Amadeu Alberto Lima da Costa, etnógrafo vianense

Amadeu da Costa, etnógrafo

Amadeu Alberto Lima da Costa, etnógrafo, investigador e dinamizador cultural, nasceu a 23 de outubro de 1920 e faleceu em 30 de março de 1999, em Viana do Castelo, capital do Alto Minho.

Nascido no bairro da Ribeira, na Rua do Loureiro, troço atualmente denominado Rua Monsenhor Daniel Machado, Amadeu Costa foi um incansável lutador pela criação de um museu dedicado ao traje regional em Viana do Castelo.

No momento da aquisição do edifício do Banco de Portugal para a instalação desse Museu, em 1996, foi ele que organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aí se realizou. Também por esta razão, o Museu atribuiu a uma das suas salas o nome de Galeria Amadeu Costa.

Como profissão principal tinha a de técnico de contas.

Trabalhou, enquanto estudante, no jornal “A Aurora do Lima”, onde deu os primeiros passos no jornalismo. Nos anos 1960/70, foi correspondente dos jornais lisboetas “O Diário de Lisboa” e” A Capital“.

Nos anos 1950/60, esteve ligado à Fábrica de Louça da Meadela. Nesse período de grande criatividade e renovação da cerâmica aí produzida, supervisionou as mostras organizadas com grande êxito em diversos locais do país.

Calígrafo iluminador, executou vários pergaminhos, alguns em parceria com Araújo Soares, destinados a entidades diversas, entre elas a Presidência da República Portuguesa e a Rainha Isabel II de Inglaterra.

Figura incontornável da cultura tradicional

Amadeu Costa foi uma figura incontornável da cultura tradicional de Viana do Castelo pelo estudo e divulgação que dela realizou ao longo de toda a sua vida.

Sempre assumiu o seu amor pela divulgação dos usos e costumes locais, mormente o traje à vianesa, além da organização das Festas em Honra de Nossa Senhora da Agonia, que ajudou a promover durante cerca de trinta anos, enquanto membro da Comissão de Festas.

Falecido em 1999, a família, num ato de generosidade, estabeleceu com a autarquia vianense um protocolo de doação de uma valiosa coleção de trajes que pertenciam a Amadeu Costa ao Museu do Traje.

Esta doação incluiu 750 peças e 53 de trajes completos, incluindo algibeiras, aventais, saias, coletes, casacas, camisas, lenços, calçado, meias, toalhas e trajes de homem e mulher, enriquecendo o património do espaço museológico.

Foi condecorado por imensas instituições, destacando-se a medalha de ouro da cidade de Viana do Castelo, com a qual foi agraciado em 1989.

Fonte (texto editado e adaptado)

António Augusto da Rocha Peixoto, etnógrafo português

António Augusto da Rocha Peixoto

António Augusto da Rocha Peixoto, naturalista, arqueólogo e etnógrafo português, nasceu a 18 de Maio de 1868, na Póvoa de Varzim. Era filho do Dr. António Luís da Rocha Peixoto.

Formou-se na antiga Academia Politécnica do Porto e foi professor da Escola Comercial do Infante D. Henrique.

No início da sua carreira começou por se interessar pelas ciências naturais, mas rapidamente incluiu nos seus temas predilectos os assuntos que diziam respeito à etnografia.

Foi considerado um dos mais brilhantes etnógrafos portugueses vindo do século XIX. Amava os temas relacionados com a cultura material e a organização comunitária das populações.

Cientista invulgar, detentor de um método científico que fez escola e que esteve na origem de um género de investigações, Rocha Peixoto foi uma figura ímpar da Etnografia em Portugal.

Para além da Etnografia, possuía ainda um profundo conhecimento de História de Arte e de Arqueologia, tendo escrito diversos artigos sobre estes assuntos.

Ao longo da vida ocupou diversos cargos de relevo. Foi naturalista-adjunto do Gabinete de Mineralogia, Geologia e Paleontologia da Academia Politécnica do Porto e director da Biblioteca Pública e do Museu Municipal do Porto.

Secretário da Revista de Portugal, fundada por Eça de Queirós, foi co-fundador e um dos principais dinamizadores da Revista de Ciências Naturais e da revista Portugália.

