O Jogo Popular | Jogos Populares Tradicionais    

Jogo Popular

“«O jogo consiste em transformar um meio num fim em si mesmo» – disse Piaget. Isso acontece com o jogo infantil. No seu 4º estádio de desenvolvimento, entre os 8 e 12 meses (período sensório-motor) a criança aprende a separar os meios dos fins e o jogo surge.

Por exemplo: uma bola com que brinca escapa-se para trás de um obstáculo; antes, fora do alcance visual, não a procurava, mas agora sim. Ultrapassar o obstáculo é o meio a que pode achar graça. Se o converte num fim, aparece o jogo.

O mesmo sucede com o Jogo Popular. O homem que lança fora do campo onde trabalha a pedra que o estorva, pode converter o lançamento num fim em si mesmo e assim nasce o jogo do malhão. Isso quer já dizer que os Jogos Populares se ligam ao trabalho, à experiência rural: são vivência e prazer.

Claro que derivam, ulteriormente, para a exibição e a competição, mas sem corte do cordão umbilical que continua a ligá-los à vida do campo, o que já não acontece com jogos mais refinados, de alta competição, onde aquela ligação se perdeu.

A simplicidade e a rudeza de processos mantêm-se no jogo popular, enquanto no jogo de alta competição o fim que era o prazer voltou a ser meio – de atingir fama, fortuna, etc. Até nos «jogos sem fronteiras», a diferença é visível: estes partem da mente para a realidade, embora mais ou menos apoiados nesta; os jogos populares partem da realidade para a realidade.” Dr. António Magalhães Cabral

O que são Jogos Tradicionais

Sinal da sua grandeza e importância, os Jogos Tradicionais podem, segundo Graça Guedes (1989), proporcionar estudos diversificados no âmbito da História, da Historiografia, da Psicologia, da Sociologia, da Pedagogia, da Etnografia e da Linguística, entre outros.

Este tipo de jogos varia de região para região e possui um significado de natureza mágico-religiosa. É normalmente praticado em épocas bem determinadas do ano ou em intervalos do trabalho agrícola, contribuindo de modo saudável para a ocupação das horas livres.

Os jogos tradicionais são muito antigos, praticados desde há séculos e são transmitidos oralmente de geração para geração. No entanto, conforme os condicionalismos de cada região, as diferentes gerações adaptam-nos à sua maneira de ser e de viver. Desta forma se explicam as variantes de um mesmo jogo (como exemplo, em Portugal existem registadas mais de cinquenta variantes do conhecido Jogo da Malha).

Em conclusão, pode-se dizer, como Graça Guedes (1989), que os jogos tradicionais são criados pelos seus praticantes a partir do reportório dos mais velhos e adaptados às características do local. A denominação de cada um deles evoca por si mesmas as suas características e regras principais. Para Cordeiro, M. (1982), este tipo de jogos apresentam as seguintes características:

Características dos jogos tradicionais

Cultura – Fazem parte dos conhecimentos adquiridos de geração para geração e estão relacionados com o Folclore, o teatro, as lendas, as adivinhas, os costumes, etc.

Movimento – As suas diferentes formas de exteriorização promovem um grande contacto com os mais variados tipos de movimento: o salto, o lançamento, a corrida, etc.

Competição saudável – O mais importante é o convívio simples e salutar entre as pessoas ou grupos, próximas ou distantes.

Festa – É um momento de descontracção, de pausa na labuta diária.

No caso concreto de “saltar o rego“, poderemos classificar esta actividade tradicional na categoria dos jogos hípicos, a partir da classificação sugerida por Graça Guedes (1990).

Esta autora agrupa de uma forma prática (em função dos conteúdos da actividade) os jogos tradicionais nas categorias de

– jogos de interior,

– jogos de pátio

– e jogos de rua e campo.

Por fim, refere ainda os jogos hípicos, que serão “uma recordação dos torneios que se praticavam num passado já distante“.

Fonte: texto retirado de site já desativado