Termos relacionados com tecidos dos trajes tradicionais

Glossário de tecidos e outros

Albarrada – elemento decorativo de origem oriental, composto por vaso com flores.

Aletas – espécie de cabeção, existente na capa de honras, que desce até à cintura.

Barras – parte inferior do colete do traje das lavradeiras do Minho, que é geralmente de veludo bordado.

Bioca –  capa ampla, comprida e com capuz.

Branqueta – nome dado ao tecido confecionado com lã de cor natural; peça de vestuário  usada pelos sargaceiros do litoral minhoto.

Briche – nome dado ao tecido de lã fina, confecionado com la penteada.

Burel – nome dado ao tecido confecionado em lã. pisoado e usado no traje de trabalho.

Cachené – deturpação popular da palavra francesa «cache-nez», para designar um lenço de cabeça em tecido de la estampada.

Capeto – cobertura protetora do capuz que acompanha a saliência do pescoço e se prolonga até aos ombros.

Capucha – capa de burel que cobre a cabeça e o corpo, usada em Trás-os-Montes e Beira.

Carapinha – tira de malha executada com fio de la formando argola, usado na decoração dos barretes.

Catalão – carapuça de lã, oriunda de Espanha.

Cetim – ponto de tecelagem cujos ligamentos estão repartidos de maneira a dissimularem-se entre as lassas adjacentes, a fim de constituírem uma superfície unida de lassas.

Feltro – tecido fabricado com filamentos de lã ou pelos prensados e fortemente aglutinados.

Forro – larga barra, geralmente bordada, que guarnece a extremidade inferior das saias das lavradeiras do Minho.

Listrão – cordão de cores diversas usado à volta da cinta, para arregaçar as saias, oriundo de La Guardia e Baiona.

Louisine – ponto derivado do tafetá, em que os fios de teia, agrupados regular ou irregularmente, são remetidos cada um em sua malha, para se obter uma perfeita separação e paralelismo nos seus cruzamentos com a trama.

Moiré – efeito decorativo sobre um tecido, obtido por esmagamento a quente.

Ourelo – cordão de cores diversas usado à volta da cinta, para arregaçar as saias das poveiras.

Pala – nome dado à barra pregueada das saias do traje feminino da Madeira (viloa).

Palote – pequeno bastão usado pelos Pauliteiros de Miranda, na execução das suas danças.

Pequim – tecido de listras à teia, produzido por pontos diferentes.

Pestana – tiras cortadas em viés, pespontadas e terminadas em bico que decoram as camisas dos pescadores da Nazaré; são geralmente do mesmo tecido da camisa.

Pisão – máquina em que nas tecelagens se aperta e bate o pano, para o tornar mais consistente.

Precita – faixa usada à volta da cintura dos pescadores da Póvoa de Varzim.

Puxados – efeito decorativo produzido nos tecidos em que a trama é puxada por ganchos, formando pequenas argolas.

Raixa – possível deturpação de raxa – espécie de pano grosseiro sem pelo.

Redingote – palavra de origem inglesa («Riding-Coat») que se aplica a determinado tipo de corte

Riscado – tecido de algodão, ponto de tafetá, caracterizado por riscas de cor alternadas com riscas brancas.

Rodilha – argola confecionada em tecido e almofadada, usada sobre a cabeça para proteção e maior comodidade no transporte de volumes.

Saragoça – tecido de lã grossa confecionado em teares manuais.

Sarja – ponto de tecelagem caracterizado pelos efeitos oblíquos, obtidos pela deslocação de um fio de teia para a direita ou para a esquerda em cada passagem de trama.

Seriguilha – tecido de confeção manual, onde a teia é de linho e a trama de lã.

Silvas – elemento decorativo bordado, formando motivos vegetalistas, que decora o traje das lavradeiras do Minho.

Sueste – designação dada ao chapéu usado nas fainas piscatórias e na apanha do sargaço. Caracterizava-se pela impermeabilização do tecido por meio de óleo.

Tafetá – designação dos tecidos em cujo ponto a repetição se limita a dois fios e a duas passagens; e no qual os fios pares e impares alternam em cada passagem por cima e por baixo da trama.

Tecido pisoado – tecido com acabamento no pisão.

Trincha – tira pregueada com cerca de quinze centímetros de altura, cosida à parte superior da saia do traje da lavradeira do Minho.

Vega – nome atribuído à lã de ovelha de cor castanha-clara.

Veludo – tecido cuja superfície é coberta de anelado ou felpa, saindo de um cruzamento de fundo.

MCG; MG

Fonte: “Trajes Míticos da Cultura Regional Portuguesa” – Museu Nacional do Traje – Lisboa Capital Europeia da Cultura 94

Folclore e Etnografia | Do alto da guarita

Folclore e Etnografia

Desde sempre existe quem considere “etnografia” como sinónimo de “trajos usados no folclore”, e a Federação considera-a como a “disciplina que descreve os povos/comunidades no que concerne aos seus usos, costumes, índole e cultura”.

Mas se há situações em que se respeitam diferentes conceitos, em meu entender estes não o são.

Sendo o folclore “a expressão das vivências das gentes de antigamente, no tempo em que a sua vida ainda não era tão influenciada pelos usos costumes de outros povos”, a “etnografia” é única e precisamente “o estudo do folclore”, como aliás o citam diversos dicionários.

Recordo-me que, procurando saber a visão que outros colegas destas andanças tinham de assuntos que considerava pouco clarificados, coloquei a seguinte questão:

Se estiver um “grupo” a actuar, onde está o folclore e onde está a etnografia?