Deixou-nos uma obra vastíssima com mais de 200 artigos, ensaios, monografias, estudo, etc., sobre geologia, paleontologia, antropologia, pré-história, epigrafia, hierologia e principalmente de etnografia, tendo estudado sobretudo indústrias, fusos e costumes das populações portuguesas.

Faleceu prematuramente, no auge da sua carreira, com apenas 42 anos, a 2 de maio de 1909, no Porto.

Alguns trabalhos publicados:

1889, “Os Palheiros do Litoral”

1889, “Notas sobre a Malacalogia Popular”

1892, “A Tatuagem em Portugal” in Revista de Ciências Naturais e Sociais

1897, “A Terra Portuguesa”

1898, “Etnografia Portuguesa. Habitação. Os palheiros do Litoral” in Revista Portugália

1900, “Etnografia Portuguesa. Indústrias Populares. As Olarias do Prado” in Revista Portugália

1901, “Uma Iconografia popular em Azulejos” in Revista Portugália

1905 “A Casa Portuguesa”

1906 “Tabulae Votivae”

1908, “Etnografia Portuguesa. As Filigranas” in Revista Portugália

Fontes: “Infopédia”, “O Grande Livro dos Portuguesas” | Imagem: “Occidente” nº1094 – 20 de Maio de 1909

Zófimo Consiglieri Pedroso, etnógrafo português

Zófimo Consiglieri Pedroso

Zófimo José Consiglieri Pedroso Gomes da Silva nasceu em Lisboa, 10 de março de 1851, filho do médico Zófimo Pedroso da Silva.

O apelido Consiglieri procede de sua mãe, Mariana Justa Consiglieri, uma senhora de origem genovesa.

Tendo feito os seus estudos preparatórios, seguiu o Curso Superior de Letras, área na qual viria a desenvolver actividade docente, tornando-se professor catedrático e director do curso superior de letras de Lisboa.

Republicano convicto, publicou vários panfletos doutrinadores sob o título Biblioteca de Propaganda Democrática, prestando a sua colaboração em publicações, em 1871, como o Positivismo.

Foi Presidente da Sociedade de Geografia e sócio efetivo da Academia de Ciências de Lisboa.

Foi dos primeiros a recolher em Portugal o folclore nacional, tendo desenvolvido estudos importante na área da etnografia, dando particular ênfase à análise de mitos e superstições populares.

Da parte da mitografia e superstições populares, publicou o resultado das suas investigações, acompanhado de eruditas análises críticas no excelente jornal científico o Positivismo e nas revistas especiais que se publicavam em França e Inglaterra.

Entre as suas principais obras, nomeadamente na área do folclore e da etnografia, contam-se

– Contribuições para uma mythologia popular portugueza (1880);

– Portuguese Folk-tales (1882);

– Tradições populares portuguezas, XV: o secular das nuvens (1883);

– Tradições Populares Portuguesas, Uma Crítica Positivista (1884);

– Contos Populares Portugueses (1910);

– Contribuições para um cancioneiro e romanceiro popular português

– Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa e outros Escritos Etnográficos;

– Contos populares portugueses (1878).

Faleceu em Sintra, a 3 de setembro de 1910, com a idade de 59 anos.

Fontes: Enciclopédia Universal Multimédia da Texto Editora (1997) | Revista “Occidente” nº1141 – 10 de Setembro de 1910 | Wikipédia

Vergílio Correia, um transmontano multifacetado

Vergílio Correia

Vergílio Correia Pinto da Fonseca nasceu no Peso da Régua, a 19 de Outubro de 1888, e faleceu em Coimbra, a 3 de Junho de 1944.

Foi professor universitário, historiador de arte, arqueólogo e jornalista português.

Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, em 1911, que iria ainda conferir-lhe o grau de doutor em Letras, em 1935.

Nela regeu as cadeiras de Estética e História de Arte (desde 1921) e de Arqueologia (a partir de 1923).

Foi conservador do Museu Etnológico Português (1912) e do Museu Nacional de Arte Antiga (1915).

Em 1929, assumiu a direcção do Museu Machado de Castro, em acumulação com a sua actividade de professor.

Fundou as revistas Arte e Arqueologia (1930) e Terra Portuguesa (1916) e dirigiu o Diário de Coimbra (1938-1944).

