Vinhos da região do Dão | Vinhos de Portugal

Vinhos do Dão

O bom vinho do Dão nem sequer é fruto de uma zona homogénea, embora não se possa considerar desavisada a criação de região demarcada.

A Região Demarcada do Dão foi instituída em data desconhecida de 1908.

Esta foi a primeira região demarcada de vinhos não licorosos do país e a segunda região demarcada de vinhos do país, após a Região Demarcada do Douro. Fica situada no centro de Portugal, na antiga província da Beira Alta.

Em boa verdade, o vinho do Dão é fruto de cepas que se alimentam de um certo tipo de solo e «bebem» um determinado tipo de sol: instalam-se em encostas viradas a sudoeste e alimentam-se no granito porfiróide, aquele a que chamamos «dente de cavalo».

É um granito facilmente atacado pelos agentes atmosféricos, o que quer dizer que se transforma em terra com relativa facilidade. O que não evitou que a plantação da vinha do Dão tivesse sido uma verdadeira epopeia humana.

Epopeia que daria o resultado merecido, sob a forma de um líquido báquico incomparável. (…)

Com certidão de nascimento…

Por muito bons que seja, e são, os vinhos do Dão quase exigem hoje uma «certidão de nascimento», para termos a certeza de que vamos degustar um néctar capaz de fazer jus à fama de que goza.

Quando a procura respondeu à indesmentível qualidade do vinho do Dão, os produtores confrontaram-se com a incomodidade de não disporem de oferta suficiente.

A partir daí, e no dizer de um conhecedor do fenómeno, «toda a uva era boa para fazer vinho do Dão».

Como seria de esperar, a qualidade deixou de ser o que era e, como sempre acontece nestas situações, a procura também foi refreada.

O que constituía uma fonte de rendimento segura, passou a ser mera recordação de um lucro fácil e imediato, mas perecível. A situação já está hoje mais corrigida, mas ainda não completamente. (…)

Os vinhos do Dão estão profundamente relacionadas com o uso das castas mais apropriadas, dentro das recomendadas para a região, a saber: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Aragonez – Tinta Roriz, Jaen, Encruzado, Malvasia Fina.

In GUIA Expresso O Melhor de Portugal – nº6 (texto editado, adaptado e aumentado) | Imagem

Os Vinhos do Algarve tiveram origem nos fenícios

Vinhos do Algarve

Ao invés do Alentejo (…), o Algarve não parecia destinado a produzir bons vinhos. Não tanto pela inadequação do clima, mas antes pelo tipo de terrenos que constituem a maior parte do seu solo arável.

Mas o vinho é uma tradição tão antiga no Algarve como nas outras regiões vinícolas do país. Para ali levada por fenícios, depois por romanos e até pelos abstémios mouros.

O solo e o clima são os dois factores decisivos, mas muito também depende da habilidade do lavrador.

Em muitos anos, a precipitação é inconsistente no Algarve, e o vinicultor tudo faz que o solo ensope o mais possível quando chove e deixe evaporar o menos possível quando a chuva escasseia.

Deste modo, a qualidade dos vinhos algarvios depende sobretudo do tipo de solo e dos microclimas que dominam certas zonas.

Vinhos de Lagoa

A região de Lagoa é, por certo, a mais conhecida das zonas vinícolas algarvias. Tal deve-se exactamente ao tipo de terreno dominante, ao microclima que ali se instala e, por fim mas não menos importante, ao cultivo de castas bem adaptadas.

A região produz vinho que tem, regra geral, elevado teor alcoólico, mas que nem por isso perde uma certa suavidade e perfume que faz as delícias dos apreciadores deste tipo de vinho.

Certos vinhos aperitivos, em especial os brancos e roses, chegam a atingir 16 graus, sem por isso perderem a textura aveludada e o aroma intenso. Os tintos apresentam uma coloração viva e aberta, podendo mesmo beber-se frescos quando ainda não passaram por estágio.

O envelhecimento consegue afinar-lhes as qualidades, fazendo deles néctares muito agradáveis para acompanhar entradas e pratos de aves.

Existem outros vinhos algarvios com valor semelhante, mas que, devido à menor projecção comercial, muitas vezes apenas são conhecidos no Algarve.

Vinhos de Portimão, Lagos e região de Tavira

É o caso dos vinhos de Portimão e Lagos, produzindo a adega cooperativa desta cidade um branco seco que pede meças aos mais afamados.

Noutros tempos, a zona da Fuzeta produzia um bom vinho. As vinhas foram ocupadas por construções turísticas, e hoje a produção é muito escassa – nem dá para provar.

Na região de Tavira, merecem referência os vinhos de Moncarapacho, Pechão e Quelfes, que prosperam nas encostas viradas a Sul. São, no entanto, produções incipientes que quase não aparecem no mercado.

