A Feira de São Marcos (Évora Monte) em 1919

A Feira de São Marcos

“A dois quilómetros de Évora-Monte, fica a capelinha de São Marcos que é uma das mais devotas e pitorescas do Alentejo.

Évora-Monte, como se sabe, é a antiga vila que se ergue sobre um escarpado monte, perto da estrada de Extremoz a Évora, com suas muralhas e castelo da época dionisiana, tendo suas origens árabes.

A São Marcos afluem todos os anos, a 25 de abril, os de Évora-Monte e de outras vilas para festejarem, num misto religioso e pagão, o santo evangelista.

Em volta da capela armam-se barracas, os festeiros satisfazem a fé religiosa e ao mesmo tempo as exigências de estômago e ninguém ignora como os alentejanos gostam de boa e suculenta cozinha.

As merendas à sombra das carvalheiras improvisam-se, juntam-se famílias, organizam-se bailaricos, enchem-se os ares com descantes característicos, reúnem-se as mais lindas caras dos arredores, acotovelam-se os camponeses com a gente ajanotada das vilas e a alegria reina durante um dia inteiro naquele sítio encantador digno de ser visitado pelos nossos artistas e reproduzido nas telas.

Alberto Sousa, o pintor insigne do Alentejo, talvez já tenha fixado os interessantes aspectos do arraial de S. Marcos; se o não fez, decerto o fará, juntando à sua admirável galeria de quadros que são a história e a vida de uma das mais curiosas e ricas províncias de Portugal novos trechos de pintura para o que lhe abundarão os temas cheios de movimento e de cor.

A nossa terra é um país de arraiais, procissões e romarias. Pensar em pôr-lhes termo seria rematada loucura. O povo precisa, precisou sempre, dessas distrações, desses desafogos, d’essas válvulas.

Desde tempos imemoriais que assim foi.

De norte ao sul do país, às festividades a santos e santas, à Virgem sob as mais diversas invocações, aos doutores, aos mártires, aos confessores, aos apóstolos e evangelistas, a todas as potestades do céu, servem de pretexto ou para melhor dizer são um motivo, um importante factor, do tráfico comercial e industrial e um dos meios mais correntes e mais fecundos para o contacto das populações e para o estreitamento das relações que os prendem…”

Na feira de S. Marcos (Évora-Monte) – Merendando

 

A capela de S. Marcos, em volta da qual se realiza a tradicional feira e romaria de S. Marcos

 

Na feira e romaria de S. Marcos

 

Na feira e romaria de S. Marcos

 

Os nossos dois colaboradores à lareira

In “Ilustração Portuguesa”, nº691 – 1919 (texto editado e adaptado) | (Clichés dos distintos colaboradores artísticos da Ilustração Portuguesa, srs. Maia Mendes Lopes e Braz Simões de Sousa)

As romarias do Minho: Romaria de São Torcato (1910)

Romaria de São Torcato

Estamos no tempo próprio das romarias e, de quantas se fazem por essas províncias, as mais concorridas e pitorescas são as do Minho, mercê daquele lindo jardim, exuberante de vegetação, onde toda a terra se desentranha em frutos.

E dos coloridos trajes de cores vivas, garridas, das moças sadias, airosas, adornadas de luzente oiro que lhes emoldura as rosadas faces, suspenso das orelhas em descomunais arrecadas e pingentes a confundir-se no colo recamado de grossos cordões e filigranas do precioso metal.

É um luxo a valer, que, para o possuírem, todo o ano mourejam e de muita coisa se privam, podendo dizer como o filósofo: «que de coisas tem o mundo de que Diógenes não precisa», excepto o lindo oiro, dirão elas.

Pois são assim as romarias, um misto de sacro e de profano, tradições pagãs enxertadas no cristianismo, por uma tendência irresistível dos povos para festas ruidosas em que a invocação religiosa é um pretexto para folgar e divertir-se em certos dias do ano, como era uso nos povos antigos.

Com isto movimentam-se as populações e o comércio.

O povo alivia as tristezas de todo o ano e alegra-se algumas horas, cantando, dançando e bebendo mais à vontade, enquanto vai deixando cair na bandeja do santo da sua devoção o tributo voluntário que entende dever pagar-lhe pelos milagres que lhe fez durante o ano.

Há que distinguir neste ponto a boa vontade do contribuinte, em contraste com a relutância com que ele paga as contribuições do Estado, o que só se explica pelo Estado não fazer os milagres por mais que o povo lhos peça.

