O tacho da marmelada | Como era antigamente

O tacho da marmelada

Nº de inventário: 8980
Diâmetro: 49,5 cm
Altura: 18,5 cm

No passado, a vida do povo português era muito difícil.

Mesmo os mais abastados tinham de fazer pela vida, que as receitas provinham exclusivamente da lavoura e esta era parca na criação de verbas com que se pudesse ir às compras.

Assim, tudo se procurava fazer em casa, aproveitando quanto a terra, a capoeira e a pocilga podiam dar.

Os figos secavam-se ao sol forte de agosto, assim como as peras e os pêssegos que bem apreciados viriam a ser lá mais para o fim do ano.

Os marmelos vindos de marmeleiros plantados nas beiradas dos terrenos, preferentemente, junto a regato ou regueira fartos de água, constituíam uma riqueza completamente aproveitada para as senhoras fazerem a marmelada e a geleia. Estas haviam de “enfeitar” uma bela fatia de broa ou um pãozinho da padaria local, para as merendas dos senhores e dos meninos.

As tarefas para fazer marmelada

Nesses dias a azáfama na cozinha era marcante:

– umas descascavam e tiravam o caroço,

– outras partiam-nos aos pedaços,

– outras atiçavam o lume

onde o tacho grande de cobre, depois de bem areado, a reluzir como novo – que o verdete era veneno que ninguém queria ver – de boca bem aberta, estava pronto para receber os pedaços de marmelo e o açúcar que a senhora calculava nas proporções adequadas, para além dos segredos que a haviam de tornar mais clarinha e mais macia.

Na hora de provar, a colher de pau passava de boca em boca, não fosse faltar a doçura…

Com tanta fartura, enchiam-se malgas, bacias e pratos ratinhos com que também se obsequiavam famílias amigas.

No fim, o rapar do grande tacho ficava para a miudagem que, saltando em volta, e lambendo os dedos, o deixava a brilhar como se nunca tivesse sido usado.

Fonte: A “Peça do Mês” do Museu de Silgueiros – Centro de Documentação Etnográfica

 

Tesoura de hóstias | Como era antigamente

Tesoura de hóstias

No de inventário: 17.232 Comprimento: 18,5 cm Largura: 6,5 cm

A palavra hóstia designa o pão consagrado pelo sacerdote e distribuído aos fiéis no momento próprio da Missa.

Ter hóstias em quantidade suficiente para as necessidades do culto religioso – pão cozido sem fermento nem sal – era, habitualmente, obrigação dos párocos que, por processos artesanais promoviam a confeção de finas folhas de pão ázimo para depois cortarem em pequenas hóstias de cerca de 3 centímetros de diâmetro.

A dificuldade deste fabrico e a necessidade de quantidades significativas levou a que mosteiros e outras instituições religiosas se dedicassem à sua produção, especializando-se neste trabalho, o que veio a facilitar a vida aos párocos que dispunham, assim, com facilidade, das hóstias não consagradas em quantidade suficiente.

Para facilitar o corte da folha de hóstia nas pequenas hóstias, criou-se uma tesoura especial, capaz de cortar uma peça de cada vez, uniformizando-as e garantindo rapidez na produção.

Certamente que hoje esta produção se faz com a ajuda de tecnologias dos nossos dias, mas, em tempos recuados, esta tesoura significou um progresso significativo.

Guardamo-la com o carinho que dedicamos a tudo quanto constitui o acervo do nosso museu e, particularmente, pela sua ligação à religiosidade do povo português.

Fonte: A “Peça do Mês” do Museu de Silgueiros – Centro de Documentação Etnográfica

As indicações do Vaticano sobre como fazer hóstias

“O Vaticano enviou uma circular aos bispos de todo o mundo com indicações precisas sobre o pão e o vinho usados nas missas. O pão não pode ser 100% sem glúten, mas pode ter transgénicos.

As hóstias usadas nas missas católicas podem ser fabricadas com ingredientes transgénicos e podem ter baixo teor de glúten para não afetar os fiéis celíacos (embora não possam ser totalmente desprovidas desta substância).

Estas indicações constam de uma circular enviada aos bispos do mundo inteiro pela Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, organismo do Vaticano responsável pelas normas a ser seguidas nos ritos da Igreja. (…)

A primeira indicação é relativamente ao pão, que “deve ser ázimo, unicamente feito de trigo, confecionado recentemente, para que não haja nenhum perigo de que se estrague por ultrapassar o prazo de validade”.

