Medicina Popular e Medicina Tradicional

Medicina popular e tradicional

A medicina popular está muito próxima da medicina tradicional do tipo erudito. Os antropólogos chamam-lhe também a medicina folk, a qual recobre praticamente os mesmos domínios: a dietética e produtos vegetais, os rituais, manipulações físicas e o religioso.

A medicina popular define-se como o conjunto de conhecimentos e crenças criados pelo povo, quer dizer, pelos profanos não profissionais, e que se opõe ao discurso erudito.

Com efeito, a cultura popular caracteriza-se pela oralidade e por vezes esta oralidade traduz mais facilmente certas adaptações locais e certas adaptações específicas à doença.

(In Medicina Popular – Ensaio de Antropologia Médica, de António Fontes e João Gomes Sanches, Âncora Editora, Colecção “Raízes”, Março de 1999)

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Doenças e ervas medicinais

“Todas as plantas têm princípios ativos, capazes de interferir a nível biológico se ingeridos pelo organismo humano. Destiladas, a maioria das plantas produz essências, álcool e gases combustíveis. Associadas a estas substâncias estão outras que, pela sua concentração, dão propriedades específicas às plantas. É, por exemplo, o caso das papoilas que produzem o ópio.

Existem vários trabalhos dedicados à flora transmontana; como exemplo, em 1984, Berta Nunes, Ana Paula Oliveira e Margarida Cunha Ferreira publicaram um opúsculo intitulado Plantas Medicinais de Barroso, que está longe de abarcar a totalidade da flora medicinal.”

Plantas e ervas medicinais – usos cosméticos e outros

“Desde o dia em que Eva, arrancando uma folha – de parreira ou de figueira (?) – para enfeitar a sua nudez, entendeu que a mãe-natureza lhe podia fornecer as armas do encanto e da sedução. Esta utilização de cosmética e venérea atravessaria todas as antigas culturas – os gregos desenvolveram uma filosofia completa de saúde e beleza à base de plantas; os romanos entregaram-se ainda mais aos cuidados com o corpo.

Por altura do renascimento fazia-se a separação entre os cuidados da pele e os cuidados de saúde. A partir do século XIX, nos Estados Unidos da América, a cosmética organizou-se como atividade industrial, com a utilização de conservantes e a produção em massa.

A “saúde” das ervas

“Durante milhares de anos, o homem guiado pelo mesmo instinto que hoje leva outros animais a se purgarem com certas ervas escolhidas, ele selecionava na natureza os vegetais para a cura dos seus males.

E, ao organizar-se em comunidades começa a transmitir às gerações futuras o “fruto do saber” — os celtas, nossos remotos antepassados, conheciam perfeitamente as propriedades das Fontes termais e são imitados pelos legionários romanos;

os chineses e os egípcios ensinaram as propriedades do ópio, da romã, do ruibarbo; os gregos e os romanos definiram a utilização das sementes de rícino, da beladona ou da misteriosa mandrágora; os gauleses trouxeram o conhecimento do visco-branco da verbena, da centáurea, da milfurada, do meimendro e da salva.”

As «crendices» das ervas – mezinhas e esconjuros

“Como sempre todas as plantas se mostraram importantes para a humanidade, outrora consideradas filhas divinas da Mãe-Terra.

Daí a sua também popularização através de envolvimentos mais ocultos pelos seus «atributos mágicos» em crendices populares, ensalmos, esconjuros, fórmulas de atalhar ou mezinhas criadas pelas chamadas «mulheres de virtude», «talhadeiras» ou «benzedeiras», pelos feiticeiros ou por tantos de nós em rituais que ainda hoje perduram nas nossas aldeias.

São alguns desses registos que aqui se enumeram porque também fazem parte da vida e da história destas ervas.»

Plantas aromáticas e medicinais

“Existem plantas aromáticas e medicinais das mais variadas espécies, apresentando consistência herbácea, semi-herbácea ou lenhosa, e com possibilidade de aproveitamento de uma parte da planta ou da sua totalidade.

Estas plantas possuem na sua composição, para além das substâncias presentes em todas as outras (como água, sais minerais, ácidos orgânicos, hidratos de carbono ou substâncias proteicas), compostos que as diferenciam e conferem propriedades especiais, tais como alcaloides, glucosídeos, óleos essenciais, taninos, entre outros, permitindo a sua utilização em medicina, na alimentação, como conservante, aromatizante ou no fabrico de cosméticos e perfumes.”

Chás, infusões e tisanas. Que benefícios para a saúde?

O chá mais antigo de todos, conhecido como chá preto, foi descoberto na China há quase 5.000 anos.

Trazido para a Europa pelos Portugueses e desenvolvido pelos Ingleses, o chá preto é hoje consumido por pessoas de todo o mundo. Pelo seu sabor, pelas suas propriedades preventivas ou curativas, porque ajuda a relaxar ou porque estimula o corpo e a mente. E muitas razões são invocadas.

Segundo as lendas chinesas, a descoberta do chá e das suas qualidades benéficas terá acontecido por volta do ano 2737 a. C.. Quando o imperador Shen Nung, decidiu experimentar o resultado da queda acidental de uma folha de árvore em água a ferver: uma infusão refrescante e revitalizante.

À descoberta das esplêndidas ervas aromáticas

Dizem os historiadores que, desde o Paleolítico, o homem se habituou a procurar as ervas mais apropriadas para a alimentação, mas também para a cura dos seus males. As referências, primeiro em cavernas e, mais tarde, em documentos, são prova disso.

A Bíblia, o Talmude e o Corão, por exemplo, mencionam e indicam ervas para uso pessoal e cerimonial. Mas a proliferação das ervas e temperos está sobretudo ligada à história dos meios de transporte e à imigração de povos.

A sua importância ganha outra dimensão com o empenho dos europeus, em particular dos portugueses. Ao ser encontrado um caminho para a Índia, com a finalidade de adquirir especiarias.

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A “saúde” das ervas | Medicina popular

A saúde e as ervas medicinais

“Durante milhares de anos, o homem guiado pelo mesmo instinto que hoje leva outros animais a se purgarem com certas ervas escolhidas, ele seleccionava na natureza os vegetais para a cura dos seus males.

E, ao organizar-se em comunidades começa a transmitir às gerações futuras o “fruto do saber” — os celtas, nossos remotos antepassados, conheciam perfeitamente as propriedades das fontes termais e são imitados pelos legionários romanos;

os chineses e os egípcios ensinaram as propriedades do ópio, da romã, do ruibarbo;

os gregos e os romanos definiram a utilização das sementes de rícino, da beladona ou da misteriosa mandrágora;

os gauleses trouxeram o conhecimento do visco-branco da verbena, da centáurea, da milfurada, do meimendro e da salva.

