“Retratos de hoje e de antes” – Portugal no início do séc. XX

“Retratos de hoje e de antes” levam Andorra ao Portugal dos inícios de século XX

Retratos de hoje e de antes” é o título da exposição que o Grupo de Folclore Casa de Portugal inaugurou no passado dia 7 de maio, sexta-feira, no Centro Cultural La Llacuna do Principado de Andorra.

Esta exposição, integrada na semana da diversidade cultural da capital do país, Andorra la Vella estará patente ao público até ao dia 28 de maio.

Para levarem a efeito esta iniciativa, os elementos do Grupo realizaram 18 fotografias de grande formato, no museu Casa Rull, museu Etnográfico Casa Cristo e museu Casa d’Areny-Plandolit, recreando vivências das gentes do norte de Portugal de inícios do século XX.

Uma viagem pela memória dos nossos antepassados, realizada pela fotógrafa Mireia Medeiros e coordenada pela Cami Gonçalves, ambas membros do Grupo.

Entidades presentes na inauguração

Esta exposição foi visitada pela Ministra da Cultura e Desporto do Principado, Silvia Riva, pela Cònsol (Presidente da Câmara) de Andorra la Vella, Conxita Marsol, pelo Vereador de Cultura e Assuntos Sociais do Comú de Encamp, David Cruz, o empresário José Costa, o Padre Albano Fraga e muitos dos elementos do Grupo que participaram na exposição, além de outras personalidades que não quiseram perder a oportunidade de reviver outros tempos.

Na inauguração, Silvia Riva destacou que o Grupo de Folclore Casa de Portugal “soube surpreender-nos ao fundir o folclore português e os museus de Andorra”.

Por sua vez, Conxita Marsol felicitou o Grupo “pelos 25 anos e pelo trabalho, iniciativa e novos projetos”.

Além da exposição, foi apresentada também a projeção dum documental, com entrevistas aos protagonistas, e como se realizou a reportagem fotográfica, tendo emocionado muitos dos presentes na inauguração.

Ver imagens da exposição.

Semana da Diversidade Cultural

A Semana da Diversidade Cultural terminou no dia 15 de maio, sábado, com uma exposição fotográfica, em grande formato, no parque central da capital andorrana, na qual o Grupo de Folclore Casa de Portugal contribuiu com o traje “à vianesa” no mosaico de culturas que integram a mostra.

Livro “Memórias de Prata” editado pelo GF Casa de Portugal

“Memórias de Prata”

O livro “Memórias de Prata” foi lançado no passado dia 29 de abril, quinta-feira à tarde, pelo Grupo de Folclore Casa de Portugal no âmbito das comemorações do 25º aniversário da coletividade portuguesa sediada no Principado de Andorra.

Dadas as medidas sanitárias e as limitações provocadas pela pandemia, cerca de 80 pessoas assistiram, no Complexo Sociocultural de Encamp, ao lançamento da publicação.

Destaca-se a presença da Ministra da Cultura e Desporto, Silvia Riva, que, a propósito, afirmou que o aniversário do Grupo “é motivo de suporte incondicional por parte do Governo de Andorra”, tendo dedicado a sua intervenção “a evidenciar a grande implicação cultural do Grupo”.

Por sua vez, o Vereador da Cultura e Assuntos Sociais do Comú de Encamp, David Cruz, referiu que o Grupo “traz uma riqueza cultural à paróquia de Encamp”.

Marcaram, ainda, presença o Embaixador de Andorra, Jaume Serra e o empresário José Costa, entre outras personalidades, elementos e ex-elementos do grupo.

O livro “Memórias de Prata”, da autoria de José Luís Carvalho, diretor artístico e um dos membros fundadores do Grupo, é constituído por 800 fotografias que recolhem as vivências da entidade enquanto promotor da portugalidade em Andorra.

Contém, também, mensagens

– da Ministra Sílvia Riva,

– do Presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa,

– do Presidente da Federação do Folclore Português, Daniel Calado Café,

– do empresário de Group Nova, José Costa,

– e do presidente da coletividade, Tomás Pires de Jesus.

A publicação, escrita em português e em catalão, inclui também momentos marcantes organizados pelo Grupo, tais como as Janeiras ou o Feirão e as atividades que a entidade tem colaborado para enriquecer a oferta cultural do Principado.

Outras atividades

No âmbito das celebrações das bodas de prata do Grupo de Folclore Casa de Portugal houve, ainda, a apresentação, no dia 1 de maio (sábado), de um vídeo nas redes sociais titulado “Vamos para o festival”.