O documento sublinha ainda que “é um abuso grave introduzir, na fabricação do pão para a Eucaristia, outras substâncias como frutas, açúcar ou mel”.

Relativamente a casos excecionais, a carta enviada aos bispos destaca que “as hóstias completamente sem glúten são matéria inválida para a Eucaristia”.

No entanto, “são matéria válida as hóstias parcialmente desprovidas de glúten, de modo que nelas esteja presente uma quantidade de glúten suficiente para obter a panificação” — quantidades que em situações normais não afetam negativamente as pessoas que são intolerantes ao glúten.” Fonte (texto editado)

O prato ratinho | Como era antigamente

O prato ratinho

No de inventário: 8922 Diâmetro: 29,3 cm Altura: 5,6 cm

Ficaram conhecidos por ratinhos os beirões que, no passado, iam trabalhar para o sul, designadamente, para o Alentejo, em busca do trabalho que faltava na sua região de origem.

Reunidos em grupos segundo as necessidades, lá partiam de comboio rumo ao desconhecido para um tempo não completamente definido – uma invernada, diziam – que começava pelo tempo da apanha da azeitona e se prolongava pelos trabalhos do lagar e, eventualmente, das sementeiras e das ceifas.

Cada qual levava consigo travessa, bacia, prato, malga e colher, para as suas refeições que o patrão apenas disponibilizava caldeira ou panelão onde o grupo confecionava a própria comida, com os produtos disponibilizados para o efeito.

Naquele ano, o Catrino ganhou bom peso, comendo todos os dias, no seu prato ratinho, as couves dispensadas em abundância, bem regadas com o azeite nunca regateado. Só? – perguntámos. – Não que o resto era preciso comprar, esclareceu.

No regresso, quase sempre negociavam com os locais a loiça de faiança, sem marca do fabricante, grosseira, vidrada, das fábricas de Coimbra que por lá faltava, a troco de uns tostões ou de roupa para o corpo, mesmo usada, cobertas ou outros agasalhos.

O grande escritor José Régio, residindo em Portalegre, calcorreou o Alentejo em busca de crucifixos e de faiança ratinha para as suas coleções.

O exemplar que hoje divulgamos tem desenhos bem coloridos, simples, até ingénuos, ao gosto da gente humilde das nossas aldeias.

Fonte: A “Peça do Mês” do Museu de Silgueiros – Centro de Documentação Etnográfica

O Povo Ratinho

“O fenómeno das migrações sempre foi o reflexo da falta de trabalho nas terras de residência, e foi isso que levou a que elevado número de beirões, a pé ou de burro se metessem a caminho e nos vastos campos do Ribatejo e do Alentejo – e mesmo da Extremadura espanhola – procurassem a sua subsistência.

Era gente simples, necessariamente submissa, que não vergava face ao mais duro dos trabalhos, não obstante os miseráveis quartéis em que pernoitavam e à por vezes desumana alimentação. Trabalhar era o verbo que conjugavam sem hesitações. Poupar, um ponto de ordem de que não abdicavam.

Dizia uma senhora que morreu recentemente com 94 anos, que ao temperarem a comida o faziam com um gesto rápido de maneira a que caísse pouco tempero.

E contam-me agora que ao começarem mais tarde a fazer o caminho de comboio, a fim de pouparem no bilhete iam a pé até à próxima estação, e se apeavam antes de última

Há quem afirme que sempre foram bem recebidos onde quer que chegassem. Mas não seria bem assim, pois quer fossem ratinhos, gaibéus ou caramelos, era mão-de-obra mais barata que inclusivamente não permitia aos locais avançar com algumas reivindicações. Aliás, referem-no José Saramago em “Levantar-se do chão” e Alves Redol em “Gaibéus”.” Continuar a ler

Museu Etnográfico da Região do Vouga

Museu Etnográfico da Região do Vouga

O Museu Etnográfico da Região do Vouga, representativo da considerada Região do Vouga, está localizado na vila de Mourisca do Vouga que, em tempos anteriores, foi uma quinta com exploração agrícola.