Entre fitoterapeutas, clérigos e alquimistas foi-se então desenvolvendo o estudo das plantas medicinais e, passados assim os séculos, chegamos agora ao que se convencionou chamar a época moderna — com o fim do reino dos “remédios naturais”.

Contudo, novas correntes científicas e de forma de vida, uma espécie de regresso às origens e à natureza, configura-se entre a actual classe médica, botânica, farmacêutica ou ambientalista que prima pela valorização do melhor de cada sistema medicinal, tendo em atenção os perigos de qualquer um dos métodos.

Que assim seja. “

Tisanas e outros remédios                        

Chá de alecrim – Quinze gramas para um litro de água fervente; coa-se quando frio e toma-se em média três vezes ao dia, para: `

– estimular o apetite, a circulação sanguínea e as funções do pâncreas

– dores de estômago, dores de cabeça de origem nervosa, vertigens e perda de memória

– contra a queda do cabelo

– tonificante para os estados de depressão

–  estimulante cardíaco e combate as pressões altas

– para afastar os “maus olhados”

Nota: [a chá de alecrim] não deve ser usado por mulheres grávidas, por poder ser abortivo

Para atenuar os sintomas da menopausa – Beber uma infusão das extremidades floridas do hipericão, três vezes por dia.

Para combater as constipações e as gripes – Beber frequentemente chá quente de flor de sabugueiro e hortelã-pimenta.

Dores de cabeça e nevralgias – Tomar uma chávena de chá de betónica três vezes por dia.

Para dores reumáticas – Misture uma colher de chá de óleo de alecrim numa chávena de chá com azeite — massaje a região dolorida várias vezes ao dia.

Não passe uma noite sem dormir!

Para a insónia – Duas colheres de sopa de folhas secas de cidreira num copo de leite; aquecer e adoçar com mel. O sono vem mais rápido.

Para as inflamações dos olhos – Lavar os olhos com uma infusão de água das malvas a que se adicionou uma clara de ovo de galinha.

Contra as varizes – Ingerir duas a três vezes por dia uma infusão de trigo-sarraceno, pilriteiro e castanheiro-da-índia.

Para as depressões – Infusão de flores de alfazema, combinada com alecrim, tomada três vezes ao dia.

Combater as frieiras – Usar pomadas de flor de sabugueiro.

Para o desconforto das ressacas – Chá quente de hortelã-pimenta ou serpão; chá de flor de sabugueiro.

Para a tosse e bronquite – Xarope de agrião – Num litro de água deite mais ou menos duzentos gramas de agrião (folhas e talos) e deixe ferver cerca de um quarto de hora. Coe enquanto estiver quente e quando ficar morno, misture-lhe uns trezentos gramas de mel. Dá para a tomar uma colher de sopa duas vezes ao dia.

Nota: O agrião é a “erva para todos os fins”, visto pelo nosso povo como um dos melhores estimulantes e espectorantes, até com virtudes afrodisíacas e não menos utilizado como tónico (o seu sumo) contra a queda de cabelo ou misturado com mel para as manchas e sardas.

Síntese de usos medicinais das ervas      

Do alecrim às hortelãs

Alecrim – Auxiliar da memória; para estados depressivos; estimula a circulação sanguínea; ajuda a fazer a digestão das gorduras (folhas); problemas de fígado.

AgriãoPara a tosse e bronquite; contra as anemias por carência de ferro.

Arando (ou uva-do-monte)  – Para o colesterol e triglicéridos.

Alfazema – Alivia as dores de cabeça e acalma os nervos (flor); anti-séptico contra a acne (flor); tranquilizante.

Arruda – Lavagem do estômago; fortalecimento da visão; para lavar os olhos cansados (folha); antídoto contra certas mordidelas de cobras.

Borragem – Em dietas sem sal (folha); para o catarro e gripes; tranquilizante; depurativa e refrescante.

Erva-cidreira – Alivia o catarro provocado pela bronquite crónica; as constipações febris e as dores de cabeça (folha).

Erva de São Roberto – Para doenças do estômago.

Carqueja – Facilita a digestão e estimula a secreção da bílis; acção antibiótica; infecção da bexiga; pedra nos rins; para a arteriosclerose: hipertensão arterial; sinusite, bronquite, anginas e tosse.

Funcho – Estimulante do apetite; auxiliar da digestão; desinflamar as pálpebras e melhorar a visão; suavizar o hálito (sementes).

Nota: não usar em doses excessivas

Hipericão – Para atenuar os sintomas da menopausa; queimaduras menores do sol (óleo); para libertar a tensão.

Hortelãs – Prevenções de constipações e gripes; inflamações da garganta; tranquilizante; ajuda a digestão; para as lombrigas

Do louro ao poejo

Louro – Para enjoos e irritações nervosas, para abortar; para bronquites; ajuda a fazer a digestão e estimula o apetite (folha).

Nota: todos os loureiros, excepto o loureiro ­vulgar, são venenosos

Malva – Actua como laxante não agressivo; combate muitos problemas inflamatórios; usada para emagrecimentos.

Morangueiro-bravo – Para os nervos e contra a diarreia (folha) . Em decocção, é um adstringente suave (fruto).

Nota:podem provocar reacções alérgicas

Néveda – “dor de barriga das mulheres”; dores “tortas” após o parto; dores do reumatismo.

Orégãos – Combatem a tosse, as dores de cabeça nervosas e a irritabilidade (extremidade florida).

Pilriteiro – Estimula a circulação.

Poejo – Eliminar vermes intestinais; facilita a digestão; tranquilizante para distúrbios menstruais.

Nota: é tóxica quando usada em grande quantidade.

Ao sabugeiro ao zimbro

Sabugueiro- Prevenção de gripes (flores); frieiras, mãos e pés frios (pomada de folhas de sabugueiro); desconforto das ressacas (flores).

Salva – Ajuda a digestão, a combater a diarreia (folha); gargarejos para as anginas.

Nota:não deve ser tomado em grandes doses por períodos muito longos

Salsa – Prevenção de perturbações renais; dores de torceduras; mau hálito; picadas de insectos.

Segurelha – Auxiliar da digestão.

Tanchagem – Para tratamento de furúnculos; problemas respiratórios (tosse, bronquite e catarros)

Tomilhos – Tónico digestivo; combate os incómodos das “ressacas”; constipações ou gargantas inflamadas (folha); ferimentos ligeiros; queda de cabelo.