No dia 14 de maio realizou-se a inauguração da exposição “Retratos de hoje e do passado”, que recria as vivências das gentes de Portugal a inícios do século passado, inserida na Semana da Diversidade Cultural de Andorra la Vella, e que vai percorrer diferentes museus de Andorra.

 

 

GF Casa de Portugal apresenta livro “Memórias de prata”

Livro “Memórias de prata”

No próximo dia 29 de abril, quinta-feira, pelas 20h00, no Complexo Cultural da cidade de Encamp, o Grupo de Folclore Casa de Portugal vai fazer o lançamento do livro “Memórias de prata”.

Esta iniciativa está integrada no programa das comemorações do 25º aniversário deste Grupo, que está sedeado no Principado de Andorra, e onde é particular embaixador das terras e gentes do Minho.

A cerimónia de apresentação vai contar com a presença da Ministra de Cultura e Desporto, Silvia Riva, bem como do vereador de Cultura do Comú d’Encamp, David Cruz, e ainda dos membros e ex-membros do Grupo que poderão relembrar as vivências que a coletividade realizou durante 25 anos.

A obra “Memórias de prata”, escrita em português e catalão, idioma oficial do Principado, é constituída por 180 páginas.

Nelas se podem observar as fotografias mais significativas da atividade do Grupo desde a sua fundação no ano 1996, até aos dias de hoje.

Conta, também, com uma recolha dos acontecimentos mais destacados e marcantes que a entidade cultural portuguesa no Principado de Andorra organizou ou deu o seu apoio, enriquecendo a oferta cultural do Principado, através da cultura tradicional nos seus diversos aspetos, potenciando, assim, a portugalidade nos vales de Andorra.

Várias iniciativas para celebrar Bodas de Prata

A apresentação do referido livro faz parte dum conjunto de iniciativas culturais que o Grupo programou, durante este ano, para celebrar as suas Bodas de Prata.

No âmbito das celebrações do 25º aniversário do GF Casa de Portugal, já foi feita a plantação de uma árvore no Parque Central de Andorra la Vella, no passado dia 21 de março. E, no próximo mês de maio, vai acontecer a inauguração de uma exposição fotográfica, que estará presente em vários museus do país.

Devido às medidas de proteção originadas pela emergência sanitária provocada pela Covid-19, o acesso será limitado e obriga a reserva prévia.

Nota à Imprensa do GF Casa de Portugal – Andorra (texto editado e adaptado)

Amadeu Alberto Lima da Costa, etnógrafo vianense

Amadeu da Costa, etnógrafo

Amadeu Alberto Lima da Costa, etnógrafo, investigador e dinamizador cultural, nasceu a 23 de outubro de 1920 e faleceu em 30 de março de 1999, em Viana do Castelo, capital do Alto Minho.

Nascido no bairro da Ribeira, na Rua do Loureiro, troço atualmente denominado Rua Monsenhor Daniel Machado, Amadeu Costa foi um incansável lutador pela criação de um museu dedicado ao traje regional em Viana do Castelo.

No momento da aquisição do edifício do Banco de Portugal para a instalação desse Museu, em 1996, foi ele que organizou a exposição Traje Regional, a primeira que aí se realizou. Também por esta razão, o Museu atribuiu a uma das suas salas o nome de Galeria Amadeu Costa.

Como profissão principal tinha a de técnico de contas.

Trabalhou, enquanto estudante, no jornal “A Aurora do Lima”, onde deu os primeiros passos no jornalismo. Nos anos 1960/70, foi correspondente dos jornais lisboetas “O Diário de Lisboa” e” A Capital“.

Nos anos 1950/60, esteve ligado à Fábrica de Louça da Meadela. Nesse período de grande criatividade e renovação da cerâmica aí produzida, supervisionou as mostras organizadas com grande êxito em diversos locais do país.

Calígrafo iluminador, executou vários pergaminhos, alguns em parceria com Araújo Soares, destinados a entidades diversas, entre elas a Presidência da República Portuguesa e a Rainha Isabel II de Inglaterra.

Figura incontornável da cultura tradicional

Amadeu Costa foi uma figura incontornável da cultura tradicional de Viana do Castelo pelo estudo e divulgação que dela realizou ao longo de toda a sua vida.

Sempre assumiu o seu amor pela divulgação dos usos e costumes locais, mormente o traje à vianesa, além da organização das Festas em Honra de Nossa Senhora da Agonia, que ajudou a promover durante cerca de trinta anos, enquanto membro da Comissão de Festas.

Falecido em 1999, a família, num ato de generosidade, estabeleceu com a autarquia vianense um protocolo de doação de uma valiosa coleção de trajes que pertenciam a Amadeu Costa ao Museu do Traje.

