-se neste grupo, retirando-lhe o seu verdadeiro carácter.

Folclore pelo mundo

Mas não nos detenhamos no nosso folclore e partamos de novo à descoberta por esse mundo fora para observarmos o folclore africano e verificarmos como ainda é jovem e impulsivo.

Na Ásia, surpreendermo-nos com o seu requinte e maturidade, verdadeiramente reveladora de civilizações milenares.

E, no Brasil, onde a civilização portuguesa atinge o seu maior esplendor e o folclore revela a máxima exuberância e variedade, reunindo os mais diversos povos e culturas numa nação que constitui uma imensa aguarela cuja grandeza é o orgulho de Portugal.

Apesar de se tratar de uma nação secular, com perto de um milhar de anos de existência, por vezes lamuriosa e vestida de tons sóbrios, os portugueses são ainda um povo alegre, permanentemente rejuvenescido pela força anímica que lhe é transmitida pelas jovens nações que originou.

Ele exulta com o som da concertina e desce ao terreiro quando rufam os bombos, os adufes e pandeiros.

O que em nada perturba a espiritualidade do cante melodioso dos corais polifónicos que fazem o esplendor da imensa catedral que é o Alentejo.

Mais ainda, os portugueses projectam-se também nos povos com os quais se cruzaram ao longo de sucessivas gerações, misturando com ele a sua própria cultura e o folclore.

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História

As picaretas de ouro | Lenda da Serra do Alvão

As Picaretas de ouro

O famigerado Penedo Negro tem ainda outras lendas, ligadas também à actividade dos povos da serra e relacionada principalmente com o fabrico do carvão que os carvoeiros vinham vender a Vila Real.

Foi na realização deste trabalho que se deu o acontecimento maravilhoso que o povo conta assim:

Um dia, ainda de manhãzinha, antes de o sol pintar na serra, o senhor Mota saiu de casa, como de costume, para fazer carvão, que era o seu modo de vida.

Mas, quando chegou junto do Penedo e se preparava para arrancar as zogas das urgueiras, verificou, muito contrariado, que se tinha esquecido da picareta.

Ia já para voltar a casa buscá-la, quando deu de frente com uma Senhora, jovem e formosa, sentada, a pentear-se com um pente de oiro e com muitas picaretas, também de oiro, a seu lado.

O carvoeiro ficou de boca aberta, a olhar, muito espantado, para aquela maravilha!

Então a Senhora dirigiu-lhe a palavra:

– Não precisas de ir buscar a tua picareta. Tens aqui muitas. Escolhe a que quiseres. Mas, antes, diz-me uma coisa: gostas mais das picaretas ou de mim?

O senhor Mota, que não tirava os olhos das picaretas de oiro, a brilhar aos primeiros raios de sol, e que não sabia mentir, disse com a sua franqueza e simplicidade:

– Gosto mais das picaretas.

Oh! Palavra que tu disseste! A Senhora, com o rosto coberto de tristeza, deu um suspiro profundo e exclamou:

– Então fica com ela. Já que escolheste a picareta e não a mim, continuarás pobre e eu continuarei encantada.

E desapareceu, misteriosamente, no interior do Penedo Negro, deixando só uma picareta e levando consigo todas as outras.

Quando o ambicioso carvoeiro pegou na picareta de oiro, a pensar que ia ficar rico, ficou sem pinta de sangue, porque ela se transformou, ao tocar-lhe, num pedaço de carvão, a única coisa em que tinha tocado em toda a sua vida.

Então arrependeu-se amargamente da sua escolha desastrada, mas já nada pôde fazer. Teve de continuar pobre e a fazer carvão como os seus vizinhos, para sustentar uma ninhada de filhos.

E a Senhora lá continuou, continua e continuará eternamente, encantada, no Penedo Negro, a guardar as suas picaretas de oiro!