Urtiga – Sangramento do nariz; purificação do organismo; anti-raquítica e anti-anémica.

Zimbro – Para tratamentos de eczemas, dermatoses, psoríase e outras doenças da pele; parasiticida externo (óleo de caule).

Índice terapêutico

Aftas: malva, sálvia

Aleitamento: hortelã

Amigdalite: malva, sálvia, tanchagem

Anemias: agrião

Apetite: alecrim

Arteriosclerose: carqueja

Asma: agrião, carqueja, sálvia, alfazema

Azia: carqueja

Bronquite: agrião, alecrim, tanchagem

Cálculos biliares: hortelã

Cálculos renais: carqueja

Calmante: erva-cidreira, hortelã

Ciática: arruda

Cicatrizante: alecrim

Circulação: alecrim

Cólicas menstruais: alecrim, arruda, poejo, sálvia

Depressão: alecrim, alfazema

Depurativo: carqueja, tanchagem

Diabetes: agrião, alecrim, carqueja, malva

Diarreia: sálvia, carqueja

Digestivo: agrião, alecrim, alfazema, arruda, carqueja, erva-cidreira, hortelã, poejo

Diurético: malva

Emagrecimento: malva

Enxaqueca: alfazema, arruda, hortelã, erva-cidreira

Expectorante: agrião, malva, sálvia

Faringite: sálvia, arruda

Feridas: sálvia, arruda

Fígado: carqueja, erva-cidreira, malva

Flatulência: hortelã, poejo, sálvia, alfazema, arruda, erva-cidreira

Furúnculo: malva, tanchagem

Frieiras: sabugueiro

Garganta: malva, sálvia

Gengivite: malva, sálvia

Gota: arruda, alfazema, carqueja

Hemorróidas: arruda, tanchagem

Hepatite: agrião, alecrim, carqueja

Icterícia: hortelã, poejo

Laxante: carqueja

Menstruação (ausência): agrião, alecrim, arruda, erva-cidreira, poejo, sálvia

Micoses: arruda

Náuseas: arruda

Obesidade: carqueja, malva

Piolhos: arruda, poejo

Pressão alta: alecrim, carqueja

Prisão de ventre: erva-cidreira, hortelã, malva, mancoliais, tanchagem

Queda de cabelo: alecrim, alfazema

Queimaduras: tanchagem

Regulador das menstruações: poejo

Reumatismo: alfazema, carqueja, poejo, sálvia

Sistema nervoso: erva-cidreira

Tosse: agrjões, alfazema, malva, oregãos, poejo, sálvia, tanchagem

Ulceras: alecrim, sálvia

Varizes: pilriteiro, tanchagem

Vias urinárias: carqueja

Vómitos: arruda, erva-cidreira, hortelã

Fonte: Etnobotânica – Plantas Bravias, Comestíveis, Condimentares e Medicinais, de José Alves Ribeiro, António Manuel Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva, João Azevedo Editor, 2000 | Imagem 

Plantas e ervas medicinais – usos cosméticos e outros

Plantas e ervas medicinais – usos cosméticos e outros

“Desde o dia em que Eva, arrancando uma folha – de parreira ou de figueira (?) – para enfeitar a sua nudez, entendeu que a mãe-natureza lhe podia fornecer as armas do encanto e da sedução.

Esta utilização de cosmética e venérea atravessaria todas as antigas culturas:

– os gregos desenvolveram uma filosofia completa de saúde e beleza à base de plantas;

– os romanos entregaram-se ainda mais aos cuidados com o corpo;

– por altura do renascimento fazia-se a separação entre os cuidados da pele e os cuidados de saúde;

– e, a partir do século XIX, nos Estados Unidos da América, a cosmética organizou-se como actividade industrial, com a utilização de conservantes e a produção em massa.

No entanto, todas as receitas, truques de beleza, passados de mães para filhas durante gerações sucessivas, são tão antigas quanto a feminilidade sensual ou os hábitos de cortejar.

Afinal, as plantas ou as ervas continuam as mesmas, provavelmente, as mulheres e os homens é que não lhes fazem mais fé…”

Cremes e loções para a pele

Água-de-colónia: misture dez gramas de essência de bergamota com dez gramas de essência de limão, dez gramas de essência de cidra, cinco gramas de essência de alecrim, cinco gramas de essência de flor de laranjeira, cinco gramas de essência de rosmaninho, duas gramas e meia de canela e um litro de álcool a noventa graus.

Acrescente cento e cinquenta gramas de água de melissa e cem gramas de alcoolato de alecrim. Deixe macerar durante uma semana e filtre de seguida.

Leite de limpeza de funcho (para peles oleosas): numa panela aqueça meia chávena de soro de leite coalhado e duas colheres de sopa de sementes de funcho esmagadas, em lume brando durante meia hora.

Deixe a descansar cerca de duas horas. Coe, enfrasque e coloque no frigorífico.

Têm um poder de conservação até uma semana.

Queimaduras solares da pele: para queimaduras leves, utilize a cozedura de folhas de sabugueiro que serve para aclarar as manchas da pele e para lavar os olhos.

Creme de protecção para as mãos: derreta quatro colheres de sopa de vaselina em lume brando e junte-lhe dois punhados de flores frescas de sabugueiro. Deixe a macerar durante três quartos de hora, aquecendo a vaselina sempre que esta solidificar.

Aqueça e coe por um crivo para um frasco com tampa de enroscar.

Deixe arrefecer e feche o frasco.

Loção para o cabelo: faça ferver algumas bagas de sabugueiro com vinho ou vinagre, e depois de fria, aplique na lavagem do cabelo.