Pobre povo! Tens razão!

Romaria, tempo e lugar de alegria!

Romarias, romarias, é tudo quanto te resta para folgares alegre, enquanto te não matarem no coração a perfumada flor da crença, que te suaviza as agruras da vida.

E chega o verão e com ele toda a natureza se alegra.

Pelas lindas terras do Minho sucedem-se as romarias, mas dentre todas a mais concorrida é a de S. Torcato, entre Braga e Guimarães, em lugar fertilíssimo e muito pitoresco.

Nos primeiros dias de Julho, a povoação toma o aspeto das grandes festas que vão realizar-se no primeiro domingo do mês.

Romeiros de perto e de longe

De muitas terras de Portugal e até da Galiza, chegam romeiros, e as estradas alastram-se dos forasteiros, os que vem a pé, a cavalo e em carros de toda a espécie um despejar de gente que enche as cercanias da igreja de São Torcato, que lá do alto é testemunha dos numerosos romeiros que se espalham pelos lindos campos em redor.

Por aqui e por ali armam-se barracas de venda.

Ouvem-se descantes e toques ao som dos quais o povo dança em grande contentamento e alegria, que mais se expande a cada momento que os foguetes de grandes bombas estalam no ar com enorme estrondo.

Por toda a larga avenida que conduz à igreja, erguem-se mastros embandeirados, matizando o céu de azul intenso com o variegado de suas cores.

À sombra das árvores que orlam o caminho, enfileiram-se as barracas onde os forasteiros comem e bebem e em frente tocadores e cantores estendem a escudela pedindo alguns cobres.

Os mais cuidadosos do seu físico entregam-se às mãos de barbeiros ambulantes, que na via pública abrem o seu salão com uma cadeira e um chapéu-de-sol.

A procissão

Chega a hora da procissão, um misto de cortejo cívico e préstito religioso, com seus carros triunfais alegóricos até aquele em que vem o São Torcato.

Abrem a procissão alguns soldados da cavalaria municipal do Porto e logo seguem as irmandades ladeando os clássicos anjinhos, de asas ao vento, alguns ajoujados ao peso dos cordões e medalhas de ouro que lhes cobrem o bustozinho tenro.

Vem agora o primeiro carro, ou melhor, um alto trono, que à primeira vista não se percebe como se move.

O trono desce quase ao solo, sobre um estrado coberto em roda, e só quem perscrutar com curiosidade conclui que toda aquela enorme fábrica é conduzida por uns tantos homens que se ocultam sob o estrado e as cortinas.

É formidável o trono, todo de doiraduras de cima a baixo.

As imagens da Virgem e de São Torcato

Lá no alto a imagem da Virgem, de tamanho natural, e a de São Torcato paramentado, ante um altar completo do tamanho do de qualquer capela.

Para baixo estendem-se os degraus por onde se sentam oito meninas vestidas de azul e véus brancos, as quais quando o préstito pára, cantam loas e gesticulam automaticamente, apontando para São Torcato, que vai lá em cima.

Continuam as irmandades com suas cruzes, anjos e engenhos, entremeiam-se músicas pelo cortejo e tudo precede outro carro, ainda mais alto, no seu trono.

No topo, como emergindo de espessas nuvens de algodão em rama, se vê figurada a Santíssima Trindade do Padre, Filho e Espírito Santo, e logo abaixo S. Torcato, de vestes prelatícias, com outras figuras alegóricas compõem o quadro, além de mais meninas vestidas como as do primeiro carro, que também cantam loas.

A estes carros segue-se uma urna conduzida por quatro rapazes mascarados de sacerdotes, significando a trasladação de S. Torcato, que se realizou há mais de meio século.

Finalmente, fecha a procissão o pálio, músicas e muito povo que faz acompanhamento, não sendo raro ver um e outro grupo dançando ao compasso dos trombones e do bombo.

As festas prolongam-se pela noite e dia seguinte com as iluminações características do Minho, com fogos-de-artifício, muito vinho e suas escaramuças de pauladas, efeitos do álcool, dos ciúmes de namorados, ou de ajuste de contas de alguma rixa velha, aprazada para a romaria.