E a resposta que me convenceu (Aurélio Lopes) foi: depende do Grupo.

O produto (aquilo que apresenta ou representa) pode, em termos otimizados, ser tudo folclore. Ou ser só uma parte. Ou até, não ser nada.

Etnografia não é um produto

Quanto à Etnografia, não “vemos” nada, em nenhuma circunstância.

Isto porque a Etnografia não é um produto, não é um conjunto de padrões ou de elementos culturais, mas simplesmente uma técnica ou um conjunto de técnicas de que fazem parte as entrevistas que se fazem aos informantes, a observação direta e outras que aqui não referimos para não confundir mais.

Não é um produto! Não é aquilo que se representa, melhor ou pior. É a metodologia de pesquisa de um de que o grupo se serviu para obter os dados que está a apresentar na dita autuação.

E porque considero que “tradição” nem sempre significa “tradicional”, acrescentava: e a “tradição”, onde está? E também aqui a resposta é igual à do “folclore”: pode ser tudo, ou só uma parte, ou até não ser nada.

Porque a vertente tradicional é uma das componentes daquilo a que chamamos Folclore“.

Dito de outra forma, a cultura popular que consideramos folclore tem de ser tradição, tem de ser tradicional. Pois só a tradição permite a usualidade e só a usualidade permite a aculturação/folclorização dos padrões culturais.

Temos assim que o tradicional é sempre popular, mas o popular nem sempre é tradicional.

Lino Mendes | Imagem do RFVR

Boas Práticas para os Agrupamentos de Folclore

Manual de Boas Práticas para os Agrupamentos de Folclore – Propostas

Introdução

Não poderei apresentar um tema sobre “Manual de Boas Práticas para os Agrupamentos de Folclore – Propostas”, sem antes fazer um pequeno intróito, daquilo que me vai na alma.

Estar no Folclore como elemento integrante ou com funções directivas, é, com toda a certeza, o assumir um conjunto de responsabilidades, que têm que ser dignificadas e para as quais, muitas vezes, não se está preparado.

Antes de citarmos essa mesma palavra devemos analisá-la no seu verdadeiro significado, isto é, científico e literário.

Folclore. Ciência das tradições, crenças, costumes e artes populares; contos, canções ou lendas populares de uma região; demopsicologia.1

Para podermos apresentar, transmitir e preservar um trabalho no âmbito da Etnografia passando pela Etnologia2, temos que nos dispor a realizar um trabalho de recolha, estudo e tratamento desse mesmo trabalho.

Quem percorrer ou fizer este percurso, vai com toda a certeza entender todo um conjunto de práticas e normas, que lhe estão inerentes, ou se lhe quisermos chamar boas práticas, e, nada melhor do que isso passarmos por este teste de sabedoria popular que já vai desaparecendo que são os “antigos” eles sim, são  “um livro que começamos a desfolhar e nunca mais queremos fechar e deixar de ler”.

Proposta I – Formação de um Grupo de Folclore

Proposta II – Encontros / Festivais de Folclore: Recomendações

1 Do Gr. dêmos, povo + psicologia, s. f., estudo da psicologia de um povo; folclore

2 Do Gr. éthnos, raça + lógos, tratado, s.f., ciência que estuda os factos e documentos recolhidos pela etnografia; estudo de povos e de raças, nos pontos de vista dos seus caracteres psíquico e culturais, das suas diferenças e afinidades, das suas origens e relações de parentesco, etc.

Proposta I – Formação de um Grupo de Folclore

Nesta sugestão de “Manual de Boas Práticas para Agrupamentos de Folclore” irei apresentar um conjunto de propostas e sugestões a ter em consideração, com base na minha experiência e na minha maneira de estar neste aglomerado de sabedoria e “arte popular”.

Para mim, são importantes desde o início do processo, da fundação de um grupo até ao seu desenvolvimento.

Então sugiro que devemos começar pelo princípio. A formação de um grupo de pessoas, para estarem, viverem e sentirem o folclore.

Factores a ter em conta

O grupo deve receber formação inicial sobre o trabalho que vai desenvolver, quais os seus objectivos, critérios de desenvolvimento, tendo em conta os seguintes factores:

1.- O que vão fazer – Constituir uma equipa de recolha de 3 a 4 elementos que trabalhe no terreno e que tenha como coordenador um elemento com sensibilidade e perfil para desenvolver este trabalho, devo acrescentar que é um processo moroso, leva o seu tempo.

No mínimo um ano de trabalho de recolha. A escolha do nome do grupo etc.

2.- Como vão fazer – Depois de termos um conjunto de elementos recolhidos já apurados e tratados, como por exemplo: os trajes, danças, cantares e músicas, cenas etnográficas ou da vida quotidiana onde se insere o grupo, alfaias, utensílios de trabalho etc., deve-se partir para outra fase:

– Quem confecciona e costura os trajes? Se tiverem recursos humanos dentro do grupo, devem ser aproveitados e rentabilizados.

– Quem toca?

– E quem dança?

– Quem canta? etc.

Se tiverem pessoas que entendam de música ou de execução de instrumentos musicais tradicionais se puderem, devem abrir uma escola de instrumentos musicais tradicionais ou recorrerem a músicos populares que existam na comunidade.

Para dançar também são necessários homens e mulheres que estejam dispostos a uma aprendizagem das danças tradicionais.

Cantar, não é necessariamente haver solistas a não ser um fado mandado ou uma desgarrada; de resto as cantigas na sua maioria eram cantadas em coro.

