Romaria da Senhora do Almortão – Idanha-a-Nova

A Romaria da Senhora do Almortão, que se realiza na terceira segunda-feira depois da Páscoa e a 15 de Agosto, é das mais antigas e afamadas da região da Beira Baixa, e ocorre num dos mais antigos santuários (a 7 km de Idanha-a-Nova).

A parte da manhã é ocupada com a celebração da Eucaristia, seguida da tradicional procissão, durante a qual os mordomos transportam o andor com a imagem da santa ao som de adufes e cantigas tradicionais.

A procissão em honra de Nossa Senhora do Almortão atrai todos os anos milhares de visitantes a Idanha-a-Nova.

Após a missa faz-se a tradicional Procissão, e, terminadas as cerimónias religiosas, segue-se o almoço-convívio entre famílias e amigos, que inclui um espantoso concerto de adufes e cantares femininos.

O povo canta as várias quadras à Senhora, entre elas as que, dizem os historiadores, traduziam o sentimento das pessoas em serem libertadas do domínio dos espanhóis.

A Ermida de Nossa Senhora do Almortão situa-se nos campos de Idanha-a-Nova, tem um estilo simples e harmonioso.

No santuário, a capela-mor e o altar são revestidos de azulejos do séc. XVIII. O alpendre é formado por três arcos de granito onde habitualmente se juntam grupos de cantares femininos acompanhados com os tradicionais adufes da Beira Baixa.

Há referências a esta festa desde 1229, pois, nesta data, D. Sancho II, no foral dado a Idanha-a-Velha já mencionava a Sanctam Mariam Almortam, quando demarcava os limites da Egitania.

A capela-mor e o altar são revestidos de azulejos do séc. XVIII. O alpendre é formado por três arcos de granito.

Cancioneiro

Senhora do Almortão
Ó minha linda raiana
Virai costas a Castela
Não queirais ser castelhana

Senhora do Almortão
A vossa capela cheira
Cheira a cravos, cheira a rosas
Cheira a flor de laranjeira

Senhora do Almortão
Eu p’ró ano não prometo
Que me morreu um amor
Ando vestido de preto

É debaixo do gracioso alpendre da ermida que o povo canta as mais belas quadras do seu Cancioneiro, que espelham os ideais e os sentimentos mais puros, ao som do arcaico adufe, tocado maravilhosamente por devotas, ao ritmo do pulsar do coração.

E cantam-nas na noite do arraial e no dia seguinte, na hora da despedida, a seguir à missa campal e ao estender dos farnéis à sombra das azinheiras.

A lenda…

A capela da Ermida de Nossa Senhora do Almortão foi construída porque, como diz a lenda, um dia de madrugada uns pastores atravessavam o campo pelo sítio “Agua Murta” e notaram que havia algo de estranho por traz das murteiras grandes.

Aproximaram-se e viram uma linda imagem da Virgem.

Ficaram parados de joelhos a rezar, mas depois resolveram levar a imagem para a Igreja de Monsanto.

Mas ela desapareceu e foi encontrada outra vez no mesmo lugar da aparição no murtão (donde Almurtão, depois Almortão).

Respeitando a vontade da Senhora, os habitantes da vila construíram a capela.

Fonte: GUIA Expresso “O melhor de Portugal” – 12 – Festas, Feiras, Romarias, Rituais (texto adaptado e ampliado) | Imagem de destaque