Igreja de São Torcato
A Procissão – O grande andor da Virgem com São Torcato

C. A.

Fonte: “Occidente”, n~1137 – 1910 (texto editado e adaptado)

A Feira do Cartaxo (Ribatejo) em 1912

Feira do Cartaxo

A feira do Cartaxo [em 1912] compunha-se de 93 barracas de diversas especialidades, tendo aparecido grande número de géneros à venda e havendo uma excepcional concorrência.

O que mais afluiu ao mercado foi a fruta e sobretudo as castanhas e as nozes da região, que são esplêndidas.

Dos arrabaldes vieram muitos forasteiros, pelas largas estradas cheias de pitoresco passaram os carros e as montadas que conduziram toda aquela gente.

No meio das notas características da feira apareceram também, num alarde civilizado, os animatógrafos, onde o povo se divertiu tanto como na tourada, que foi magnífica.

Na feira
Vindo do arrabalde do Cartaxo.
Forasteiros
Raparigas da localidade
Conversados

Fonte: “Ilustração Portuguesa”, nº 352 – 18 de Novembro de 1912

Feira dos Santos – Cartaxo

A Feira dos Santos, no Cartaxo, realiza-se 1 de Novembro.

Em 1 de Novembro – na Liturgia Católica, Dia de Todos-os-Santos – todas as estradas do Ribatejo, Oeste e regiões limítrofes convergem para o Cartaxo, a fim de virem comparticipar com os cartaxeiros a realização da sua Feira maior!

De facto, a “Feira dos Santos“, nesta castiça cidade ribatejana, tem foros de interesse regional desde há muitos anos.

No séc. XVII, na Quinta do Senhor Jesus, ou melhor, na então Quinta do Moinho da Fonte, célebre pelos milagres do seu Santo Cristo, nasceu por mercê real, em 1654 uma feira que era a primeira que cá no burgo se efectivava, sendo instituído o dia que caísse o 3º domingo de Agosto.

No centro da vila do Cartaxo haviam os frades franciscanos mendicantes erigido um convento, em cuja cerca havia um pequeno bosque no qual, no dia 18 de Novembro se travou um combate sem consequências notáveis, entre as tropas portuguesas e as invasoras napoleónicas comandadas pelo General Massena.

Esse bosque foi destruído e muitos anos mais tarde o convento foi transformado em sede municipal, funcionando lá a Câmara Municipal, algumas escolas, o Tribunal e a cadeia comarcã. Ler+

A Feira dos Santos – Cartaxo – Ribatejo

A Feira dos Santos – resenha histórica

A Feira dos Santos, no Cartaxo, realiza-se 1 de Novembro

Em 1 de Novembro – na Liturgia Católica, Dia de Todos-os-Santos – todas as estradas do Ribatejo, Oeste e regiões limítrofes convergem para o Cartaxo, a fim de virem comparticipar com os cartaxeiros a realização da sua Feira maior!

De facto, a “Feira dos Santos“, nesta castiça cidade ribatejana, tem foros de interesse regional desde há muitos anos.

No séc. XVII, na Quinta do Senhor Jesus, ou melhor, na então Quinta do Moinho da Fonte, célebre pelos milagres do seu Santo Cristo, nasceu por mercê real, em 1654 uma feira que era a primeira que cá no burgo se efectivava, sendo instituído o dia que caísse o 3º domingo de Agosto.

No centro da vila do Cartaxo haviam os frades franciscanos mendicantes erigido um convento, em cuja cerca havia um pequeno bosque no qual, no dia 18 de Novembro se travou um combate sem consequências notáveis, entre as tropas portuguesas e as invasoras napoleónicas comandadas pelo General Massena.

Esse bosque foi destruído e muitos anos mais tarde o convento foi transformado em sede municipal, funcionando lá a Câmara Municipal, algumas escolas, o Tribunal e a cadeia comarcã. Foi o edifício que ardeu.

Mudanças de local

Como a Quinta de Santo Christo ficava longe, com a construção há mais de 100 anos da Praça de Touros, a feira foi deslocada para a “Cerca” do antigo convento e circundante da novel Praça taurina.

A rua do carril, prolongando-se para a Perna de Pau, através da Rua dos Eucaliptos tornara-se, com o advento do automobilismo, a Estrada Santarém-Lisboa, e a consequente passagem de muitos automóveis mais veio intensificar o interesse dos feirantes, transformando a Feira dos Santos talvez numa das maiores do Ribatejo:

– de Vila Nova de Ourém vinham os madeireiros com as mobílias em pinho;

– de Alcobaça também vinham as pessoas da fruta, que se estreavam precisamente aqui;

– da Guarda, os homens das castanhas;

As nozes vendiam-se às sacas, as mantas de Minde, os cobertores e as lobeiras de Trinta e da Serra da Estrela vinham engrossar as mercadorias que, além dos gados em que o concelho era farto, se vinham aqui vender em vultuosos montantes.