E por fim pode haver aquelas pessoas que só queira estar no grupo para serem figurinos, também devem ser aproveitados, quem sabe mais tarde se sintam vocacionados para a dançar e cantar.

Os ensaios

3.- Quando fazer – Entre todos, escolher o melhor dia para ensaiar, que satisfaça a todos os elementos do grupo.

O ensaio, deve ser conduzido e dirigido com serenidade, porque no fundo também acaba por ser um espaço de encontro e de partilha entre todos, e que até aqui não era habitual.

O líder, dinamizador, ensaiador ou director técnico deve ser uma pessoa que tenha alguns conhecimentos sobre o assunto.

O ensaio deve começar a horas, tendo uma tolerância estipulada por todos (exemplo 15 minutos) e deve ser dividido numa primeira fase, em duas partes.

Uma primeira parte destinada a aprendizagem das cantigas, todos os elementos do grupo devem saber as cantigas de cor e não cantá-las pelo papel.

A segunda parte, a seguir a um intervalo de 15 minutos, pode ser de aprendizagem das danças ate porque já as sabem cantar e torna-se mais fácil a sua execução.

Todos os elementos devem saber falar do seu trajo, o que representa, o que significa, que carga simbólica encerra, etc.

O grupo só se deve apresentar em público, quando souber interpretar como deve ser as danças e os cantares e quando já estiver trajado a rigor.

Recomendações importantes

Depois de estarem devidamente trajados, recomenda-se:

– Não sentar de qualquer maneira e feitio, desrespeitando o traje.

– Não mascar chicletes

– As senhoras não devem fumar e estarem maquilhadas

– De unhas pintadas (senhoras)

– Não usar relógio de pulso

– As ornamentações das orelhas e peito das senhoras devem ser em ouro ou prata dourada e não fantasias que nada tem a ver com o trajo, e, se era uso.

– O homem deve usar relógio de bolso com corrente, mas atenção! Só se for de ouro.

– Os trajos de trabalho não usam meias de renda.

– O trajo, ou se veste na sua essência, ou então é melhor não, visto que há muita gentinha por aí meia trajada, isso não, por favor.

– Os toques também não devem tocar melodias menos apropriadas.

Proposta II – Encontros / Festivais de Folclore: Recomendações

Todos temos consciência da grande quantidade de Encontros, Festas e Festivais de Folclore, realizados no nosso Pais. Foi sem dúvida um grande crescimento muito grande nos anos 90.

Se a quantidade é satisfatória, sobremaneira preocupante a qualidade de muitos desses Festivais, por isso apresento como sugestão e proposta uma série de recomendações:

Preparação e até ao Desfile

1.- Programa bem estruturado e programado, tendo muita atenção aos horários. Não devem existir tempos mortos;

2.- Sessões solenes bem planeadas e bem orientadas, se possível em local onde todos os participantes do Festival possam assistir e participar;

3.- Tentar ter um local centralizado para os autocarros não ficarem muito longe de todo o evento.

4.- Refeições bem cuidadas e em abundância, com menus apropriados e se possível servidas em local onde todos se possam sentar;

5.- Não é aconselhável fazer a refeição trajados, até porque não estão á vontade e corre-se o risco de pôr em causa a boa preservação e manutenção dos trajes.

6.- Trajo/Trajar – Quando o grupo já estiver devidamente trajado, deve ser revisto pelo seu director técnico ou um adjunto para ver se está tudo em ordem e em conformidade, pois nota-se em alguns grupos os trajos ou com bainhas descosidas, coletes sem botões, trajos de homens sem chapéus ou outro adorno que tape a cabeça, etc…. etc…

7.- Desfile – Só se justifica de dia e quando há público a assistir, devendo o percurso ser bem estudado. Na grande maioria dos Festivais que conheço, o desfile só contribui para o descrédito do Folclore;

Questões técnicas

8.- Palco – Recomenda-se 10mx10m com um patamar ao fundo, separado e mais alto cerca de 25 cm, com 2mx10m. Deverá ter duas zonas de acesso nas laterais, rampeadas com inclinação necessária para que as entradas e saídas sejam rápidas e naturais;

9.- Iluminação – Se possível branca colocada de forma que os elementos e os trajos que envergam possam ser apreciados pelo publico;

10.- Som – Devem ter cuidado na contratação dos técnicos do som, de forma a melhorar significativamente os Festivais. Devem ter no mínimo 6 a 8 microfones de boa qualidade e sempre de tripé e não suspensos por fios;

O Festival de Folclore

11.- Hora do espectáculo – O espectáculo deverá ter horário para começar e para terminar. O tempo ideal será de 2 horas. Devem ser programadas de forma a terminarem cerca da meia-noite, já que salvo raras excepções, a partir dessa hora já não há público;

12.- Se a entrega das lembranças, for efectuada antes do espectáculo, devera ser breve. Para isso terá que ter uma preparação prévia sem lacunas. Se houver lugar a discursos, sensibilizar as entidades para intervenções curtas;

13.- Apresentador – A escolha deverá ser criteriosa, para que a pessoa escolhida contribua, com a máxima prudência, na condução das representações, evitando os longos historiais e os imensos comentários sem conteúdo e desapropriados, que induzem o público para juízo de valor menos favorável.

A apresentação deve ter em primeiro lugar o aspecto lúdico e o segundo o do espectáculo, porque, assim, fica mais valorizada a representação etnográfica e folclórica.

14.- Número de Grupos – Cada Encontro, Festa, ou Festival deverá ter 5 a 6 grupos com o organizador;

15.- Logística – Em termos de logística deve estar bem coordenada.

