As refeições no tempo dos nossos avós – TMAD

As refeições no tempo dos nossos avós – Trás-os-Montes e Alto Douro

«A Montanha», região a Nascente de Chaves

Comidas dadas aos trabalhadores rurais na segada e malhada dos cereais e cava das vinhas:

Mata-bicho – ao levantar.

Almoço – Batatas, bacalhau ou carneiro, pão e vinho à discrição e caldo.

Boquejo, entre o almoço e o jantar – Bacalhau assado com pimentos e pão e vinho à discrição;

Jantar, ao meio-dia – Caldo, dois pratos, pão e vinho à discrição.

Merendico – Comida leve, mas pão e vinho à discrição.

Merenda – Carneiro ensopado com trigo, arroz com bacalhau, pão e vinho à discrição.

Ceia, à noite – Batatas cozidas, temperadas com azeite ou feijões com couves, caldo, pão e vinho à discrição.

Para os segadores de feno há ainda mais cuidado: linguiças, salpicões, arroz de coelho, rabanadas, letria.

Vila Pouca de Aguiar

Mata-bicho – Aguardente e pão.

Almoço, das 8 às 9 horas.

Boquejo, das 10 às 11 horas – Cibo de queijo, uma pinga, um bocado de broa.

Jantar, das 12 às 13.

Parva, às 14h – Bolos de bacalhau e pinga

Merenda, às 16 horas – Sardinhas e, às vezes, pinga.

Ceia, às 20 ou 21 horas.

Valpaços

Mordico – Primeira refeição antes do almoço, de manhã cedo.

Almoço, às 7,30 ou 8 horas.

Boquejo, entre o almoço e o jantar, às 10 horas – Comida fria.

Jantar, ao meio-dia.

Merenda.

Ceia.

Quinta da Aguieira, perto de Torre de D. Chama, Concelho de Mirandela

Refeições de Março a fins de Setembro

Parva, às 8 horas – Pão, aguardente e figos.

Almoço, às 11 horas – Pão, caldo e batatas ou só pão e caldo.

Mordico ou taco, às 12 horas – Ovos preparados de qualquer maneira e azeitonas.

Jantar, às 15 horas – Caldo, milhos e carne cozida com batatas.

Merenda, às 17 horas – Feijões com carne, pão e vinho.

Ceia, às 22 horas – Pão, caldo e castanhas, no Inverno, e pão, caldo e batatas ou salada, no Verão.

A parva, o mordico e a merenda não se usam de Setembro a Março.

 

Religiosidade, crenças e superstições no Alto Minho

Religiosidade, crenças e superstições no Alto Minho

Romarias e ermidas

As ermidas, situadas no cimo de elevações sobranceiras aos povoados, atraem geralmente as romarias mais arcaicas.

Segundo crença, que remonta à Idade Média, essas ermidas situadas no alto dos montes protegiam as populações, os seus gados e culturas. Eram fundamentais para a realização das procissões propiciatórias de ladainhas e de clamores que o cristianismo medieval e moderno tão bem acolheu. As que se situam no limite de freguesias passaram a ser frequentadas por populações vizinhas.

Na Ribeira Lima existem antigas e afamadas romarias como as de

– S. Silvestre de Cardielos (Viana do Castelo),

– S. Bartolomeu de Ponte da Barca,

– S. Bento de Ermelo (Arcos de Valdevez),

– S. Bento do Cando da Gavieira (Arcos de Valdevez)

– e de Nossa Senhora da Peneda (Arcos de Valdevez).

Também existem grandes romarias de invocações modernas, caso da

Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo,

– da Nossa Senhora da Boa Morte da Correlhã (Ponte de Lima)

– ou do Senhor da Saúde em Sá (Ponte de Lima).

Clamores

Os clamores eram procissões em que os participantes rezavam a cantavam o mais alto possível, em que se “berravam as preces”. Isso para que a petição ecoasse o mais longe e alto possível e, desse modo, chegasse aos céus. Nestes clamores, iam à frente os tamborileiros, espingardeiros e, por vezes, homens com foices e gadanhas, pois o barulho fazia parte dos ritos mágicos essenciais ao afugentar de males.

Enterros de devoção

Os enterros de devoção, um costume muito usual no Norte de Portugal e no Sul da Galiza, praticavam-se no santuário da Peneda (Arcos de Valdevez), assim como noutros santuários da Ribeira Lima.

Tratava-se de uma promessa em que uma pessoa, geralmente curada de doença, tinha de participar na procissão dentro de um caixão, fazendo-se transportar em funeral, como se estivesse morta.

Culto ao Espírito Santo

O culto do Espírito Santo encheu a região de santuários e de capelas, mas foi sendo esquecido.

Houve importantes confrarias do Espírito Santo em Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez.

A devoção ao Espírito Santo esteve em voga, nos finais da Idade Média, quando se espalhou por Portugal continental e passou aos Açores.

Outras modalidades de religiosidade popular

A religiosidade popular apresenta outras velhas modalidades.

Por exemplo, a crença de que, em certas noites, a freguesia era percorrida pela procissão de defuntos. A tradição apoiava-se em inúmeras histórias, como a de Beiral (Ponte de Lima), mas em muitos outros locais eram conhecidas idênticas narrativas.

