Provérbios sobre as aves e outros animais

Um conjunto muito interessante de provérbios sobre as aves e outros animais   

» A abelha conhece quem a trata vem; e, farta, não ferra ninguém.

» Uma andorinha não faz a Primavera.

» Boi velho: rego direito.

» Borboleta branca: Primavera franca.

» Burro velho: albarda nova.

» Quem assobia não guarda cabras.

» Cão que ladra não morde.

» Um carneiro não turra só.

» Cavalo que voa não quer espora.

» No dia de S. Brás, cegonhas verás.

» Cobra que quer morrer, à estrada vem ter.

» Diz a cotovia: pôs-se o Sol, findou-se o dia. Diz o pardal: por mais um pouco, não fiques mal.

» Segue a formiga se queres viver sem fadiga.

» Gaivotas em terra: tempestade no mar.

» Galo que a desoras canta: faca na garganta.

» A galinha que canta é a dona dos ovos.

» Gato com luvas não caça ratos.

» Quando ao gavião cai pena, não há mal que lhe não venha.

» Onde nasce a lagarta, aí se farta.

» Entrada de leão, saída de cão.

» A lebre, em Janeiro, está na cama ou no lameiro.

» Leitão de mês, cabrito de três.

» Lobo não come lobo.

» Macaco velho não põe pé em ramo seco.

» Quando cantam os melros, calam-se os pardais.

» Cada mocho, em seu souto.

» Ovelha ruiva, como faz, cuida.

» Papagaio velho não aprende a falar.

» O primeiro milho é dos pardais.

» Pássaro que na ribeira se cria sempre por ela pia.

» Casa feita, pega morta.

» Perdiz derreada perdigotos guarda.

» Porcos e gado de bico não fazem o dono rico.

» Quem dorme quente pulgas não sente.

» A raposa tem sete manhas.

» Rato que só tem um buraco depressa é apanhado.

» À rola e ao pardal não engana o temporal.

» Quando o sapo salta, a chuva não falta.

Fonte: Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro – Joaquim Alves Ferreira, IV Volume, 1999 | Imagem

Provérbios regionais do Alto Douro | Ditados populares

Provérbios do Alto Douro

A orientação popular nunca ligou a instrumentos. É ciência artesanal, a olho nu.

Lamego, Vila Real e o Marão foram, todos os três, os quatro pontos cardeais da Régua rural e mais idosa.

O almanaque dos Provérbios anda aí, na linguagem popular, envergonhado, como um saloio na capital.

Céu escuro previne mau tempo conforme o horizonte: “De Lamego, mete medo, do Marão, só faz mal aos que lá estão; de Vila Real não é que vem o mal“.

O nosso horizonte negro de chuva, cobre Lamego que o mapa nos coloca viradinhos ao Sul, mas a pouca distância da mesma nuvem: “Está em Lamego? … Já está no pêlo“.

O tempo de nevoeiro baixo e de ar pesado fornece alguns provérbios como este: “Nevoeiro no Douro, chuva no couro“.

Mais indulgente, o Marão deixa-nos o benefício da dúvida: “Vento do Marão, a chuva virá ou não“.

O povo das romarias conhece as datas e o programa: “Cinzas em Lamego, Corpo de Deus em Vila Real“.

Os provérbios ficam…

Infelizmente algumas festas perderam o seu folclore, mas o provérbio ficou como memória ou epitáfio.

O provérbio regional de qualquer área não poupa o bom nome dos habitantes de algumas terras. Na maior parte dos casos são expressões injustas que nasceram e se mantém por rivalidade entre vizinhos.

Abaças, Sedielos e Valdigem, por exemplo e na nossa área, são vítimas de expressões muito duras que a sua fidalguia e simpatia não mereciam.

Qualquer Provérbio é tradição (“foi-nos trazida“) genuína de todos os povos.

Já a Sagrada Escritura, no Velho Testamento, tem nos “Provérbios” um dos seus livros mais interessantes, se no sagrado é possível comparação.

Os Romanos foram os geniais criadores dos ditados latinos. Quase como eles, os povos orientais, sobretudo os Chineses, e até certas civilizações africanas, oferecem-nos sentenças magníficas.

