Michel Giacometti | Pessoas

Uma viagem, em mapa, pelo trabalho de Michel Giacometti

O etnomusicólogo Michel Giacometti interessou-se pela música popular portuguesa após visitar o Museu do Homem em Paris, e, durante o terceiro quartel do séc. XX (depois de ter vindo viver para Portugal), trabalhou arduamente na recolha de músicas tradicionais que o povo cantava no seu quotidiano. Desse fabuloso trabalho nasceu o programa da RTP “Povo que Canta”.

Com base nos vídeos disponíveis do trabalho de Michel Giacometti e com recurso à aplicação Story Map da ESRI, foi elaborado um mapa interativo, disponível na internet, que permite conferir à obra do etnomusicólogo uma dimensão geográfica perfeitamente inovadora.

A partir do mesmo é possível efetuar uma viagem virtual de quase 9 horas divididas em 62 fragmentos referenciados geograficamente ao local onde foram originalmente recolhidos.

Este trabalho permite ainda, da forma que apenas um mapa possibilita,

– relacionar espacialmente os diversos fragmentos, permitindo abordagens regionais e locais,

– bem como avaliar o posicionamento relativo das recolhas, assim como a distância absoluta entre as mesmas.

Pela primeira vez é possível ver o valioso trabalho de Michel Giacometti projetado no território Português.

Viagem de norte a sul do Portugal

Esta viagem leva-nos desde à aldeia transmontana de Rio de Onor até ao mar algarvio em Portimão, transportando-nos para uma realidade que já não existe, aqui cabem inteiramente

– os cantos de trabalho que a mecanização e o progresso “esmagaram”,

– trabalhos duros realizados por uma população pobre e maioritariamente analfabeta,

– mas também ancestrais e tradicionais romarias que aos poucos vão perdendo as suas raízes e se vão massificando ao sabor de influências modernas.

Mas não é só a música de um povo que os vídeos de Michel Giacometti retratam. Vão muito para além disso, constituem-se como um precioso documento para todos os que se interessam pela etnografia e pela história recente de Portugal.

Neles encontramos fielmente retratados, sem artificialismos de qualquer espécie, a forma de viver do povo nas aldeias, os seus utensílios de trabalho e o seu modo de vida, muitas vezes expresso nas respostas dadas ao entrevistador ou percetível através de sorrisos tímidos mas francos.

Luís Baltazar, Geógrafo

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