Plantas aromáticas e medicinais | Medicina Popular

Épocas de colheita

No decorrer do desenvolvimento de cada planta há um período que se considera o mais propício para a colheita, no qual cada uma das partes contém o teor máximo de princípios activos perfeitamente desenvolvidos.

De um modo geral, os caules colhem-se no Outono, os botões na Primavera, a colheita das folhas faz-se no período que antecede a época de floração, as flores e as sumidades floridas devem ser colhidas no início do seu desabrochar (antes que as pétalas murchem), e os frutos carnudos e secos colhem-se na maturação.

Quando a planta está seca colhem-se as sementes. As raízes desenterram-se fora do período de plena vegetação da planta, isto é, no Outono ou na Primavera.

Para evitar o apodrecimento é necessário escolher um dia de bom tempo e uma hora em que o orvalho esteja praticamente dissipado e as flores abertas, por exemplo cerca das 9h ou 10h da manhã ou no fim da tarde.

Secagem

À colheita sucede-se a secagem, que possibilita a eliminação de uma certa quantidade de água retida pela planta. É uma operação importante que deve ser realizada de imediato. Assim, antes ainda de dar início a uma colheita, é necessário procurar um local apropriado e preparar os meios para a secagem.

No decorrer desta operação, as plantas não devem ser misturadas. É possível que um molho de plantas necessite de uma lavagem devido ao pó ou à lama na folhagem; nesse caso, deverá proceder-se imediatamente a uma secagem com ar quente, pelo menos até à fase do primeiro emurchimento.

Para acelerar a primeira etapa da dessecação, o emurchimento, as plantas devem ser colocadas ao Sol. Realizado rapidamente, este emurchimento diminuirá os perigos de fermentação se for seguido de uma boa ventilação à sombra.

Os molhos de plantas devem ser pendurados com a parte inferior para cima, em cordas ou arames pendurados numa divisão à altura de um homem.

Folhas, flores e raízes

As folhas e as flores devem ser separadas do caule, e as raízes, cortadas em fragmentos, devem ser colocadas em caixotes cujo fundo foi previamente forrado com juta ou serapilheira, deixando circular o ar fresco vindo de baixo.

A secagem permite eliminar cerca de 50% a 90% do peso inicial da planta, por perda de água. O tempo de secagem deve depender da quantidade de água a eliminar e da resistência da planta á evaporação.

Nas melhores condições a secagem faz-se em 6 dias, e mais frequentemente entre 10 e 12 dias. Se o arejamento for suave, o único inconveniente de prolongar a secagem é o perigo de acumulação nas plantas, pelo que é preferível não ultrapassar as três semanas.

Para avaliar o grau de dessecação das folhas e das flores, é necessário que, ao tocar-lhes, não se sinta qualquer humidade e que estejam rígidas e não quebradiças.

Conservação

Quando estiverem bem secas, as plantas podem ser conservadas, ao abrigo do ar, da luz, da humidade e do pó, em caixas de lata bem fechadas, em sacos de papel grosso fechados com uma fita adesiva ou em sacos de plástico.

Se se adoptar este último modo de conservação deverá ter-se muito cuidado, e oito dias após a embalagem das plantas observá-las com atenção. O mínimo depósito de vapor na parte interna do saco indica que a secagem não foi suficiente e terá de ser concluída.

Em cada uma das embalagens deverá colocar-se uma etiqueta bem visível com o nome da planta e data da colheita. Em geral, as plantas secas tornam-se inactivas ao fim de 6 meses.

Receitas

Bolachas de Alecrim

Ingredientes: 180g (chávena e meia) de farinha | 50g (8 colheres de sopa rasas) de manteiga | 25g (4 colheres de sopa rasas) de açúcar | 2 colheres de sopa de alecrim picado

Preparação: Bata a manteiga com o açúcar até obter um creme leve e macio e em seguida junte a farinha e o alecrim. Amasse bem até formar uma bola, estique-a, com o rolo da massa, numa tábua polvilhada com farinha e corte uns círculos. Coloque-os num tabuleiro untado. Decore com pezinhos de alecrim e leve ao forno a 230ºC durante doze minutos ou até as bolachas estarem firmes e douradas.