A crença em bruxas e no diabo também estava bem arreigada nas mentes populares.

Do diabo todos tinham medo. Este aparecia, de noite, nos caminhos, nos terreiros e mesmo nos recantos mais escuros das casas.

De lobisomens, pieiras de lobos e feiticeiras nem é bom falar! Até se conhecem locais assiduamente frequentados e peripécias com alguns daqueles que os tiveram de enfrentar.

Fonte: “Cores, sabores e tradições – Passeios no Vale do Lima” | Imagem de destaque

 

Lavrador da Arada ou o Divino Pobrezinho

O “Divino Pobrezinho” ou o “Lavrador da Arada”

Vindo um lavrador da arada,
Encontrou um pobrezinho.
O pobrezinho lhe disse:
Leva-me no teu carrinho.

Apeou-se o lavrador
E no seu carro o metia,
Levou-o p’ra sua casa,
P’rá melhor sala seria.

Mandou-lhe fazer a cama
Da melhor roupa que havia:
Por cima, damasco roxo;
Por baixo, cambraia fina.

Mandou-lhe fazer a ceia
Do melhor manjar que tinha.
Sentou-o à sua mesa,
Mas o pobre não comia.

As lágrimas eram tantas
Que pela mesa corriam,
Os suspiros tão profundos
Que até a mesa tremia.

Deitou-o na sua cama,
Mas o pobre não dormia.
Lá pela noite adiante,
O pobrezinho gemia.

Levantou-se o lavrador,
Foi ver o que ele teria.
Deu-lhe o coração um baque,
E como não ficaria!

Achou-o crucificado
Numa cruz de prata fina.
Ó meu Jesus, se eu soubera
Que em minha casa Vos tinha,

Mandara fazer preparos
Do melhor que encontraria.
Cala-te lá, lavrador,
Não fales com fantasia.

No céu te tenho guardada
Cadeira de prata fina,
Tua mulher a teu lado,
Que também o merecia.

Fonte: “Romanceiro – Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro” (5 vol.) – Joaquim Alves Ferreira

Tradições relacionadas com a comida e o comer

Uma listagem de “tradições” sobre a comida

Senhora do Fastio: quem tem fastio vai à capela da Senhora do Fastio, no Paço de Fontelo, em Viseu, e faz uma promessa de uma tigela, prato e colher, para sarar. Estive lá e vi exemplares.

As colheres são de pau, toscas, as mais pobres, e de lata de estanho. A maior parte das colheres é de lata, de um mesmo tipo, baratíssimas; havia uma gaveta cheia delas.

O pão deve pôr-se na mesa com o lar para baixo; se, por qualquer motivo fica com o lar para cima, volta-se logo: porque não foi ganho de barriga para o ar (Columbeira, Peral).

É pecado espetar o garfo no pão. Quererá dizer que é espetar o corpo de Deus?

Partir o pão quente com a faca corta as forças de quem o amassou (Óbidos).

Pedaço de pão que cai ao chão apanha-se, beija-se e come-se: «Apanha-o, beija-o e come-o», ouvi dizer na Ucanha, em rapaz.

Em Mangualde, Óbidos, Mondim, se cai o pão ao chão, sopram-lhe e beijam-no.

E 13 pessoas à mesa?

Não devem comer treze pessoas à mesma mesa, morrerá a que tiver um nome maior (Vila Real). Não se deve estar dinheiro em cima da mesa enquanto se come; é sinal de traição ou pobreza (Vila Real).

Entornar água na mesa de comer dá azar e entornar vinho, alegria (Alentejo). Entornar azeite no chão e partir vidros dá azar (Alentejo).

Quando se dá de comer ou beber a alguém que se engasga, supõe-se que foi dado com má vontade, mas se se sabe que não, costuma dizer-se: «Olhe que não foi dado de má vontade» (Barcelos).

Quando se está a comer e vem um pobre à porta, não se deve dar perdão, dizendo: «Perdoe, vá com Deus» (arredores de Lisboa).

A razão será a de que haverá sempre a ideia de que um pobre pode ser Jesus Cristo, tal como ocorre nos contos populares.

Quem come um fruto pela primeira vez num ano benze-se com ele, dizendo: «Deixa-me fazer novo. Em nome de Padre, Filho e Espírito Santo» (Alportel, Algarve).

Nas mesmas circunstâncias, na Beira, diz-se: «Ano melhor ano, Deus me deixe chegar ao ano.»

Ouvi que, em Coimbra, quando se come uma coisa pela primeira vez, se formulam três desejos.

Raparigas solteiras ao jantar

Num jantar em que há raparigas solteiras, se alguma oferece a um conviva palitos, não os deve escolher, senão não casa nunca, deve oferecê-los em conjunto (Lisboa e Castelo Branco).

Não é bom ficar com a toalha na mesa depois da comida, porque andam os anjos em volta, enquanto não se tira (Óbidos).

Não é bom aventar as migalhas da mesa ao lume, nem à rua, porque se aventa a fortuna (Tolosa).