Publicou valiosos estudos sobre a história da arte portuguesa, arqueologia e etnografia. Estreou-se com os volumes:

A Igreja de Lourosa da Serra da Estrela, 1912,

– e Etnografia Artística, 1916.

Outras obras dignas de realce:

– Vasco Fernandes: mestre do retábulo da Sé de Lamego, 1924,

– Pintores Portugueses dos Séculos XV e XVI, 1928,

– A Arquitectura em Portugal no Século XVI, 1929,

– Etnografia Artística Portuguesa, 1937

– A Escultura em Portugal, 1949

–  Os séculos XII, XII e XIV, 1949

– A Arte em Coimbra e Arredores, 1949,

– Azulejos, 1956,

– e Obras, 1946-1978, em cinco volumes.

A morte prematura, em 1944, interrompeu uma carreira brilhante, indissociável do Inventário Artístico Nacional e da investigação de Conímbriga e do criptopórtico de Aeminium.

A 3 de Abril de 1920 foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Foi-lhe também atribuído o grau de Oficial de Ordem da Coroa de Itália.

Foi casado com Alice Adelaide Figueiredo Correia da Fonseca.

Fonte: O Grande Livro dos Portugueses do Círculo de Leitores (1990) e outros | Imagem de destaque

Manuel Francisco Estanco Louro – síntese biográfica

Estanco Louro

Manuel Francisco Estanco Louro nasceu no sítio do Alportel [Algarve], a 6 de Setembro de 1890, no seio de uma família de modestos recursos económicos com nove filhos.

Desde tenra idade revelou-se possuidor de viva inteligência. Tal levou os seus pais a matriculá-lo no Seminário de Faro, com o objectivo de cultivar essa inteligência e fornecer à família um sacerdote, como era costume naquele tempo.

Por manifesta falta de vocação, abandonou o Seminário, anos depois. Terminou o Curso dos Liceus, em 1912, no Liceu de Faro, com altas classificações, e em apenas dois anos, não só com os conhecimentos trazidos do Seminário como também por méritos próprios.

Aos 22 anos, escreve um romance inédito, intitulado “O Revoltado“, em que evidencia bem toda a sua sede de justiça social.

Matricula-se, no ano lectivo de 1912-13, em Filologia Românica, na Faculdade de Letras de Lisboa. Interrompe o curso para cumprir o serviço militar no período da Grande Guerra (1914-18).

Participou na Primeira Guerra Mundial

Parte, em 1917, para a Flandres, França, como alferes miliciano do Regimento de Infantaria 1, tendo participado na célebre Batalha de La Lys.

Esta terrível experiência de guerra mereceu-lhe páginas muito emocionantes, testemunhando o que viu e sentiu na Flandres. Este trabalho ficou inédito até 9 de Abril de 1924, quando o apresentou sob a forma de conferência proferida no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa.

Regressa de França, termina o curso na Faculdade de Letras e publica, em 1919, “Do Ensino da Língua Francesa, em Portugal, especialmente na Instrução Secundária (O que se tem feito e o que se deve fazer)“, que foi a tese da sua licenciatura em Filologia Românica.

Estudos universitários na Faculdade de Letras

Frequenta o curso de habilitação para o Magistério Liceal (Letras), tendo sido aprovado no Exame de Estado com a classificação de quinze valores e ficado habilitado a exercer aquele Magistério em Janeiro de 1921.

Também, neste ano, se casa com D. Albertina Emília Freire, finalista do Curso de Filologia Clássica, e sua colega da Faculdade de Letras.

Ao mesmo tempo que cursa a Faculdade de Letras e a Escola Normal Superior – onde fez Exame de Estado – matriculou-se na Faculdade de Direito, cuja licenciatura concluiu em 1922.

É nomeado professor efectivo do Liceu Fialho Gouveia, em Beja, onde lecciona de 1921 a 1923. Exerce ao mesmo tempo advocacia. Em 1923, é transferido para o Liceu Central Pedro Nunes, em Lisboa.

Frequenta, na Faculdade de Letras o curso de Estudos Camoneanos, regido pelo sábio Doutor José Maria Rodrigues, tendo no final defendido dissertação e ministrado lição pública aos alunos. Foi o único diplomado com distinção nesta cadeira de Estudos Camoneanos.