Síntese de usos na cosmética

Plantas para cremes e loções

Agrião — o sumo para atenuar as manchas

Alecrim — antisséptico revigorante; limpezas em profundidade

Alfazema — agente de limpeza; tónico para a pele

Borragem — para peles secas e sensíveis

Funcho — agente de limpeza e acalmante; purifica as peles oleosas

Hortelã-pimenta — aclara o tom de pele

Sabugueiro (flor) — tónico para todo o tipo de peles (atenua as rugas e as sardas); acalma as queimaduras solares

Salsa — agente condicionador de peles secas e sensíveis

Salva — adstringente de limpeza e estimulante

Tomilho — agente de limpeza estimulante

Urtiga — excelente para peles oleosas

Plantas para banhos

Para banhos estimulantes — alecrim, alfa­zema, erva-cidreira, funcho, hortelã, louro, poejo, salva, tomilho

Para banhos tónicos — silva (folhas), urtiga

Plantas para máscaras faciais

Para peles oleosas — funcho (semente), salva

Para peles normais — funcho, hortelã, urtiga, zimbro

Plantas as mãos e os pés

Para amaciar e suavizar as mãos — funcho, sabugueiro (flor)

Para os pés cansados — alfazema, louro, manjerona, salva, tomilho

Plantas revigorantes para os olhos

Hortelã — reduz as olheiras

Malva — amacia a pele em volta dos olhos

Funcho (sementes) — reduz as inflamações e dá brilho

Plantas para tratamento do cabelo

Para amaciar os cabelos oleosos — alecrim, alfazema (rosmaninho), erva-cidreira, hortelã

Para amaciar os cabelos secos — flores de sabugueiro, salsa, salva, urtiga

Tónico capilar (dar brilho ao cabelo) — agrião, alecrim, salsa, salva, urtiga

Para a prevenção da caspa — alecrim, salsa, tomilho, urtiga

Plantas para os cuidados orais

Alfazema (água de), hortelã-pimenta — lavagem da boca

Alecrim — para suavizar a boca

Urtiga, salva — suavizar o hálito

Salva — limpeza dos dentes

Nota: Antes de usar qualquer preparado destas e de outras plantas, experimente primeiro em pequenas quantidades.

Ervas para o controlo de insectos e limpeza

Formigas (afugentar) : Coloque ramos de poejo ou arruda nas prateleiras e nos armários e de vez em quando agite as folhas para o cheiro se continuar a libertar.

Desinfectantes: Ferva folhas e pequenos caules de alecrim em água durante uma meia hora; esprema e junte-lhe um pouco de sabão de “barra” e pode usar para limpar lava-louças ou casas de banho.

Também pode fazer desinfectantes com folhas e caules floridos de rosmani­nho, salva, tomilho e zimbro.

Repelente de insectos perfumado: Mistura “seca” de poejos contra as formigas e as pulgas; hortelã, arruda e sabugueiro contra as moscas; artemísia, contra as traças; e pétalas de rosa e flo­res de alfazema, para dar cor.

Repelente para mosquitos: Aplique às plantas afectadas uma infusão de folhas de sabugueiro ou folhas reduzidas a cinzas.

Para o controle do gorgulho: Coloque folhas de louro em caixas de farinha, do arroz ou dos legumes secos.

Contra os odores desagradáveis: Colocar ramos de ervas debaixo dos tapetes das carpetes ou à entrada das casas, de alecrim, erva-cidreira, funcho, hortelã, poejo; salva, tomilhos, etc.

Nota: algumas destas espécies são também usadas no sector da pecuária para desinfecção dos animais e dos estábulos.

(Fonte: Etnobotânica – Plantas Bravias, Comestíveis, Condimentares e Medicinais, de José Alves Ribeiro, António Manuel Monteiro e Maria de Lurdes Fonseca da Silva, João Azevedo Editor, 2000)

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À descoberta das esplêndidas ervas aromáticas

Dizem os historiadores que, desde o Paleolítico, o homem se habituou a procurar as ervas mais apropriadas para a alimentação, mas também para a cura dos seus males. As referências, primeiro em cavernas e, mais tarde, em documentos, são prova disso.

A Bíblia, o Talmude e o Corão, por exemplo, mencionam e indicam ervas para uso pessoal e cerimonial. Mas a proliferação das ervas e temperos está sobretudo ligada à história dos meios de transporte e à imigração de povos.

A sua importância ganha outra dimensão com o empenho dos europeus, em particular dos portugueses, em encontrar um caminho para a Índia, com a finalidade de adquirir especiarias. Saber mais

Doenças e ervas medicinais

Todas as plantas têm princípios activos, capazes de interferir a nível biológico se ingeridos pelo organismo humano. Destiladas, a maioria das plantas produz essências, álcool e gases combustíveis. Associadas a estas substâncias estão outras que, pela sua concentração, dão propriedades específicas às plantas, como é, por exemplo, o caso das papoilas que produzem o ópio. Saber mais

Plantas aromáticas e medicinais

“Existem plantas aromáticas e medicinais das mais variadas espécies, apresentando consistência herbácea, semi-herbácea ou lenhosa, e com possibilidade de aproveitamento de uma parte da planta ou da sua totalidade.

Estas plantas possuem na sua composição, para além das substâncias presentes em todas as outras (como água, sais minerais, ácidos orgânicos, hidratos de carbono ou substâncias proteicas), compostos que as diferenciam e conferem propriedades especiais, tais como alcalóides, glucosídeos, óleos essenciais, taninos, entre outros, permitindo a sua utilização em medicina, na alimentação, como conservante, aromatizante ou no fabrico de cosméticos e perfumes. Saber mais

Plantas aromáticas e medicinais | Medicina Popular

Plantas aromáticas e medicinais

“Existem plantas aromáticas e medicinais das mais variadas espécies, apresentando consistência herbácea, semi-herbácea ou lenhosa, e com possibilidade de aproveitamento de uma parte da planta ou da sua totalidade.

Estas plantas possuem na sua composição,

– para além das substâncias presentes em todas as outras (como água, sais minerais, ácidos orgânicos, hidratos de carbono ou substâncias proteicas),

– compostos que as diferenciam e conferem propriedades especiais, tais como alcalóides, glucosídeos, óleos essenciais, taninos, entre outros,

permitindo a sua utilização em medicina, na alimentação, como conservante, aromatizante ou no fabrico de cosméticos e perfumes.

Pertencentes a este grupo de plantas apresentam-se, de seguida, as espécies propostas para sementeira e plantação nas hortas pedagógicas (…), salientando-se que representam apenas parte de um conjunto bastante diversificado, (…).

No entanto, chama-se a atenção para a necessidade de utilização de plantas cuja identidade botânica, segurança e modo de usar não ofereçam qualquer dúvida.”