Desta quinta, permanece até hoje uma casa senhorial dos finais do século XIX, típica do período da emigração do Brasil ao gosto burguês. É uma construção em gaiola, com fachada coberta a azulejo coroada com uma plantibanda de colunetos.

O Museu reflecte as vivências do povo da região do Vouga, com colecções de fotografias, xailes, lenços, colchas, os barqueiros do Vouga, as salinas de Aveiro, os ferreiros da Mourisca, uma cozinha, entre outras exposições distintivas do viver do povo de antanho.

O trabalho, iniciado em 1977 pelo etnógrafo José Maria Marques, continua hoje a ser desenvolvido com todo o carinho e respeito que merece. É de salientar que o Museu Etnográfico da Região do Vouga já foi suporte de vários estudos e trabalhos.

No final do ano passado [2018], o Museu Etnográfico da Região do Vouga, em parceria com a Câmara Municipal de Águeda, apresentou uma aplicação móvel.

A aplicação disponível para Android e iOS, podendo ser usada no smartphone ou em tablet.

Em peças de maior destaque, foram colocadas placas de identificação com QR code para que os visitantes possam retirar mais informação das peças expostas.

Para instalar esta aplicação apenas é necessário pesquisar nas stores por “Museu Etnográfico da Região do Vouga” e selecionar “Instalar”.

Museu de Etnografia não deve ser armazém

Entendemos que os grandes ou pequenos Museus de Etnografia, que cada grupo ou rancho folclórico expõem na sua sede, não podem ser apenas um local de armazenamento de objectos, abrigados do tempo e dos bárbaros, o que já seria muito.

Devem ser um local de preservação e conservação com todos os cuidados que são inerentes, uma vez que é necessário prestar a devida atenção às temperaturas, humidades e ventilações.

Tornando este local de divulgação, perpetuação, estudo e pesquisa, com a devida projecção para o exterior, envolvendo grupos folclóricos, universidades, escolas e outras instituições, com um importante papel educativo nas populações.

Vivemos tempos “líquidos”, nada existe para durar. A constante ameaça de perda de todos estes valores e a falta de consciencialização para a preservação da nossa cultura são um entrave ao desenvolvimento deste grandes projectos culturais.

Não devemos deixar os nossos Museus Etnográficos no esquecimento, para que a geração vindoura não deixe de conhecer e estudar o seu passado.

Fernando Jorge Gonçalves

A peça do mês | Como era antigamente

A peça do mês | Como era antigamente

«Aquilo a que se convencionou chamar Cultura Popular viu alguns dos seus conteúdos vertidos em colecções etnográficas e em museus etnográficos. Este movimento de cristalização da Cultura Popular conheceu alguns momentos especialmente significativos ao longo deste século [séc.XX], em particular em Portugal.

Um desses momentos prende-se com a actividade desenvolvida por um grupo de investigadores intimamente associados à realização do que actualmente se chama Museu Nacional de Etnologia. No entanto, antes dessa fase é possível descortinar outras etapas importantes no processo de valorização da Cultura Popular.

Tal é o caso dos processos da utilização nacionalista dos símbolos e dos objectos de cultura popular realizados pelo Estado Novo, em especial ao longo dos finais da década de 30 e no decénio seguinte.

O Museu de Arte Popular nasce nesta sequência e permanece até hoje inalterado em muitas das suas características.

Mais recentemente é possível observar um movimento endógeno de preservação da herança da cultura popular, especialmente no que respeita à cultura material dos meios rurais que vão deixando de o ser.»1

É neste espírito de “preservação da herança da cultura popular, especialmente no que respeita à cultura material dos meios rurais que vão deixando de o ser“, a que se associa a necessária e desejável divulgação, que o Portal do Folclore Português vai divulgar, com a devida autorização e em constante atualização, a página sobre a “Peça do Mês” do Museu de Silgueiros – Centro de Documentação Etnográfica.

A tesoura de hóstias

A palavra hóstia designa o pão consagrado pelo sacerdote e distribuído aos fiéis no momento próprio da Missa.

Ter hóstias em quantidade suficiente para as necessidades do culto religioso – pão cozido sem fermento nem sal – era, habitualmente, obrigação dos párocos que, por processos artesanais promoviam a confeção de finas folhas de pão ázimo para depois cortarem em pequenas hóstias de cerca de 3 centímetros de diâmetro. Ler+

O prato ratinho

Ficaram conhecidos por ratinhos os beirões que, no passado, iam trabalhar para o sul, designadamente, para o Alentejo, em busca do trabalho que faltava na sua região de origem.