Fonte: “Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro”, por Joaquim Alves Ferreira (5 volumes) – texto editado | Imagem

Por que razão os jogos de azar são considerados parte da cultura do entretenimento de Portugal?

Os jogos de azar fazem parte da cultura de entretenimento de Portugal há muitos anos, constituem um dos aspectos culturais que caracterizam o comportamento da comunidade lusa em momentos de lazer, prática que brota de suas veias e se encontra historicamente muito arraigada em todo o país.

Os jogos de casino atuais oferecem uma série de serviços de lazer, diversão e cultura optando pela alta tecnologia digital e gráfica para deleitar os consumidores. Os casinos tradicionais reabriram suas portas em junho passado, oportunidade que os portugueses aproveitaram para desfrutar de uma experiência diferente carregada de emoções depois de viver uma temporada em confinamento.

Um dos principais estímulos que leva os jogadores a apostar nos cassinos são as recompensas monetárias que podem obter além de compartilhar um tempo ameno com familiares e amigos, mas os benefícios não culminam ali.

Em Portugal abundam os casinos tradicionais com gigantescas edificações, um entorno acolhedor e serviços de qualidade dentro de uma arquitetura glamorosa. As áreas mais frequentadas para desfrutar das apostas são Estoril, Lisboa, Figueira da Foz, Póvoa de Varzim, Espinho e Vilamoura.

Mas já não é tão necessário assistir aos casinos para efectuar as apostas, os jogos online representam uma opção para um grande número de jogadores portugueses que preferem jogar em plataformas virtuais a partir de dispositivos electrónicos. Os amantes de esportes e apostas combinam as duas formas de entretenimento e apostam através de seus celulares.

Para ninguém é segredo que a tecnologia mudou as formas de consumo, os números de jogadores on-line aumentou significativamente nos últimos anos, mas tomou maior expansão na população portuguesa desde que os organismos oficiais regularam o jogo online em 2015.

Existem operadores de prestígio como a Betway que operam legalmente no mercado nacional, com grandes opções de jogo e com a preferência de milhares de utilizadores registados.

Para manter os usuários portugueses satisfeitos, os cassinos online promovem estratégias de mercado que buscam atrair novos usuários e promoções para ganhar a fidelidade dos jogadores.

A maioria dos casinos on-line licenciados no país oferecem bônus e outras recompensas especiais ao entrar na plataforma e jogar qualquer uma das alternativas de jogo e suas variantes disponíveis no site de apostas, tais como: slot machines, o blackjack, a roleta, o vídeo pôquer, apostas esportivas, entre outros…

Hoje em dia, os casinos virtuais reinventam-se à medida que o mundo tecnológico progride, todos os jogadores maiores de idade podem participar em torneios especiais organizados por marcas como Betway e viver a emoção dos esportes eletrônicos para ganhar prêmios milionários.

Em momentos especiais os usuários podem aproveitar as vantagens das promoções ao jogar no cassino. Em momentos especiais os usuários podem aproveitar as vantagens das promoções ao jogar no cassino. O ritmo de vida das pessoas mudou, os jogos de azar online se adaptam melhor à realidade atual.

Os portugueses têm a opção de se deslocar a qualquer lugar e a qualquer hora do dia para desfrutar do jogo online. Só é necessário ter conexão à internet e um computador ou dispositivo móvel para ingressar e obter entretenimento saudável em total privacidade, sem ter que ir a um cassino físico.

Não há dúvida de que os casinos já fazem parte da cultura de entretenimento dos portugueses pelas múltiplas vantagens e acessibilidade. Os usuários podem depositar e retirar dinheiro usando uma grande variedade de novos métodos de pagamento de forma prática e segura.

Isso sim, este tipo de jogos e apostas virtuais promove a cultura de jogo responsável e consciente, deve-se jogar em função de nossas próprias limitações sem cair em obsessões que conduzam a problemas econômicos, com plena liberdade para se retirar, quando necessário.