Sacudir a toalha à noite para a rua é deitar fora o pão, isto é, impede-se que haja pão em casa (Lisboa).

Também se diz só: «Não é bom sacudir a toalha das migalhas para a rua.» Será por irem tocadas da boca e poderem fazer feitiço?

Será, apenas, porque são pão e este se não deve pisar?

Se depois de comer, vem o sono, é sinal de fortuna (Tolosa).

É costume, quando alguém abre uma garrafa com vinho, beber um pouco dele no seu copo. Diz-se que é por causa da cortiça.

Não terá isto relação com o que se faz na África Ocidental, onde, quando se bebe vinho de palma, a dona da casa bebe primeiro, para «enlever le fetiche»?

Fonte: “Etnografia Portuguesa” – vol.VI, J. Leite de Vasconcelos | Imagem

Romaria de S. Bartolomeu de Ponte da Barca 2018

São Bartolomeu da Barca – 2018

Vai decorrer, de 19 a 24 de Agosto de 2018, a Romaria de São Bartolomeu – a Romaria mais genuína do Alto Minho.

A Associação Concelhia das Festas de São Bartolomeu e a Câmara Municipal de Ponte da Barca apresentaram já apresentaram o cartaz e programa da Romaria.

Este evento aconteceu naquela que é uma das muitas novidades deste ano: a Loja Oficial da Romaria. Um interessante espaço de informação e venda de vários artigos dedicados à Romaria. Outra das novidades da edição deste ano é, como salientou Augusto Marinho, Presidente da CM de Ponte de Lima “o tão esperado regresso da feira do gado e da corrida de cavalos”.

Mantendo o enfoque na tradicionalidade e nos fatores distintivos da Romaria, há mais novidades para a edição 2018 da Romaria de S. Bartolomeu. Esta romaria vai realizar-se na vila barquense de 19 a 24 de agosto de 2018.

Desde logo, o facto da organização ter aproveitando o dia 18 de agosto, por ser sábado, e dar o arranque à festa com o destaque para o concerto do rapper português Piruka.

A aposta nos músicos locais com a promoção dos concertos dos Atacadores Desapertados, Malaboos e Scream4revolution são também novidade da programação deste ano. Para além disso, foi intenção promover uma maior descentralização da romaria, ocupando outros espaços da vila.

Novidades este ano

Como acontece, por exemplo,

– com a mudança da Feira de Artesanato para a área envolvente ao edifício dos Paços do Concelho,

– mantendo-se as tasquinhas no Centro de Exposição e  Venda de Produtos Regionais,

– e os Cantares ao Desafio decorrerem mais do que um dia e em diferentes locais.

Também o estacionamento foi uma preocupação, levando a organização a colocar o espaço do antigo horto municipal (junto à zona ribeirinha) disponível para estacionamento durante toda a semana.

Com o alargamento do recinto das festas, a Romaria abraçará Ponte da Barca por inteiro, envolvendo todos os grupos musicais do concelho, garantindo um programa intergeracional, respeitando sempre o cariz tradicional daquela que é a mais genuína Romaria do Alto Minho” referiu, ainda, o autarca barquense.

Do restante programa mantém-se a tradicionalidade da Noite das Rusgas – momentos alto destas festividades, a Feira do Linho, o Cortejo Etnográfico, a Procissão, e os Festivais Folclóricos.

Nada falta para que o S. Bartolomeu 2018 volte a afirmar-se como uma das grandes Romarias do Minho e do país.

 

As “crendices” das ervas – mezinhas e esconjuros

As “crendices” das ervas

“Como sempre todas as plantas se mostraram importantes para a humanidade, outrora consideradas filhas divinas da Mãe-Terra. Daí a sua também popularização através de envolvimentos mais ocultos pelos seus «atributos mágicos» em

– crendices populares,

– ensalmos,

– esconjuros,

– fórmulas de atalhar

– ou mézinhas

criadas pelas chamadas «mulheres de virtude», «talhadeiras» ou «benzedeiras», pelos feiticeiros ou por tantos de nós em rituais que ainda hoje perduram nas nossas aldeias.

São alguns desses registos que aqui se enumeram porque também fazem parte da vida e da história destas ervas

“Para talhar o zázaro”

(doença da pele que dá nas crianças)

Zázaro anda a saltar
na fonte do pernado
– Disse Deus para S. Mateus:
curas zázaro e zareta
– Com o quê, Senhor?
com a água da fonte
fiolho do monte
sal da marinha
azeite da olívia
com isto
com a graça de Deus
o mal se ausentaria

(Recita-se três vezes em três dias, unta-se a parte afectada com funcho, azeite e água ou machica-se com uma pernica).

“Para matar as lombrigas”

Fazer uma cataplasma de pós de sumagre, de murta, de rosas, de cascas de romã, de baga de acipreste, de bolotas, de alecrim e de rosmaninho – amassado tudo em mel e vinagre e posto no umbigo.

Dizia-se que era remédio certo.

“Alívio dos bruxedos”

Coloque dois ramos de fiolho ou funcho debaixo do travesseiro, ou nos pés da cama, mas em forma de cruz, trazendo alho no bolso e comê-lo.