A aguardente de medronho

O que se merca são as aguardentes, em especial a de medronho, um produto ainda predominantemente artesanal, destilado pelos agricultores das serras de Monchique e Espinhaço de Cão, a partir do fruto silvestre que cresce, as mais das vezes, sem grandes cuidados por entre os matos serranos.

Os diversos produtores esmeram-se para conseguir o melhor produto, e entram em compitas com os vizinhos, instando frequentemente o forasteiro a provar e tomar posição sobre a valia de cada aguardente.

Igualmente curiosa, e comprovável, é a insistência das gentes serranas na capacidade da medronheira para tirar a sede.

A mistura destas aguardentes com o mel produzido na região de Silves tem dado origem a bebidas espirituosas que são comercializadas com as mais diversas designações.

In GUIA Expresso O Melhor de Portugal – nº6 | Imagem

Os diversos Vinhos da Península de Setúbal

Vinhos da Península de Setúbal

Denominações dos Vinhos

D.O. Palmela (Denominação de Origem)

D.O. Setúbal (Denominação de Origem)

I.G. Península de Setúbal (Indicação Geográfica)

Moscatel de Setúbal (Denominação de Origem)

Vinhos de Setúbal e Palmela

Em 1185, quando Palmela recebeu o seu primeiro foral atribuído a D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, neste se falava da vinha e do vinho na região, o que confirma a sua tradição vitivinícola.

Os Fenícios e os Gregos trouxeram do Próximo-Oriente algumas castas de uvas, por considerarem o clima ameno e as terras das encostas da Arrábida propícias para o cultivo da vinha.

Em 1381, a Inglaterra importa vinho de Portugal, nomeadamente de Setúbal e, no ano de 1675, existem referências à exportação de 350 barricas de Moscatel de Setúbal.

A Península de Setúbal é pois uma região pioneira na elaboração de produtos vinícolas de reconhecida qualidade, como é o caso do Moscatel de Setúbal, vinho generoso cuja área produtiva se encontra delimitada desde 1907, apesar da sua produção ser bastante anterior.

Na região existem dois tipos de Moscatel, o branco e o roxo, elaborados, respectivamente, através das castas Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo. Estes vinhos só podem ser engarrafados após 18 meses de estágio.

As principais castas dos vinhos de Setúbal

Castelão

É a principal casta de encepamento tinto da região da Península de Setúbal. Produz vinhos bem estruturados, com taninos muito macios e harmoniosos. De cor intensa e aroma cheio, onde predominam os frutos do bosque e do montado. Com o envelhecimento amaciam, tornando-se mais elegantes.

Fernão Pires

Actualmente, a Fernão Pires é uma das castas brancas mais plantadas na Península de Setúbal. Os vinhos brancos D.O. Palmela são vinhos frescos, com estrutura equilibrada, aroma frutado e paladar elegante. Por outro lado, os brancos com indicação geográfica Península de Setúbal (ex-Terras do Sado), apresentam-se geralmente com boa acidez, extremamente aromáticos e por vezes intensamente florais.

Moscatel de Setúbal

As uvas Moscatel de Setúbal apresentam uma dupla aptidão.

Para além de uma fruta saborosa, constituem a base do prestigiado vinho generoso “Moscatel de Setúbal”, um dos mais antigos e famosos vinhos mundiais que em 2008 comemorou o Centenário da Região Demarcada.

Este vinho D.O. Setúbal é um vinho generoso de excelente qualidade produzido a partir de uva branca. É caracterizado pelo seu peculiar sabor e qualidade aromática inconfundível, resultante das características da casta e das condições edafo-climáticas.

De cor dourada, do topázio claro ao âmbar, tem um aroma floral exótico com toques de mel, tâmara e laranja que evolui com a idade para notas de frutos secos, passas e café.

Moscatel Roxo

Esta casta permite obter um Moscatel diferenciado, de produção limitada e excelente qualidade.

Vinho de grande complexidade aromática, é extremamente equilibrado na boca, permitindo obter a frescura de um vinho intenso, apresentando aromas e sabores muito complexos de laranja amarga, passa, figo e avelã.

A principal diferença face ao Moscatel de Setúbal reside na casta rosada utilizada na sua produção, sendo a única recomendada para os vinhos generosos tintos D.O. Setúbal.

Para se obter este precioso néctar, 85% do mosto tem que ser da casta Moscatel Roxo que, apesar de diminuta na região, verifica um crescente interesse demonstrado pelos produtores, sendo fonte de esperança para a sua conservação.

Texto: Folheto de divulgação da Rota de Vinhos da Península de Setúbal | Imagem

Vinhos da Bairrada | Vinhos de Portugal

Vinhos da Bairrada

A Região Demarcada da Bairrada foi consagrada em 1979, embora alterada em 1991, para abarcar novas denominações, dispondo de cerca de 20 mil hectares de vinhas que produzem entre 450 e 550 mil hectolitros por ano.

Mais de 90 por cento desta produção refere-se aos vinhos tintos, o que revela bem o domínio destes encepamentos.