(Artigo patrocinado)

Vinhos de Valpaços | Vinhos de Portugal

Vinhos de Valpaços

O Decreto-Lei 341 de 1989 criou a VQPRD de Valpaços. Agrega partes deste concelho e dos concelhos de Mirandela, Murça e Vinhais, comprovando e reconhecendo a qualidade dos vinhos aqui produzidos com castas regionais seleccionadas e de qualidade superior.

As características destes vinhos advêm

– da conjugação das castas seleccionadas,

– de factores micro-climáticos,

– da exposição solar a que as videiras são sujeitas no declive das encostas

– bem como da natureza fisiográfica dos respectivos solos.

A região onde se produzem os Vinhos de Valpaços, situada em Trás-os-Montes, é uma zona de planalto, cortada por uma intensa rede hidrográfica.

O clima é caracterizado por Invernos muito rigorosos e Verões muito quentes e secos. Tal como em outras zonas da região, é frequente ouvirmos dizer que no ano há “Nove meses de Inverno e três de Inferno“.

O clima quente na altura da maturação da uva determina

– a concentração de açúcares na mesma

– e um teor alcoólico mais elevado nos vinhos produzidos a partir dessa uva.

Características

Os vinhos de região de Valpaços têm algumas semelhanças aos vinhos do Alentejo devido ao clima quente que possuem as duas regiões na altura da maturação da uva.

Mas distinguem-se dos vinhos da região demarcada do Douro porque na região do Douro é realizada a selecção de uvas de melhor qualidade para fazer os vinhos Generosos enquanto que na região de Valpaços essa selecção não é realizada.

O vinho de casta Trincadeira ou Tinta Amarela é um vinho que se apresenta límpido, com odor abaunilhado à mistura com madeira, com sabor aveludado e evoluído.

Os vinhos Tintos são vinhos muito encorpados, com muita cor, macios e fáceis de beber.

Os vinhos Brancos são vinhos que possuem uma acidez correcta, que são frescos, leves e com odor floral.

Texto adaptado | Imagem

Seis orações populares para rezar à noite, ao deitar

Seis orações populares para rezar à noite

I

Ao terminar este dia,

Nós Vos pedimos, Senhor,

Que sejais o nosso guia

E o nosso protector.

Afastai os sonhos maus

E as nocturnas tentações;

Livrai-nos do inimigo,

Guardai nossos corações,

Concedei-nos vossa graça,

Ó Pai, nosso Criador,

Por vosso Filho, Jesus,

Em espírito de amor.

II

Alguns, pelos seus grandes pecados,

Deitam-se bons, e encontram-se finados.

Se tal coisa me acontecer,

Na vossa santa fé quero morrer,

Bem confessada e bem comungada,

A vossa santa fé retornada.

Jesus vivo esteja comigo,

Jesus morto esteja em meu corpo,

Jesus crucificado esteja a meu lado.

III

Ó minha alma bendita,

Quando deixarás meu corpo?

Talvez a morte já espere

Que eu comece a adormecer,

Para te arrancar de mim,

Te levar à eternidade

E meu corpo à sepultura.

Ai de mim! Que hei-de eu fazer,

Se os pecados deste dia

Me fazem estremecer?

Vou dizer, do coração,

O acto de contrição.

IV

Na cama me vou deitar,

Pra dormir e descansar.

Se a morte vier buscar-me

E eu não puder falar,

Apego-me aos cravos,

Encosto-me à cruz,

Entrego a minha alma

Ao meu bom Jesus.

V

Assim como Pedro e Paulo

Se benziam no altar,

Antes de missa rezar,

Assim me benzo esta noite,

Antes de em meu leito entrar.

Benzo também minha cama,

Pra dormir e descansar.

Que ninguém, vivo nem morto,

Me possa vir atentar,

Nem os ruins pesadelos

Me impeçam de repousar.

VI

Com Deus me deito,

Com Deus me levanto,

Com a graça de Deus

E Divino Espírito Santo,

Para que a Virgem Maria

Me cubra com seu manto.