Tudo isto, porque os Provérbios são a “sabedoria das nações”. Quem o disse acertou.

O Alto Douro deveria juntar os seus num livro.

Ditados regionais são parte do nosso património que se não devia deixar perder. Porque o Provérbio é ainda, na nossa Região, coloquial diário na Linguagem Popular mais velha e rural.

Fonte: “Subsídios Históricos e Etnográficos do Alto Douro”, Pe Luís Morais Coutinho (texto editado e adaptado)

Provérbios relacionados com a religião        

Provérbios sobre religião

Os provérbios ou ditados populares são elementos de sabedoria popular que transmitem conhecimentos comuns sobre a vida do dia-a-dia, às vezes contraditórios, pois a “verdade” a que dizem respeito não pode ser separada da comunidade sócio-cultural que lhe deu origem.

Abaixo, uma listagem de provérbios e ditados populares sobre a religião, recolhidos na região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Provérbios

» A quem Deus quer bem, ao rosto lhe vem.

» A quem Deus quer bem, água da fonte é mezinha.

» Vale mais quem Deus ajuda do que quem muito madruga.

» A quem nada tem, Deus o mantém.

» De hora a hora, Deus melhora.

» A quem se muda, Deus o ajuda.

» A quem não fala, não ouve Deus.

» Quem com Deus anda, Deus lhe alumia.

» Quem erra e se emenda a Deus se encomenda.

» Deus nos faça ricos com o que temos.

» Deus nos livre de bocas abertas e de coisas que não são certas.

» Quem é tolo pede a Deus que o mate e ao diabo que o leve.

» Telha de igreja sempre goteja.

» O futuro a Deus pertence.

» Deus escreve direito por linhas tortas.

» Deus se manifestará e tudo medrará.

» Quem dá aos pobres empresta a Deus.

» Deus dá as nozes mas não as parte.

» Deus dá o pão, mas não amassa a farinha.

» Para hoje, há; para amanhã, Deus dará.

» Deus dá a farinha e o diabo fecha o saco.

» Deus ajuda quem trabalha: é capital que não falha.

» Põe mão, que Deus te ajudará.

» Deus é bom trabalhador mas gosta que O ajudem.

» Ao menino e ao borracho põe Deus o dedo por baixo.

» Deus dá o frio consoante a roupa.

» Deus tem mais para dar do que o diabo para tirar.

» Gasta e dá, que Deus mandará.

» Deus dá a barba a uns e a vergonha a outros.

» Deus te dê o bem e a casa em que o tenhas.

» Quem dá, com Deus se parece.

Fonte: Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro – Joaquim Alves Ferreira, IV Volume, 1999 | Imagem de Mabel Amber

Provérbios populares sobre os amigos e a amizade

Provérbios  sobre os amigos e a amizade

Os provérbios ou ditados populares são elementos de sabedoria popular que transmitem conhecimentos comuns sobre a vida do dia-a-dia, às vezes contraditórios, pois a “verdade” a que dizem respeito não pode ser separada da comunidade sócio-cultural que lhe deu origem.

Abaixo, uma listagem de provérbios e ditados populares sobre os amigos e a amizade, recolhidos na região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

No final, transcrevemos uma fábula de Esopo* sobre este mesmo tema.

» Amigo de mesa não é de firmeza.

» Não me dês nada, mas mostra-me agrado.

» Amigo fiel e prudente é melhor do que parente.

» Amigo velho vale mais que dinheiro.

» Bom amigo é melhor do que parente ou primo.

» Amigo diligente é melhor que parente.

» Amigo verdadeiro, vale mais do que o dinheiro.

» A casa do teu amigo não vás sem ser requerido.

» Amigos de longe, contas de perto.

» As boas contas fazem os bons amigos.

» Amigos velhos, contas novas.

» Amigos, amigos, contratos à parte.

» Bom amigo: bom conselho.

» Conselho de amigo: aviso do céu.

» Quem me avisa meu amigo é.

» Quem do amigo despreza o aviso, é ingrato e falta de siso.

» Arrenego do meu amigo que me encobre o perigo.

» Ao amigo não encubras o teu segredo, para que não venhas a perdê-lo.

» Defeitos do meu amigo lamento-os, mas não os maldigo.