Guias preparados para receber os grupos, e a primeira impressão que se dá da organização é chegar um grupo convidado e sentir que está a ser bem recebido.

Os guias devem ser portadores de toda a informação e horários do evento para que tudo se desenvolva o melhor possível;

16.- Local para trajar – A Organização, se possível, deve ter instalações com sanitários para que os Grupos se possam trajar, sem dar aquela imagem de “circo” nos passeios e/ou na rua.

Sérgio Fonseca, (ao tempo) Director Técnico do Grupo Etnográfico de Lorvão | Actualmente gere a Rádio do Folclore de Portugal TV

Intervenção apresentada no 1º Encontro Nacional de Folcloristas Internautas – Vila Real (Delegação do IPJ) 8.11.2003

Jornadas Regionais de Folclore e Etnografia do Alto Alentejo

 

No próximo dia 30 de Novembro, sábado, com início às 14h30, vão realizar-se, em Alter do Chão (distrito de Portalegre), as Jornadas Regionais de Folclore e Etnografia do Alto Alentejo, organizadas pelo Rancho Folclórico “As Ceifeiras” de Alter do Chão e grupos do Alentejo.

Estas jornadas são abertas a todos quantos se interessam pela temática, e pretendem aprender mais e partilhar conhecimentos, de forma a que se continue o aprofundamento do estudo do Folclore e Etnografia desta região.

A entrada é livre e as inscrições gratuitas.

Programa e Oradores

14h30 – Abertura dos Trabalhos

Prof. Duarte Graça  (Rancho Folclórico “As Ceifeiras” de Alter do Chão / Conselho Técnico da Associação de Folcloristas do Alto Alentejo)

14h45 – Francisco Pardal‘’Entre a capela e o campo: aspectos da religiosidade popular no Alto Alentejo, na primeira metade do século XX” (Rancho Folclórico “As Azeitoneiras” de S. Bento do Cortiço / Instituto da Padroeira de Portugal Para os Estudos da Mariologia)

15h05 – Florêncio CacêteFolclore do Alentejo, nos trilhos do Futuro… – Breves contributos para uma melhoria do nível de representatividade dos grupos folclóricos na região (Conselho Técnico da Associação de Folcloristas do Alto Alentejo)

15h25 – Genoveva Graça – Côcas de Portalegre…. e não só! – Contributo para o Estudo das “Côcas” no Alto Alentejo (Rancho Folclórico “As Ceifeiras“ de Alter do Chão/ Direcção da Associação de Folcloristas do Alto Alentejo)

15h45 – Vagner Bugalho/ Débora Bizarro/ Joaquina Rebelo – O trajar da mulher de Nisa! – Contributo para o seu estudo e desmistificação! (Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa)

16h05 – Intervalo

16h20 – Comunicações dos grupos sobre os temas e debate

17h30 – Tiago Velhinha PereiraSons, Memórias, Vivências, Pessoas e muito mais… O projecto Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (MPAGDP – Música Portuguesa a Gostar Dela Própria)

18h00 – Encerramento dos Trabalhos

Joaquim Matias (Presidente da Associação de Folcloristas do Alto Alentejo)

No final haverá um Encontro de Cantadores de Saias!

 

XXIV Desfile Nacional do Traje Popular Português

 

A Federação do Folclore Português vai realizar mais uma edição do Desfile Nacional do Traje Popular Português, no Cais de Gaia – Vila Nova de Gaia, no dia 14 de setembro de 2019.

O Cais de Gaia servirá para um grandioso desfile a decorrer numa passerele com 30 metros, dando relevo e destaque a um dos elementos da cultura popular portuguesa com maior significado.

Edição após edição, o número de participantes tem vindo a aumentar, e este ano vai ser possível observar mais de 1400 folcloristas a desfilar, sendo que serão incluindo novos quadros e algumas surpresas, as quais irão sendo reveladas até ao dia do Desfile.

Estarão presentes todas as regiões etnográficas, com exceção dos Açores.

Das Comunidades Portuguesas da diáspora, estarão também presentes algumas representações, destacando-se a Casa de Portugal em Andorra e o Grupo Folclórico Alma Lusa, vindo do Brasil.

Esta edição tem o alto patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e da Fundação Inatel, e contará com a presença de uma delegação do gabinete da Sra. Ministra da Cultura.

A propósito desta iniciativa, ou talvez não!

Logo após a fundação da Federação do Folclore Português (FFP), e durante alguns anos, os Grupos de Folclore/Ranchos Folclóricos que pretendiam ser membros da mesma recebiam um documento intitulado “Observâncias fundamentais para um Rancho Folclórico que se propõe representar a sua região com base nos usos e costumes do princípio do século 20”, da autoria de Augusto Gomes dos Santos, então Presidente da FFP, no qual são feitas diversas referências relativamente aos trajes a usar.

Dado que, infelizmente, ainda há muitos Grupos de Folclore/Ranchos Folclóricos que continuam a não “saber comportar-se”, aqui deixamos as informações técnicas básicas para um início de actividade minimamente correcta e adequada.

Desde Novembro de 2000 que o Portal do Folclore Português tem disponibilizado conteúdos de ajuda aos responsáveis pelos Grupos de Folclore, em diversas áreas. Sugerimos uma particular visita aqui.

 

As crianças no Folclore | Textos e opiniões

As crianças no Folclore

Quero deixar aqui a minha opinião, sobre um assunto que, se não fosse a pertinência do mesmo, diria ser nojento, pela maneira como está a ser exposto e do aproveitamento de baixo nível que está a ser feito: Os grupos e ou/ranchos infantis!