Reunidos em grupos segundo as necessidades, lá partiam de comboio rumo ao desconhecido para um tempo não completamente definido – uma invernada, diziam – que começava pelo tempo da apanha da azeitona e se prolongava pelos trabalhos do lagar e, eventualmente, das sementeiras e das ceifas. Ler+

O tacho da marmelada

No passado, a vida do povo português era muito difícil. Mesmo os mais abastados tinham de fazer pela vida, que as receitas provinham exclusivamente da lavoura e esta era parca na criação de verbas com que se pudesse ir às compras.

Assim, tudo se procurava fazer em casa, aproveitando quanto a terra, a capoeira e a pocilga podiam dar. Ler+

O “anel” de curso

Nº de inventário: 16.683
Altura: 2,1 cm
Largura: 1,9 cm

O exame da quarta classe foi regulado pelo decreto n.º 13 791, de 17/06/1927.

Ao tempo, as escolas eram poucas, mal apetrechadas e, na maioria das vezes, instaladas em edifícios sem condições para o desempenho da sua nobre função.

O ensino, na prática, não era obrigatório, antes, para alguns, impróprio para as meninas que, aprendendo a ler e a escrever, podiam aproveitar o facto para escrever aos namorados.

Não admira, por isso, que Portugal fosse um país com elevadíssima percentagem de analfabetos, principalmente, no sexo feminino.

Quem tinha o privilégio de poder frequentar escola do ensino primário elementar e de obter aprovação no exame final da quarta classe feito com a maior solenidade e rigor perante júri desconhecido de três professores, na escola da sede do seu concelho – um dia para provas escritas e outro para provas orais – e de obter qualificação adequada – aprovado ou aprovado com distinção – tinha direito a festa de família e de comunidade, a que não faltava o estralejar de foguetes, alguns lançados, obrigatoriamente, à porta do respetivo professor.

O Exame da 4ª classe dava direito a diploma em papel, selado com estampilha fiscal de 5 escudos, para dependurar, depois de encaixilhado, no compartimento mais importante da casa; mas, para quem dispunha ainda de alguns tostões havia no mercado à sua disposição um pequeno emblema metálico, esmaltado, de alfinete, para colocar ao peito em dias de festa.

Era como nos cursos da universidade, para doutores e engenheiros, uma espécie de “anel” representativo do invejado curso da 4.ª classe.

Guardamos esta peça com interesse e carinho especiais.

A malga dos velhos (e das crianças)

Nº de inventário: 518
Diâmetro: 11 cm
Altura: 5,8 cm

Na natureza nada se cria, nada se perde; tudo se transforma, dizia o cientista.(*)

Na vida do povo português, nada se perde; tudo se aproveita, dizemos nós.

Era assim nas peças do vestuário que passavam de pais para filhos, era assim nos trastes velhos que se guardavam porque poderiam vir a ser precisos, era assim na louça partida que, com a ajuda de alguns gatos metálicos “deitados” por mão habilidosa, virava “louça nova” capaz de durar anos e anos.

Todavia, com as crianças e os velhos impunham-se procedimentos especiais, pois, a mãos trémulas e desajeitadas era mister contrapor alguns procedimentos cautelares.

A malga era peça fundamental na vida diária, para o caldo e para o resto. Porém, as quedas frequentes depressa as transformavam em cacos inutilizáveis para mais consertos.

Foi assim que se lançou mão da folha-de-flandres para a produção de uma malga de lata, resistente ao choque e aos tratos das crianças e dos velhos. As duas asas propiciavam facilidades de manejo e de segurança na tarefa de sorver o caldinho cozinhado na famosa panela de ferro de três pernas que, sempre de tampa amovível e boca aberta, ali ficava o dia inteiro, junto à lareira, disponível para quem precisava.

(*) Nota da Equipa: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma“, frase célebre de Antoine-Laurent de Lavoisier, nascido em Paris, em 1743, pertencia à pequena nobreza. Foi o primeiro cientista a enunciar o princípio da conservação da matéria. Refutou a teoria flogística e participou na reforma da nomenclatura química.

