Festa em honra de São Sebastião | Cerdedo

Festa em honra de São Sebastião em Cerdedo – Boticas

A festa em honra de São Sebastião, a 20 de Janeiro, em Cerdedo, é muito antiga, como o certifica o Abade em 1758, e caracteriza-se pela sua dimensão intimista.

Mantém as características genuínas de uma manifestação religiosa comunitária. Nesta, praticamente só os moradores da freguesia e alguns dos seus “filhos” emigrados se juntam na igreja para celebrar a missa da festa. Os filhos emigrantes vêm à terra, por esta altura, venerar o Santo e cumprir com os seus votos,

Após esta, parte em cortejo processional em direcção à casa do Juiz. Este, com o Santo no regaço, segue atrás da cruz, acompanhado por todos.

O pároco, uma vez chegado, benze e abençoa sucessivamente o pão, a carne e o vinho. Tudo está delicadamente exposto em cestos e tabuleiros, sob a presença do Santo venerado.

Cá fora, no logradouro da casa ou na eira, dispõe-se a mesa coberta com toalha branca e na cabeceira. Numa outra mesa pequena, coloca-se a imagem de São Sebastião, que vai presidir à refeição comunitária.

Pão, vinho e carne de porco

A mulher do mordomo aparece com tabuleiros de pão cortado em fatias, logo atrás surgem as vizinhas com travessas de carne de porco (peito) cortada em bocados. E, num movimento rápido e partilhado, um traz o vinho, outro os copos, outro os guardanapos de papel. Entretanto os devotos iniciam a refeição.

Equipados com uma navalha ou uma faca pegam numa fatia de pão centeio, um pedaço de carne e vão degustando. Ao mesmo tempo, vão-se trocando opiniões sobre o quotidiano da aldeia. Um ou outro vai entretanto pagar a esmola ao Santo que, alheio a tal burburinho, vela pelos seus devotos.

Animam-se os comensais e vai-se terminando a refeição com um pouco de aguardente ou vinho do Porto, mimos com que o mordomo não deixa de presentear os seus concidadãos e amigos.

Ao lado de grandes cestos de carvalho é doado a cada romeiro um quarto de broa (cerca de um quilo) que, em casa, será partilhado por toda a família e até animais. O pão santo – a mezinha – ajudará a proteger todos aqueles que o comem.

É hora do leilão, e o arrematador, que ambiciona ter quem lhe suceda em tarefa tão nobre e também tão alegre, lá sobe as escadas até ao pátio para do alto “cantar” o lanço mais alto para um peito de porco, uma orelheira ou meia dúzia de chouriças.

Faz isto há mais de vinte anos. As broas de centeio, enormes, são licitadas avidamente, com alegres escaramuças, pela cerca de meia centena de convivas e devotos, todos irmanados no continuar da tradição em Cerdedo!

Fonte: CM de Boticas (texto editado e adaptado) | Imagem recolhida na net