» Quem não te ama, na praça te difama.

» Nunca queiras do teu amigo mais do que ele quer contigo.

» Do amigo não esperes aquilo que tu puderes.

» Amigo não empata amigo.

» Amigos e caminhos, se não se frequentam, ganham espinhos.

» Aonde te querem muito, não vás muito a miúdo.

Uma fábula de Esopo* sobre a Amizade

Os Viajantes e o Urso

Um dia, dois viajantes encontraram-se, frente a frente, com um urso. O primeiro fugiu e salvou-se escalando uma árvore, mas o outro, sabendo que não ia conseguir vencer sozinho o urso, atirou-se ao chão e fingiu-se de morto.

O urso aproximou-se dele e começou a cheirar a cabeça e o pescoço, junto às orelhas. Convencido de que o viajante estava morto, foi-se embora.

O amigo que estava na árvore, depois de descer, perguntou-lhe:

– O que é que o urso te esteve a dizer?

– Ora, ele só me avisou para pensar duas vezes antes de voltar a viajar com pessoas que abandonam os amigos na hora do perigo.

Moral da história: A desgraça põe à prova a sinceridade e a amizade!

Esopo (Nessebar, 620 a.C. – Delfos, 564 a.C.) foi um escritor da Grécia Antiga a quem são atribuídas várias fábulas populares. A ele se atribui a paternidade das fábulas como género literário.

Fonte: Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro – Joaquim Alves Ferreira, IV Volume, 1999 | Imagem de Cheryl Holt

Provérbios e ditados populares sobre as profissões

Provérbios e ditados populares sobre as profissões

Os provérbios são elementos de sabedoria popular que transmitem conhecimentos comuns sobre a vida do dia-a-dia, às vezes contraditórios, pois a “verdade” a que dizem respeito não pode ser separada da comunidade sócio-cultural que lhe deu origem.

Abaixo, uma listagem de provérbios e ditados populares sobre as “profissões”, recolhidos na região de Trás-os-Montes e Alto Douro:

» Rodas e advogados, só andam se bem untados.

» Alfaiate, mal vestido; sapateiro, mal calçado.

» Almocreve cavaleiro não ganha dinheiro.

» Da muita neve se queixa o almocreve.

» Ama gorda, pouco leite.

» Barqueiro a barqueiro, não leva dinheiro.

» Fome de caçador, sede de pescador.

» Tapa, massa, enquanto o caldeireiro passa.

» Caldeireiro na terra: chuva na serra.

» Cesteiro que faz um cesto faz um cento se tiver verga e tempo.

» No tempo da tomateira não há fraca cozinheira.

» Mais vale bom estômago do que boa cozinheira.

» Quem faz a cozinheira ligeira é a boa fogueira.

» A criado novo, pão e ovo; a criado velho, pau e demo.

» Ao fim do ano, o criado parece-se com o amo.

E os advogados?

» Ao confessor e ao advogado não o tragas enganado.

» Ao confessor e ao advogado confessa o teu pecado.

» Dos enganos vivem os escrivães.

» Em má demanda, escrivão da minha banda.

» Estalajadeira à porta: poucos fregueses.

» Em casa de ferreiro, espeto de salgueiro.

» Nunca a boa fiandeira ficou sem camisa.

» Ninguém é [bom] juiz em causa própria.

» Quando o doente diz ai, o médico diz dai.

» Médico velho, cirurgião novo, boticário coxo.

» De médico e de louco todos temos um pouco.

» Erros de médico a terra os cobre.

» O melhor médico é o que se procura e não se encontra.

» Oleiro que faz a panela faz a tampa.

» Fraco é o padeiro que diz mal do seu pão.

» Pedreiro de Agarez põe uma pedra, caem três.

» Peixeira que não mente a bolsa lho sente.

» Pescador de cana come mais do que ganha.

» O poeta nasce, o advogado faz-se

» Quem se ensinou, sapateiro, a tocar rabecão?

Fonte: Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro – Joaquim Alves Ferreira, IV Volume, 1999 | Imagem de Marc Pascual 

 

Provérbios e ditados populares sobre medicina caseira              

Provérbios sobre medicina caseira

Uma listagem, muito interessante, de provérbios e ditados populares sobre a “medicina caseira”, e que foram passando de geração em geração, até aos nossos dias:

» Quem come a correr, do estômago vem a sofrer.