As célebres entradas de touros, para as corridas da Feira, eram sempre motivo de muita agitação, havendo às vezes fugidas dos bravos animais cornudos, que no seu deambular procurando a pastagem, a destruíam e maltratavam tudo o que lhes ficasse no caminho.

Vítima do progresso, a Feira dos Santos viu-se transportada do seu “habitat” natural, primeiramente para as Avenidas Novas, e ultimamente para o local onde está já há vários anos.

Entretanto a Câmara Municipal construiu um Pavilhão de Exposições para exibição das Actividades Produtivas do concelho e para sua promoção, mandou realizar espectáculos de folclore e outras manifestações paralelas.

In “O Povo do Cartaxo”, 1.11.84 (texto editado e adaptado) | Imagem de destaque: Passeando na Feira do Cartaxo, em 1912 (Ilustração Portuguesa, nº 352 – 18 de Novembro de 1912)

Pode ver imagens da Feira do Cartaxo, em 1812, aqui.

A Feira das Nozes de São Mateus – Olival

Feira das Nozes de São Mateus

A feira das nozes de S. Mateus é das mais pitorescas que se realizam no país, atrai grande concorrência, fazem-se ali bons negócios e tem o aspeto característico de uma romaria com os seus inalteráveis costumes.

As barcaças carregadas de nozes que aproam à terra são uma das partes mais interessantes dessa festa.

Perto delas se aglomera o povo em danças e descantes celebrando o fruto que dá o nome à feira, que há dias se fez em Arenelas [Arnelas], um dos mais atraentes lugarejos do norte de Portugal.

Ilustração Portugueza, II série, nº399 – 13 de Outubro de 1913

*****

Arnelas é um lugar da freguesia de Olival, concelho de Vila Nova de Gaia.

No reinado de D. João V foi criada em Arnelas uma feira anual denominada por Feira das Nozes, também chamada Festa de São Mateus, que ainda hoje se mantém, contando com cerca de dois séculos de existência.

Chegou a ter a duração de 15 dias, e terminava no dia 21 de Setembro, dia de São Mateus, numa espécie de ritual que fecha o Verão e comemora a chegada do Outono.

Nas imagens: As barcas em Arnelas [Arnelas]. (Clichés do distinto fotógrafo amador sr. Francisco Viana).

Feira da Agonia (Viana do Castelo – 1919)

Feira da Agonia

Foram extraordinariamente concorridos os festejos em honra da Senhora da Agonia, que se realizaram na histórica e encantadora cidade de Viana do Castelo.

Justifica-se, porém, o grande entusiasmo que este ano houve pela romaria.

Tinham já regressado os que em terras longínquas andavam empenhados nos duros trabalhos da guerra e traziam pesarosos os corações daqueles para quem eram bem caros.

Estas tradicionais festas, de resto, sempre animadas, são sobejamente reconhecidas como as mais importantes de toda a província do Minho. Assim é que, nos quinze dias em que dura a feira anual, uma numerosa multidão de forasteiros vindos de todo o norte e sul do nosso país, e mesmo das províncias fronteiriças da Espanha, proporciona ao amplo Campo d’Agonia, onde ela se realiza, um invulgar movimento.

E, para se ajuizar do valor da tradição miraculosa da Virgem d’Agonia, que de eras bem remotas se tem conservado integralmente até aos nossos tempos, bastará citar que todo o emigrante minhoto de visita ao seu berço natal ali chega próximo das festas ou se demora até elas.

É nos três primeiros dias da feira, ou seja, em 18, 19 e 20 de Agosto, que os festejos revestem maior brilhantismo, tendo então lugar os actos divinos.

As iluminações e os fogos-de-artifício são dum efeito maravilhoso, que prende o visitante que, tendo participado da peregrinação ao monte de Santa Luzia, se extasiará ante o panorama sobremaneira espaçoso e admirável que dali se domina, destacando-se, além do oceano, o rio Lima, marginado de frondoso arvoredo, alternado de lindas povoações e poéticas igrejas e ermidinhas.