O intenso labor literário, pedagógico-didáctico, de estudos camoneanos, investigação etnográfica e filológica, desenvolvido pelo Dr. Estanco Louro é reconhecido em todo o mundo culto. E é prova disso a enorme correspondência existente no seu arquivo pessoal, toda ela manifestando o enorme apreço em que era tido nos sectores intelectuais mais qualificados, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Aderiu, desde a primeira hora, ao grupo da “Seara Nova

– Câmara Reys,

– Aquilino Ribeiro,

– Raul Proença,

– Raul Brandão,

– António Sérgio

– e outros,

de cujos ideais progressistas comungou inteiramente, colaborando na revista “Seara Nova“.

Em Dezembro de 1929, candidata-se ao doutoramento na Faculdade de Letras, apresentando como tese a monografia “O Livro de Alportel“, correspondendo assim a instâncias dos seus ex-professores, entre eles o Dr. José Maria Rodrigues, que lhe reconheciam o trabalho e o valor.

Prejudicado pelas alterações políticas

Entretanto, a viragem política começava a intensificar-se, favorecendo na Faculdade conluios e compadrios que contribuíam para afastar homens com o perfil do Dr. Estanco Louro.

Este amava a Justiça e a Verdade, adverso a oportunismos, trabalhador, estudioso e pesquisador. Estas características estão vincadas nas suas muitas obras, tanto publicadas como inéditas, e que os seus modestos recursos de professor liceal não lhe permitiram ver impressas.

Num processo, largamente divulgado nos meios intelectuais da época, e que está descrito em quarenta e oito densas páginas inéditas, o doutoramento foi interrompido, sem que houvesse desistência nem reprovação do candidato.

Face ao insólito desfecho do exame de doutoramento, o Dr. Estanco Louro não teve acesso a cátedra da Faculdade de Letras, tendo sido igualmente impedido de reger a Cadeira de Estudos Camoneanos, para a qual era o único diplomado.

A mágoa, a injustiça e o prejuízo que estes lamentáveis eventos lhe causaram não o impediram de prosseguir no seu intenso labor criativo.

Soube ser solidário

Em 1931, em consequência de um decreto do então Ministério da Instrução, alterando a constituição do corpo docente do Liceu Pedro Nunes, os professores foram distribuídos por outros liceus, conservando-se ali apenas os professores Estanco Louro e Prado Coelho.

Apesar de contrariar seus interesses, estes dois professores, num acto de solidariedade com os colegas obrigados a sair, pediram a colocação no Liceu Camões.

Aqui o Dr. Estanco Louro exerceu o professorado até à sua reforma em 1952, quando se retirou para a sua casa de Barranco do Velho. Continuou a trabalhar até ao fim da vida, numa obra que envolvia aturada investigação e pesquisa local, e que intitulou “Toponímia Algarvia“.

Fez ainda parte dos corpos directivos

– da Casa do Algarve,

– da Cooperativa “Padaria do Povo”, de gloriosa tradição democrática,

– e da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, em cujo talhão foi sepultado em 23 de Setembro de 1953.

O seu desvelado amor à terra natal, dada a impossibilidade de nela ficar sepultado, está perpetuado, conforme sua vontade, com um singelo monumento de pedra junto à casa onde nasceu.

Mas o maior monumento que perpetuará para sempre a sua memória é, sem dúvida, entre outras obras notáveis da sua erudição e cultura, esta monografia sobre S. Brás de Alportel.

S. Brás de Alportel, 31 de Outubro de 1985″

João Pires da Cruz, Prefácio d’ “O Livro de Alportel” (texto editado e adaptado)

Jaime Lopes Dias | Folclorista beirão

Jaime Lopes Dias (1890-1977) – Nasceu em Vale de Lobo, actual Senhora da Póvoa (Penamacor), a 25 de outubro de 1890.

Frequentou o liceu de Castelo Branco, onde concluiu o curso geral em 1906. Frequentou também o Colégio de S. Fiel, no Fundão, e o liceu de Coimbra,

Em 1908, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde concluiu o curso em 28 de julho de 1912.