Características genéricas, partes utilizadas e usos de algumas plantas aromáticas e medicinais

Designação: Alecrim / Rosmarinus officinalis

Características genéricas: arbusto de folha perene, de 0,50m a 1,50m de altura | floração azulada e esbranquiçada todo o ano | cheiro a incenso e cânfora e sabor aromático

Partes utilizadas: ramos floridos e folhas

Usos medicinais: utilizado para fazer óleos emulsionados a quente para a artrite | facilita a digestão, eficaz no tratamento do enjoo e pequenas cólicas intestinais | tem propriedades estimulantes, desinfectantes e anti-oxidantes

Usos culinários e outros: excelente para condimentar carne de borrego, porco, coelho, frango e salsichas | temperar peixe, sopas e guisados, aromatizar azeites e vinagres | confere um gosto forte a bolachas, geleias, salada de fruta e queijos

Designação: Coentro / Coriandrum sativum

Características genéricas: herbácea anual até 0,60m de altura | floração branca – Verão

Partes utilizadas: folhas frescas, sementes secas e moídas

Usos medicinais: reduz a flatulência, tem propriedades anti-sépticas, estimulantes e excitantes

Usos culinários e outros: usa-se em carnes assadas, legumes, molhos e sopas | as folhas são excelentes para temperos de saladas | combinado com outras espécies aromáticas emprega-se no fabrico de charcutaria e licores

Designação: Erva-cidreira / Melissa officinalis

Características genéricas: herbácea vivaz, de 0,20m a 0,80m de altura | floração amarelada, tornando-se branca ou rosada – Julho a Setembro | cheiro agradável, limonado e sabor ligeiramente amargo

Partes utilizadas: caule florido e folhas (devem ser colhidas antes da floração)

Usos medicinais: facilita as digestões e contraria as fermentações intestinais | tem propriedades reconstituintes, relaxantes, anti-depressivas e sedativas

Usos culinários e outros: utilizam-se as folhas inteiras em ponches, bebidas de frutas e chás | condimenta pratos como substituto da casca do limão | aromatizando sopas, saladas, carnes e verduras

Designação: Erva príncipe / Cymbopogon citratus

Características genéricas: herbácea vivaz até 1,60m de altura

Partes utilizadas: folhas frescas

Usos medicinais: eficaz no tratamento do trato digestivo, cólicas intestinais, nevralgias e como estimulante

Usos culinários e outros: chás e bebidas refrescantes | utilizada na aromaterapia e na indústria da perfumaria

Designação: Funcho / Foeniculum vulgare

Características genéricas: herbácea vivaz, de 0,80m a 2m de altura | floração amarela – Junho/Agosto | sabor aromático, anisado, picante e amargo

Partes utilizadas: folhas frescas | raiz – fim do 1º ano | caule e frutos – Setembro-Outubro

Usos medicinais: as sementes são úteis para o tratamento de problemas digestivos | em infusão excelente contra a tosse, flatulência e dores abdominais | propriedades expectorantes, anti-espamódicas e anti-inflamatórias

Usos culinários e outros: as folhas plumosas são uma boa guarnição para legumes, pratos de peixe e sopas | as sementes aromatizam pastéis de maçã, enchidos e vinagres

Designação: Hortelã / Mentha viridis

Características genéricas: herbácea vivaz, com floração rosa – Verão | cheiro suave e muito penetrante

Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas(*) – Julho / Outubro (* parte superior da planta onde se encontram as flores com, por vezes, algumas folhas) | secagem em ramos

Usos medicinais: propriedades analgésicas, anti-sépticas, digestivas, estimulantes e tónicas

Usos culinários e outros: excelente em assados ou estufados de borrego | picada fica bem em sopas de creme e almôndegas | óptima em saladas de fruta

Designação: Hortelã-pimenta / Mentha piperita

Características genéricas: herbácea vivaz, de 0,30 a 0,90m de altura | floração azulada – final do Verão | cheiro intenso e sabor picante

Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas – Julho / Outubro | secagem em ramos

Usos medicinais: muito digestiva e tónica | propriedades desinfectantes, anti-sépticas e balsâmicas | utiliza-se como calmante nervoso

Usos culinários e outros: chás, saladas, pratos de borrego e para aromatizar bebidas refrescantes | das folhas extrai-se uma essência utilizada em licores, pastéis e chocolates | indústria da perfumaria

Designação: Lúcia Lima / Lippia citriodora

Características genéricas: arbusto até 2 m de altura | floração branco-azulada – Verão | folhas com forte aroma a limão

Partes utilizadas: folhas

Usos medicinais: eficaz no combate à insónia e doenças nervosas | propriedades estomacais, expectorantes, digestivas e calmantes

Usos culinários e outros: chás | utilizada no fabrico de licores | indústria da perfumaria

Designação: Orégão / Origanum vulgare

Características genéricas: herbácea vivaz, de 0,30 a 0,80m de altura | floração rosa-púrpura – Julho/Setembro | cheiro aromático, sabor amargo

Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas

Usos medicinais: em infusão ajuda no trato de alterações digestivas, bronquites, tosse e asma | acção expectorante, calmante e reguladora

Usos culinários e outros: excelente para condimentar carne vermelha, frango, saladas, legumes, queijo, ovos e molhos | muito conhecida pela sua utilização na cozinha italiana, grega, mexicana e portuguesa

Designação: Poejo / Mentha pulegium

Características genéricas: herbácea vivaz de 0,15 a 0,40m | floração azul-violácea – Março/Agosto | cheiro agradável

Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas – Julho/Outubro | secagem em ramos

Usos medicinais: eficaz no tratamento de tosse, dores estomacais e cólicas intestinais | digestivo, estimulante e sudorífero

Usos culinários e outros: elemento básico na preparação de algumas sopas e como aromatizante de pratos de carne e peixe

Designação: Salsa / Petroselinum hortense

Características genéricas: herbácea bianual de 0,20 a 0,80m | florescendo no Verão no 2º ano de cultivo – floração branca | existem duas variedades, com folhas lisas e com folhas frisadas, sendo a 1ª mais decorativa e de sabor mais forte

Partes utilizadas: folhas frescas

Usos medicinais: propriedades digestivas, diuréticas, vasodilatadoras, estimulantes e depurativas

Usos culinários e outros: usa-se para acompanhar a decorar diversos pratos como saladas, sopas, molhos, pratos de peixe e carne | pode ser reduzida a puré com um pouco de mateiga

Designação: Tomilho / Thymus vulgaris

Características genéricas: subarbusto perene, de 0,15 a 0,40m de altura | floração rosada ou branca – Maio / Outubro | aroma forte e intenso

Partes utilizadas: caule florido e folhas

Usos medicinais: um dos melhores anti-sépticos de herbário | útil para o tratamento de infecções dos pulmões, cicatrizante, desinfectante, expectorante, broncodilatador, digestivo e antirreumático

Usos culinários e outros: estufados, guisados, sopas, pratos de carne e peixe, porco, frango e ovos | utiliza-se para aromatizar azeites e vinagres

Fornecimento, épocas de plantação e sementeira

As diversas plantas podem ser obtidas por semente ou multiplicadas por estaca. No entanto, se o seu crescimento for lento ou se apresentarem difícil propagação, poderá recorrer-se à compra das plantas já germinadas para posterior plantação, em viveiro da especialidade.