Chá gelado de erva-cidreira e hortelã

Ingredientes: 1litro de água | 1 chávena de chá de hortelã | 2 chávenas de chá de erva-cidreira picada | açúcar o mel, q.b. | limão às rodelas

Preparação: Coloque a águas e as folhas numa panela e leve ao lume alto para ferver. Quando ferver, desligue e coe o chá. Deixe arrefecer e adoce a gosto, guardando no frigorífico até à hora de servir. Sirva com rodelas de limão e folhas de hortelã para decorar.

Fonte: Guia “Plantas Aromáticas e Medicinais” editado pela CM de Peniche

Outras receitas

Receitas populares para curar a tosse

Xarope de Amêndoa
Mete-se uma “machinha” de casca de amêndoa a ferver, com um ramo de salsa e uma “machinha” de cascas de cebolas. Tudo a ferver como sendo um chá, depois de já estar fervido, passa-se por um paninho para coar, para tirar, para ficar só o liquido e depois mete-se a ferver com 250 de açúcar louro e aí uns 5 rebuçados peitorais. Tudo a ferver até ficar um bocadinho em ponto, depois põe-se para dentro de um frasco, de um recipiente e vai-se tomando às colheres. (Gracinda Rolho)

Xarope de Cenoura
Põe-se uma camada de açúcar louro no fundo de uma caixa, “vá” de uma tigela, depois a cenoura às rodelas, outra camada de açúcar, outra camada de cenoura e outra camada de açúcar louro. Deixa-se em infusão e vai ficar tudo em liquido e toma-se às colheres. (Gracinda Rolho)

Aguardente queimada com açúcar
Põe-se o açúcar num prato (de esmalte ou de louça, não pode ser de plástico), depois põe-se a aguardente mas não se mexe, larga-se o fogo à aguardente e deixa-se estar a arder. Quando está quase a apagar tem de se começar a mexer, a mexer, a mexer, a mexer até ela apagar por si. (Maria Duarte)

Receitas populares para curar problemas de barriga e estômago

Chá de malvas
Apanha-se as folhas das malvas, lavam-se e põem-se dentro de uma cafeteira a ferver. (Maria Duarte)

Xarope das Folhas da Laranjeira e Oliveira
Umas folhas de oliveira, umas folhas de laranjeira, uma casca de limão (tudo isto é bom para fazer xarope). Põe-se tudo a ferver com água. (Maria Duarte)

Receitas populares para a cicatrização de feridas

Chá de malvas
Apanha-se as folhas das malvas, lavam-se e põem-se dentro de uma cafeteira a ferver. (Maria Duarte)

Receitas recolhidas na freguesia de Vale da Pinta – Cartaxo (Ribatejo)

A propósito deste tema, sugerimos, ainda, a leitura dos seguintes textos:

Fitoterapia – os benefícios de algumas ervas aromáticas

A história da fitoterapia (tratamento à base de plantas) é tão velha como o mundo. Desde o início dos tempos que o Homem procurou manter a saúde e curar as doenças através do uso de certas plantas, muitas delas conhecidas entre nós como “ervas aromáticas”. Este conhecimento esteve, em tempos, rodeado de segredos e muito ligado às artes mágicas.

A partir dos séculos XVI e XVII, particularmente com os descobrimentos portugueses e a importação de muitas plantas exóticas para a Europa, a fitoterapia entrou numa fase de enorme expansão. Continuar a ler

À descoberta das esplêndidas ervas aromáticas

Dizem os historiadores que, desde o Paleolítico, o homem se habituou a procurar as ervas mais apropriadas para a alimentação, mas também para a cura dos seus males. As referências, primeiro em cavernas e, mais tarde, em documentos, são prova disso. A Bíblia, o Talmude e o Corão, por exemplo, mencionam e indicam ervas para uso pessoal e cerimonial.

Mas a proliferação das ervas e temperos está sobretudo ligada à história dos meios de transporte e à imigração de povos. A sua importância ganha outra dimensão com o empenho dos europeus, em particular dos portugueses, em encontrar um caminho para a Índia, com a finalidade de adquirir especiarias. Continuar a ler

Doenças e ervas medicinais

Todas as plantas têm princípios activos, capazes de interferir a nível biológico se ingeridos pelo organismo humano. Destiladas, a maioria das plantas produz essências, álcool e gases combustíveis. Associadas a estas substâncias estão outras que, pela sua concentração, dão propriedades específicas às plantas. Por exemplo, o caso das papoilas que produzem o ópio. Continuar a ler

 

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