Imagens

Um rancho de lavradeiras nos seus trajes regionais.
Grupo de cantadeiras, tipos característicos dos arraiais do norte.
Outro grupo de lavradeiras passeando no Campo da Agonia, fronteiro ao templo em que se venera a imagem da Virgem da Agonia.
Os «Zé-Pereiras», outros tipos característicos das nossas romarias do norte, onde são muito apreciados.
Um trecho das ornamentações dos vasto Campo da Agonia e um grupo de «Zé-Pereiras»

(«Clichés» do distinto amador sr. M. Vieira)

Ilustração Portugueza – II série – nº708 – 15 de Setembro de 1919 (texto editado e adaptado à grafia atual)

Festa da Senhora do Monte | Monte – Madeira

Festa da Senhora do Monte

Festa, festa mesmo, na Madeira são «As Festas», ciclo natalício que começa com as «missas do parto» e culmina apoteoticamente na «passagem do ano», com o magnífico fogo-de-artifício sobre a baía do Funchal, concentrando muita gente que se desloca do interior para participar no acontecimento.

Depois ainda há, nas comunidades mais tradicionais, o «dia de reis».

Mas as festas religiosas evocando patronos dos vários sítios são pedra essencial para a devoção de uns e a organização dos espaços lúdicos de outros. De entre estas celebrações, a mais marcante continua a ser a da Senhora do Monte, em Agosto.

A igreja fica no cocuruto do anfiteatro que sai do mar, deixa construir a cidade do Funchal e vai avançando num crescendo até às serranias.

Quase no alto fica a freguesia do Monte, um microclima bem demonstrado na vegetação «exótica».

As festas são de arrasar, embora hoje demasiado invadidas pelo «plástico» e por «romeiros» citadinos pouco envolvidos na mística que vale a deslocação para muitos outros. Marcam o colorido barracas de comes e bebes e tendas que vendem chapéus de palha, tradicionais bonecos de massa e rebuçados artesanais.

Há que beber água da fonte do largo onde era o terminal do único comboio que já houve na ilha.

Características da festa

É na noite de 14 para 15 de Agosto que a coisa é de arromba.

É tal a multidão que quase não se consegue andar pelas alamedas que levam do largo até à enorme escadaria por onde se chega ao templo, de frontispício que se impõe de longe, com as suas duas torres e a brancura do paredão sobressaindo da verdura do arvoredo, e onde a Senhora está exposta em altar magnificamente ornado de flores.

Por tradição deve ser o vinho a escorrer pelas gargantas, mas já há muita carraspana «miseravelmente» apanhada com botelhas da boa cerveja madeirense.

As espetadas de tenra carne de vaca são também indispensáveis, acompanhadas do «bolo de caco», uma amassadura especial que dá um pão único, de chorar por mais.

Como nem tudo neste mundo são venalidades que nos levam inexoravelmente aos pecados capitais – e este tipo de celebrações facilita premissas que não nos conduzem apenas ao da gula…-, há os romeiros que ali vão para, ao arrepio incréu da maioria, pagarem promessas com o recolhimento ou a expressão pública, como cada um prefere.

Pungente atitude devota, ela será, ainda, um elemento essencial da Festa da Senhora do Monte, padroeira com fama de não abandonar quem a ela pede intercessão para males e «sem remédios».

Outras festas na Madeira

Não será justo apegarmo-nos à tradição que manda falar da «festa do Monte» sem realçarmos outras celebrações:

Machico inclina-se ao Santíssimo Sacramento no último Domingo de Agosto: a não perder;

– no mesmo dia, S. Vicente destaca o seu santo padroeiro;

Câmara de Lobos e principalmente a Ribeira Brava, comunidades à beira-mar, foram seduzidas por São Pedro (28 e 29 de Junho);

– na Ponta do Pargo, ainda em Agosto, a festa do sítio do Amparo;

– no Porto Santo, a sequência que vai de 14 de Agosto ao final de Setembro: festa da Graça, festa de Senhora da Piedade, festa do Santíssimo Sacramento.

Destaque dos destaques: a festa do Senhor Bom Jesus, que se realiza em Ponta Delgada, na costa norte.

Reza a lenda que este Senhor crucificado deu à costa, dentro de um caixote, vindo sabe-se lá de onde, corria o ano de 1540, «em que o reino de Inglaterra padeceu a maior perseguição da Heresia, por Henrique VIII».