“Mau olhado e inveja”

Para combater o mau olhado e a inveja nas pessoas, faça fumaças de palhas alhos, arruda e erva da inveja ou congossa, levando as cinzas num farrapo a uma encruzilhada à meia-noite, quando trovejar; se não resultar, ir ao cemitério, trazer um torrão onde se tenha assentado o pé direito e colocar terra em cima de um ramo de sabugueiro, com água de nove fontes, de nove ribeiros e erva de nove terrenos…

“Um ar mau”

Doença que, segundo o povo, se revela por dores fortes de cabeça, arrepios e mesmo febre.

Cura: usar fumos de sementes de nabiça, três areias de sal, três folhas de oliveiras bentas no Domingo de Ramos, três raminhos de alecrim, também bentos, três gotas de azeite e três brasas vivas; a pessoa com este mal deve apanhar o fumo que dali sair passando por ele em cruz.

“Para evitar pesadelos”

Colocar um ou dois pés de alecrim debaixo da almofada que introduzirão ao sono e evitarão pesadelos.

“Para a opilação”

Comer caldos de funchos, espargos-bravos, erva molirinha e serradela. E só beber água de agrimónia, lamegueira e raiz de funcho.

“Remédio para a dor de cabeça”

Alecrim, rosmaninho, arruda, pulitária, aipo, mentrastos e segurelha; – tudo muito bem pisado e colocado na “cova do ladrão”, ao deitar da cama – e diz-se:

Com Deus me deito,
aqui neste leito.
Deito-me doente
e levanto-me escorreito,
em louvor de Sta Maria,
Paz téco aleleuia.
Amén

O Porco no Rifoneiro Português | Provérbios

O Porco no Rifoneiro Português

Ao longo dos tempos, o povo elaborou um conjunto de expressões, rifões, provérbios ou ditos populares, sobre o porco. Deixamos aqui alguns recolhidos e sistematizados em três grupos:

1.- Economicamente, o porco é um tesouro, um bom negócio, uma exigência:

– Amigo velho, toucinho e vinho velho;

– Bácoro em Janeiro com seu pai vai ao fumeiro;

– Bácoro de meias não é meu;

– Bácoro fiado, bom Inverno e mau Verão;

– Com um pedaço de toucinho, leva-se longe um cão;

– Cozido sem toucinho e mesa sem vinho não valem um tostão;

– Dia de Santo André, quem não tem porco mata a porca, que é a mulher;

– Em Abril, mete o porquinho no covil;

– Em Abril, ronca o porco no covil;

– Em Janeiro, um porco ao sol outro ao fumeiro;

– Fiambre e fiado sabem bem e fazem mal;

– Morto por morto, antes a velha (a abelha) que o porco;

– No dia de Santo André, diz o porco: qui é, qui é!

– No dia de Santo André, vai à esquina e traz o porco pelo pé;

– No dia de São Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho;

– No dia de São Tomé, pega o porco pelo pé; se ele disser que é, que é, diz-lhe que tempo é; e se ele disser que tal, que tal, guarda-o para o Natal;

– No dia de São Tomé, quem não tem porco mata a mulher;

– O boi e o leitão em Janeiro engordarão (criam rinhão);

– O leitão e os ovos, dos velhos, fazem novos;

– O porco, com sua licença, se tivesse asas era a melhor das aves; se tivesse barbatanas, o melhor dos peixes;

– Pelo Santo André, quem não tem reco mata o homem;

– Pelo S. Barnabé, faz o porquinho cué, cué; e se disser que não, diz-lhe que tempo já é;

Mais alguns provérbios…

– Pelo S. Lucas, mata o teu porco e tapa as tuas cubas;

– Pelo S. Martinho, mata o porquinho, prova o vinho e semeia o cebolinho;

– Pelo São Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e bebe o teu vinho;

– Porco, no São João, meão; se meão se achar, podes continuar; se mais de meão, acanha a ração;

– Porco que nasce em Abril, vai ao chambaril;

– Porco rabão nunca enganou o patrão;

– Porco safio, porco de brio;

– Porcos de Abril vão com a mãe ao chambaril;

– Quando estiveres morto, torna-te à ovelha e ao porco;

– Quando não há lombo, linguiça como;

– Quando o teu vizinho matar um porco, mata tu também nem que seja um tordo;

– Quando te derem o bacorinho, deita-lhe (bota-lhe) logo o baracinho;

– Quando te derem um porquinho, acode logo com o baracinho;

– Se matares um leitão, mostra-o ao juiz e dá-o ao escrivão;

– Se te derem um leitão, mostra-o ao juiz e dá-o ao escrivão;

– Tenhas porco e não tenhas olhos;

2.- O reco, na práxis, é um livro aberto, biológica e moralmente:

– Aí é que a porca torce o rabo;

– A mau bácoro, boa lande;

– Anel (arganel) de ouro em focinho de porco;

– Ao porco e ao genro, mostra-lhe a casa, e ele virá cedo;

– A porca, apenas lavada, revolve-se na lama;

– A porco gordo, unta-se-lhe o rabo;