A colheita de 1988 foi a que ofereceu melhores vinhos, desde a criação da região demarcada, embora parca na quantidade.

A verdadeira catedral dos vinhos da Bairrada é o Palace Hotel do Buçaco. As suas caves são fruto de uma cuidadosa procura dos melhores vinhos dos lavradores locais.

Estes vinhos são objecto de um acompanhamento cuidadoso, quer no estágio em tonéis de madeira quer no envelhecimento em garrafa. Mas esses vinhos só podem ser consumidos nos hotéis da cadeia a que pertence o Palace Hotel. (…)

Tintos e brancos

Há quem considere que a denominação Bairrada deriva da existência de um número imenso de povoações chamadas Bairro (antigo barrio), e que estas derivam da ocorrência de muitos «barros» ou terrenos argilosos. E são estes terrenos o substracto para os melhores vinhos tintos bairradinos.

Mas também ocorrem terrenos arenosos, mais próprios para os vinhos brancos, e já hoje a Bairrada apresenta excelentes brancos, alguns dos quais até suportam bem o envelhecimento.

É também nesta região que, desde finais do século passado [séc.XIX], se desenvolveu a produção dos espumantes naturais pelo método champanhes, ou seja, pela segunda fermentação em garrafa.

Os apreciadores podem encontrar bons espumantes naturais bairradinos, (…).

Castas diversas

Para os brancos, os encepamentos instalados em terrenos arenosos são os tradicionais, com as castas Maria Gomes e Bical, pontuadas por um pouco de Cercial e Cercialinho.

Nos tintos, é a casta Baga que domina, encontrando-se as videiras instaladas em terrenos argilosos calcários (margas calcárias).

Embora a Bairrada seja essencialmente uma região de vinhos tintos, alguns brancos não desmerecem (…).

In GUIA Expresso O Melhor de Portugal – nº6 | Foto

Conheça os vinhos de outras regiões de Portugal.

Vinho da Madeira | Vinhos de Portugal

Vinho da Madeira (Vinho Fino)

A fama mundial do Madeira ultrapassa a ilha.

Após o descobrimento, cabia aproveitar a terra nova. Se os exploradores, medrosos dos bichos, incendiaram a ilha, que ardeu anos a fio, coube ao infante D. Henrique ordenar o plantio das primeiras cepas, em 1455. Indirectamente, dava-se início ao que viria a ser importante ciclo económico madeirense, a par dos do açúcar e do turismo, a seu tempo.

Ponto inevitável de passagem atlântica em todas as rotas e épocas navais, o Funchal passou a ser demandado por frotas que desejavam abastecer-se. Faziam bicha de espera, e ficou na história o comboio de 96 navios que embarcou mais de 3000 pipas com destino às Índias Ocidentais.

Um dos elementos característicos do Madeira foi exactamente «descoberto» por causa das longas rotas e passagens a Sul: um carregamento que não chegou a ser entregue andou passeando pelos trópicos.

No regresso reparou-se que aqueles ares e o balanço do barco tinham emprestado à bebida uma qualidade peculiar. Passou a ser usual os comerciantes mandarem os seus vinhos «darem uma volta» para garantirem maior graduação e doçura.

Presente em grandes momentos históricos e em páginas imorredoiras da literatura internacional, o Madeira também marcava presença nas garrafeiras reais.

É na encosta do Estreito de Câmara de Lobos que mais se produz, mas outras regiões das duas costas dão também o seu contributo.

Das dezenas de castas que se podem referenciar, hoje as mais importantes são

– o Sercial (seco, fresco e aromático);

– o Verdelho (meios seco, consistente e equilibrado no paladar);

– o Bual (meio doce, de sabor requintado e aroma penetrante);

– e o Malvasia (doce, cor escura, maduro). (…)

In GUIA Expresso O Melhor de Portugal – nº6 | Imagem de Anita Menger 

Vinhos do Alentejo | Vinhos de Portugal

Vinhos do Alentejo

Não fora a Guerra e a política do Estado Novo de querer transformar o Alentejo no «Celeiro de Portugal», esta vasta peneplanície talvez pudesse ser hoje a mais famosa zona vinícola do mundo.

Talvez até pudesse hoje produzir quantidades suficientes para abastecer mercados emergentes como o da China, onde muita gente sabe que o vinho português é excelente. Sabia que a associação fonética com que em chinês se designa Portugal contém o ideograma correspondente a vinho?

Também na China alguns até conhecem as maravilhas dos néctares alentejanos, mas onde a nossa produção não chega, nunca chegou, em quatrocentos anos de relações comerciais.

A actual retoma na produção vinícola e a dolorosa constatação da incapacidade das terras alentejanas para a produção cerealífera talvez possam contribuir para tirar o Alentejo do marasmo económico em que caiu. (…)

Em boa verdade, uma grande parte das terras alentejanas revelam composição que as torna claramente indicadas para o plantio da vinha. Associada ao clima tipicamente mediterrânico, esta característica leva muitos forasteiros a quedarem perplexos perante a quase total ausência de vinha.