Terá fugido a imagem pia num barco que naufragou? Terá sido pura e simplesmente deitada ao resguardo do mar, num extremo salvamento, em qualquer praia britânica? A verdade é que se tornou milagreira, escapou a incêndios que destruíram totalmente o templo e persiste, dando alento a crentes.

O arraial é enorme, a ele chegam romeiros para passarem a noite sob as latadas das vinhas que dão o magnífico «americano», ou em folias pouco recatadas em que os despiques com quadras picantes, acompanhadas de instrumentos musicais tradicionais, são uma imprescindível harmonia para suportar o relento.

A procissão é grande, rica e muito penitente.

Pelas ruas come-se bem, bebe-se melhor, namora-se, compram-se recordações, um Bentinho ou pagela para pôr na aba da chapelona. É da tradição. Que aqui se mantém.

Fonte: In GUIA Expresso “O melhor de Portugal” – 12 – Festas, Feiras, Romarias, Rituais | Imagem

Festa das Cruzes em Barcelos | Minho

Festa das Cruzes – Barcelos

A Festa das Cruzes, em Barcelos, assinala-se todos os anos no princípio de Maio.

O dia 3 de Maio é consagrado ao Senhor Bom Jesus da Cruz e é feriado municipal em Barcelos. A festa tem normalmente 5 dias, incluindo o dia 1 e 3 de Maio.

A Festa das Cruzes é a primeira grande romaria do Minho e é também o retrato do Barcelos autêntico nas suas mais originais tradições religiosas, etnográficas e culturais.

As suas origens remontam ao início do séc. XVI e tem origem no milagre das Cruzes, que aconteceu em 1504.

Este facto motivou o nascimento da devoção ao Senhor da Cruz e, posteriormente, a construção do templo barroco, em pleno centro da cidade.

Até ao séc. XX, a festa tinha exclusivamente um cariz religioso. No séc. XX anexaram-se elementos de animação das festas populares.

Barcelos em Festa!

Actualmente, na Festa das Cruzes, Barcelos ganha um aspecto peculiar.

Nestes dias, a cidade recebe milhares de visitantes e forasteiros, nacionais e estrangeiros, que chegam para apreciar os Ranchos Folclóricos, os Zés-Pereiras, as Bandas de música popular, os grupos de cantares populares.

Também os tapetes de flores naturais – que todos os anos engrandecem o Templo do Bom Jesus da Cruz -, a grandiosa procissão da Invenção da Santa Cruz e as grandiosas sessões de fogo-de-artifício e piromusical, que iluminam as margens do rio e embelezam todo o centro histórico da cidade.

Nas Cruzes respira-se em Barcelos o ar típico das romarias minhotas, com os “comes e bebes”, os cantares ao desafio, o artesanato ao vivo, os cortejos etnográficos, as concertinas, o estalejar dos morteiros, o arraial.

Sem esquecer a alegria do povo e toda envolvência cultural e etnográfica associada às romarias populares que fazem desta uma das maiores de Portugal.

São manifestações de uma alegria contagiante que anunciam que Barcelos está em Festa!

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Lenda de Nossa Senhora da Enxara – Campo Maior

Nossa Senhora da Enxara

Reza a lenda de Nossa Senhora da Enxara que, certo dia, uma mulher estava a lavar roupa no rio, tendo por única companhia a sua filha que brincava.

A criança, depois de se ter afastado da mãe para brincar, regressou pouco depois trazendo um brinco de ouro. Afirmava que o mesmo lhe tinha sido oferecido por uma senhora muito bonita.

Rapidamente, a mãe quis saber onde estava a tal senhora. Quando chegaram ao local onde a menina diz ter encontrado a senhora, viram uma imagem de Nossa Senhora sobre uma pedra redonda.

Esta é a imagem que se encontra hoje no Santuário.

A população, ao ter conhecimento do sucedido, decidiu construir uma capela a meio do caminho. No entanto, todas as manhãs a imagem da Senhora desaparecia para logo ser encontrada no local original.

Consciente de qual era a vontade da Senhora, a população decidiu construir um Santuário, no local onde a imagem tinha sido encontrada. Deste modo, guardavam e homenageavam a imagem de Nossa Senhora da Enxara.

Diz a tradição que, quando não havia água nem chovia em Campo Maior, se realizava uma procissão.

