Doçaria de Natal | Gastronomia tradicional

A doçaria de Natal

«Não sabe que as rabanadas são a essência da ceia de Natal?»

Júlio Dinis

Rabanadas, fatias douradas, coscorões ou sonhos…

tudo guloseimas tradicionais para alegrar as mesas da Consoada e do primeiro dia do ano.

Começando pelo Entre-Douro-e-Minho [sensivelmente, Minho e Douro Litoral], as rabanadas são essencialmente fatias de pão (cacete) embebidas numa solução de leite, açúcar e casca de limão, passadas por ovos batidos e fritas em óleo, polvilhadas de açúcar e canela, podendo ser regadas com calda de açúcar ou de vinho tinto (verde) com mel.

Quando não fritas dizem-se rabanadas douradas ou fatias douradas, e cozem em calda de açúcar, pau de canela e casca de limão. Em qualquer dos casos «a sua elegância é implacável», como assevera a mesma personagem dinisiana da citação.

Os mexidos têm também o pão como base, aqui desfeito e posto em conúbio quente com pinhões, nozes e passas, adubado o todo de vinho do Porto, casca de limão, pau de canela e mel; a junção ou não de gemas de ovos desfeitas é questão de estilo.

Os bolinhos de jerimu, no Porto chamados de bolos de bolinha, devem o nome ao tipo de abóbora (jerimu equivale, no resto do território, a abóbora-menina) que fornece a matéria-prima, puré de abóbora a que se mistura farinha, gemas, açúcar, limão e fermento, amassa-se, deixa-se levedar.

E, para o bom sucesso da fermentação e crescimento, estipulam rituais antigos que a massa, além de ambiente escuro e abafamento sob cobertores, requer ser tapada com calças de homem usadas. Depois, enforma-se à colher e frita-se; os bolinhos polvilham-se de açúcar e canela.

Da “sopa dourada” aos “sonhos”!

Para a sopa dourada parte-se do pão-de-ló; fatias deste vão à calda de açúcar e, não contentes ainda, recebem cobertura duma espécie de ovos-moles.

Nas orelhas-de-abade, é massa de pão levedada a que se dá espessura de folha de papel; recorta-se com o feitio de orelhas grandes e, ao fritar, vão-se deitando colheradas de óleo por cima para enfolarem e se aproximarem mais do suposto formato do pavilhão auditivo abacial; toca a escorrer e a polvilhar.

Os coscorões são tiras de massa no género da massa tenra que ao fritar enfolam; servem-se com o polvilho do costume ou passados por calda de açúcar e vinho do Porto ou com mel.

Os sonhos não exigem interpretações de qualquer das escolas psicanalíticas: são singelos bolinhos de massa cozida, não finta, a que se adicionam ovos e que pacatamente se fritam.

Aos esquecidos é preciso não esquecer de os meter no forno, porque é aí que espertamente cozem os montículos de massa (farinha, açúcar, ovos, limão) em tabuleiro untado com manteiga.

Não precisamente um doce, mas indispensável para remate da consoada minhota, o vinho quente. Vinho verde tinto fervido com açúcar, mel, canela e também gemas de ovos batidas, bebido em tigelas sobre bocados de pão torrado. «Esse ‘punch’ nacional», para citar novamente Júlio Dinis, é bem «o fecho da abóbada gastronómica dessa noite», no dizer de Alberto Pimentel.

Guia da Semana – EXPRESSO – Edição Norte | Imagem de destaque

Na página seguinte fique a conhecer 9 receitas tradicionais de rabanadas!

 

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