– Auxiliar ingratos é deitar pérolas a porcos;

– Babujado de cão faz o menino são, babujado de porco faz o menino morto;

– Branco ou preto, um porco é um porco;

– Cavalo de olho de porco, cachorro calado e homem de fala fina, sempre se relancina;

– Com que sonhas, porco? Com a bolota;

– De rabo de porco, nunca bom virote;

– Dia de barba, semana de porco, ano de casado;

– Em que pensas porco? Na bolota;

– Enquanto se capa, não se assobia;

– Foge do feio e do porcino, da botica e do remédio;

– Freio, focinho e bico, não fazem o homem rico;

– Homem e porco, só depois de morto;

– Já o rei é pouco para lhe guardar os porcos;

– Judeu e porco, algarvio e mouro, são quatro nações e oito canalhas;

Mais alguns provérbios…

– Mais dias há que linguiças;

– Mata o teu porco, se queres ver o teu corpo;

– Não convém ao porco contender com Minerva;

– Não é em pia grande que o porco come à vontade;

– Não quero bácoro com (nem o) chocalho;

– Negociante e porco, só depois de morto;

– Nem pernada de porco, nem rasgadura de um contra outro;

– No queijo e no pernil de toucinho, conhecerás o teu amigo;

– O bácoro, a fome e o frio, fazem grande arruído;

– O pior porco é que come a maior bolota (melhor lande);

– O que não vai no cerro, vai na banda;

– Porca capada já não se descapa;

– Porca com três meses, três semanas, três dias e três horas;

– Porca de muitos, bem comida, mal cevada;

– Porca ruiva, o que faz, isso cuida;

– Porco com frio e homens com vinho fazem grande arruído;

– Porco emprestado grunhe todo o ano;

– Porco fiado todo o ano grunhe;

– Porco fresco e vinho novo, cristão morto;

– Porco fresco e vinho novo, cristãozinho no cemitério;

 

Dossier sobre o Barro Preto de Bisalhães – Vila Real

Barro Preto de Bisalhães – Vila Real

O Estado Português reconheceu a Louça Preta de Bisalhães – Vila Real, dado o seu valor patrimonial e social e enquanto elemento identitário da região, como manifestação do Património Cultural Imaterial.

A Louça Preta de Bisalhães representa um elemento singular e ancestral da olaria nacional devendo a sua notoriedade à cor negra, que realça as suas formas e o seu cariz único.

A sua confeção, através de processos tradicionais, mantidos até à atualidade sem alterações de maior, de preparação, modelação, decoração manual, transporte e cozedura do barro, consiste numa atividade historicamente ancorada na comunidade que lhe confere a designação, com raízes que remontam, pelo menos, ao século XVI.

Procura-se, assim, com a referida candidatura, face ao acentuado declínio desta atividade secular e dado o seu caráter emblemático para a cultura popular da região, dar novo impulso a todas as ações de reabilitação e promoção deste património imaterial e eliminar o risco da sua extinção, pugnando-se também pela dignificação das condições de trabalho dos oleiros atuais e pela rentabilidade desta “arte nobre”.

A candidatura e respetivo plano de salvaguarda já receberam o apoio incondicional de inúmeras entidades, públicas e privadas, tanto ao nível nacional como local.

Barro negro – Bisalhães – Vila Real

Bisalhães, aldeia vizinha de Vila Real, foi um dos mais importantes centros oleiros do norte do país. Os alguidares, potes e panelas que ali se faziam eram levados pelas mulheres, à cabeça, em grandes cestos e vendidos distrito fora.

Ainda hoje os mais velhos contam como era duro calcorrear caminhos sinuosos, Marão acima, distâncias enormes percorridas pelos oleiros descalços, com os panelos às costas.  

É a cozedura na soenga, forno escavado no chão, que dá a cor negra ao barro. Depois de estar em brasa, a loiça é abafada com musgo e terra, adquirindo o seu aspecto final. É o homem que trabalha na roda de oleiro.

Usa pedras do rio para fazer o polimento das peças, o brunido. É também com pedras que as mulheres voltam a polir e a decorar. Ler+

“Artesanato – as marcas de um povo” – Olaria

Olaria diz-se da arte de oleiro que é relativa a “panelas”, de barro. Para o povo transmontano, a Olaria passa, não só, pela componente decorativa, como também se afirma como utilitária, exprimindo-se em formas simples e funcionais. Ler+

O jogo do panelo

Na noite do dia 28 de Junho, véspera da Festa de S. Pedro, também conhecida em Vila Real como «Feira dos Pucarinhos», é costume (apesar de estar a cair em desuso), algumas pessoas, particularmente os jovens, comprarem algumas peças de barro preto (barro de Bisalhães), em especial as peças defeituosas (que, pelo facto, eram mais baratas), e fazerem um jogo em roda, em que a peça de barro é atirada de uns para os outros, sem direcção nem altura certa, até que alguém não a conseguisse apanhar e esta se quebrasse no contacto com o chão. Ler+

Feira de S. Pedro (Feira dos Pucarinhos)

Pelo São Pedro, é de costume realizar-se em Vila Real, na província de Trás-os-Montes, uma curiosa «feira», tradicionalmente chamada «feira dos pucarinhos». 