Durante este procissão, os habitantes locais deitavam a pedra ao rio, para que Nossa Senhora fizesse chover.

Quando tal acontecia, procediam então ao ritual inverso: retiravam a pedra do rio, iam colocá-la de novo na Capela e sobre ela recolocavam a imagem de Nossa Senhora.

Romaria de Nossa Senhora da Enxara

Na vasta região do Alentejo, em pleno concelho de Campo Maior e próximo da freguesia de Ouguela, está localizado o Santuário de Nossa Senhora da Enxara, famoso pelas festividades características que se realizam em cada Semana Santa.

Todos os anos, na Quinta-Feira Santa, a imagem de Nossa Senhora da Enxara é transportada em solene procissão desde a Igreja da Ouguela até ao Santuário, situado a alguns quilómetros de distância, regressando ao local habitual na Segunda-feira a seguir à Páscoa.

No fim-de-semana da Páscoa (entre Sexta-Feira Santa e Segunda-Feira), o Santuário de Nossa Senhora da Enxara, ao qual está ligado aquela antiga lenda, enche-se de visitantes e curiosos, mas principalmente de fiéis que celebram a sua fé através da devoção Mariana.

A Festa consiste, essencialmente, numa Missa campal e procissão, tourada e outros divertimentos (carrosséis, barracas de comeres, baile, etc.).

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Romarias e Festas Populares em Março

Durante o mês de Março, realizam-se as seguintes Romarias e Festas Populares em Portugal:

Todas as sextas-feiras que vão do Carnaval à Páscoa

Sete Passos | Freixo de Espada à Cinta

Procissão da religiosidade popular, que representa a encomendação das almas, de origem medieval e que sobreviveu até aos nossos dias.

Realiza-se nas sete sextas-feiras que vão do Carnaval à Páscoa (Quaresma), a partir da meia-noite, com total ausência de luz elétrica nas ruas.

local: Principais ruas da Vila | GPS: 410.921.184 -68.053.106

Dia 12

Romaria a São Gregório | Armamar

Esta romaria celebrava-se a 12 de março em Santa Cruz junto da capela do santo.

Em tempos passados, o santo era venerado de forma especial pelos trabalhadores das quintas do Douro, uma vez que a partir desta data passavam a ter direito às merendas, que eram depois retiradas no dia de Nossa Senhora dos Remédios, a 08 de setembro.

Tinha também lugar uma feira muito concorrida, onde eram comercializados essencialmente produtos e utensílios para a agricultura, artesanato (latoaria) e doçaria (as falachas).

Nela também se vendiam os piões com que as crianças se divertiam em alegres brincadeiras.

Atualmente, a festa é celebrada a 20 de agosto (e não acontece todos os anos).

A feira ainda se realiza a 12 de março, mas a sua importância esmoreceu um pouco.

local: Santa Cruz | GPS: 41.062.498 -7.693.304

Dias 14 a 22

Festa de São José – Festas concelhias | Póvoa de Lanhoso

No feriado municipal, a 19 de março, comemora-se a Festa de S. José, naquela que é das mais antigas romarias minhotas.

Com celebrações de cariz religioso, esta romaria está profusamente marcada pela vertente económica que os negociantes trazem à vila e pela animação sociocultural sempre presente.

local: Praça Eng.º Armando Rodrigues | GPS: 41,575754 8,269477

Dia 19

Festa de São José | Tore de Moncorvo

A comemoração do feriado municipal, com a data de 19 de março, foi proposta em 1980, por ser dia de S. José e dia de festa na terra.

Mas só em 1981 é constituída a primeira comissão para promover os primeiros festejos deste feriado, que se tem realizado até aos dias de hoje.

O cartaz festivo é muito diversificado, desde Arruadas, seguido do Hastear da Bandeira Nacional e do evento nos Município nos Paços do Concelho, com a participação

– do Coro e Grupo de Cavaquinhos da Escola Municipal Sabor Artes;

– Agrupamento de Escuteiros 788;

– Corpo dos Bombeiros Voluntários de Moncorvo

– e GNR-

Procissão e Missa Solene em honra de S. José, homenagem aos funcionários aposentados do município e atuação das bandas filarmónicas e grupos musicais.

local: Centro Histórico da Vila de Torre de Moncorvo | GPS: 4.117.403 -705.235

Último fim-de-semana

Romaria de Nossa Senhora da Cabeça | Penedono

A Romaria da Senhora da Cabeça decorre na ermida com a mesma designação.