Se eu quisesse ir ao fundo da questão até encontraria o fio à meada, se eu quisesse «sangue» até saberia onde tocar e o alcance de algumas pessoas ao trazerem este tema à praça pública e, mais uma vez, meterem a FFP ao barulho. Já se falou aqui tanta vez nisto e sinto que falta coragem a algumas pessoas para expor a causa da sua angústia.

Neste aspecto só direi que as coisas e as pessoas têm nome. Quando se atira a moeda ao ar e depois deixam que a maralha brigue para ver quem a apanha, deviam era mencionar o nome das pessoas que querem atingir e a causa de tanto azedume, em vez de estarem a achincalhar o movimento.

Por isso somos tratados abaixo de lixo, os «palhaços» do poveco, que não merecem crédito e só querem dar uns pinotes e tocar castanholas a troco de umas sandes e umas minis.

As crianças fazem parte da sociedade

Em relação a este tema, é de meu entendimento o seguinte: as crianças fazem parte da sociedade (era o que faltava se assim não fosse), podem e devem fazer parte das recriações nos grupos de folclore ou folclóricos.

O nome é subjectivo, podem chamar o que quiserem aos grupos formados só por crianças, no meu entendimento não é relevante. Tal como o nome adoptado pelos grupos de adultos, o que conta e que deve ser levado em linha de conta é o conteúdo e a essência do próprio grupo.

Ou alguém pensa que um ajuntamento de pessoas ou de forma mais pomposa, uma associação, tem mais valor ou estatuto só por se chamar “Os bonitinhos de Alguidares de Cima“, em vez de Rancho ou Grupo de Folclore?

Um grupo formado só por crianças ou as crianças integradas num qualquer grupo adulto, devem ser representativas da vida das crianças de antanho. Devem representar/recriar as brincadeiras, os jogos populares, as modinhas, as lengalengas e trava-línguas tão usuais nesta faixa etária.

Trajar como na época que representa

Os meninos devem trajar-se tal como acontecia na época que representam. Agora ter um grupo de homens e mulheres em miniatura… Nunca! Isso é brincadeira e não tem nenhum carácter representativo porque estão a desvirtuar a verdade histórica.

Chamem-lhe escola, grupo de brincadeiras, rancho infantil… o que quiserem, desde que cumpram os pressupostos atrás enumerados. Tudo que for transversal a isto é agir de má-fé e tentar denegrir o folclore.

Há gente que aqui coabita que alimenta o movimento dos desalinhados e se alimenta dele, porquanto o organismo que representa o folclore em Portugal lhes tira o sono. Não gostam não provam, não devem falar daquilo que lhes diz respeito, porque isso é falta do mesmo.

Vamos deixar de falar vagamente e criar guerrinhas desnecessárias, o folclore é quem perde. Se acham que algo está mal, denunciem, chamem os “bois pelos nomes” e que se discuta perante os factos o que se pode ou não fazer.

Esta é a minha opinião, tão somente isso, mas que julgo ir ao encontro de muitas opiniões convergentes que alinham pelo mesmo diapasão.

Custódio Rodrigues (texto e imagem de destaque)
Texto (editado e adaptado) e imagem retirados do grupo no FB “Etnografia e Folclore – Fórum de Debate e Partilha”. Autorizada a publicação no Portal do Folclore Português pelo autor

Cantigas à Desgarrada e Cantigas de Escárnio

Cantigas à Desgarrada

“Nas feiras, festas e arraiais, dois cantadores, ou cantador e cantadeira, divertiam os romeiros curiosos improvisando ou repetindo versos, ao som da concertina ou de simples gaita de boca. Se havia cantadeira, era dela a última estrofe.

Havia, pois, as cantigas improvisadas e as decoradas, geralmente do tipo pergunta e resposta.

Como é habitual na poesia popular, exprimiam-se em quadras de redondilha maior, mas transformadas em sextilhas divididas em dois grupos de três versos, com os seguintes esquemas:

1º b a b, b c d

2º a a b, b c d

Exemplo duma quadra com dois esquemas:

Boa noite, meus senhores,
Vamos então começar:
Diz-me lá, ó cantador,
Quantos peixes há no mar.

1º esquema

Vamos então começar:
Boa noite, meus senhores,
Vamos então começar.

(Pausa)

Vamos então começar:
Diz-me lá, ó cantador,
Quantos peixes há no mar

2º esquema

Boa noite, meus senhores,
Boa noite, meus senhores,
Vamos então começar.

(Pausa)

Vamos então começar:
Diz-me lá, ó cantador,
Quantos peixes há no mar.”

Cantigas de Escárnio

“O povo português é profundamente poeta, quer quando canta, quer quando reza, quer ainda quando vasa a sua experiência milenária em máximas e provérbios.

Se bem que a sua inspiração esteja voltada fundamentalmente para o lirismo amoroso, como continuador da primitiva lírica trovadoresca das cantigas de amigo e cantigas de amor, não deixou, contudo, de cultivar também, embora em menor grau, a poesia satírica, na sequência lógica das cantigas de escárnio e maldizer.

Todavia esta sátira, humorística e moderada, nuns casos, irónica e mordaz, noutros, não se dirige a pessoas em particular, a não ser nas cantigas à desgarrada, entre cantador e cantadeira, mas a grupos de pessoas, as maiores dos quais são os dos homens e o das mulheres em geral.

É um fenómeno muito curioso a que poderíamos chamar de amigável guerra dos sexos, porque, como diz a sabedoria do povo, quem desdenha quer comprar.

