Romarias e festas populares na região da Beira Baixa

A Beira Baixa

A Beira Baixa é uma região de Portugal que se situa, sensivelmente, entre a Serra da Estrela e o Rio Tejo, caracterizada pela sua paisagem montanhosa.

É uma região rica em tradições e cultura popular, onde as festas e romarias desempenham um papel importante na vida das suas gentes.

As pessoas da Beira Baixa são conhecidas pela sua hospitalidade, simplicidade e alegria de viver.

São gente trabalhadora, ligada à terra e às tradições ancestrais, mantendo vivas as festas e romarias que fazem parte do seu património cultural.

A religiosidade popular é uma característica marcante na região da Beira Baixa, onde se encontram muitos santuários, igrejas, capelas e ermidas.

As festas religiosas são momentos de devoção, mas também de convívio e alegria, onde se realizam procissões, missas, concertos, arraiais e outras atividades culturais.

Festas e romarias na Beira Baixa

Destacamos algumas das principais festas e romarias da Beira Baixa:

Romaria de Nossa Senhora do Almortão

Realiza-se em Idanha-a-Nova, na segunda-feira do terceiro domingo de Páscoa, e é, talvez, a mais importante romaria da Beira Baixa, hoje último bastião das vendedeiras e tocadoras de adufes.

Os ranchos das várias aldeias, à chegada ao santuário, dão três voltas à capela e cumprimentam Nossa Senhora tocando adufes no alpendre, virados para o altar. Impressionante procissão e missa campal.

Ao fim da tarde, a banda filarmónica toca a conhecida melodia à Senhora do Almortão ao redor da capela, seguida de muito povo e muito entusiasmo.

Mulheres da Beira Baixa, com trajes regionais, a cantar
“Em dias de romaria não se vêem bocas fechadas, nem expressões que não traduzam alegria de viver.”

Romaria de Nossa Senhora de Mércoles

É a padroeira da cidade Castelo Branco, realiza-se no terceiro domingo de Páscoa  (feriado municipal na terça-feira).

No sábado, há procissão noturna em redor do santuário.

No Domingo, pelas ruas de Castelo Branco, a banda filarmónica toca as Alvíssaras da Ressurreição.

Domingo e terça-feira, missa campal e procissão. Arraial e divertimentos populares, ranchos folclóricos, tunas, concertinas e bandas filarmónicas. Grande afluência de gentes de toda a Beira Baixa. 1

Festa das Cruzes ou do Castelo

Realiza-se em Monsanto, Idanha-a-Nova, a 3 de Maio.

Além das festividades religiosas, realiza-se a tradicional subida ao castelo, em cortejo popular, tocando adufe e transportando as marafonas (bonecas de trapos, usadas em dias de trovoadas para as esconjurar), cestos com flores.

Também é levado um pote cheio de flores que é lançado do alto das muralhas, em comemoração de um cerco lendário que terá terminado após a população sitiada ter lançado do mesmo local uma vitela com o bucho cheio de trigo, indicando ao exército inimigo que ainda tinham muitos víveres armazenados.

Convívio musical na alcáçova do castelo, com o rancho folclórico local. Missa e procissão. 1

Festa da Senhora dos Altos Céus

Realiza-se em Lousa, Castelo Branco, no terceiro domingo de Maio.

Interessantes danças rituais: dança da genebres, dança das tesouras, dança das virgens, são resquícios das danças que outrora integravam as procissões religiosas, sobretudo a do Corpus Christi. 1

Homens da Beira Baixa com trajes regionais
“Sempre que há festa nas aldeias da Beira Baixa, todo o oiro sai das arcas para brilhar à luz do sol.”

Romaria de Santa Luzia

Realiza-se em Castelejo, Fundão, 15 de Setembro, dia  do feriado municipal.

Esta é a maior romaria da Cova da Beira, juntando peregrinos provenientes das serras ao redor, e da região do Pinhal.

Na véspera, procissão de velas noturna desde a Igreja do Castelejo até ao santuário, seguida de arraial, este animado por grupos de concertinas e de adufes.

No dia da festa, o anúncio musical da alvorada tem lugar no Fundão, no largo da Câmara Municipal, com as entidades locais.

Missa campal e procissão solene ao redor do arraial. Seguidamente, chegam os tractores das freguesias, cada um trazendo o seu grupo de romeiros, que irrompem pelo arraial cantando e recebendo os aplausos dos conterrâneos que os esperam junto à fonte, em delírio.

Passando a fonte, chegam à capela e descem dos carros. Formam-se então os grupos de bombos que, à vez, irrompem pelo arraial, com estrondo e galhardia.

O povo abre alas e aplaude, contagiado pelo frenesim percutivo. Merendas pelo arraial. 1

Não esquecer, ainda, a Festa das Papas, em Alcains, e a Romaria de Nossa Senhora da Confiança, em Pedrógão Pequeno, no concelho da Sertã.

As festas e romarias da Beira Baixa são momentos de encontro, de celebração, de partilha e de devoção, onde se fortalecem os laços comunitários e se mantêm vivas as tradições e as raízes culturais da região.

São momentos de alegria e de convívio, onde se perpetuam as memórias e se honram os santos e as virgens que protegem e guiam o povo da Beira Baixa.

Em resumo, as festas e romarias na Beira Baixa são uma expressão viva da religiosidade, da cultura e das tradições populares da região, onde se misturam a fé, a música, a dança, a gastronomia e a alegria de viver.

São momentos únicos e especiais, que marcam o calendário e a identidade de um povo rico em história e em memórias.

Mulheres da Beira Baixa com trajes regionais e adufe
“O adufe e a pandeireta são instrumentos que acompanham as danças e cantigas mais características da Beira Baixa.”

Fonte: 1 | Imagens: Revista “Panorama”, nº34 – 1948