» Ao comer, nem um sobrescrito ler.

» Depois de comer, nem uma letra ler.

» Quem em Maio não merenda à morte se encomenda.

» Depois de jantar e depois de cear, passear.

» Quem ceia e logo se vai deitar má noite há-de passar.

» A ceia quer-se sem sal, sem luz e sem moscas.

» Quem bem ceia bem dorme.

» Ceia pouco: dormirás como um louco.

» Lombrigas e largas ceias têm as sepulturas cheias.

» Ao que demais come abre-lhe o garfo a cova.

» Se és velho e comilão, prepara o teu caixão

» Mais mata a gula que a espada.

» Quem come pouco aproveita muito.

» Come como são e bebe como doente.

» Conforme comemos, assim vivemos.

» Come bem e folga: terás vida longa.

» Não comas cru nem andes com o pé nu.

» Não comas quente: não perderás o dente.

» O peixe deve nadar três vezes: na água, no molho e no vinho.

» Peixe de Maio a quem o pedir dai-o.

» Pão tremês nem o comas nem o dês.

» Sável em Maio: maleitas todo o ano.

» Pão quente e vinho novo: homem morto.

» Sardinha em Abril: vê-la e deixá-la ir.

» Pão quente: muito na mão e pouco no ventre.

» Em Agosto, nem sardinhas nem mosto.

» Por S. Silvestre, bacalhau é peste.» Pão quente: nem a são nem a doente.

» Pão de ontem, carne de hoje e vinho do outro Verão fazem o homem são.

Sugestão: Provérbios relacionados com o vinho | Trás-os-Montes e Alto Douro

Outros provérbios sobre “medicina caseira”

» Comer até enfermar: jejuar até sarar.

» Come caldo, vive no alto, anda quente e viverás longamente.

» Quem com águas se cura pouco dura.

» Água fervida prolonga a vida.

» Onde sobeja a água, falta a saúde.

» Água gelada e pão quente fazem mal ao ventre.

» No Verão, torneira; no Inverno, padeira.

» Com caracóis e figos lampos, não bebas água.

» Malvas e água fria fazem um boticário num dia.

» A quem Deus quer dar a vida, água da fonte é mezinha.

» Não comas caldo de nabos nem o dês aos teus criados.

» Vinho turvo, figos verdes e pão quente são inimigos da gente.

» Um dia frio e outro quente põem o homem doente.

» Vinho verde em Janeiro é mortalha no telheiro.

» Vinho com melancia traz azia.

» Casa onde não entra o sol entra o médico.

» Vinho com melancia dá pneumonia. e bom cavalo.

» Se tens casa húmida, abre conta na botica.

» Tabaco e aguardente transformam o são em doente.

» Noite perdida nunca é restituída.

» Alho e limão são meio cirurgião.

» Laranja, antes do Natal, livra de catarral.

» Se queres teu homem morto, dá-lhe pepinos (ou couves) em Agosto.

» Mais vale romper sapatos que lençóis.

» Contra os maus humores, grandes suores.

» O braço quer peito, a perna leito.

» Quem sofre de coração não tome banho suão.

» Livra-te dos ares, que eu te livrarei dos males.

» Mordedura de cão cura-se com o pêlo do mesmo cão.

Sugestão: Provérbios sobre os meses do ano

Ainda mais ditados populares sobre “medicina caseira”

» Leitão e ovos, dos velhos fazem novos.

» Vai-se o mal, comendo ovos sem sal.

» Quem bem urina dispensa medicina.

» Fora de horas urinar, sinal de enfermar.

» Vida regrada, vida prolongada.

» Vida desregrada, velhice pesada.

» Comidas apimentadas: borbulhas às carradas.

» A doença e a dor conhecem-se pela cor.

» Doença bem tratada é pouco prolongada.

» Quem bem se cura muito dura.

» Quem bem se cura não se regala.

» O que arde cura.

» Para grandes males grandes remédios.

» Mais cura a dieta que a lanceta.

» Mal que não tem cura é a velhice e a loucura.