Ali acorrem milhares de romeiros essencialmente em busca da cura dos males da cabeça.

Conta com eucaristias, procissões do dia e das velas, feira e muita animação.

Um dos pontos altos desta festa é na tarde de domingo, as romarias dos gados.

Os pastores levam os seus rebanhos, normalmente todos engalanados com “franjas de lã colorida”, e ali dão voltas à capela pedindo a sorte para os rebanhos e abundância nas produções agrícolas.

local: Capela da Senhora da Cabeça | GPS: 40.917706 -7.382778

Fonte: informações retiradas daqui 

Festa em honra de São Sebastião | Vila Grande

Festa em honra de São Sebastião em Vila Grande (Dornelas) – Boticas

Todos os anos, no dia 20 de Janeiro, realiza-se em Dornelas aquela que é umas das mais importantes festas de cariz comunitário: a Mezinha de S. Sebastião ou a Festa das Papas, como era inicialmente conhecida.

As origens desta festa perdem-se nos tempos. Diz a memória popular que aquando das invasões francesas, o povo de Vila Grande avistou os soldados a passar numa estrada, a estrada velha, perto das aldeias do Couto de Dornelas e sabendo que por onde passavam, saqueavam tudo, imploraram a protecção divina.

Pegaram na imagem de S. Sebastião, saíram com ele à rua, levaram-no até à torre da igreja e prometeram ao Santo que todos os anos realizariam uma festa em sua honra se as tropas não descessem até às aldeias. Eis que o milagre se deu, as tropas seguiram e o povo, agradecido, cumpriu a promessa.

A organização desta festa, refeição comunitária está a cargo dos mordomos, inicialmente os 9 maiores lavradores da aldeia de Vila Grande que eram tinham mais posses, num sistema de rotatividade entre eles.

São os mordomos, com a ajuda de familiares e amigos, que arranjam e preparam a comida servida na refeição comunitária (pão, carne e arroz). Dada a dimensão desta festa, tudo tem que ser preparado com muita antecedência.

A recolha das ofertas: cereais, carne de porco e dinheiro

Por altura do Natal, andam pelas casas das aldeias da freguesia a recolher os cereais (centeio e milho) para fazer as broas.

Em Janeiro, recolhem os restantes donativos: carne de porco (essencialmente peito e queixadas) e dinheiro para comprar o arroz. Além de procederem à recolha destes produtos, arranjam lenha para cozerem as broas e para cozerem os alimentos; e procedem à moagem dos cereais em dois moinhos locais.

A comida é confeccionada na “Casa do Santo”, construída para o efeito. Tem uma cozinha com uma lareira, um forno grande e uma sala para armazenar as broas. Durante cerca de cinco dias e cinco noites cozem as centenas de broas que vão ser distribuídas ou vendidas no decorrer da festa.

Dia 19, à meia-noite, acendem o lume na lareira da “Casa do Santo”, à volta do qual dispõem mais de 20 potes de ferro com a carne partida aos bocados, a cozer.

No dia 20 de janeiro, dia da festa!

No dia 20, assim que toca o sino para a missa, colocam-se os potes com o arroz a cozer. Finda a missa, seguem em procissão com o Santo até à “Casa do Santo”, onde o padre procede à bênção do pão, da carne e do arroz. Pode então iniciar-se a distribuição da comida.

Na principal rua da aldeia de Dornelas, ao longo de centenas de metros, estão colocados os bancos de madeira, cobertos com alvas toalhas de linho – a mesa – onde será colocada a comida: broa e dois pratos de madeira, um com carne outro com arroz.

Esta refeição é para todas as pessoas que a ela acorram. Pratos e talheres cada um leva os seus, assim como a bebida para acompanhar tão salutares alimentos.

Entretanto, o mordomo percorre a mesa dando o São Sebastião a beijar e recolhendo as dádivas que cada romeiro queira oferecer ao Santo.

Dizem que, por ser benzida, esta comida tem propriedades curativas; de tal forma que as broas podem-se guardar muito tempo que não criam bolor. Tais são os benefícios que lhe atribuídos, que muitos são os que levam pedaços, senão mesmo broas inteiras, para casa, para comer ou dar aos animais para que não padeçam de maleita nenhuma.

Fonte: CM de Boticas (texto editado e adaptado) | Imagem recolhida na net

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