Mesmo para o leigo, parece óbvio tratar-se de uma região que teria tudo a ganhar com a florestação e com a produção vinícola. Porque não acontece assim? Vá-se lá saber. A verdade é que todas aquelas extensões de terrenos xistosos, à míngua de água, continuam dedicados à produção de cereais para a qual não dispõem de adequação.

Para vermos em que condições de rentabilidade essas culturas decorrem, basta percorrê-lo e observar a pobreza das suas gentes.

Em contraste, nas zonas onde se procedeu, nos últimos anos, ao plantio e à renovação de vinhas, a qualidade do produto extraído garante um rendimento aceitável aos agricultores. (…)” 

In GUIA Expresso O Melhor de Portugal – nº6 (texto editado e adaptado)

A História dos Vinhos do Alentejo

“A história do vinho e da vinha no território que é hoje o Alentejo exige uma narrativa longa, com uma presença continuada no tempo e no espaço, uma gesta ininterrupta e profícua que poucos associam ao Alentejo.

Uma história que decorreu imersa em enredos tumultuosos, dividida entre períodos de bonança e prosperidade, entre-cortados por épocas de cataclismos e atribulações, numa flutuação permanente de vontades, com longos períodos de trevas seguidos por breves ciclos iluministas e vanguardistas.

É uma história faustosa e duradoura, como o comprovam os indícios arqueológicos presentes por todo o Alentejo, testemunhas silenciosas de um passado já distante, evidências materiais da presença ininterrupta da cultura do vinho e da vinha na paisagem tranquila alentejana.

Infelizmente, por ora ainda não foi possível determinar com acuidade histórica quando e quem introduziu a cultura da videira no Alentejo. O que se sabe, sim, é que quando os romanos aportaram a terras do sul de Portugal, ao território que é hoje o Alentejo, a cultura do vinho e da vinha já faziam parte dos hábitos e tradições das populações locais.

Presume-se que os tartessos, civilização ibérica herdeira da impressionante cultura megalítica andaluza, terão sido os primeiros e principais propulsores da domesticação da vinha e posterior introdução do vinho na região.” Ler+

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Vinho do Porto é produzido na Região do Douro

O Vinho do Porto

O Vinho do Porto é o resultado de um acidente enológico. Tal como o conhecemos hoje, não chega a ter 180 anos. Apesar de tão curta idade, é já um dos vinhos mais famosos e apreciados e o primeiro no mundo a ter origem numa região demarcada.

Qualificado como generoso, o Porto é, por definição, um vinho encorpado, doce e com elevado teor alcoólico. Fez as delícias dos salões ingleses no início do século [XX] e chegou a ser a principal fonte de receitas do nosso comércio externo.

Conta-se que um acidente enológico ocorrido em 1820 terá estado na origem de mudanças substanciais no processo de elaboração dos vinhos do Douro, ao ponto de provocar evoluções sucessivas que viriam a desembocar em algo parecido com o que hoje conhecemos como vinho do Porto.

Porém, não é menos verdade que foram as exigências colocadas pelo transporte para Inglaterra, o particular gosto dos consumidores britânicos e a necessidade de dar resposta às exigências do mercado a suscitar algumas mudanças decisivas.

A colheita de 1820 e o especial clima que a antecedeu apenas terão, de forma involuntária, revelado o vinho que, sem o saberem definir, todos procuravam: um vinho marcado por uma importante presença de açúcar e de álcool, forte e encorpado. O vinho do Porto.

Do “vinho de Lamego” ao “vinho do Porto”

No séc. XVI o vinho ainda é «de Lamego». Apenas em meados do séc. XVII aparecem referências ao vinho do Douro e muito raramente ao vinho do Porto.

O comércio com Inglaterra já era significativo, mas subsistiam grandes confusões quanto à origem daquele vinho seco, sem açúcar, com mais álcool que os vinhos de consumo modernos, mas menos que os actuais vinhos do Porto.

Os ingleses chamavam-lhe indistintamente «Red Portugal» ou «Lisbon Wine» e quase consagraram uma designação que, a ter sido seguida, seria fonte de polémicas bairristas. Afinal o nome não foi usurpado e «Port Wine», reconheça-se, soa mais elegante, mais fino, mais de acordo com a nobreza do néctar arrancado às encostas do Douro.

Mais que uma dádiva da natureza, o vinho do Porto é uma criação do homem. Ao longo dos anos o vinho foi construído à medida da transformação das encostas durienses. O homem construiu milhares de quilómetros de socalcos. Plantou, enxertou, voltou a plantar, experimentou até à exaustão, podou as vides e criou novos processos de armazenar e envelhecer o vinho.