» Pior é ter mau médico do que estar enfermo.

» A doença é o celeiro do médico.

» Deus é que cura e os médicos é que recebem o dinheiro.

» Quem tem doença abra a bolsa e tenha paciência.

» Quem quiser morrer de velho siga este conselho: casar tarde, enviuvar cedo, fugir do salgado e do azedo.

» Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

» Feridas de ternura quem as faz também as cura.

» Quando o mal é de morte, o remédio é morrer.

» Mel, se o achaste, come o que baste.

» Dores, com pão, depressa se vão.

» Come pão, bebe água e viverás sem mágoa.

» Debaixo da nogueira, não faças cabeceira.

» Come queijo de ovelha, manteiga de vaca e leite de cabra.

» Para ter saúde, pouca cama, pouco prato e muito sapato.

Fonte: “Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro” – Joaquim Alves Ferreira, IV Volume, 1999 | Imagem de Peter H

Provérbios sobre os homens e as mulheres

Provérbios sobre os homens e as mulheres

Uma listagem, muito interessante, de provérbios e ditados populares sobre “os homens” e “as  mulheres“, e que foram passando de geração em geração, até aos nossos dias, em populações de Trás-os-Montes e Alto Douro:

Sobre as mulheres

» Menina feia: mulher bonita.

» Mulher e franga, que caiba na manga.

» A mulher e a sardinha quer-se da mais pequenina.

» Sardinha e mulher: a maior que houver.

» A mulher e a pescada quer-se da mais alentada.

» À mulher brava, soga larga.

» À mulher parida e teia urdida, nunca faltou guarida.

» Mulher parida quer galinha.

» Mulher parida: nem farta nem limpa.

» É bem casada a que não tem sogra nem cunhada.

» Sogras são sogas. Cunhadas são cunhas.

» Mulher, como o vento e ventura, depressa muda.

» Mulher assobiadeira ou é bruxa ou feiticeira.

» Mulher sem vergonha é pior que peçonha.

e ainda mais…

» Mulher que a dois ama a dois engana.

» Mulher que bem se arreia nunca é feia.

» Não é brava a mulher que cabe em casa.

» Livra-te da mula que faz him e da mulher que sabe latim.

» Do mar, se tira o sal; e da mulher, o mal.

» Com afagos, a mula e a mulher fazem o que o homem quer.

» Digna é de fama a mulher que não tem fama.

» Mulheres, onde estão, sobejam; onde não estão, faltam.

» Antes mulher de ninguém que amante de alguém.

» Formosura de mulher não faz o homem rico.

» À mulher casta Deus lhe basta.

» O melão e a mulher estão mais no acertar do que no escolher.

» O mal da mulher entra-lhe pelos ouvidos.

» Mulher honrada não tem ouvidos nem olhos.

» É boa e honrada e viúva sepultada.

» Da má mulher te guarda e da boa não te fies nada.

» Da galinha, a preta; da pata, a parda; e da mulher, a sarda.

Sobre os homens

» Homem prudente pode mais que o valente.

» Homem prevenido vale por dois.

» Homem precatado, homem dobrado.

» Homem apaixonado não quer ser aconselhado.

» Homem de palha vale mais que mulher de oiro.

» Homem de bem, palavra de rei.

» Homem casado com mulher feia tem a fama segura.

» Homem, barca; mulher, arca.

» Homem, na praça; mulher, em casa.

» Homem que cheire a pólvora; mulher que cheire a incenso.

» O homem põe e Deus dispõe.

» Um homem é um homem, um gato é um bicho.

» Homem endividado: todo o ano apedrejado.

» Homem honrado: antes morto que injuriado.

» Homem de capa no Verão: ou roto ou ladrão.

» Um homem nunca chora, mesmo que veja as tripas de outro

» Os homens não se medem aos palmos.

» De homem para homem, não há diferença de boi.

» Os homens conhecem-se pelas palavras, os bois pelos cornos.

» Homem peludo, ou forte ou amorudo.

» Homem barbado, homem honrado.

» Homem de barba ruiva, uma diz, outra cuida.

» Homem velhaco, três barbas ou quatro.

e ainda mais…

» A homem calado e mulher barbada, em tua casa não

» Homem ruivo e mulher barbuda, de longe os saúda.