 

Actividade profissional

Ao longo dos anos, desempenhou vários cargos públicos: oficial do Registo Civil de Penamacor, notário em Idanha-a-Nova.

Exerceu o cargo de administrador do concelho de Idanha-a-Nova entre 1915 e 1916, e, depois de prestar provas para secretário-geral do Governo Civil, foi colocado em Castelo Branco, onde permaneceu até 1926.

Foi juiz presidente do Tribunal de Desastres no Trabalho, em Castelo Branco, vereador da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova.

E, também, professor dos 4º e 5º grupos do liceu de Castelo Branco, presidente da Comissão Agrícola da 55ª Região, adjunto do diretor geral da Administração Política e Civil do Ministério do Interior.

Também foi vogal do Conselho do Cadastro – Instituto Geográfico e Cadastral, e diretor dos Serviços Centrais e Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, onde desenvolveu uma ação digna de registo.

Fez parte das comissões encarregadas do Estudo de Receitas e Despesas Municipais da Divisão Provincial do País, e da Divisão Regional e Agrícola.

Presidiu, em 1937, à comissão encarregada da Organização dos Serviços das Câmaras Municipais de Lisboa e Porto e à comissão organizadora do Grande Cortejo Folclórico.

Recebeu, da Câmara Municipal de Lisboa, a medalha de ouro. Pertenceu a inúmeras associações científicas, literárias, artísticas, regionalistas (Portuguesas e estrangeiras).

Académico e folclorista reconhecido!

Em 1962 viu-se eleito académico efectivo da Academia de Ciências de Lisboa.

Foi membro titular do Instituto Internacional de Ciências Administrativas de Bruxelas e foi sócio de muitas instituições científicas e culturais. Foi Comendador da Ordem de Cristo. Fundou o Sindicato Agrícola e a Caixa de Crédito Agrícola de Idanha-a-Nova.

Fez a campanha para a criação de um Posto Agrário em Idanha-a-Nova. Organizou o IV Congresso e Exposição Regional das Beiras. Promoveu, por ocasião, destes certames, a publicação de um álbum de propaganda da cidade de Castelo Branco, a instalação do Museu Tavares Proença Júnior e a construção do monumento a Vaz Preto.

Folclorista de nomeada, a sua “Etnografia da Beira” (em onze volumes, o primeiro dos quais publicado em 1962), continua a constituir trabalho de referência no conjunto da literatura Portuguesa consagrada ao tema.

E sem dúvida que o folclore, (como ciência englobante da etnologia, etnomusicologia e segmentes afins), formaliza o cume de interesse no conjunto da uma obra de conteúdos multifacetados: direito, arte, história, instrução, problemas administrativos, social, económico, regionalistas.

Autor de inúmeras obras das quais destacava “Portugal e a Etnografia”, “Pelourinhos e Forcas do Distrito de Castelo Branco”, “Aspirações e necessidades da Beira”, “Código Administrativo de 1936 e 40” e muitas outras.

Jaime Lopes Dias e a sua faceta de jornalista

Jaime Lopes Dias teve igualmente uma faceta de jornalista importante.

Foi fundador, director e colaborador de um sem número de periódicos regionais e nacionais: Revista Municipal de Lisboa e o Boletim da Casa das Beiras.

Foi, também, diretor dos jornais Povo de Idanha (Idanha-a-Nova), e Província (Castelo Branco), e foi um dos fundadores da Acção Regional (Castelo Branco).

Organizou números especiais referentes a Castelo Branco e ao seu distrito e província, em: Revista das Beiras, Revista Insular e de Turismo, Terras de Portugal, Álbum de Portugal, etc.

Colaborou em diversas publicações: Ocidente, Anuário Comercial (Turismo), Panorama, Revista Portuguesa de Comunicações, Revista da Mocidade Portuguesa Feminina. No Boletim da Junta Nacional da Cortiça, Almanaque das Beiras, Guias dos Hotéis e Turismo, Portugal Corticeiro, Diário de Notícias.

Também no Século, Novidades, Diário de Coimbra, Mocidade Livre, Semana das Beiras, Vanguarda (de Castelo Branco), Cidade, Sul da Beira (Covilhã), Via Latina (número único), etc.

Faleceu em Lisboa no ano de 1977.