Tal feira é uma exposição de trabalhos regionais, não só de olaria, mas também de tecidos de linho; – aparecendo ainda à venda mantas, cobertas de cama, e coisas assim. Tudo isto proveniente de incansável indústria caseira, que ali, embora rústica, se revela artística na ideação e na execução. Ler+

Na página seguinte, fique a saber o que são os “pucarinhos” e as diversas fases do trabalho do barro preto de Bisalhães!

 

Festas, Feiras e Romarias noutros tempos

Festas, Feiras e Romarias

«Que as festas e as romarias sejam o melhor de Portugal é juízo no limite indemonstrável, dependendo a sua verdade dos gostos e dos interesses de cada um.

É porém certo que para numerosos habitantes de muitas aldeias, vilas e cidades do país, as festas das respectivas terras são aquilo que elas têm de melhor. (…)

As festas serão hoje para muitos dos seus participantes mais espectaculares do que no passado, no sentido em que apelam mais à contemplação do que à dissolução.

Além disso, proporcionam programas mais variados, aptos a cativar o interesse de públicos diversos.

À missa, à procissão, à feira e ao foguetório acrescentam um concerto de música de baile, um sarau cultural, um cortejo histórico ou etnográfico, uma exposição de artesanato, um festival gastronómico, uma prova de motociclismo.

Certas festas começam a integrar demonstrações de si próprias. Cortejos etnográficos e museus de santuários de romaria encenam quadros de festividades tal como se faziam no tempo dos nossos avós.

Actualmente, alguns agrupamentos folclóricos empenham-se na ressurreição de modos de festejar caídos em desuso.

Transformadas em manifestações da «cultura tradicional» num mundo em que a «cultura» e a «tradição» são mercadorias estimadas, várias festas capitalizam assim esse valor em seu proveito.» (João Vasconcelos In GUIA Expresso “O melhor de Portugal” – 12 – Festas, Feiras, Romarias, Rituais – texto adaptado)

No entanto, há Romarias que mantêm as suas principais características há dezenas e, mesmo, centenas de anos.

Assim, particularmente para os mais curiosos e que gostam de saber mais sobre as “coisas do passado”, vamos disponibilizar ligações para artigos com imagens e informações sobre Festas, Feiras e Romarias noutros tempos.

A Romaria da Senhora do Pilar

«A romaria da serra do Pilar é das mais concorridas. Fazem-se ali mercados e as raparigas do Porto e arrabaldes improvisam bailes em que também volteiam os soldados da fortaleza.

A tradição conserva-se para as feiras e para o foliar naquele canto pitoresco da paisagem, onde há tantos anos se faz a romaria. Este ano, como de costume, foi enorme a concorrência, tendo-se feito excelentes negócios e magníficas transações.» Saber mais…

Romaria do Senhor de Matosinhos em 1914

Inquestionavelmente, é a terra de Entre-Douro e Minho a que oferece aos olhos estáticos do turista as mais lindas e variadas paisagens portuguesas, e que procria a gente mais divertida, mais foliona, mais alegre de todos o país.

Foi talvez observando os usos e costumes das povoações do Norte que os franceses engendraram esse velho e tão verdadeiro provérbio: «Les portugais sont toujour gais». Saber mais…

Feira de Santo António em Vinhais

A feira de Santo António em Vinhais é das mais concorridas, pois de muitas léguas em redondo vem gente para as transações no excelente mercado. Com bailes e descantes decorrem as festas tradicionais em que se desafogam os espíritos e se fazem bons negócios. Saber mais…

Nas Festas da Senhora da Piedade, em Odemira, uma toirada à alentejana

As Festas de Nossa Senhora da Piedade, cujo dia principal é 8 de Setembro, são uma tradição antiga da vila de Odemira. Ela os odemirenses que assim prestam homenagem à padroeira da terra, cuja actual capela foi construída em princípios do século XX.

Conheça mais Festas. Feiras e Romarias de outros tempos na próxima página. Saber mais…

Romaria da Senhora d’Ajuda em Espinho

É no 3º Domingo de Setembro que se realiza, em Espinho, a Romaria de Nossa Senhora d’Ajuda.

O culto e a devoção a Maria, Mãe de Deus, sob a invocação de Nossa Senhora d’Ajuda, segundo a tradição, terá nascido com a própria localidade. (…) Saber mais…

A Romaria do Senhor da Pedra em 1912

«Não acaba a tradição. Por toda a província continuam as romarias com o mesmo cenário de sempre com as suas transações e os seus devotos.

A do Senhor da Pedra fez-se como em todos os anos tendo uma enorme concorrência. (…)» Saber mais…

Festa da Senhora do Amparo – Mirandela – Agosto de 1922

«De 4 a 6 do corrente, com o máximo esplendor, realizou-se em Mirandela a festa à Senhora do Amparo. A procissão foi deveras imponente, não se faz nenhuma com mais brilho e grandeza na província de Trás-os-Montes.