O frasquinho do perfume

Nº de inventário: 6481
Altura: 14,5 cm
Largura: 8 cm

Chama-se perfume à substância que se usa para criar um cheiro agradável. De acordo com a concentração dessa essência, assim temos perfume, água de perfume, ou água de colónia.

A “arte” do perfume parece ter as suas origens no Egito, cerca de 2000 a.C., utilizado pelos faraós e os mais importantes da corte.

No século IX, um químico árabe de nome Alkindus escreveu um livro de receitas sobre a fabricação de perfumes, cuja importância se prolongou no tempo, contribuindo para o enriquecimento e variedade dos perfumes.

Mas o método para extrair óleos aromáticos das flores por meio da destilação, iniciado no período da Renascença, foi sistema revolucionário, utilizado até hoje.

Quando se generalizou o conceito médico de que o banho contribuía para abrir os poros dando entrada às doenças, o perfume, nas classes económica e socialmente mais evoluídas, era utilizado para combater o intenso odor corporal resultante de apenas um banho anual, de preferência nas datas e circunstâncias de banho santo.

A oferta de um frasquinho de perfume era sempre um gesto de requinte muito apreciado.

Os fabricantes, ao mesmo tempo que aumentavam o número de fragâncias, procuravam variar o desenho e apresentação dos frasquinhos, para cativar cada vez mais clientes.

O frasquinho que hoje trazemos a público insere-se neste princípio. A sua ligação a uma armação metálica torna-o mais elegante, mais bonito e mais apetecível.

Petromax

Nº de inventário: 11.584
Altura: 33 cm
Diâmetro: 15 cm

A história da iluminação começa com a descoberta do fogo. Ao mesmo tempo que o homem passou a aquecer-se, a cozinhar alimentos, a trabalhar os metais, aprendeu também a iluminar a escuridão. Foi uma das mais importantes descobertas do homem.

A iluminação foi sempre um artigo de luxo e tem uma história longa de muitos séculos. Iniciada com as fogueiras, passou às tochas criadas a partir dos recursos então disponíveis, constituindo uma luminária perfeita naquela época.

A gordura dos animais conduziu às velas, assim como a cera das abelhas. O azeite e as candeias trouxeram alternativas e melhorias.

Mas o grande salto, antes da descoberta da lâmpada elétrica de Thomas Edison em 1879, foi dado com o aparecimento do petróleo.

O querosene, um dos seus derivados, a que o povo chamava crosende, o petróleo de iluminação, trouxe consigo as candeias, os candeeiros, os lampiões e, finalmente, o petromax, um aparelho engenhoso que utilizava uma “camisa” especial e uma bomba de pressão que propiciavam uma luz mais intensa e mais branca.

O exemplar que hoje trazemos a público é o maior que possuímos e vem de uma família de mais teres, pois, a uma peça como esta não tinha acesso a generalidade do povo português, tanto pelo preço inicial como pelas despesas de utilização.

1 Sérgio Lira, in «Colecções Etnográficas e Museus Etnográficos: objectos e memórias da Cultura Popular» – comunicação apresentada ao Congresso de Cultura Popular na secção Etnografia e Património Etnográfico, Maia, Dezembro de 1999 – Resumo

Imagem de destaque

Casa-Museu de Aljustrel é um espaço etnográfico

Casa Museu de Aljustrel

Milhares de peregrinos de todo o mundo afluem todos os anos ao Santuário da Cova da Iria, em Fátima. Não raras as vezes, as estradas assemelham-se a carreiros de formigas laboriosas que rumam àquele local de culto e meditação.

A escassa distância situa-se a pequena aldeia de Aljustrel que foi terra natal dos videntes. As suas casas encontram-se preservadas e, para além da sua envolvente mística, constituem um valioso testemunho do modo de vida no início do século XX.

A preocupação com a preservação dos espaços relacionados com a vida dos viventes e das memórias deixadas pela Irmã Lúcia levaram a que em Aljustrel se conserve um pequeno núcleo rural de valor museológico, formado por habitações construídas de forma tradicional.

Numa das habitações, cujas origens remontam muito provavelmente ao século XVII, instalou o Santuário de Fátima a Casa-Museu de Aljustrel.