» Homem com fala de mulher nem o diabo o quer.

» Homem ruço: mau pêlo, má casta e mau cabelo.

» Acautela-te do homem que não fala e do cão que não ladra.

» Marido sem cuidado e casa sem telhado, de graça, é caro.

» De homem muito cortês foge de vez.

» De homem assinalado toma cuidado.

» Homem do mar, cabeça no ar.

» Homem e guerra, vê-los a meia légua.

» Homem grande, besta de pau.

Homem pequeno…

» Homem pequeno, saco de veneno.

» Homem pequeno, coração ao pé da boca.

» Homem pequenino, ou velhaco ou dançarino.

» Homem pequenino, ou embusteiro ou bailarino.

» Homem magro, não de fome, fugir dele que não é homem.

» Homem magro, não de fome, é diabo, não é homem.

» Homem pobre com pouco se alegra.

» Homem pobre: meia de seda e caldeirão de cobre.

» Homem pobrete mas alegrete.

» Quanto mais roto mais garoto.

» Homem avascado: nem quieto nem calado.

» Homem que bate no peito, velhaco perfeito.

» Homem que reza e chora, Deus nele mora.

» Homens Joões ou brutos ou bufôes.

» Homens, três por nove ruas.

» Homem velho e mulher nova: filhos até à cova.

» Perde-se o velho por não poder e o novo por não saber.

» O homem que em novo não trabalha, em velho dorme na palha.

» O homem é fogo, a mulher estopa: quando se juntam, vem o diabo e sopra.

» Três coisas deitam o homem a perder: muito falar e pouco saber; muito gastar e pouco ter; muito presumir e pouco valer.

» Três coisas mudam o homem: a mulher, o jogo e o vinho.

» Três coisas enganam o homem: as mulheres, os copos pequenos e a chuva miudinha.

» Morra um homem, deixe fama.

Fonte: “Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro” – Joaquim Alves Ferreira, IV Volume, 1999

Provérbios populares sobre os frutos e sobre o pão

Provérbios sobre o pão

» Pão pela cor, vinho pelo sabor.

» Fraca é a padeira que diz mal do seu pão.

» Pão que veja, vinho que salte, queijo que chore.

» Pão que sobre, carne que baste, vinho que falte.

» Por carne, vinho e pão, deixa tudo o que te dão.

» Pão de centeio, melhor no ventre que no seio.

» Com pão, baila o cão se lho dão.

» Pão do vizinho tira o fastio.

» Pão de taberna não farta nem governa.

» Com pão e vinho, anda caminho.

» Não há mau pão com boa fome.

» Quando há fome, não há pão mal feito.

» Saboroso é o pão duro, quando não há mais nenhum.

» Vale mais pão duro que figo maduro.

» Vale mais pão duro que nenhum.

» Caldo sem pão só no inferno o dão.

» Vale mais um pão com Deus que dois com o diabo.

» Vale mais pão hoje que galinha amanhã.

» Lágrimas com pão ligeiras são.

» Quem dá o pão dá a criação.

» Quem dá o pão dá o pau.

» Fidalgo sem pão é vilão.

» Quem quer o filho ladrão tira-lhe o pão.

» De mau grão, mau pão.

» Em ano de pão, guarda pão.

» Onde há pão, há ratos.

» Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

» Nem mesa sem pão, nem exército sem capitão.

» Fraca é a mesa que não deixa migalhas.

» Migalhas também é pão.

Provérbios e expressões populares sobre a água

Provérbios e expressões populares sobre a água

«Água (H2O) – Líquido sem cor, sem cheiro e sem sabor, que é a base de todos os processos químicos da vida. Sob a forma de gelo e nos oceanos, cobre cerca de 74% da superfície da Terra.

A água deve muitas das suas propriedades à força de atracção entre as suas moléculas individuais, que é devida à chamada «ponte de hidrogénio». É esta ligação que a torna líquida a temperaturas normais e não gasosa como outros compostos similares, como o sulfureto de hidrogénio (H2S).