Não por acaso, costuma dizer-se que foi o vinho a fazer o Douro. Foram as necessidades de protecção dos produtores a originar a criação da primeira região demarcada do mundo.

Tudo porque nos últimos anos do séc. XVII e primeira metade do séc. XVIII se assistiu ao desenvolvimento das exportações e ao crescimento dos vinhedos em todo o país, com enormes oscilações de preços.

Em meados do séc. XVIII o vinho estava muito mal cotado e as exportações entraram em declínio.

A crise na região do Douro

Estala a crise no Douro. Em 1754, as casas exportadoras inglesas resolvem não comprar vinho à lavoura. O ambiente tolda-se. Grandes casas senhoriais vêm-se próximas da ruína.

Os produtores estão desesperados e decidem, em 1756, avançar para a criação da Companhia Geral de Agricultura dos Vinhos do Alto Douro que, como medida de protecção, decide criar a primeira região demarcada da história das regiões produtoras de vinho.

Definida a região, não significa isto que no Douro só se produza vinho do Porto. Também de lá saem bons vinhos de mesa, originários das mesmas quintas e, quantas vezes, das mesmas castas que dão origem ao Porto. (…)

As aguardentes vínicas têm um papel decisivo na elaboração do vinho do Porto. Ao interromper a fermentação, conservam o teor de açúcar e elevam de forma substancial o teor de álcool. Nos primeiros tempos, uma pipa de 550 litros não levava mais de 20 litros de aguardente. Hoje, uma pipa de Porto contém entre 100 e 130 litros de aguardente e o vinho pode atingir os 21 graus de teor alcoólico.

Embora esteja vulgarizada a designação «Vinho do Porto» para o vinho fino concebido no Douro, existem diversas qualidades de vinhos, produzidos a partir de castas distintas, que se diferenciam pelo seu processo de envelhecimento.

Os tipos de Vinho do Porto

Só uma pequena parte dos vinhos é envelhecida, durante anos ou décadas, em garrafa. Estima-se que 90 por cento do total da produção amadurece ao longo de vários anos em cascos de madeira. Estes vinhos podem ser:

Ruby – É por norma comercializado com três anos. Apresenta uma cor rubi.

Tawny – É o mais divulgado dos vinhos do Porto. Antes de chegar à garrafa passa por cinco anos de envelhecimento em cascos de carvalho. O tempo leva-o a perder a cor roxa original para lhe conferir uma tonalidade dourada. Divide-se em tawny com indicação de idade e tawny com indicação da data da colheita.

Estilo Vintage – Resulta de um lote de várias colheitas. Pode ser bebido logo após o engarrafamento.

Crusted – Depois de envelhecido em casco durante dois ou três anos, deve passar três ou quatro anos na garrafa.

Late Bottled Vintage (LBV) – Só se consegue com colheitas de boa qualidade. Passa entre quatro a seis anos em cascos antes de ser engarrafado, o que lhe retira parte da primitiva cor intensa. A sua estrutura permite-lhe envelhecer durante muitos anos na própria garrafa.

Vintage – É o resultado de excepcionais condições climáticas, que ocorrem apenas três ou quatro vezes por década. Só uma quantidade muito reduzida de mostos – nunca mais de cinco por cento – é escolhida para os «vintages».

As empresas seleccionam os melhores lotes das melhores quintas, geralmente situadas nas zonas mais quentes e secas da região, no Cima Corgo e no Douro Superior. O extremo rigor e exigência na selecção e preparação fazem com que o «vintage» seja o expoente máximo da vitivinicultura e da enologia durienses.

in GUIA Expresso O Melhor de Portugal – nº6 (Texto editado)

 

Vinhos do Douro | Vinhos de Portugal

Vinhos do Douro

Nos dias que correm, muitas regiões demarcadas começam a ficar maculadas pela acção de produtores e distribuidores que preferem o lucro fácil e imediato à preservação de um elevado nível de qualidade que garanta a perenidade de um rendimento merecido. Há quem se lamente que, «quando a procura de um vinho aumenta, se faça vinho de tudo, às vezes até das uvas da região».

Não é o caso dos vinhos do Douro. Seja pelo facto de a região continuar a produzir uma quantidade de vinho suficiente para a procura, logo sem ter necessidade de baptizar os seus vinhos com uvas de outras regiões menos dotadas, seja por se tratar de uma região onde a tradição de respeito pelo vinho, pelo bom vinho, é quase tão ancestral como o próprio vinho.

A verdade é que o Douro é hoje quase a única região cujos vinhos podem ser escolhidos com a certeza de não se ter «gato por lebre», ou zurrapa em vez de líquido honesto. (…)

É nos contrafortes da Serra do Marão, quando esta começa a ajoelhar-se em socalcos perante o Douro, que medram as cepas que nos oferecem dos melhores vinhos de mesa do país. (…)

São vinhos que nascem neste palco em degraus, onde se representa o maior drama da vida rural portuguesa: a lavra da vinha do Douro. O ciclo do vinho ocupa aqui o cerne de todas as canseiras que marcam a sucessão das estações do ano para as gentes de Trás-os-Montes e Alto Douro.