Fonte: Dados retirados do livro: “Autores Nascidos no Distrito de Castelo Branco”, de António Forte Salvado. (Texto adaptado e aumentado com informações retiradas de Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, vol. XV, pp.447-448)

Armando Leça, compositor, folclorista e etnomusicólogo

Armando Leça

Pseudónimo do compositor, folclorista e etnomusicólogo Armando Lopes, nasceu em Leça da Palmeira a 9 de agosto de 1893 e morreu em Vila Nova de Gaia a 20 de janeiro de 1977.

Estudou no Conservatório Nacional, onde veio a ensinar as disciplinas de Piano e Composição. Com 18 anos publicou valsas para piano e com 19 anos 14 canções líricas, contidas no Cântico das Flores, 1912.

Foi Professor de Canto Coral no Liceu de Rodrigues de Freitas (no Porto), compositor e folclorista. Compôs operetas, música coral, canções e música de piano e de acompanhamento para diversos filmes.

Foi este musicólogo encarregado em 1939, pela Comissão dos Centenários, de efetuar gravações da música que o povo português tocava e cantava na altura, gravações que se destinavam a publicação posterior.

Recolheu e harmonizou melodias de todas as províncias portuguesas.

Armando Leça realizou registos sonoros em todas as províncias do território continental, sendo o primeiro levantamento músico-popular no nosso país.

Leça ajudou a construir uma verdadeira escola de folclorismo, tornando claro que o efetivo significado da música popular portuguesa estava escondido nas aldeias mais remotas, longe de qualquer influência urbana ou estrangeira, acreditando que cabia aos músicos de formação expurgar de qualquer influência externa os exemplos musicais que encontravam no terreno.

A importância de Armando Leça na música popular

A importância de Armando Leça para o pensamento português sobre a música popular, que ainda hoje perdura em muitos contextos e, em especial, no das instituições folclóricas, foi enorme. Sobretudo, porque Leça transformou as suas convicções numa verdadeira cruzada de missionação, proferindo, desde 1919, um conjunto de conferências por todo o País.

Para isso, utilizou, muitas vezes, o harmónio (acordeão), o piano e, mais tarde, os agrupamentos corais que ensaiou (Orfeão do Asilo de Nossa Senhora da Conceição e Orfeão da Associação Protetora da Infância), para exemplificar musicalmente as suas opiniões, tentando instruir o público sobre o resultado das suas pesquisas e divulgando fórmulas acabadas sobre a música popular portuguesa.

Em janeiro de 1932, assumiu o cargo de Diretor Artístico, na Rádio Porto, dando início à emissão semanal do programa Hora de música portuguesa, onde apresentou vários grupos corais, com repertório «português», e obras de compositores portugueses.

Mais tarde, na sequência do encerramento da Rádio Porto, inaugurou, na secção do Porto do Rádio Clube Português, a rubrica semanal Do Minho ao Algarve, um programa com o mesmo teor do anterior, sempre marcado pelas suas opiniões e por uma postura profundamente didática.

O «músico caminheiro», como mais tarde virá a autodesignar-se, acabou por fazer a ponte entre a visão romântica do final do século XIX e a postura ruralista do Estado Novo, à qual essa imagem de uma nação baseada na pureza e na genuinidade do seu povo tanto convinha.

Alguma da sua obra literária

Da música portuguesa, 1900 (reedições: 1922 e 1942).

Solfejo entoado para uso dos Liceus e Colégios, Porto, Tip. Costa Carregal, 1933.

Cancioneiro músico-popular: relatório dos trabalhos de recolha para a organização duma discoteca de música popular portuguesa, pela brigada de técnicos, Comissão Executiva dos Centenários, 1940.

Música popular portuguesa, Instituto de Alta Cultura. Porto : Domingos Barreira, 1947.

Leça dos Mareantes, Sep. Bol. Bibl. Pública Municipal Matosinhos, 1957.

Motivos Ensoados pelo Povo, Sep. Bol. Junta Dist. Lisboa, n.º LXI-LXII, 1964. fonte 

O seu espólio musical está depositado

– na Biblioteca Nacional de Portugal,

– na Câmara Municipal de Matosinhos (espólio fotográfico),

– e no arquivo sonoro da RDP (gravações realizadas entre 1939 e 1940).