Se eu bem coberto for,

Não terei medo nem temor

Nem a coisa que má for.

Se eu dormir, acordai-me;

Se eu morrer, alumiai-me

Com as doze velas bentas

Da Santíssima Trindade:

Seis aos pés, seis à cabeceira,

E a Virgem Maria na dianteira.

Fonte: Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro – Devocionário (vol.III), Joaquim Alves Ferreira

Folclore e Cultura Tradicional | Textos e opiniões

Folclore | Cultura tradicional

Já em 1878 o Folclore era reconhecido internacionalmente como “saber tradicional, história não contada de um povo

Primeiro, para se referir às tradições, costumes e superstições das classes populares. Posteriormente, para designar toda a cultura nascida principalmente nessas classes.

E porque a definição unitária se tornava muito difícil para os ensaiadores dos grupos de folclore, em 2002, e numa organização do Jornal Folclore, reuniram-se, em Santarém, a maioria dos especialistas e estudiosos, do que resultou uma síntese que eu considero de excelência para a realidade portuguesa, e que passo a transcrever:

Folclore é a expressão da vivência das gentes de antigamente quando a sua maneira natural de ser e de estar não era ainda tão marcada por influências que lhes chegavam de fora.

Em que tais influências eram recebidas, adotadas e aculturadas. Tradicionalizadas, se quisermos.

Antes de um tempo em que as mesmas se tornaram tão intensas e numerosas que elas próprias passaram a aculturar as vivências locais comunitárias. A alterá-las e fazê-las desaparecer. Como acontece hoje, influência que não se fez sentir em todo o lado ao mesmo tempo, dependendo isso da temporalidade e ritmo de mudança das diversas sociedades; naturalmente diferenciado.

Mas como sabemos então o que é Folclore?

Há quatro situações que quando em conjunto o determinam: ser popular, ser normalmente de autor desconhecido, ser tradicional e ser comunitário.

1) ser popular: ser usado pelo povo. A que o povo, pela dita usança, aculturativa ou não, adaptou, e conferiu características marcantes próprias.

2) ser normalmente de autor desconhecido: claro que tudo teve um autor, mas grande parte da criação popular é feita de sucessivas transformações: algumas tão ligeiras que nem se apercebem. Algumas involuntárias apenas dependendo das características do utilizador.

Dando o exemplo de uma “moda”, alguém a fez, mas tocador após tocador, cantor após cantor, com as alterações que involuntariamente foram sendo introduzidas, acabou por a ir alterando até algumas vezes se transformar numa música muito diferente: que podemos até não considerar o mesmo padrão.

Contudo, muitas músicas são de origem urbana que o povo vai adotando e adaptando. Nestas, como aliás nalgumas de criação local, pode-se às vezes identificar o autor. São, contudo, casos raros.

Mais características

3) ser tradicional: ter passado de geração em geração, chegando-nos por via oral ou por imitação, fazendo-se como se via fazer ou ouvia; devendo ainda entender-se como tradicional os comportamentos, os usos, as vivências, os valores que qualquer grupo social, relevante culturalmente, utilizou durante o tempo suficiente para impor a marca local, independentemente da sua origem e natureza.

4) ser comunitário: pertencer a uma comunidade cultural significativa e não apenas a uma família ou pessoa. Ser usada pela totalidade da mesma ou por um grupo social de dimensão significativa.

Exemplo: um fato muito bonito mas que só uma pessoa usava, pois lhe tinha oferecido por um familiar de outra região e nunca se vulgarizou localmente, não é folclore.

Vestuário da aldeia de Costa de Cima – Leiria

Vestuário da aldeia de Costa de Cima – Leiria

Trajo domingueiro das mulheres

O trajo domingueiro das mulheres, usado ainda há uns vinte anos, compunha-se de uma saia redonda, de farta roda, casaco cintado, capa comprida até aos pés, capa esta que podia ser de pano preto, cinzento ou azul, mas o mais fino era o pano preto.

