Provérbios sobre os amigos e a amizade

 

Os provérbios ou ditados populares são elementos de sabedoria popular que transmitem conhecimentos comuns sobre a vida do dia-a-dia, às vezes contraditórios, pois a “verdade” a que dizem respeito não pode ser separada da comunidade sócio-cultural que lhe deu origem.

Abaixo, uma listagem de provérbios e ditados populares sobre os amigos e a amizade, recolhidos na região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

No final, transcrevemos uma fábula de Esopo* sobre este mesmo tema.

» Amigo de mesa não é de firmeza.

» Não me dês nada, mas mostra-me agrado.

» Amigo fiel e prudente é melhor do que parente.

» Amigo velho vale mais que dinheiro.

» Bom amigo é melhor do que parente ou primo.

» Amigo diligente é melhor que parente.

» Amigo verdadeiro, vale mais do que o dinheiro.

» A casa do teu amigo não vás sem ser requerido.

» Amigos de longe, contas de perto.

» As boas contas fazem os bons amigos.

» Amigos velhos, contas novas.

» Amigos, amigos, contratos à parte.

» Bom amigo: bom conselho.

» Conselho de amigo: aviso do céu.

» Quem me avisa meu amigo é.

» Quem do amigo despreza o aviso, é ingrato e falta de siso.

» Arrenego do meu amigo que me encobre o perigo.

» Ao amigo não encubras o teu segredo, para que não venhas a perdê-lo.

» Defeitos do meu amigo lamento-os, mas não os maldigo.

» Quem não te ama, na praça te difama.

» Nunca queiras do teu amigo mais do que ele quer contigo.

» Do amigo não esperes aquilo que tu puderes.

» Amigo não empata amigo.

» Amigos e caminhos, se não se frequentam, ganham espinhos.

» Aonde te querem muito, não vás muito a miúdo.

Uma fábula de Esopo* sobre a Amizade

Os Viajantes e o Urso

Um dia, dois viajantes encontraram-se, frente a frente, com um urso. O primeiro fugiu e salvou-se escalando uma árvore, mas o outro, sabendo que não ia conseguir vencer sozinho o urso, atirou-se ao chão e fingiu-se de morto.

O urso aproximou-se dele e começou a cheirar a cabeça e o pescoço, junto às orelhas. Convencido de que o viajante estava morto, foi-se embora.

O amigo que estava na árvore, depois de descer, perguntou-lhe:

– O que é que o urso te esteve a dizer?

– Ora, ele só me avisou para pensar duas vezes antes de voltar a viajar com pessoas que abandonam os amigos na hora do perigo.

Moral da história: A desgraça põe à prova a sinceridade e a amizade!

Esopo (Nessebar, 620 a.C. – Delfos, 564 a.C.) foi um escritor da Grécia Antiga a quem são atribuídas várias fábulas populares. A ele se atribui a paternidade das fábulas como gênero literário.

Fonte: Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro – Joaquim Alves Ferreira, IV Volume, 1999 | Imagem de Cheryl Holt