Houve arraial e lindas iluminações sobre o Tua.» Saber mais…

Romaria ao Senhor da Serra – Belas – Sintra

Nos finais do século XIX e começos do século XX, a romaria ao Senhor da Serra que se realizava na localidade de Belas, no concelho de Sintra, foi uma das mais afamadas e concorridas que então ocorriam nos arredores de Lisboa. Saber mais…

A Feira de Agualva – Maio de 1904

«A feira de Agualva foi pitoresca e chamou gente. Fazia-se negócio, ouvia-se ruído de vozes em disputa, os mendigos lamuriavam pelos caminhos onde os maiorais passavam conduzindo o gado. Saber mais…

Ao fim a paisagem verdejante, a vida campestre em toda a sua plenitude, ranchadas que vinham de longe, canções que se perdiam nas quebradas.(…)»

Feiras em Ponte de Lima

Perde-se nos tempos a origem das feiras, enquanto local onde os povos efectuavam as suas transacções e adquiriam bens que necessitavam e não produziam em troca dos seus próprios produtos. Elas origem a uma classe de mercadores que passaram a viver exclusivamente dessa actividade. Saber mais…

Lamego – Festejos da Senhora dos Remédios

«As festas da Senhora dos Remédios em Lamego chamam muita concorrência das freguesias vizinhas que à sombra das árvores seculares faz os seus bailaricos e entoa os seus descantes em louvor da imagem e num culto tradicional. (…)» Saber mais…

Festas e Romarias na cultura popular

Romarias e Festas Populares

«As festas e romarias, tão caras à alma do nosso povo, crente e folgazão, têm uma função simultaneamente religiosa e social.

A elas afluem, de todas as partes por onde andam dispersos, os filhos da terra, para alimentar a fé que os liga à sua igreja e fortalecer as raízes que os ligam ao seu torrão natal.

Nelas se robustecem velhas amizades e se criam outras novas, embora, às vezes, se gerem também discórdias, porque o calor aperta e o vinho sobe à cabeça dos romeiros, o que felizmente se vai tornando cada vez mais raro.

Depois de satisfeitas as devoções e cumpridos os votos, vá de dar largas à emoção e à alegria, num convívio salutar e fraterno, com os parentes e amigos, cantando e dançando, no largo da igreja ou no recinto da ermida.» Joaquim Alves Ferreira, in “Cancioneiro – Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro” (5 vol.)

As Festas e Romarias constituem, indubitavelmente, um traço típico da cultura popular e tradicional do nosso povo.

Estas manifestações, extremamente numerosas e variadas, acontecem um pouco por todo o país, particularmente nos meses de, JunhoJulhoAgosto e Setembro.

Elas fazem parte das tradições e memórias de um povo que luta para manter actual a cultura secular que lhe confere uma identidade muito própria.

A dimensão religiosa e dimensão profana!

As Romarias são, essencialmente, festas em honra de um(a) santo(a) patrono(a), que incluem simultaneamente duas dimensões que, mais do que se oporem, se complementam.

Uma é a dimensão religiosa, com os seus aspectos mais característicos. Principalmente o cumprimento das promessas individuais ao santo, a missa com o sermão solene e a procissão.

A outra é e a dimensão profana, para a qual contribuem as características indispensáveis barracas de venda de artigos variados, de “comes e bebes”. Mas, também, a feira (de gado e não só), as diversões, a música e os bailaricos.

Romarias que mantêm as suas características há dezenas e, mesmo, centenas de anos.

Assim, particularmente para os mais curiosos e que gostam de saber mais sobre as “coisas do passado”, vamos disponibilizar ligações para artigos com imagens e informações sobre Festas, Feiras e Romarias noutros tempos.

Gostaríamos de publicar no Portal do Folclore Português informações sobre as Romarias e Festas Populares que, ao longo do ano, se realizam em Portugal. Colaborem!

Doenças e ervas medicinais | Medicina Popular   

Doenças e ervas medicinais

“Todas as plantas têm princípios activos, capazes de interferir a nível biológico se ingeridos pelo organismo humano. Destiladas, a maioria das plantas produz essências, álcool e gases combustíveis.

Associadas a estas substâncias estão outras que, pela sua concentração, dão propriedades específicas às plantas, como é, por exemplo, o caso das papoilas que produzem o ópio.

Existem vários trabalhos dedicados à flora transmontana; como exemplo, em 1984, Berta Nunes, Ana Paula Oliveira e Margarida Cunha Ferreira publicaram um opúsculo intitulado Plantas Medicinais de Barroso,  que está longe de abarcar a totalidade da flora medicinal.

Trata-se de um começo, mas sabemos que de muitas plantas nem se suspeita sequer o poder medicinal, porque não foram testadas nem pelo povo nem pela ciência, que se esqueceu, por exemplo, que as poutegas são boas para acudir à fome de Maio.

Não é nosso propósito reproduzir aqui tal trabalho. Relataremos, isso sim, algumas das moléstias identificadas pela medicina popular e indicaremos o prognóstico e tratamento.”

Doenças: anemia a bronquite

Anemia (identifica-se por uma espécie de fraqueza física) – aliviam-na os bolos de milho untados com azeite. Também um litro de vinho com gemas de ovo e açúcar.