A capa podia ser simples ou enfeitada à frente com bandas que acompanhavam toda a capa, e atrás terminava em bico. A completar este trajo, usavam um lenço de Bretanha.

Ricos e pobres trajavam assim. A diferença consistia apenas na qualidade do tecido. Nos pés, tamancos ou sapatos, toscamente feitos. Meias só as mais abastadas as usavam.

As capas, porém, foram sendo postas de parte e hoje já pouco se usam. Só uma ou outra pessoa antiga as usa. O lenço de Bretanha foi substituído pelo lenço de seda, de lã ou ainda de chita.

Muitas mulheres usam um chapéu de feltro ou veludo, por cima do lenço, como as Ovarinas. Esse chapéu é mais ou menos enfeitado, ou com uma fivela ou com um feixe de peninhas de cores.

Também a substituir a capa, usam algumas mulheres uma saia a cobrir os ombros. Essa saia é de chita ou de lã grosseira, tecida em casa.

O trajo dos homens

O trajo dos homens é também simples. Trajam uma jaqueta curta, calça estreita, em geral de pano castanho-escuro, sapatos ou tamancos, e na cabeça um barrete de lã preta ou um chapéu de abas. Em volta da cinta, uma faixa de lã, geralmente preta.

A camisa é uma camisa vulgar, de riscado. Alguns, porém, trajam um pouco mais à cidade e esses fazem consistir o seu luxo no uso de gravata.

Há quarenta para cinquenta anos, via-se um outro trajo entre os homens mais abastados: compunha-se de uma jaleca, calção um pouco acima do joelho, botas altas a acompanhar os joelhos e a aparecer a meia branca de lã ou de algodão (segundo a estação), por cima da bota.

Na cabeça, um chapéu largo. O calção desapareceu completamente e hoje nem uma só pessoa se vê assim.

Outras informações

Também o trajo feminino actualmente varia conforme as posses de cada mulher. Algumas saias, as das raparigas, são enviesadas, outras de roda farta; os casacos pouco se usam; substituem-nos por blusas.

Nos ombros, põem um xalinho, e na cabeça um lenço; nos pés meias e sapatos de cabedal grosso. São as mais jeitosinhas.

As pessoas mais abastadas, em contacto com a cidade, vão-se apurando na maneira de vestir, e o seu luxo consiste num casaco a imitar uma ou outra moda, dentro de uns certos limites, numa mantilha e num leque; e são estas as senhoras da terra. Algumas usam uma mantilha de bico.

O ouro é pouco usado e isso devido, talvez à pobreza da terra.

Extractos de um estudo sobre o vestuário da aldeia de Costa de Cima (concelho de Leiria), feito por Esméria de Sousa, estudante da Faculdade de Letras de Lisboa, datado de 11.07.1916

Fonte: Informações retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos | Imagem

 

XXXI Encontro de Cantadores de Janeiras – Pindelo

Vai realizar-se no próximo dia 29 de Dezembro de 2019, pelas 16h30, no Largo do Eirô – Pindelo de Silgueiros, o XXXI Encontro de Cantadores de Janeiras.

Participam os seguintes Grupos:

– Rancho Folclórico de Pindelo de Silgueiros – Viseu

– Rancho Folclórico de Ramalde – Porto

– Rancho Folclórico do Caçador – Viseu

– Grupo Folclórico e Etnográfico de Vila Cova à Coelheiras – Vila Nova de Paiva

 

Fique a conhecer outras iniciativas do género.

