Folclore e Música Erudita - Ópera Serrana

O Folclore e a Música Erudita | Textos e Opiniões

Mas, são os compositores do Romantismo quem mais recorre aos temas folclóricos, criando obras de inigualável beleza. Esta corrente artística inspirou-se nomeadamente nos temas medievais e na tradição popular com vista à criação de um nacionalismo que veio a conduzir ao estabelecimento de muitas nações independentes na Europa.

São dessa altura as mazurcas de Chopin, as rapsódias húngaras de Liszt e Brahms e as danças andaluzes de Manuel de Falla. Dvórak, Stravinsky, Schubert, Schumann, Mendelssohn, Grieg, Debussy, Glinka, Sibélius e Villa-Lobos foram outros tantos compositores que incluíram no seu reportório a música tradicional dos seus países.

Considerado um dos mais consagrados compositores portugueses de sempre, Luís de Freitas Branco compõe Alentejo, Suites nº. 1 e 2, enquanto Vianna da Motta recorre à música tradicional e produz peças para piano como “Rapsódias portuguesas”, “Canções portuguesas” e “Duas Romanzas”.

Entre os seus discípulos contam-se João de Freitas Branco e Fernando Lopes Graça. Também Alfredo Keil e a sua “Ópera Serrana” e Ruy Coelho, a quem se deve a divulgação internacional da ópera portuguesa, a ópera “Tá-Mar” e as músicas sinfónicas “Rondó Alentejano” e “Seis Canções Populares Portuguesas e Peninsulares”. Foi o autor da banda sonora do filme “Ala-Arriba!”, de Leitão de Barros.

A etnomusicologia ou antropologia da música

Graças à invenção dos gravadores de som, surgiu nos finais do século XIX a etnomusicologia – ou antropologia da música – que visa o estudo musical da canção folclórica e o seu enquadramento etnográfico, dando origem a um árduo trabalho de recolha que viria a ser fundamental para a sua reconstituição e também para a criação dos reportórios dos ranchos folclóricos.

Entre os seus fundadores contam-se os húngaros Zoltán Kodály e Béla Bartók que procederam ao levantamento da música tradicional húngara e romena.

Na senda de Béla Bartók, Fernando Lopes Graça produziu numerosas peças corais inspiradas no folclore português, de entre as quais salientamos “eu fui à terra do bravo”, publicou “A Canção Popular Portuguesa” e, em parceria com Michel Giacometti, a “Antologia da Música Regional Portuguesa”.

Este, por sua vez, publicou o “Cancioneiro Popular Português” e procedeu a um grandioso trabalho de recolha de música tradicional.

Uma vez mais, parafraseando João de Freitas Branco, “O estudo ao mesmo tempo aprofundado, sistemático e em grande escala do folclore nacional está ainda por fazer. (…) Se as entidades competentes lhes não acudirem, não tardará que se perca para sempre um insubstituível tesouro nacional”.

Constatando a ignorância com que o folclore é frequentemente encarado, bem revelador de um certo provincianismo que se pretende fazer passar por cosmopolita, não nos surpreende que o mesmo acabe irremediavelmente perdido!

Esta imagem e a imagem de destaque mostram a representação, em 1909, da Ópera Serrana, de Alfredo Keil, no Teatro da Trindade, distinguindo-se, na imagem de destaque, à direita as adufeiras da Beira Baixa. Foto: Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Bibliografia:
– GRAÇA, Fernando Lopes. A Canção Popular Portuguesa. Publicações Europa-América. Lisboa.
– BRANCO, João de Freitas. História da Música Portuguesa. Publicações Europa-América. 4ª Edição. Lisboa. 2005

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História

 

Exit mobile version