Regra geral, as plantas herbáceas anuais e vivazes deverão ser obtidas a partir de sementes, sendo as primeiras semeadas na Primavera directamente onde se pretende que cresçam, enquanto as segundas deverão ser semeadas no final do Verão em vasos, guardados num estufim durante o Inverno, sendo posteriormente plantadas ao ar livre na Primavera seguinte.

As plantas arbustivas poderão ser multiplicadas por estacaria dos seus ramos lenhosos, preparando-se as estacas durante o seu período de repouso vegetativo, desde os finais do Outono até ao início da rebentação na Primavera.

Os ramos para as estacas devem ser novos, de preferência formados na Primavera anterior, e estarem bem secos. Cortam-se com um cumprimento igual e entre 0,15 e 0,20m, podendo ser plantados de seguida na mesma posição que tinham na planta-mãe, a 2/3 do seu comprimento, para que possam enraizar.

Para se efectuarem as plantações e sementeiras, o terreno deve estar bem trabalhado e drenado. Caso não se verifique esta última condição, acrescentar-se-á musgo de turfa, terra vegetal à base de folhas ou adubo composto.

Épocas de colheita

No decorrer do desenvolvimento de cada planta há um período que se considera o mais propício para a colheita, no qual cada uma das partes contém o teor máximo de princípios activos perfeitamente desenvolvidos.

De um modo geral, os caules colhem-se no Outono, os botões na Primavera, a colheita das folhas faz-se no período que antecede a época de floração, as flores e as sumidades floridas devem ser colhidas no início do seu desabrochar (antes que as pétalas murchem), e os frutos carnudos e secos colhem-se na maturação.

Quando a planta está seca colhem-se as sementes. As raízes desenterram-se fora do período de plena vegetação da planta, isto é, no Outono ou na Primavera.

Para evitar o apodrecimento é necessário escolher um dia de bom tempo e uma hora em que o orvalho esteja praticamente dissipado e as flores abertas, por exemplo cerca das 9h ou 10h da manhã ou no fim da tarde.

Secagem

À colheita sucede-se a secagem, que possibilita a eliminação de uma certa quantidade de água retida pela planta. É uma operação importante que deve ser realizada de imediato. Assim, antes ainda de dar início a uma colheita, é necessário procurar um local apropriado e preparar os meios para a secagem.

No decorrer desta operação, as plantas não devem ser misturadas. É possível que um molho de plantas necessite de uma lavagem devido ao pó ou à lama na folhagem; nesse caso, deverá proceder-se imediatamente a uma secagem com ar quente, pelo menos até à fase do primeiro emurchimento.

Para acelerar a primeira etapa da dessecação, o emurchimento, as plantas devem ser colocadas ao Sol. Realizado rapidamente, este emurchimento diminuirá os perigos de fermentação se for seguido de uma boa ventilação à sombra.

Os molhos de plantas devem ser pendurados com a parte inferior para cima, em cordas ou arames pendurados numa divisão à altura de um homem.

Folhas, flores e raízes

As folhas e as flores devem ser separadas do caule, e as raízes, cortadas em fragmentos, devem ser colocadas em caixotes cujo fundo foi previamente forrado com juta ou serapilheira, deixando circular o ar fresco vindo de baixo.

A secagem permite eliminar cerca de 50% a 90% do peso inicial da planta, por perda de água. O tempo de secagem deve depender da quantidade de água a eliminar e da resistência da planta á evaporação.

Nas melhores condições a secagem faz-se em 6 dias, e mais frequentemente entre 10 e 12 dias. Se o arejamento for suave, o único inconveniente de prolongar a secagem é o perigo de acumulação nas plantas, pelo que é preferível não ultrapassar as três semanas.

Para avaliar o grau de dessecação das folhas e das flores, é necessário que, ao tocar-lhes, não se sinta qualquer humidade e que estejam rígidas e não quebradiças.

Conservação

Quando estiverem bem secas, as plantas podem ser conservadas, ao abrigo do ar, da luz, da humidade e do pó, em caixas de lata bem fechadas, em sacos de papel grosso fechados com uma fita adesiva ou em sacos de plástico.

Se se adoptar este último modo de conservação deverá ter-se muito cuidado, e oito dias após a embalagem das plantas observá-las com atenção. O mínimo depósito de vapor na parte interna do saco indica que a secagem não foi suficiente e terá de ser concluída.

Em cada uma das embalagens deverá colocar-se uma etiqueta bem visível com o nome da planta e data da colheita. Em geral, as plantas secas tornam-se inactivas ao fim de 6 meses.

Receitas

Bolachas de Alecrim

Ingredientes: 180g (chávena e meia) de farinha | 50g (8 colheres de sopa rasas) de manteiga | 25g (4 colheres de sopa rasas) de açúcar | 2 colheres de sopa de alecrim picado

Preparação: Bata a manteiga com o açúcar até obter um creme leve e macio e em seguida junte a farinha e o alecrim. Amasse bem até formar uma bola, estique-a, com o rolo da massa, numa tábua polvilhada com farinha e corte uns círculos. Coloque-os num tabuleiro untado. Decore com pezinhos de alecrim e leve ao forno a 230ºC durante doze minutos ou até as bolachas estarem firmes e douradas.

Chá gelado de erva-cidreira e hortelã

Ingredientes: 1litro de água | 1 chávena de chá de hortelã | 2 chávenas de chá de erva-cidreira picada | açúcar o mel, q.b. | limão às rodelas

Preparação: Coloque a águas e as folhas numa panela e leve ao lume alto para ferver. Quando ferver, desligue e coe o chá. Deixe arrefecer e adoce a gosto, guardando no frigorífico até à hora de servir. Sirva com rodelas de limão e folhas de hortelã para decorar.