Fonte: “O Grande Livro dos Portugueses” – Círculo de Leitores, texto ampliado com informações retiradas daqui.

 

Fernando de Castro Pires de Lima | Etnógrafo

Fernando de Castro Pires de Lima

Médico, Escritor e Etnógrafo português. Nasceu no Porto, a 10 de Junho de 1908, cidade onde também faleceu, a 3 de Janeiro de 1973).

Filho do Dr. Joaquim Pires de Lima e de Maria Henriqueta da Silva e Castro, era descendente de lavradores minhotos setecentistas, naturais de Carreço, concelho de Viana do Castelo [Minho] . Casou com Maria Adélia Barbot Ferreira (1915-2001).

Diplomou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Foi assistente do Hospital Geral de Santo António e director da respetiva Enfermaria, professor de Higiene no Conservatório de Música no Porto e diretor da Biblioteca Popular e do Arquivo de Medicina Popular.

Na área da Etnografia, foi presidente do Instituto de Etnografia e director do Museu e Etnografia e História do Porto (actual Museu de Etnografia).

Obras publicadas

Fernando Pires de Lima escreveu um vasto número de obras,

– “A Metafísica perante a inquietação científica” (1937),
– “Salazar no vértice de oito séculos de história“,
– “O Simbolismo Cristão na Cantiga Popular” (1941),
– “Ensaios” (1943),
– “Nossa Senhora de Portugal” (1947), em co-autoria com o pai (1947);
– “A Nau Catrineta” (1954)

algumas delas de evidente registo etnográfico:
– “Cantares do Minho“, em 2 volumes (1937-1942),
– “Tradições Populares de Entre-Douro-e-Minho” (1938, escrito em conjunto com seu pai),
– “O Vinho Verde na Cantiga Popular“, em colaboração com a irmã, Maria Clementina (1939),
– “Romanceiro Minhoto” (1943)
– “São João na alma do Povo” (1944),
– “O amor na quadra popular” (1945).
– “Cancioneiro” (1962)
– “Ensaios Etnográficos” (1968, escrito em dois volumes).

Ao longo da sua vida, colaborou em publicações científicas e publicações periódicas como

– a “Revista de Guimarães“, fundada em 1883 pela Sociedade Martins Sarmento,

– e a “Revista Lusitana”, instituída por José Leite de Vasconcelos,

onde escreveu acerca de temas etnográficos.

Colaborou, também, na “Revista de Tradiciones Y Dialectologia“, de Madrid, na qual editou o estudo “Afinidades Galaico-Portuguesas no Cancioneiro Popular“, premiado pela Real Academia Gallega.

Membro de associações científicas e culturais

Pires de Lima foi igualmente um reputado conferencista e membro de associações científicas e culturais, nacionais e estrangeiras:

Associação dos Arqueólogos do Instituto de Coimbra,

Sociedade de Antropologia e Etnologia do Porto,

Instituto de História e Etnografia de Lisboa,

Instituto de Antropologia de Paris,

Sociedade de Folklore do Brasil,

Federação das Academias de Letras do Brasil,

Associação de Escritores Médicos de Madrid,

Real Academia Gallega,

Seminário de Estúdios Gallegos,

Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto,

Academia das Ciências, etc.

Fonte: Enciclopédia Universal Multimédia da Texto Editora (1997) | Universidade Digital / Gestão de Informação

António Aragão | Pessoas ligadas à Etnografia

António Manuel de Sousa Aragão Mendes Correia

Poeta, romancista, pintor, historiador e escultor – nasceu na ilha da Madeira, em S. Vicente, a 22 de Setembro de 1921. Faleceu no Funchal a 11 de Agosto de 2008.

Licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e em Biblioteconomia e Arquivismo pela Universidade de Coimbra.

Estudou Etnografia e Museologia em Paris, sob a orientação do Director do Conselho Internacional de Museus da UNESCO.

Cursou no Instituto Central de Restauro de Roma, onde se especializou em restauro de obras de Arte e estagiou no laboratório de restauro do Vaticano. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris e Roma.

Inconformado, por vezes excêntrico

Homem de criatividade rica, irrequieto, polémico, inconformado, por vezes excêntrico até, deixou a sua marca pessoal indelével por onde passou.