A azáfama das vindimas no Douro

Em especial a azáfama colorida das vindimas quando, no final do Verão, as encostas começam a trocar o verde profundo pelas tonalidades amarelas e acastanhadas que acompanham e assinalam o amadurecimento da uva.

O momento em que se aproxima o culminar de um encadeamento de actos de uma cultura ancestral, quando as passadas esforçadas, acima e abaixo naquelas encostas íngremes, prenunciam a chegada do cálido tinto ou do fresco branco ao copo do provador. (…)

A conjugação das características morfológicas, geológicas (ou litológicas, melhor dito), climatéricas e agrícolas da região duriense deu origem a um ambiente muito particular. Ambiente que o vinhateiro soube, ao longo de séculos de adaptação, aproveitar para fazer evoluir a qualidade do seu produto final: o vinho.

Felizmente para os apreciadores de bom vinho, a procura não justifica o desvio de toda a produção para ter como destino o generoso vinho do Porto. Pois a verdade é que praticamente todos os vinhos do Douro possuem as condições essenciais para deles se fazer vinho fino, ou do Porto.

Este «ouro líquido», que «come pedras e bebe sol», transforma uma região agreste e montanhosa numa das mais ricas do país.

Tendo sido a primeira região do mundo a ser delimitada como região demarcada de vinhos, em 1756, ocupa a maior parte do vale do Douro e dos vales de embocadura dos seus afluentes entre Barca d’Alva e Barqueiros.

Grande parte dos vinhos do Douro são produzidos e comercializados por empresas sedeadas em Vila Nova de Gaia. (…)

In GUIA Expresso O Melhor de Portugal – nº6

 

A Vinha e os Vinhos Verdes | Vinhos de Portugal

Sobre a Vinha e os Vinhos Verdes

Desde a Antiguidade que a cultura da vinha tem grande importância e influência nesta Região, tanto no aspecto socio-económico como paisagístico. Apontamentos literários e vestígios arqueológicos indicam que esta cultura já existia durante a ocupação Romana no séc. III a.C..

Segundo o Prof. Fregoni – citado por Duarte Amaral – foram homens naturais da Toscana integrados nas legiões romanas que terão introduzido no Minho a forma de condução da vinha em enforcado. Uma doação do Rei Ordonho, de 915, à Igreja de S. Tiago (hoje freguesia da Correlhã, Ponte de Lima) refere vinhas nesses domínios.

Sabe-se que na segunda metade do séc. XIV saíam pela barra de Viana e com destino a Inglaterra, conjuntamente, os vinhos tintos de Monção e da Ribeira-Lima. Mais recentemente, nos finais do séc. XIX e em consequência da catástrofe vitícola europeia provocada pela filoxera, foram exportados para Bordéus vinhos da Ribeira-Lima.

Tipos de condução da videira

A videira, planta trepadora, tem utilizado nesta Região, ao longo dos tempos, vários tipos de condução, dos quais se destacam os seguintes:

– Enforcado – tem por suporte um tutor vivo, árvore (de fruto ou madeira) onde a folhagem se entrelaça numa quase simbiose.

– Festão e Arjoada – as videiras expandem-se livremente num ou vários arames horizontais dispostos a diversas alturas sustentados em tutores vivos.

– Ramada – tem por suporte um tutor inerte (pedra, madeira, ferro, arame) desenvolvendo-se a folhagem num plano paralelo ao solo, a altura variável, formando autênticos corredores. Nestes casos, as videiras ocupam as bordaduras das parcelas, deixando livre o restante terreno para outras culturas.

– Cruzeta – tem por suporte tutores inertes em forma de cruz, ligados entre si por dois arames paralelos onde correm as videiras.

– Cordões – constituído por um conjunto de postes dispostos em linhas paralelas, ligados entre si por um arame onde corre o eixo da videira e/ou outros acima deste que suportam a vegetação.

Estas duas formas utilizam-se em vinhas contínuas, a primeira a partir da década de 60 e a segunda de 80, dando resposta às necessidades de mecanização da cultura e maior eficiência nos tratamentos e na exposição solar.

A Região dos Vinhos Verdes

A Ribeira-Lima faz parte de uma Região Demarcada, aliás a segunda maior do Mundo, denominada Região dos Vinhos Verdes onde se produzem vinhos tintos e brancos com características muito especiais e únicos no Mundo.

Esta zona, pelas suas características naturais de solo e clima, pelas castas que possui e formas de condução praticadas, aliadas ao espírito laborioso das suas gentes, produz vinhos muito diferentes mas todos com características comuns, medianamente alcoólicos, ligeiramente ácidos, refrescantes e frutados.