Fonte: Guia “Plantas Aromáticas e Medicinais” editado pela CM de Peniche

Outras receitas

Receitas populares para curar a tosse

Xarope de Amêndoa
Mete-se uma “machinha” de casca de amêndoa a ferver, com um ramo de salsa e uma “machinha” de cascas de cebolas. Tudo a ferver como sendo um chá, depois de já estar fervido, passa-se por um paninho para coar, para tirar, para ficar só o liquido e depois mete-se a ferver com 250 de açúcar louro e aí uns 5 rebuçados peitorais. Tudo a ferver até ficar um bocadinho em ponto, depois põe-se para dentro de um frasco, de um recipiente e vai-se tomando às colheres. (Gracinda Rolho)

Xarope de Cenoura
Põe-se uma camada de açúcar louro no fundo de uma caixa, “vá” de uma tigela, depois a cenoura às rodelas, outra camada de açúcar, outra camada de cenoura e outra camada de açúcar louro. Deixa-se em infusão e vai ficar tudo em liquido e toma-se às colheres. (Gracinda Rolho)

Aguardente queimada com açúcar
Põe-se o açúcar num prato (de esmalte ou de louça, não pode ser de plástico), depois põe-se a aguardente mas não se mexe, larga-se o fogo à aguardente e deixa-se estar a arder. Quando está quase a apagar tem de se começar a mexer, a mexer, a mexer, a mexer até ela apagar por si. (Maria Duarte)

Receitas populares para curar problemas de barriga e estômago

Chá de malvas
Apanha-se as folhas das malvas, lavam-se e põem-se dentro de uma cafeteira a ferver. (Maria Duarte)

Xarope das Folhas da Laranjeira e Oliveira
Umas folhas de oliveira, umas folhas de laranjeira, uma casca de limão (tudo isto é bom para fazer xarope). Põe-se tudo a ferver com água. (Maria Duarte)

Receitas populares para a cicatrização de feridas

Chá de malvas
Apanha-se as folhas das malvas, lavam-se e põem-se dentro de uma cafeteira a ferver. (Maria Duarte)

Receitas recolhidas na freguesia de Vale da Pinta – Cartaxo (Ribatejo)

A propósito deste tema, sugerimos, ainda, a leitura dos seguintes textos:

Fitoterapia – os benefícios de algumas ervas aromáticas

A história da fitoterapia (tratamento à base de plantas) é tão velha como o mundo.

Desde o início dos tempos que o Homem procurou manter a saúde e curar as doenças através do uso de certas plantas, muitas delas conhecidas entre nós como “ervas aromáticas”. Este conhecimento esteve, em tempos, rodeado de segredos e muito ligado às artes mágicas.

A partir dos séculos XVI e XVII, particularmente com os descobrimentos portugueses e a importação de muitas plantas exóticas para a Europa, a fitoterapia entrou numa fase de enorme expansão. Saber mais

À descoberta das esplêndidas ervas aromáticas

Dizem os historiadores que, desde o Paleolítico, o homem se habituou a procurar as ervas mais apropriadas para a alimentação, mas também para a cura dos seus males.

As referências, primeiro em cavernas e, mais tarde, em documentos, são prova disso. A Bíblia, o Talmude e o Corão, por exemplo, mencionam e indicam ervas para uso pessoal e cerimonial.

Mas a proliferação das ervas e temperos está sobretudo ligada à história dos meios de transporte e à imigração de povos.

A sua importância ganha outra dimensão com o empenho dos europeus, em particular dos portugueses, em encontrar um caminho para a Índia, com a finalidade de adquirir especiarias. Saber mais

Doenças e ervas medicinais

Todas as plantas têm princípios activos, capazes de interferir a nível biológico se ingeridos pelo organismo humano. Destiladas, a maioria das plantas produz essências, álcool e gases combustíveis.

Associadas a estas substâncias estão outras que, pela sua concentração, dão propriedades específicas às plantas. Por exemplo, o caso das papoilas que produzem o ópio. Saber mais

As “crendices” das ervas – mezinhas e esconjuros

As “crendices” das ervas

“Como sempre todas as plantas se mostraram importantes para a humanidade, outrora consideradas filhas divinas da Mãe-Terra. Daí a sua também popularização através de envolvimentos mais ocultos pelos seus «atributos mágicos» em

– crendices populares,

– ensalmos,

– esconjuros,

– fórmulas de atalhar

– ou mézinhas

criadas pelas chamadas «mulheres de virtude», «talhadeiras» ou «benzedeiras», pelos feiticeiros ou por tantos de nós em rituais que ainda hoje perduram nas nossas aldeias.

São alguns desses registos que aqui se enumeram porque também fazem parte da vida e da história destas ervas

“Para talhar o zázaro”

(doença da pele que dá nas crianças)

Zázaro anda a saltar
na fonte do pernado
– Disse Deus para S. Mateus:
curas zázaro e zareta
– Com o quê, Senhor?
com a água da fonte
fiolho do monte
sal da marinha
azeite da olívia
com isto
com a graça de Deus
o mal se ausentaria

(Recita-se três vezes em três dias, unta-se a parte afectada com funcho, azeite e água ou machica-se com uma pernica).

“Para matar as lombrigas”

Fazer uma cataplasma de pós de sumagre, de murta, de rosas, de cascas de romã, de baga de acipreste, de bolotas, de alecrim e de rosmaninho – amassado tudo em mel e vinagre e posto no umbigo.

Dizia-se que era remédio certo.

“Alívio dos bruxedos”

Coloque dois ramos de fiolho ou funcho debaixo do travesseiro, ou nos pés da cama, mas em forma de cruz, trazendo alho no bolso e comê-lo.

“Mau olhado e inveja”

Para combater o mau olhado e a inveja nas pessoas, faça fumaças de palhas alhos, arruda e erva da inveja ou congossa, levando as cinzas num farrapo a uma encruzilhada à meia-noite, quando trovejar; se não resultar, ir ao cemitério, trazer um torrão onde se tenha assentado o pé direito e colocar terra em cima de um ramo de sabugueiro, com água de nove fontes, de nove ribeiros e erva de nove terrenos…

“Um ar mau”

Doença que, segundo o povo, se revela por dores fortes de cabeça, arrepios e mesmo febre.

Cura: usar fumos de sementes de nabiça, três areias de sal, três folhas de oliveiras bentas no Domingo de Ramos, três raminhos de alecrim, também bentos, três gotas de azeite e três brasas vivas; a pessoa com este mal deve apanhar o fumo que dali sair passando por ele em cruz.

“Para evitar pesadelos”

Colocar um ou dois pés de alecrim debaixo da almofada que introduzirão ao sono e evitarão pesadelos.

“Para a opilação”

Comer caldos de funchos, espargos-bravos, erva molirinha e serradela. E só beber água de agrimónia, lamegueira e raiz de funcho.