 

III Encontro de Cantares Natalícios em Condeixa-a-Nova

No próximo dia 15 de Dezembro de 2019, pelas 15h30, vai realizar-se, na Igreja de Condeixa-a-Nova, o III Encontro de Cantares Natalícios em Condeixa-a-Nova, com a participação dos seguintes Grupos de Folclore:

Rancho Folclórico e Etnográfico de Eira Pedrinha – Condeixa-a-Nova

O Rancho Folclórico e Etnográfico de Eira Pedrinha, inserido na região etno-folclórica do Baixo Mondego, foi fundado em 1983, como resposta à necessidade de preservar a história, os usos e os costumes da aldeia de Eira Pedrinha. Da necessidade de preservar toda a história, cultura, usos e costumes da terra surge em 1983 a ideia de formar um Rancho Folclórico que em 2003 adquire a actual denominação: Rancho Folclórico e Etnográfico de Eira Pedrinha.

Ao longo dos anos de existência, o grupo tem vindo a desenvolver a sua actividade no sentido de salvaguardar, divulgar e reproduzir o mais fielmente possível as vivências, o trajar, as danças e os cantares das gentes da região de Condeixa e da Serra de Sicó, entre o final do séc. XIX e o início do séc. XX.

A vida, muito simples e essencialmente ligada às actividades agrícolas e religiosas, é reflectida nos trajes apresentados. São essencialmente trajes de trabalho no campo, alguns de vendedeiras, outros de romaria e de domingo, e ainda os noivos e lavradores mais abastados, sem esquecer as crianças. Ler+

Rancho Regional de São Salvador da Folgosa – Maia

O Rancho Regional de S. Salvador de Folgosa – Maia, nasceu por ocasião da angariação de fundos para as obras de remodelação da Igreja Paroquial, em finais da década de cinquenta, tendo desde logo procurado afirmar-se no panorama folclórico nacional e regional.

A partir desta altura, o Rancho tem vindo a aperfeiçoar a sua actividade de reprodução de trajes, danças e cantares dos tempos remotos nas terras da Maia, através de pesquisas e recolhas que garantem a autenticidade do que pretende representar.

Em termos de folclore, representa a zona do chamado Vale do Coronado, no leste maiato. E dentro destes limites que se propõe recolher e depois reproduzir o mais fidedignamente possível as vivências quotidianas e festivas dos nossos antepassados. Ler+

Rancho Folclórico da Redinha – Pombal

Em 1963, era fundado na redinha, o Rancho Folclórico “ As Moleirinhas”, hoje designado por Rancho Folclórico de Redinha, fazendo lembrar os costumes e tradições dos seus antepassados.

Tendo a região, desde recuados tempos, profundas raízes folclóricas, é possível que para isso tenha contribuído a Romaria a Nossa Senhora de Estrela. Desde sempre, ali aflui um grande número de pessoas pagando promessas, cantando e dançando ao toque de vários harmónios e concertinas, que nunca faltam para animar esta tradição.

O rancho tem participado em grandes festivais de folclore de norte a sul do país bem como, no estrangeiro, nomeadamente em Espanha e França.

É membro efetivo da federação do Folclore Português e também da associação Folclórica da Região de Leiria – Alta Estremadura. Ler+ 

 

A FFP vai ser ONG Consultora da UNESCO

 

Organização Não Governamental Consultora da UNESCO

A Federação do Folclore Português (FFP) orgulha-se em tornar público que, nos próximos dias 7 e 8 de dezembro, na assembleia geral da UNESCO, a realizar em Bogotá, a FFP terá a subida honra de receber desta instituição a acreditação, enquanto Organização Não Governamental (ONG) Consultora, no âmbito da aplicação da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Humanidade, de 2003.

Trata-se de um dos mais prestigiosos reconhecimentos que uma instituição cultural pode receber, internacionalmente, neste campo da cultura.

A FFP tem vindo a trabalhar neste projeto de certificação internacional, na perspetiva da aquisição do estatuto de conselheira e assessora da UNESCO, permitindo à FFP assumir uma voz e um papel no que concerne à apreciação das candidaturas nacionais e, eventualmente, internacionais no processo de reconhecimento oficial do PCI enquanto património da humanidade.