É sobretudo deste tema que tratam as sátiras a seguir apresentadas.”

Aos Homens:

A folha do castanheiro
É bicada, com má renda.
Ninguém se fie nos homens,
Olhem que são de fraca tenda.

Fonte: “Literatura Popular de Trás-os-Montes e Alto Douro – II volume – Cancioneiro”, Joaquim Alves Ferreira | Imagem

Como era usado o lenço tabaqueiro?

O lenço tabaqueiro

Desde que o Homem sentiu a necessidade de se cobrir e agasalhar, começou a partir de folhagem e peles de animais por criar as peças de vestuário de que necessitava.

Caso pretendêssemos recuar a esse tempo na reconstituição dos usos e costumes dos nossos ancestrais, esse seria certamente o primeiro traje que nos caberia reproduzir.

Porém, à medida que as sociedades humanas evoluíram, foram surgindo novos hábitos e o vestuário deixou de constituir apenas uma necessidade básica para se tornar um meio de afirmação pessoal no contexto da sociedade como de comunicação.

O traje acompanhou a evolução da sociedade através dos tempos e a moda tornou-se uma indústria altamente rentável.

Se o advento da era industrial trouxe consigo a produção em escala e o pronto-a-vestir que teve como consequência a uniformização do modo de vestir em detrimento dos costumes locais, a chamada alta-costura procura actualmente satisfazer a necessidade de uma classe endinheirada que exige a produção de uma moda individualizada.

Os criadores de moda, não raras as vezes inspirados em motivos étnicos, dão voltas à cabeça para conceber uma nova peça de vestuário, por vezes tão arrojada quanto o grau de loucura de quem a encomenda.

Contudo, se o cliente se atrever a usar o vestuário de maneira inapropriada ou descontextualizada, corre o sério risco de ser-lhe diagnosticado um comportamento esquizofrénico.

Ninguém imagina certamente um agricultor, de fato e gravata, lavrando a terra ou um professor vestindo pijama na sala de aulas.

Caixas de rapé utilizadas no século XIX.

O lenço tabaqueiro nos grupos de folclore

Vem isto a propósito do uso que é dado ao chamado lenço tabaqueiro o qual, não raras as vezes, apresenta-se enrolado ao pescoço dos componentes masculinos de alguns grupos folclóricos.

Outros, porém, em meu entender de forma mais apropriada, optam por exibi-lo à cinta ou no bolso, como sucede com o Grupo Folclórico de Danças e Cantares de Mafamude, de Vila Nova de Gaia.

O lenço tabaqueiro surgiu entre nós, como um acessório, no início do século XVII, em consequência directa do consumo do tabaco. Este hábito foi trazido pelos espanhóis do continente americano.

O tabaco era consumido pelos povos indígenas que acreditavam nos seus poderes medicinais, razão pela qual o consumiam em ocasiões cerimoniais.

Uma vez introduzido na Europa, o tabaco era mascado ou aspirado sob a forma de rapé, tornando-se um hábito social que perdurou até aos finais do século XIX, altura em que se começou a generalizar o consumo do tabaco sob a forma de cigarros.

Das folhas de tabaco ao rapé

O consumo do rapé consistia em levar o tabaco em pó às narinas a fim de ser fortemente aspirado, gesto que invariavelmente provocava o espirro ou o pingo no nariz, sendo então considerado um óptimo estimulante nasal.

Esta reacção requeria naturalmente o uso de um pano, geralmente de algodão, para efeitos de higiene pessoal, o qual era então colocado à cinta ou pendurado no bolso.

Com o tempo, o rapé entrou em desuso e o lenço, por razões de decoro, passou a ser dobrado e guardado no bolso.

Este nada tem a ver com o costume entretanto surgido do uso de um lenço de seda ao pescoço, o qual se apresenta em substituição da secular gravata, nem tão pouco o lenço de cabeça outrora utilizado pelas mulheres.

Ao que tudo indica, foi em Alcobaça que em 1774 se instalou em Portugal a primeira fábrica de “lenços, cambraias e fazendas brancas”, ao tempo do reinado de D. José I, razão pela qual esse género de lenço também é conhecido por “O Alcobaça”.

Ao longo da sua existência, produziu uma grande variedade de padrões, sendo que geralmente apresentavam fundo vermelho, azul ou amarelo, com barras de diversas cores.

Compreensivelmente, tratando-se de um objecto de higiene pessoal, a ninguém lembraria enrolar ao pescoço o referido lenço que servia precisamente para assoar o nariz do efeito provocado pelo cheiro do rapé.

Apresentar com rigor não é imaginar!

Apesar disso, alguém teve imaginação para o fazer, dobrando-o ao meio e atando-o ao pescoço, gesto este que se multiplicou por numerosos grupos folclóricos que o assimilaram como se de algo genuíno se tratasse ou seja, ele fosse realmente usado ao pescoço do homem no século passado.

Quero dizer que os responsáveis não se deram ao trabalho de investigar, limitando-se a copiar aquilo que simplesmente os impressionou e pareceu bem.

Do ponto de vista etnográfico, não pode o traje com referência a uma determinada época e região em concreto ser apresentado de uma determinada forma ou ser-lhe acrescentado algo porque assim nos agrada.

Devemos, sim, limitarmo-nos a identificar como as pessoas realmente se vestiam, independentemente da eventual beleza e exuberância do vestuário que era usado.

Como tal, a forma como o lenço tabaqueiro é apresentado por alguns grupos folclóricos deve ser repensada!