As castas regionais dos vinhos verdes

Os vinhos resultam da vinificação de uvas perfeitamente maduras de castas regionais onde, nos brancos, o Loureiro tem representação especial pela sua magnífica adaptação à zona, por dar origem a vinhos muito apreciados pelo aroma pelas suas boas qualidades organolépticas.

Também se cultivam a Trajadura e a Pedernã e outras, em áreas mais circunscritas, como a Cainho de Moreira, Esganoso do Lima, S. Mamede e a Branco Lameiro, que produzem vinhos de grande qualidade e muito apreciados.

Estas castas, de uma maneira geral, dão origem a vinhos de cor citrina palha com limpidez de cristal, acídulos, aroma frutado e delicado, podendo distinguir-se notas florais, evoluindo para aromas de carácter amendoado e mel, o que lhe dá complexidade, estrutura untuosa e persistência.

Quando jovens, são agradáveis para serem servidos como aperitivo, acompanham bem pratos de peixe, mariscos, doçaria. Num estádio mais avançado de evolução, são apropriados para acompanhar pratos de peixe mais elaborados, consomes, frutos secos… São, no fundo, vinhos para beber com prazer ao longo do ano, mas é nos meses mais quentes que se apreciam com maior agrado.

No tinto é a casta Vinhão que tem maior expressão. A Borraçal, Verdelho, Espadeiro e Doçais emprestam aos vinhos sabores peculiares.

São de cor intensa, com uma diversidade do vermelho rubi intenso ao retinto, perfumados a frutos silvestres, onde domina a amora e framboesa, dadas pelo Vinhão e nuances de aroma a especiarias, característico da casta Verdelho. São para acompanhar pratos fortes, típicos desta Região, como sarrabulho, lampreia, sardinha, bacalhau e carnes vermelhas.

A Ribeira-Lima

A Ribeira-Lima tem 7540 viticultores com uma área de 3832 ha e uma produção de 171692 hl (14,5% da produção da Região Demarcada) correspondente a 14,3% do VAB das agro-florestais. Em termos globais, há paridade entre a produção de brancos e tintos.

Uma elevada percentagem é laborada nas três Adegas Cooperativas — Ponte de Lima, Ponte da Barca e Viana do Castelo — com maquinaria e tecnologia actualizada.

Pedro Malheiro – “Vale do Lima – um rio dois países”  | ADRIL – Associação do Desenvolvimento Rural Integrado do Lima | Imagem de destaque

Vinhos de Portugal: origem e proveniência

Vinhos de Portugal

“Das uvas escolhidas na região demarcada podiam fazer-se quatro tipos básicos de vinho:

– o vinho de mesa (o consumo),

– o moscatel,

– o vinho fino (o tratado)

– e o vinho do Porto.

Os primeiro três produziam-se integralmente na Região Duriense.” (A. L. Pinto da Costa, “Alto Douro, terra de vinho e de gente”)

Mas, pelos país fora, há muitos outros e bons vinhos…

Açores

Na ilha do Pico existe uma adega cooperativa que vinifica quase exclusivamente todo o vinho branco, obtido das castas Verdelho, Arinto e Fernão Pires, é fresco, leve, seco e frutado.

Igualmente é laborado um vinho branco à base de Verdelho, que é seco, com uma graduação alcoólica entre os 15 e os 17 graus, com características organolépticas excelentes para aperitivo. No século passado alcançou grande prestígio internacional, pois era muito apreciado na Corte Russa.

Alentejo

A cada região correspondem tipos de vinhos com características organolépticas diferenciadas, salientando-se os

– tintos de Reguengos de Monsaraz,

– os brancos da Vidigueira

– e os brancos e tintos produzidos em Portalegre, Redondo, Borba e Granja.

O prestígio e a originalidade destes vinhos é resultante dos processos tradicionais de vinificação.

De um modo geral, tanto os mostos brancos como os tintos fermentavam em curtimenta em patamares ou talhas de barro, onde a fermentação podia atingir temperaturas da ordem dos 35 graus.

A guarda ou o armazenamento dos vinhos era efectuada em tonéis ou talhas de barro, que ainda hoje se podem ver em algumas adegas particulares.

Bairrada

Surgem-nos as vinhas no meio das casas ou escondidas pelos pinhais.

A Bairrada, cujo nome advém do facto da constituição dos seus solos, de um vermelho vivo muito argiloso, é uma zona de localização privilegiada entre o Vouga e o Mondego, a meio caminho entre o Porto e Lisboa. Desde há muitos anos é local conhecido de fartas e gulosas celebrações gastronómicas.

Os seus tintos taninosos e ricos de cor resultam em óptimas reservas que melhoram progressivamente com o envelhecimento. Os brancos são frescos e acídulos e os melhores entre eles envelhecem com dignidade.

Beira Interior

No mais dentro de Portugal, entre serras e fráguas, nascem alguns dos vinhos brancos mais atraentes do país. E nascem também tintos rubis, abertos, aromáticos e leves.

