Ourivesaria Popular Tradicional | Usos e costumes

Ourivesaria popular tradicional

Muito bem parece o oiro,
No pescoço da donzela.

Introdução

Se por um lado as danças e os cantares do nosso povo, nos seus aspectos folclóricos-etnográficos têm sido tratados por especialistas da matéria, o mesmo não tem acontecido com a ourivesaria popular tradicional.

Tendo consciência de que a ourivesaria popular não pode estar dissociada do folclore ou da etnografia, propusemo-nos escrever este modesto trabalho, ideia que nos surgiu aquando duma recente visita que fizemos a Travassos e Sobradelo da Goma, na Póvoa de Lanhoso, onde travamos conhecimento com artesãos de ourivesaria tradicional e com a técnica do fabrico de Filigranas.

Antecedentes

O uso de objectos exteriores e móveis foi usado desde épocas remotas como desejo pessoal de se tornar diferente, como símbolo de destreza ou valentia ou ainda como anúncio de vitória.

Os colares, com peças dependuradas e com o maneio de quem as usava, originava ruídos que, segundo os seus possuidores, dispersavam os espíritos maléficos, quando não eram usados com o intuito de chamar a si as atenções. A mesma função tinha os brincos oscilando nas orelhas.

Existem hoje em museus nacionais e estrangeiros valiosas peças de ourivesaria de várias épocas e estilos, interessando neste caso citar apenas a idade do ferro, época em que começam a aparecer na ornamentação de peças o granulado e a FILIGRANA.

Técnica

Embora muito resumidamente, vamos citar os aspectos mais evidentes do seu fabrico.

Sabe-se que a Filigrana é uma obra de finíssimos fios de ouro ou prata que se enrosca, se encrespa e se enrola e que finalmente vai decorar a opulência das jóias e da arte de ourivesaria.

O fabrico de uma peça de filigrana começa na organização de uma armação (operação que consiste no tratamento de uma fita de ouro ou prata obtida no cilindro, ou seja, entre dois tambores de aço que se movimentam em paralelo dando-lhe a espessura e largura pretendidas).

Concluída a armação ou o esqueleto há que preparar o fio que a vai encher ou ornar. Esta operação consiste em adelgaçar o fio através da fieira1, isto é, puxar o ouro. Para tal começa-se por colocar a fieira entre dois tacos de madeira paralelos e firmes no extremo da superfície dum banco.

O ouro ou prata que foram antecipadamente fundidos e vazados em rilheiras2 e batidos em redondo numa bigorna, são levados a um dos orifícios da fieira. Dela se faz emergir a ponta do fio a distender. Essa ponta é agarrada por uma longa tenaz de hastes curvas, onde engancha a corrente de ferro ligada ao eixo dum sarilho3 no extremo banco.