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História

O local ideal para recriações/demonstrações etno-folclóricas

Recriações e demonstrações etno-folclóricas

Para lá do trabalho que se pode e deve fazer ao nível estrutural e das recolhas etnográficas e folclóricas nos grupos desta índole, não convém descurar, hoje mais que nunca, as condições em que se proporcionam as mostras e festivais de etnografia e folclore.

Vou então focar-me por agora especificamente na área onde se fazem as recriações/demonstrações etnográficas e folclóricas.

Há muita falta de imaginação e sobretudo, uma dependência excessiva do palcozito da câmara municipal ou junta de freguesia, normalmente montado com o intuito de servir várias iniciativas e, obviamente, com diversas valências e especificidades de acordo com as ditas iniciativas.

Tabuado de grande dimensões

E o que ressalta logo na primeira e sumária observação? Normalmente um tabuado de grande dimensão e com metro e meio a dois metros de altura (nalguns casos, bem mais)…

Bem, se em dimensão é muito aceitável (normalmente 8 por 8 metros), no que concerne ao piso deixa muito a desejar e então em termos de altura para o chão, nem se fala.

Esta dependência em excesso das autarquias, como referi anteriormente, para fazer um trabalho que compete aos grupos, tem influência no espectáculo que se pretende oferecer e na cativação de um público cada mais exigente à lei do menor esforço (não da qualidade do que observa, infelizmente).

Vemos amiúde por aqui muita gente ofendida (e com razão) pela observação de pernas desnudadas até às orelhas, devido a uma visão em altitude quando as saias rodam a velocidades anormais para o que devia ser a normalidade nos grupos que se dizem fiéis representantes do povo de épocas recuadas.

Ora antigamente esse problema não se colocava por duas ordens de razão: Uma, é que as pessoas protegiam-se e não mostravam mais que aquilo que a sociedade condenava. Outra, é que ao dançar faziam-no por diversão e não como espectáculo de recriação.

Dir-me-ão que “Ah! mas nós não temos condições de ter um palco condigno para um evento dessa envergadura.“… Amigos, imaginação! Imaginação e mais imaginação. Já agora, também vontade de trabalhar.

Devem existir condições para um espectáculo digno

Por que “carga de água” temos que fazer um festival numa praça numa qualquer cidade,

– despojada de tudo e inclusive de público,

– ao sol escaldante,

– sem condições para um espectáculo digno,

– num mamarracho empoleirado onde os grupos fazem acrobacias (sempre a ver onde se pode aterrar em caso de desequilíbrio)

– e as pessoas se fartam de estar a olhar para o céu (têm que se afastar para poder ver e fazer não doer o pescoço)?

Desculpem lá… Mas estou farto de apanhar disso um pouco por todo o lado, não é retórica!

Por que temos que fazer um festival durante uma feira, num palco de primeiro andar, só porque a autarquia assim o exige para encher e tapar buracos, se não temos lá ninguém interessado no folclore? Respeito gente, é preciso respeito pelo folclore.

O respeito conquista-se. Um evento desta natureza tem que ser digno. Então se há dinheiro para subir palcos, não há dinheiro para descer palcos e subir bancadas?

Nunca fiz contas, mas é bem capaz de custar mais um enorme palco desmontável, que umas bancadas igualmente desmontáveis.

Optar pela melhor solução

No lugar de um palco alto para as pessoas poderem ver ao longe, porque não se junta as pessoas em redor de um sítio junto ao solo, criando assim um ambiente aconchegado e intimista?

Criem-se anfiteatros ou procurem-se os naturais, que felizmente existem. Se não existem condições nos grandes centros, desloquem-se para as aldeias e lugares típicos e pitorescos do nosso Portugal.

Nos átrios das igrejas, nas eiras, nos largos das aldeias, afinal era precisamente aí que as pessoas se manifestavam noutros tempos.

Quem anda nestas andanças do folclore, sabe o que é estar num evento com ambiente próprio e noutro despido de tudo, inclusive de interesse.

É capaz de existir mais problemas de imaginação, que de ordem monetária, digo eu.

Uma boa divulgação do evento, uma excelente organização e parecerias com as autarquias ao nível por ex. de transporte das populações para esses locais, são pequenos nadas que podem fazer a diferença e valorizam um evento desta natureza.

Fica o repto e não esqueçam, que estes meios justificam o fim proposto.

Custódio Rodrigues (texto e imagem de destaque)
Texto e imagem retirados do grupo no FB “Etnografia e Folclore – Fórum de Debate e Partilha). Autorizada a publicação no Portal do Folclore Português pelo autor

 

Glossário temático sobre Etnografia e Folclore: Folclore

Folclore (do inglês. folk-lore, «id.»)

– substantivo masculino

= ciência que estuda as tradições populares nas suas variadas manifestações (música, dança, canções, provérbios, anexins, lendas);

= colectânea das canções populares relativas a certa época ou região; 1

= conjunto de tradições orais e culturais de um povo, expressas sob a forma de lendas, adivinhas, canções, histórias e provérbios.

O termo foi inventado em 1846 por W. J. Thoms (1803-1900) mas o criador do estudo sistemático do folclore foi Jacob Grimm;

O folclore tem sido abordado de maneiras diferentes:

– o alemão Max Müller (1823-1900) interpretou-o à luz de mitos da natureza;

James Frazer foi o expoente máximo do estudo comparativo do folclore antigo e popular como mutuamente explicativos;

Laurence Gomme (1853-1916) adoptou uma análise mais historicista;

– e tanto Bronislaw Malinowski como Alfred Radcliffe-Brown (1881-1955) estudaram o folclore como um elemento integrante de uma dada cultura.