As castas dominantes

– para os brancos são: Codo ou Síria, Arinto-do-Dão. Arinto-Gordo e Fontecal. Pérola. Rabo-de-Ovelha,

– e para os tintos: Bastardo, Marufo, Rufete, Touriga Nacional, Jaen e Tinta Amarela.

Dão

É entre as serras da Estrela, Caramulo, Nave, Lousã e Açor e o canto das águas do Mondego e do Dão que nascem os brancos e os tintos da região.

Datada de 1912 (ou 1908) esta região, de condições excepcionais para a produção de vinho, que advém do diálogo resultante das envolventes da região – as serras e o Atlântico – produz alguns dos melhores vinhos nacionais e é uma região com um grande potencial de desenvolvimento.

O tinto, de cor rubi, espirituoso de aroma delicado e sabor aveludado, é o vinho típico desta região, se bem que produza também excelentes brancos, leves, frutados e altamente aromáticos.

O Dão tinto evolui de um rubi para um vermelho-acastanhado prova já da experiência do tempo, acentuando a característica aveludada do seu sabor.

Douro

A região do Douro recebeu a sua primeira demarcação em 1756, pelas mãos do Marquês de Pombal, adquirindo ao longo dos anos um lugar de destaque entre as regiões.

Considerada como uma das mais grandiosas e belas paisagens vinhateiras do mundo, o Douro apresenta-se como um anfiteatro gigante de xistos e videiras, uma das mais prolíficas regiões produtoras de vinhos em Portugal.

É rigorosa na utilização das castas recomendadas, cujo peso no encepamento nunca deve ser inferior a 60%.

Também rigorosa na atribuição da denominação de origem, que só acontece quando os vinhos são engarrafados com o estágio mínimo de 18 meses para os tintos. estes vinhos tintos são carregados de cor com aromas a uvas maduras e encorpados e 9 meses para os brancos.

Esta região produz para além de vinhos do Porto e brancos e tintos de mesa, vinhos rosados, espumantes naturais, aguardentes velhas e bagaceiras que completam a sedutora palete vinícola desta região.

Saber mais sobre os vinhos do Douro.

Denominações de Origem dos Vinhos Portugueses

Denominações de origem dos vinhos portugueses

«Pelo seu ditoso clima, Portugal possue condições em extremo favoraveis ao desenvolvimento da videira, que apresenta ao mesmo tempo muitas variedades, conforme as regiões:

na de entre-Douro-e-Minho, mais fria, e de solo granítico, medra quasi exclusivamente a videira de vinho verde, conquanto a região do vinho verde seja mais extensa1;

na parte média da bacia do Douro, paleozoica (pre-cambrica) e com declives extensamente assoalhados, medra a videira do vinho generoso;

entre o Dão e o Mondego, em terrenos graniticos, medra a videira do vinho conhecida com o nome do primeiro d’estes rios;

na Estremadura Cistagana, em terreno mesozoico, medra a videira do vinho de Torres;

em pleno coração do Alentejo, quente e sêco, medra a videira do vinho de Borba e de Pera manca;

no Algarve, região de estios calidos, e bafejada pelos ventos de Africa, medra a videira do vinho da Fuseta.

Temos ainda outras regiões vitiferas que dão origem a vinhos notaveis: Bairrada, na Beira Ocidental, Colares, Bucelas, Carcavelos, na Estremadura Cistagana.» (foi mantida a ortografia original)

A região do Vinho Verde

(1) Nos termos da Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908, publicada no Diario do Governo nº215, a região do vinho verde é formada

– pelos distritos administrativos de Viana do Castelo e Braga,

– e pelos concelhos Mondim de Basto, no de Vila Real;

– de Santo Tirso, Vila do Conde, Povoa do Varzim, Bouças, Maia, Valongo, Paredes, Paços de Ferreira, Lousada, Felgueiras, Penafiel, Amarante, Marco de Canaveses, Baião e Vila Nova de Gaia, no do Porto;

– Castelo de Paiva, Macieira de Cambra, Arouca, Ovar, Feira, Oliveira de Azemeis e Estarreja, no de Aveiro;

– e Oliveira de Frades, Vouzela e S. Pedro do Sul, no de Viseu. (foi mantida a ortografia original)

In Etnografia Portuguesa – Tentame de sistematização, Vol.II, Dr. J. Leite de Vasconcelos | Texto editado

Dizem que « (…) um acidente enológico ocorrido em 1820 terá estado na origem de mudanças substanciais no processo de elaboração dos vinhos do Douro, ao ponto de provocar evoluções sucessivas que viriam a desembocar em algo parecido como o que hoje conhecemos como vinho do Porto.

Porém, não é menos verdade que foram as exigências colocadas pelo transporte para Inglaterra, o particular gosto dos consumidores britânicos e a necessidade de dar resposta às exigências do mercado a suscitar algumas mudanças decisivasIn “O melhor de Portugal” – Guia EXPRESSO”