Trata-se de um espaço museológico que associa a vida dos videntes a um contexto histórico e etnográfico que nos dá a conhecer os usos e costumes das gentes de Fátima ao tempo em que tiveram lugar as aparições.

No seu interior, encontra-se patente ao público uma exposição de trajes tradicionais, as alfaias, as ferramentas do pedreiro e do cabouqueiro, o tear e o carro de bois.

Mas, para além das peças que exibe, preserva as divisões da habitação, desde a alpendrada à cozinha, dos quartos de dormir à adega, do curral à casa-de-fora.

“Aljustrel, Uma Aldeia de Fátima”

O folheto inclui um extracto do livro “Aljustrel, Uma Aldeia de Fátima”, o qual descreve o traje da região:

No dia-a-dia, as mulheres vestiam uma saia de estamenha muito rodada, apertada na cintura, geralmente de cor preta ou azul e, entre esta e a saia branca, usavam uma algibeira para guardar o dinheiro.

As blusas eram de riscadilho de algodão ou de chita estampada, com folhos que caíam em cima do cós da saia, abotoadas sobre o peito com botões de osso.

O vestuário masculino, tal como o da mulher, diferia conforme a ocasião.

A roupa interior do homem era constituída por camisa branca, feita de algodão, usada bastante afastada do pescoço; ceroulas de flanela ou de algodão grosso com cós na cintura, preso com dois botões e fitilhos para ajustar a parte inferior; calçavam meias ou peúgas feitas com cinco agulhas”.

O concelho de Ourém, no qual a freguesia de Fátima se insere, caracteriza-se a sul pelas formações calcárias enquanto a norte predominam os arenitos. Estas diferenças reflectem-se nos materiais empregues na habitação tradicional.

Por outro lado, se existem povoações como a freguesia de Olival onde os solos são mais férteis devido à existência de cursos de água com maior caudal, outras existem onde ela escasseia e os agricultores necessitam de recorrer à água dos poços para manter as suas culturas.

Entre umas e outras, distingue-se a abundância de pastos e uma maior incidência da cultura do milho. Isto facilita a criação de gado bovino e a sua utilização como força de tracção, enquanto noutras povoações esta é feita com o auxílio do burro, como sucede na Freixianda.

Importa a preservação dos espaços

A preservação dos espaços por motivos religiosos e os numerosos documentos da época, incluindo fotografias e peças de vestuário, tornaram-se um importante registo que nos permitem reconstituir, com maior fidelidade, os usos e costumes do povo sem estes terem sido sujeitos às modificações que foram feitas noutras regiões do país.

Por conseguinte, a Casa-Museu de Aljustrel, em Fátima, merece a visita de todos quantos se interessam pelos assuntos relacionados com a Etnografia e o Folclore, independentemente das suas convicções religiosas.

Na página seguinte pode ver diversas imagens…

 

Museu de Olaria – Barcelos | Museu Etnográfico

Museu de Olaria em Barcelos

O Museu de Olaria foi criado em 1963, após a doação de uma valiosa colecção recolhida pelo etnógrafo Joaquim Sellés Paes Villas Boas, passando a acolher peças de olaria da região de Barcelos, de outras regiões do país, da lusofonia e de outros países estrangeiros.

Antes da designação Museu de Olaria, chamou-se Museu de Cerâmica Regional e, mais tarde, designou-se Museu de Cerâmica Popular Portuguesa. Funcionou numa sala subterrânea dos Paços dos Condes, junto à Igreja Matriz de Barcelos, onde se manteve até 1982.

Em 1995, a 29 de Julho, o Museu de Olaria abriu, pela primeira vez, ao público no edifício da antiga “Casa dos Mendanhas Benavides Cyrne”, recuperado e adaptado expressamente para albergar e expor as colecções do museu. Integra a Rede Portuguesa de Museus desde o ano 2000.

O Museu conta com um acervo de mais de nove mil peças, constituído essencialmente de colecções

– de cerâmica fosca e vidrada (de norte a sul do país)

– e estrangeira (países como Angola, Argélia, Brasil, Timor, Guiné, Espanha e Cabo Verde).

O acervo do Museu de Olaria

O seu acervo é resultante de doações, trabalhos de campo em centros oleiros extintos ou em vias de extinção e outros ainda em laboração, aquisição a particulares e antiquários.