O folclore justapõe-se à antropologia cultural mas as suas raízes e interesses teóricos não são os mesmos. 2

Também em Portugal, há mais de 150 anos que muitas pessoas dedicaram ou têm dedicado as suas vidas à investigação, recolha, preservação e divulgação da Cultura Popular Portuguesa, nas suas diversas vertentes.

Conheça algumas delas.

Qual é a origem da palavra folclore?

O termo folclore é aceite internacionalmente desde 1878, e apareceu escrito, pela primeira vez, há cerca de 150 anos.

O arqueólogo inglês William John Thoms, no dia 22 de Agosto de 1846, publicou uma carta no jornal The Athenaeum, de Londres, mostrando a necessidade da existência de um vocábulo destinado a denominar o estudo das tradições populares inglesas.

O autor sugeria a junção das palavras folk (povo) e lore (sabedoria) para designar tal ocupação.

Traduções da palavra folclore

Alemão / Deutsch  / German: folklore

Francês / Français / French: folklore

Espanhol / Español / Spanish: folklore

Italiano / Italiano / Italian: folclore

Inglês / English: folklore

Holandês / Nederlands / Dutch: folklore

Sueco / Svenska / Swedish: n. folklore

Greco / Ελληνική / Greek: n. παραδοσιακά έθιμα και δοξασίες, λαϊκή παράδοση, φολκλόρ, λαογραφία

Russo / Русский / Russian: фольклор

Fontes: 1 Diciopédia 2000, da Porto Editora | 2 Enciclopédia Universal Multimédia da Texto Editora (1997)

O Folklore não faz parte da Cultura Portuguesa

Ambrose Merton, aliás William John Thoms

Faz hoje3 precisamente 167 anos que o arqueólogo inglês Ambrose Merton, aliás William John Thoms, criou o termo folclore para designar o que até então não passavam de “antiguidades populares”, sem qualquer outro interesse para além da satisfação da curiosidade, até ao aparecimento do positivismo e do espírito científico.

Porém, os hábitos de consumo impostos pela sociedade capitalista levam à remoção de todos os obstáculos que se levantam à padronização de mentalidades, costumes e valores culturais ou seja, todos os fatores que contribuem para a formação da identidade dos povos e a sua relação de pertença a uma nação.

Por conseguinte, a nossa própria cultura tradicional, mormente a língua, as tradições, os gostos e formas de pensar encontram-se ameaçados pela cultura anglo-saxónica que constitui presentemente o instrumento de dominação cultural dos povos subjugados ao capitalismo consumista.

Por ironia, aqueles que em Portugal se colocaram em campo para preservar os usos e costumes do nosso povo, as suas tradições e identidade, acabaram por importar um neologismo de origem anglo-saxónica que nada tem a ver com a Língua portuguesa e as nossas raízes culturais – o termo folklore provém da acoplação dos vocábulos folk e lore de origem inglesa!

Pese embora a nossa plena identificação com o conceito que lhe está subjacente, a sua adoção no âmbito da defesa e preservação dos nossos valores culturais afigura-se como uma incongruência e uma atitude a todos os títulos incompreensível no seio de uma sociedade cultural e linguisticamente tão rica como aquela a que pertencemos – Portugal!

3 Texto escrito em 22 de Agosto de 2013 por Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História

Programas radiofónicos sobre Folclore

 

Em Portugal, e um pouco por todo o mundo, onde existam comunidades de portugueses, há um conjunto de Emissoras de Rádio, emitindo em FM/AM e/ou Online, que disponibilizam espaços para a divulgação do Folclore e da Música Tradicional Portuguesa. Porque nem todas são conhecidas, este espaço servirá para as divulgar e, igualmente, facilitar o contacto entre os programas e os responsáveis dos vários grupos.

Emissora de Rádio

Rádio do Folclore Português
Emite apenas via internet


Programa e descrição
O Povo e a Música
Aos domingos das 10h às 12h
Programa temático, todas as semanas, e sempre com 3 grupos convidados
Música Folclórica e de Raiz Tradicional
Comentadores convidados
José Alberto Gonçalves – Madeira
José Artur Brito – Lisboa
Maria Santos – Suíça
“Peça para ouvir”
Discos pedidos
À Quarta-feira – das 21h às 23h
Apresentador(a)

Sérgio Fonseca

Emissora de Rádio

Rádio Metropolitana Porto
Emite apenas via internet

Rua das Andorinhas, 18
(Antiga Escola Primária)
4250-036 Porto

Programa e descrição

“Raízes da Nossa Terra”
Sábado – 8h às 10h
Domingo – 9h às 11h

Programa semanal dedicado à música tradicional portuguesa e ao folclore. Divulgação de eventos e, sempre que possível, entrevistas com ranchos/ grupos folclóricos ou grupos de música tradicional portuguesa
(sobretudo na Área Metropolitana Porto).

Apresentador(a)

Eduardo Coelho

 

Os responsáveis por cada programa que se enquadre no acima referido, e que queiram ver o mesmo divulgado nesta página, devem enviar para : folclore@folclore.pt as seguintes informações:

Nome do programa (eventual link) – Logotipo (se tiver) / FB (se tiver)
Breve descrição do programa
Dia(a) e horário(s) de emissão
Nome de apresentador(es) e foto (se possível)
Nome da Rádio (eventual link) – Logotipo (se tiver) / FB (se tiver)
Contato email
Frequência em que emite / Online

A Equipa do Portal do Folclore Português

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