Era difícil não dar por ele quando metia mãos à obra, quer fosse na investigação da história e da etnografia, quer quando esculpia, pintava ou escrevia.

A proporção do acervo que legou a Portugal, e em particular à Madeira, é muito mais rico, em quantidade e qualidade, do que o reconhecimento e merecimento que devia ter recebido da região e do país.

Desse ponto de vista, ainda está por fazer-se a verdadeira homenagem a António Aragão, apesar de, ainda em vida e num gesto essencial, ter recebido da Câmara Municipal do Funchal uma rua da cidade com o seu nome, onde fica o Arquivo Regional da Madeira, do qual foi Director.

Na área da etnografia efectuou recolhas ao nível da música tradicional da Madeira e do Porto Santo, em 1973, em co-autoria com o professor e músico Artur Andrade, com divulgação em 2 discos L.P.,em 1984.

Como investigador da História da Madeira, publicou:

– Os Pelourinhos da Madeira. Funchal, 1959;

– O Museu da Quinta das Cruzes. Funchal, 1970;

– Para a História do Funchal – Pequenos passos da sua memória. Fx. 1979;

– A Madeira vista por estrangeiros, 1455-1700. Funchal. 1981;

– As armas da cidade do Funchal no curso da sua história. Funchal. 1984;

– Para a história do Funchal – 2ª Edição revista e aumentada. Funchal. 1987;

– O espírito do lugar. A cidade do Funchal. Lisboa. 1992.

Texto adaptado da Wikipédia | Imagem de destaque

António Cláudio, Folclorista de Almeirim

António do Carmo Cláudio

Nasceu em Almeirim, a 19 de Março de 1927, localidade onde veio a falecer no dia 17 de Março de 2019.

Licenciado em História, pela Universidade de Letras de Lisboa, em 1979, foi um reconhecido etnógrafo e folclorista, músico filarmónico, historiador e poeta, que dedicou uma grande parte da sua vida à cultura, nomeadamente à história local e às tradições populares de Almeirim.

Membro fundador do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Almeirim, a cuja direcção presidiu durante largas décadas. Integrou a Comissão Executiva do Festival Internacional de Folclore de Santarém. Foi, ainda, membro da Federação do Folclore Português (FFP), tendo  integrado o Conselho Técnico Regional do Ribatejo e presidido à Assembleia Geral da FFP.

Exerceu as funções de Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Almeirim durante dezasseis anos (1976-1993).

Dirigiu a Biblioteca Municipal de Almeirim, onde desenvolveu um trabalho notável ao nível da pesquisa, recolha e divulgação de aspectos históricos e sociais do concelho de Almeirim. Foi, também, o responsável pela criação e edição do Boletim Municipal e dos Cadernos Culturais.

Publicações

Publicou igualmente os Cadernos Culturais

– “Brasões de Almeirim

– e “Toponímia de Almeirim

bem como outras publicações editadas pela Câmara Municipal.

Foi, também,

– correspondente do jornal “Diário de Notícias”,

– chefe de redação da revista “Folclore”,

– colaborador e diretor do jornal “O Almeirinense”,

e colaborou noutros jornais e revistas com textos em prosa e em poesia.

Escreveu ainda para teatro, “Canto da Hora Presente” e “No Olival da Folha”, este último baseado num conto do Dr. José Amaro de Almeida. Desenvolveu várias atividades culturais, destacando-se, entre outras, o espetáculo recreativo “Ping-Pong”, entre 1970 e 1974.

Como funcionário do Instituto de Emprego e Formação Profissional, efetuou o levantamento do artesanato do distrito de Santarém, do qual foi publicado o livro “Artesanato da Região de Lisboa e Vale do Tejo”.

A partir de 1951, apresentou, na antiga Rádio Ribatejo, em Santarém, diversos programas com destaque para a temática do Folclore.

Foi membro do primeiro Corpo Ativo dos Bombeiros Voluntários de Almeirim, músico da Banda Marcial de Almeirim e da extinta Orquestra Ribatejo.

Em 1994, foi-lhe atribuída pela Câmara Municipal de Almeirim, a Medalha Municipal de Valor e Mérito-Grau Ouropela importante e prestigiosa contribuição para o desenvolvimento do Concelho de Almeirim”.

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