Atinge a densidade máxima a 4ºC e dilata-se quando congela, e é por isso que o gelo flutua na água. É um bom solvente, e conduz a electricidade bastante bem quando contém sais dissolvidos. A sua capacidade para absorver grandes quantidades de calor é um dos principais determinantes do clima da Terra.» Dicionário Ilustrado do Conhecimento Essencial

Provérbios

» Água de nevão dá muito pão.

» Água de trovão, nuns lados, dá, noutros, não.

» Água mole, em pedra dura, tanto dá até que a fura.

» A água faz desabar as paredes.

» A água silenciosa é a mais perigosa.

» A água corre sempre para o mais baixo.

» A água é boa para lavar os pés.

» A água faz criar rãs na barriga.

» Água corrente não faz mal à gente.

» Água corrente esterco não consente.

» Água fervida tem mão na vida.

» Água detida faz mal à vida.

» Água parada: água estragada.

» Águas passadas não moem moinhos.

» Água o deu, água o levou.

» Ficou tudo em águas de bacalhau.

» Ninguém diga: desta água não beberei.

» Presunção e água benta: cada qual toma a que quer.

» A água tudo lava, menos as más línguas.

» Água de Janeiro mata o onzeneiro

» Água de Fevereiro vale muito dinheiro.

» No dia de S. Vicente, toda a água é quente.

» Água na Ascensão, das palhas faz grão.

» Água de Agosto: açafrão, mel e mosto.

» Água, da serra; sombra, da pedra.

» Água sem cor, sem cheiro e sem sabor

Retirados de “Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro” – Joaquim Alves Ferreira, IV Volume, 1999

Adagiário

» Setembro ou seca as fontes ou leva as pontes.

» Tantas vezes vai o cantarinho ao poço até que lá fica o pescoço (Vila Real de Santo António); tantas vezes vai a cantarinha ao poço até que lá fica o bescoço (Mexilhoeira); tantas vezes vai o cântaro à fonte que lá fica a asa (lugar de Santa Maria de Seia, concelho de Seia); tantas vezes vai o cantarinho à fonte até que se quebra (Florilégio, de B.Pereira p.122); tanta vez vai o cântaro à  bica que lá fica (Columbeira).

» Águas passadas não movem moinhos.

» O falar é leve e o mar é de água.

» Livrar a água do capote.

» Ir tudo por água abaixo.

» Vai na água da cal (Oscar de Pratt, Locuções Petrificadas, coluna 113).

» Águas vivas (EP, III, terra de Miranda).

Provérbios sobre as actividades agrícolas e o clima 

Provérbios sobre as actividades agrícolas e o clima 

Os provérbios são elementos de sabedoria popular que transmitem conhecimentos comuns sobre a vida do dia-a-dia, às vezes contraditórios, pois a “verdade” a que dizem respeito não pode ser separada da comunidade sócio-cultural que lhe deu origem.

Abaixo, uma listagem de provérbios sobre as atividades agrícolas e o clima, recolhidos na região de Trás-os-Montes e Alto Douro:

De Janeiro a Julho

» Por Sto Antão (17.1), neve pelo chão.

» Por S. Sebastião (20.1), laranja na mão.

» Por S. Matias (24.2), começam as enxertias.

» Por S. Matias, noites iguais aos dias.

» Por S. Marcos (25.4), bogas e sáveis nos barcos.

» Por S. Barnabé (16.5), seca a palha pelo pé.

» Pelo S. João (24.6), ceifa o pão.

» Pelo S. João, lavra se queres ter pão.

» Lavra pelo S. João: terás palha e grão.

» No S. João, semeia de gabão.

» Pelo S. João, deve o milho cobrir o cão.

» Pelo S. João, figo na mão.

» Até ao S. João, é sezão.

» Para o S. João guarda o melhor tição.

» Até ao S. João sempre de gabão.

» Ande por onde andar o Verão, há-de vir pelo S. João.

» Galinhas de S. João, pelo Natal, ovos dão.

» Sardinha de S. João pinga no pão.

» Ande o calor por onde andar, pelo Santo António (13.6), há-de chegar.

» No dia de S. Pedro (29.6), vai ver o olivedo. Se vires um bago, conta um cento.

» Por S. Pedro, fecha o rego.

» Por Santa Marinha (18.7), vai ver a tua vinha.

» Por Santa Ana (26.7), limpa a pragana.