Anginas (amígdalas inflamadas) – tomar mel. Aplicar um emplastro quente à volta da garganta (até aguentar a temperatura) e tomar uma bebida alcoólica (vinho) fervida com açúcar ou mel bem quente.

Asma (identifica-se por uma tosse intensa, rouca e frequente) – alivia-se fumando figueiras-de-inferno.

Bexigas (existem várias afecções da bexiga) – as melhores terapias que se conhecem é evitar as bebidas alcoólicas e beber abundantemente a água pura de Barroso. Também as ervas como a salsa, o morangueiro, as barbas de milho, a carqueija ou qualquer chá de folha de lenhosas parece acalmar os males da bexiga.

Bichas – esfregar as fontes da cabeça com alho, tomar diversos chás (absinto, hortelã, etc.) e fazer uma dieta apropriada à base de azeite e alimentos cozidos.

Bronquite (inflamação dos brônquios) – como para a asma, fumar figueiras-de-inferno ou então defumar-se com eucalipto ou loureiro. Alguns chás (como o de eucalipto) são aconselháveis.

Doenças: calvície a dores de ouvidos

Calvície – se se trata da queda do cabelo numa zona específica (peladas), ferver folhas de nogueira e lavar a cabeça com a água. Também se diz que o tabaco macerado pelo menos oito dias tem um resultado idêntico.

Cabresto (ligamento que, por baixo da língua, impede as crianças de pronunciar correctamente alguns fonemas, nomeadamente o «s») – corta-se a «veia» com a navalha de fazer a barba.

Catarro (tosse e dores nas vias respiratórias) – ferver vinho com açúcar ou com mel e bebê-lo. Sopa de frango e legumes onde se cozeu muita cebola.

Constipação e rouquidão – sopa de frango e muita cebola. Vinho quente com açúcar ou mel.

Coqueluche – xarope de folhas de figueira-de-inferno, de flor-de-sargaço, pinhas-bravas ou agriões.

Diabetes (insuficiência de insulina) – dar açúcar aquando das crises. Tomar onze dias chá feito de dois ramos de alecrim, raiz de salsa, cominhos, raiz de madressilva, cinco pontas de pinheiro e cinco folhas de salva fervido cinco minutos em meio litro de água e adoçado com uma colher de açúcar.

Diarreia – comer farelo. A aguardente com açúcar também é utilizada, assim como o trigo seco, o centeio, chá de marmeleiro e a água de pevides da cabaça.

Dores de dentes – para a dor de dentes o melhor remédio é o óleo de cravo-da-índia (ou o cravo esmagado). O álcool (aguardente) e o fumo de cigarro também são recomendados. Contudo, o remédio mais eficaz é lavar a raiz do dente que dói na pia da água benta da igreja.

Dores de ouvidos – fazer repousar o doente e dar leite de mulher.

Doenças: equimoses a feridas e ferimentos

Equimoses e pisaduras – aplica-se uma bebida alcoólica e a seguir emplastros (como os de papas de linhaça).

Erisipela – caracteriza-se por rubor e temperatura geralmente na cara. É contagiosa. Cura-se com o ar do lume ou colocando um emplastro muito quente.

Escrófulas e ínguas – ranhá-las até fazer sangue e aplicar um unguento especial (de alguns curandeiros) ou então uma casca de cebola embebida em azeite.

Espinhela caída – esta doença é caracterizada por uma astenia global com discurso depressivo. Colocar pimpinelas nas plantas dos pés. Untam-se os pulsos das pessoas com azeite e pendura-se numa trave ou numa porta, esfregando-a até a pessoa ficar extenuada.

Febre – banhos de água fria. Esfregar o doente com urtigas.

Feridas e ferimentos – estanca-se o sangue com a ajuda de garrotes, teias de aranha, açúcar e ligaduras. A saliva do cão acelera a cura, mas podem-se aplicar outras substâncias, sobretudo álcool.

A medicina popular produziu algumas pomadas, como esta receita recolhida em Seselhe: sebo de carneiro branco, sebo de carneiro preto, alvaiado e secante.

Doenças: fígado a gripe

Fígado – evitar as bebidas alcoólicas e beber apenas água pura de Barroso, O chá de marroios e da erva de S. Silvestre também é aconselhável.

Gota — a gota manifesta-se geralmente pelo inchar dos pés e uma dor aguda impedindo a marcha. Também podem existir dores nas outras articulações. Cura-se com uma dieta sem gorduras e sem bebidas alcoólicas.

Por outro lado, pôr a zona atingida (geralmente os pés) em água salgada ou ferver folhas de nogueira e meter os pés nessa água à temperatura mais elevada que se puder aguentar. Dormir com os pés mais altos que o corpo.

Gretas (pele e músculos cortados, sobretudo nas mãos, por causa do trabalho) — esfregar com uma bebida alcoólica. Colocar sabão ou cera em cima das gretas.

Gripe — sopa de frango com muita cebola. Tomar também uma bebida alcoólica quente com açúcar ou mel. O mel, o alecrim, o vinho e a banha de porco fervidos também parecem ser um bom remédio.

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