Uma distinção internacional meritória para a FFP

Esta distinção internacional constitui mais um passo significativo e determinante no processo de valorização e reconhecimento institucional da FFP, no contexto não só nacional como internacional, permitindo dar cada vez maior visibilidade à ação dos grupos de folclore portugueses, ao seu esforço para manter viva a tradição popular, à sua missão cívica de transmissão da matriz identitária portuguesa às futuras gerações.

Assim, a FFP lança-se num novo e nobre desafio de participar ativamente no processo nacional e internacional de defesa do património que se quer pertença de toda a humanidade.

Neste âmbito, nos dias 21 e 22 de novembro, o presidente da FFP participou na “II Reunião de ONG Ibéricas Acreditadas pela UNESCO no âmbito da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial”, que se realizou nas instalações da Fundação INATEL, na Costa da Caparica.

Grandes expectativas se depositam para o movimento folclórico português, para a visibilidade do património cultural português, não só junto da UNESCO como de toda a humanidade, mas, sobretudo, no papel ativo que o setor da cultura tradicional e popular portuguesa assumirá no processo mundial de construção de um quadro alargado de bens culturais que são pertença de todos nós.

O movimento folclórico português e o nosso património cultural estão de parabéns por esta conquista histórica que lança a FFP na linha da frente no que concerne ao processo de salvaguarda do património cultural comum da humanidade.

Texto: Fábio Pinto | Foto: Fundação INATEL

 

15º Aniversário do Rancho Folclórico da A.C.R.D. de Rubiães

 

No âmbito das comemorações do 15º aniversário Rancho Folclórico da Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Rubiães – Paredes de Coura, vai realizar-se, no próximo dia 21 de Julho, na Junta de Freguesia de Rubiães, o 16º Festival de Folclore. A presente edição do Festival de Folclore terá como tema “O Linho”, motivo pelo qual a decoração do palco terá diversos elementos relacionados com os “Trabalhos do Linho”.

O Festival de Folclore terá início pelas 14h30, com o habitual desfile dos grupos convidados: o Rancho Folclórico “As Janeiras” pertencente à freguesia de Glória do Ribatejo – Salvaterra de Magos, distrito de Santarém, o Rancho Etnográfico “Os Pinhoeiros de Lobão” de Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, e o Grupo Infantil e Juvenil da A.D.R. da Gandra – Ermesinde, distrito do Porto, seguindo-se a habitual entrega das fitas comemorativas do 15º Aniversário, tal como as respectivas lembranças.

O Rancho Folclórico da Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Rubiães foi fundado a 04/06/2004, por iniciativa de umas senhoras da freguesia que tinham como sonho fazer parte de um Rancho Folclórico. Desde então, este Grupo tem vindo a representar a freguesia, não só em Portugal, mas também em França e Espanha.

A sua apresentação passa pelo uso de trajes negros, por uma simples razão: Rubiães é uma freguesia do concelho de Paredes de Coura situada no coração do Alto Minho. Como tal, o Grupo apresenta-se com os designados trajes domingueiros, por parte dos seus dançadores, e na parte da tocata os trajes são à base de linho e lã, que eram os trajes utilizados nos trabalhos do campo.

Também por ser um Grupo que representa a região do Minho, as danças que apresenta são: Viras, Chulas e Canas-verdes. Para além dos instrumentos de percussão, apresenta também as concertinas, instrumento usual no Alto Minho.

Este Rancho é composto por dois Grupos, o Grupo Infantil e o Grupo Adulto, num total aproximado de 70 pessoas, que têm como principal missão recolher, preservar a divulgar os usos e costumes deixados pelos seus antepassados.

No recinto onde se vai realizar o Festival de Folclore, haverá um serviço de Bar e uma pequena Quermesse.

Estão todos convidados para estarem presentes na comemoração do nosso 15º aniversário e esperemos que gostem.

A Direção do Rancho Folclórico da Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Rubiães