De Julho a Setembro

» Por S. Gens (25.8), vareja as nozes se as tens.

» Chuva por Santo Agostinho (26.8), é como se chovesse vinho.

» Por S. Mateus (21.9), pega nos bois e lavra com Deus.

»Por S. Mateus, vindimam os sisudos e semeiam os sandeus.

» Por S. Mateus, conta as ovelhas, que os cordeiros são teus.

» Nas têmporas de S. Mateus, pede bom tempo a Deus.

» Nas têmporas de S. Mateus, não peças chuva a Deus.

» Águas verdadeiras por S. Mateus as primeiras.

» Quem planta no S. Miguel (29.9), vai à horta quando quer.

» Quem se aluga no S. Miguel não se senta quando quer.

» S. Miguel soalheiro enche o celeiro.

» S. Miguel das uvas, tanto tardas e tão pouco duras!

» S. Miguel passado, tanto manda o amo como o criado.

» Se houvesse dois S. Miguéis no ano, não havia moço que parasse no amo.

Em Setembro e Outubro

» Por S. Francisco (4.10), semeia o trigo. O velho que tal dizia já semeado havia.

» S. Francisco veja o teu campo arado e teu trigo semeado.

» Por S. Lucas (18.10), colhidas estão as uvas.

» Por S. Lucas, mata os porcos e tapa as cubas.

» Por Santa Ireia (20.10), pega nos bois e semeia.

» Por S. Judas (28.10), colhidas são as uvas.

» Por S. Simão (29.10), semear sim, navegar não.

» Por S. Simão, favas na mão.

» No dia de S. Simão, quem não faz magusto não é bom cristão.

» Quem não planta horta pelos Santos (1.11), inveja a dos vizinhos e espreita pelos cantos.

» Por Todos os Santos, neve pelos cantos.

Provérbios populares e expressões sobre a comida

Provérbios populares e expressões sobre a comida

Na sua obra “Etnografia Portuguesa“, o Dr. José Leite de Vasconcelos apresenta-nos uma listagem de superstições relacionadas com a comida e o comer (ver abaixo), como, por exemplo: “

O pão deve pôr-se na mesa com o lar para baixo; se, por qualquer motivo fica com o lar para cima, volta-se logo: porque não foi ganho de barriga para o ar (Columbeira, Peral)” ou “Não devem comer treze pessoas à mesma mesa, morrerá a que tiver um nome maior (Vila Real). Não se deve estar dinheiro em cima da mesa enquanto se come; é sinal de traição ou pobreza (Vila Real)“.

Também sobre a comida há inúmeros provérbios populares e adágios, dos quais damos a conhecer alguns recolhidos na região de Trás-os-Montes e Alto Douro:

» Quem vende sardinha come galinha.

» Do prato à boca, se perde a sopa.

» O comer e o coçar vão do começar.

» O apetite nasce à mesa.

» A hora de comer é a mais pequenina.

» Com unto e pão de milho, o caldo faz bom trilho.

O caldo não é a sopa de hoje…

» O caldo é para os pobres.

» Quem arrota familota, quem suspira farto está.

» Quem não é para comer também não é para trabalhar.

» Caldo sem pão só no inferno o dão.

» Quem come até se fartar cedo vem a jejuar.

» Quem come a carne que chupe os ossos.

» Caldo de muitos é bem comido e mal mexido.

» Quem come bem um dia não passa mal todo o ano.

» Quem não se farta ao comer não se farta ao lamber.

» Morra Marta, morra farta.

» Bem canta Marta depois de farta.

» Quem comeu não “ouga“.

» Quem arrota, bem almoça.

» Bem está S. Pedro em Roma, se tem que comer.

» Quem vai à boda leve que coma.

» Quem longe vai à boda no caminho a deixa toda.

» O almoço cedo cria carne e cebo. O almoço tarde, nem cebo nem carne.

Sobre jantar e jejuar…

» Quem em casa alheia come, janta e ceia com fome.

» Quem come à mesa alheia, mal janta e mal ceia.

» Não custa jejuar depois de bem jantar.

» Bem jejua quem mal come.

» Quem merendas come, merendas deve.

» Merenda comida, companhia desfeita.

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