“Remédio para a dor de cabeça”

Alecrim, rosmaninho, arruda, pulitária, aipo, mentrastos e segurelha; – tudo muito bem pisado e colocado na “cova do ladrão”, ao deitar da cama – e diz-se:

Com Deus me deito,
aqui neste leito.
Deito-me doente
e levanto-me escorreito,
em louvor de Sta Maria,
Paz téco aleleuia.
Amén

Doenças e ervas medicinais | Medicina Popular   

Doenças e ervas medicinais

“Todas as plantas têm princípios activos, capazes de interferir a nível biológico se ingeridos pelo organismo humano. Destiladas, a maioria das plantas produz essências, álcool e gases combustíveis.

Associadas a estas substâncias estão outras que, pela sua concentração, dão propriedades específicas às plantas, como é, por exemplo, o caso das papoilas que produzem o ópio.

Existem vários trabalhos dedicados à flora transmontana; como exemplo, em 1984, Berta Nunes, Ana Paula Oliveira e Margarida Cunha Ferreira publicaram um opúsculo intitulado Plantas Medicinais de Barroso,  que está longe de abarcar a totalidade da flora medicinal.

Trata-se de um começo, mas sabemos que de muitas plantas nem se suspeita sequer o poder medicinal, porque não foram testadas nem pelo povo nem pela ciência, que se esqueceu, por exemplo, que as poutegas são boas para acudir à fome de Maio.

Não é nosso propósito reproduzir aqui tal trabalho. Relataremos, isso sim, algumas das moléstias identificadas pela medicina popular e indicaremos o prognóstico e tratamento.”

Doenças: anemia a bronquite

Anemia (identifica-se por uma espécie de fraqueza física) – aliviam-na os bolos de milho untados com azeite. Também um litro de vinho com gemas de ovo e açúcar.

Anginas (amígdalas inflamadas) – tomar mel. Aplicar um emplastro quente à volta da garganta (até aguentar a temperatura) e tomar uma bebida alcoólica (vinho) fervida com açúcar ou mel bem quente.

Asma (identifica-se por uma tosse intensa, rouca e frequente) – alivia-se fumando figueiras-de-inferno.

Bexigas (existem várias afecções da bexiga) – as melhores terapias que se conhecem é evitar as bebidas alcoólicas e beber abundantemente a água pura de Barroso. Também as ervas como a salsa, o morangueiro, as barbas de milho, a carqueija ou qualquer chá de folha de lenhosas parece acalmar os males da bexiga.

Bichas – esfregar as fontes da cabeça com alho, tomar diversos chás (absinto, hortelã, etc.) e fazer uma dieta apropriada à base de azeite e alimentos cozidos.

Bronquite (inflamação dos brônquios) – como para a asma, fumar figueiras-de-inferno ou então defumar-se com eucalipto ou loureiro. Alguns chás (como o de eucalipto) são aconselháveis.

Doenças: calvície a dores de ouvidos

Calvície – se se trata da queda do cabelo numa zona específica (peladas), ferver folhas de nogueira e lavar a cabeça com a água. Também se diz que o tabaco macerado pelo menos oito dias tem um resultado idêntico.

Cabresto (ligamento que, por baixo da língua, impede as crianças de pronunciar correctamente alguns fonemas, nomeadamente o «s») – corta-se a «veia» com a navalha de fazer a barba.

Catarro (tosse e dores nas vias respiratórias) – ferver vinho com açúcar ou com mel e bebê-lo. Sopa de frango e legumes onde se cozeu muita cebola.

Constipação e rouquidão – sopa de frango e muita cebola. Vinho quente com açúcar ou mel.

Coqueluche – xarope de folhas de figueira-de-inferno, de flor-de-sargaço, pinhas-bravas ou agriões.

Diabetes (insuficiência de insulina) – dar açúcar aquando das crises. Tomar onze dias chá feito de dois ramos de alecrim, raiz de salsa, cominhos, raiz de madressilva, cinco pontas de pinheiro e cinco folhas de salva fervido cinco minutos em meio litro de água e adoçado com uma colher de açúcar.

Diarreia – comer farelo. A aguardente com açúcar também é utilizada, assim como o trigo seco, o centeio, chá de marmeleiro e a água de pevides da cabaça.

Dores de dentes – para a dor de dentes o melhor remédio é o óleo de cravo-da-índia (ou o cravo esmagado). O álcool (aguardente) e o fumo de cigarro também são recomendados. Contudo, o remédio mais eficaz é lavar a raiz do dente que dói na pia da água benta da igreja.

Dores de ouvidos – fazer repousar o doente e dar leite de mulher.

Doenças: equimoses a feridas e ferimentos

Equimoses e pisaduras – aplica-se uma bebida alcoólica e a seguir emplastros (como os de papas de linhaça).

Erisipela – caracteriza-se por rubor e temperatura geralmente na cara. É contagiosa. Cura-se com o ar do lume ou colocando um emplastro muito quente.

Escrófulas e ínguas – ranhá-las até fazer sangue e aplicar um unguento especial (de alguns curandeiros) ou então uma casca de cebola embebida em azeite.

Espinhela caída – esta doença é caracterizada por uma astenia global com discurso depressivo. Colocar pimpinelas nas plantas dos pés. Untam-se os pulsos das pessoas com azeite e pendura-se numa trave ou numa porta, esfregando-a até a pessoa ficar extenuada.

Febre – banhos de água fria. Esfregar o doente com urtigas.

Feridas e ferimentos – estanca-se o sangue com a ajuda de garrotes, teias de aranha, açúcar e ligaduras. A saliva do cão acelera a cura, mas podem-se aplicar outras substâncias, sobretudo álcool.

A medicina popular produziu algumas pomadas, como esta receita recolhida em Seselhe: sebo de carneiro branco, sebo de carneiro preto, alvaiado e secante.

Doenças: fígado a gripe

Fígado – evitar as bebidas alcoólicas e beber apenas água pura de Barroso, O chá de marroios e da erva de S. Silvestre também é aconselhável.

Gota — a gota manifesta-se geralmente pelo inchar dos pés e uma dor aguda impedindo a marcha. Também podem existir dores nas outras articulações. Cura-se com uma dieta sem gorduras e sem bebidas alcoólicas.

Por outro lado, pôr a zona atingida (geralmente os pés) em água salgada ou ferver folhas de nogueira e meter os pés nessa água à temperatura mais elevada que se puder aguentar. Dormir com os pés mais altos que o corpo.

Gretas (pele e músculos cortados, sobretudo nas mãos, por causa do trabalho) — esfregar com uma bebida alcoólica. Colocar sabão ou cera em cima das gretas.

Gripe — sopa de frango com muita cebola. Tomar também uma bebida alcoólica quente com açúcar ou mel. O mel, o alecrim, o vinho e a banha de porco fervidos também parecem ser um bom remédio.

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