Ao longo dos anos, o acervo do Museu tem vindo a ser investigado, proporcionando a edição de várias publicações temáticas. Simultaneamente, tem vindo a concretizar uma política expositiva que privilegia as exposições temporárias.

Através destas pretende-se cativar novos públicos, para que possam contactar com a riqueza e diversidade da olaria.

O Museu de Olaria, enquanto lugar de memórias, sítio de vidas, oficina do imaginário, perpetua a identidade de um povo, sendo, ao mesmo tempo, centro dinamizador de cultura e propalador da transmissão geracional cultural.

Inicialmente com uma área de 2.000m2, após as obras de recuperação, valorização e ampliação, ganhou um novo volume destinado a espaço de exposição permanente.

Para cumprir todas as suas funções museológicas, o Museu também dispõe de salas de exposições temporárias, espaço de reservas, centro de documentação, serviço educativo e de animação, sala de restauro, serviços administrativos e cafetaria.

Fonte: folheto promocional editado pelo Município de Barcelos (texto editado)

Horário de funcionamento:

Terça a Sexta-feira: das 10h00 às 18h00

Sábado | Domingo | Feriados: das 1h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00

Encerramento: Segunda-feira | 1 de Janeiro | Sexta-feira Santa | Domingo de Páscoa | 15 de Agosto | 24 e 25 de Dezembro

Rua Cónego Joaquim Gaiolas | 4750-306 Barcelos

Telefone: 253 824 741 | Fax: 253 809 661 | Correio electrónico: museuolaria@cm-barcelos.pt

 

Museu de Silgueiros – Viseu | Museu Etnográfico

Museu de Silgueiros – Viseu

O Museu de Silgueiros nasceu a brincar. Em 1978.

Uma peça hoje, outra amanhã, devagarinho… Juntaram-se, assim, milhares, que são conservadas com todos os cuidados, para que possam viver, com saúde, pelo menos tantos anos como os que já tinham quando chegaram a esta casa.

Gostamos muito delas, sobretudo das que são mais significativas do viver, do sentir, do sofrer, de quem delas se serviu, as criou ou construiu.

Trata-se de um museu etnográfico, isto é, aqui se reúne documentação capaz de ser memória de um povo, da sua vida, do seu modo de ser, de sentir e agir. Neste caso, falamos do Povo Português, particularmente, do da região de Viseu.

Os muitos milhares de peças do seu acervo estão sempre disponíveis para os visitantes em geral, mas também para os estudiosos da área da Etnologia.

As coleções

São inúmeras as coleções existentes neste museu:

– A vestimenta (exterior e interior)

– Os complementos do traje (sombrinhas, bolsas de senhora, luvas, lenços, óculos, lunetas, lornhons, monóculos, caixas de óculos)

– Os botões (de traje civil e de uniforme)

– Os objectos de toucador

– O ciclo do linho

– O pão e o vinho

– Os utensílios de diversas profissões

– Utensilagem doméstica

– A luminária (candeias, candeeiros, gasómetros, lampiões)

– Os barbeiros, a barba e os cabelos

– A religiosidade

– As medalhas, as moedas e as notas

– A fotografia

– O tabaco, os isqueiros e os fósforos

– Os brinquedos infantis

– Os instrumentos musicais da tradição popular

– A casa de habitação

– A história local.

Objectos em exposição

A colher de torga, a cédula particular, a tesoura das luvas, a peça da perdição, a jarra para vinho, o avental tapa crica, a chávena do bigode, o furador de louça, o botão de unha, o lenço de vénus, o banco parideiro, …

A Biblioteca

Paralelamente, o museu dispõe e disponibiliza uma rica biblioteca da especialidade, constituída por alguns milhares de títulos e de muitas dezenas de dossiês temáticos formados com os recortes de revistas e jornais que a leitura diária considerou de interesse para a temática a que se dedica: a Antropologia Cultural.

A História local é o outro tema contemplado por esta biblioteca.

Tudo isto se completa com milhares de fotografias, memória e especificação do Povo que justifica a existência deste museu e o trabalho dedicado de mais de trinta anos.

Contactos

Telefone: 232 952 001 | Correio electrónico: museudesilgueiros@gmail.com

Horários de funcionamento: De segunda a sexta, das 10h às 17h | Aos fins-de-semana, por marcação

Fonte  (texto adaptado)

 

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