Esta doação incluiu 750 peças e 53 de trajes completos, incluindo algibeiras, aventais, saias, coletes, casacas, camisas, lenços, calçado, meias, toalhas e trajes de homem e mulher, enriquecendo o património do espaço museológico.

Foi condecorado por imensas instituições, destacando-se a medalha de ouro da cidade de Viana do Castelo, com a qual foi agraciado em 1989.

Fonte (texto editado e adaptado)

António Augusto da Rocha Peixoto, etnógrafo português

António Augusto da Rocha Peixoto

António Augusto da Rocha Peixoto, naturalista, arqueólogo e etnógrafo português, nasceu a 18 de Maio de 1868, na Póvoa de Varzim. Era filho do Dr. António Luís da Rocha Peixoto.

Formou-se na antiga Academia Politécnica do Porto e foi professor da Escola Comercial do Infante D. Henrique.

No início da sua carreira começou por se interessar pelas ciências naturais, mas rapidamente incluiu nos seus temas predilectos os assuntos que diziam respeito à etnografia.

Foi considerado um dos mais brilhantes etnógrafos portugueses vindo do século XIX. Amava os temas relacionados com a cultura material e a organização comunitária das populações.

Cientista invulgar, detentor de um método científico que fez escola e que esteve na origem de um género de investigações, Rocha Peixoto foi uma figura ímpar da Etnografia em Portugal.

Para além da Etnografia, possuía ainda um profundo conhecimento de História de Arte e de Arqueologia, tendo escrito diversos artigos sobre estes assuntos.

Ao longo da vida ocupou diversos cargos de relevo. Foi naturalista-adjunto do Gabinete de Mineralogia, Geologia e Paleontologia da Academia Politécnica do Porto e director da Biblioteca Pública e do Museu Municipal do Porto.

Secretário da Revista de Portugal, fundada por Eça de Queirós, foi co-fundador e um dos principais dinamizadores da Revista de Ciências Naturais e da revista Portugália.

Deixou-nos uma obra vastíssima com mais de 200 artigos, ensaios, monografias, estudo, etc., sobre geologia, paleontologia, antropologia, pré-história, epigrafia, hierologia e principalmente de etnografia, tendo estudado sobretudo indústrias, fusos e costumes das populações portuguesas.

Faleceu prematuramente, no auge da sua carreira, com apenas 42 anos, a 2 de maio de 1909, no Porto.

Alguns trabalhos publicados:

1889, “Os Palheiros do Litoral”

1889, “Notas sobre a Malacalogia Popular”

1892, “A Tatuagem em Portugal” in Revista de Ciências Naturais e Sociais

1897, “A Terra Portuguesa”

1898, “Etnografia Portuguesa. Habitação. Os palheiros do Litoral” in Revista Portugália

1900, “Etnografia Portuguesa. Indústrias Populares. As Olarias do Prado” in Revista Portugália

1901, “Uma Iconografia popular em Azulejos” in Revista Portugália

1905 “A Casa Portuguesa”

1906 “Tabulae Votivae”

1908, “Etnografia Portuguesa. As Filigranas” in Revista Portugália

Fontes: “Infopédia”, “O Grande Livro dos Portuguesas” | Imagem: “Occidente” nº1094 – 20 de Maio de 1909

Zófimo Consiglieri Pedroso, etnógrafo português

Zófimo Consiglieri Pedroso

Zófimo José Consiglieri Pedroso Gomes da Silva nasceu em Lisboa, 10 de março de 1851, filho do médico Zófimo Pedroso da Silva.

O apelido Consiglieri procede de sua mãe, Mariana Justa Consiglieri, uma senhora de origem genovesa.

Tendo feito os seus estudos preparatórios, seguiu o Curso Superior de Letras, área na qual viria a desenvolver actividade docente, tornando-se professor catedrático e director do curso superior de letras de Lisboa.

Republicano convicto, publicou vários panfletos doutrinadores sob o título Biblioteca de Propaganda Democrática, prestando a sua colaboração em publicações, em 1871, como o Positivismo.

Foi Presidente da Sociedade de Geografia e sócio efetivo da Academia de Ciências de Lisboa.

Foi dos primeiros a recolher em Portugal o folclore nacional, tendo desenvolvido estudos importante na área da etnografia, dando particular ênfase à análise de mitos e superstições populares.

Da parte da mitografia e superstições populares, publicou o resultado das suas investigações, acompanhado de eruditas análises críticas no excelente jornal científico o Positivismo e nas revistas especiais que se publicavam em França e Inglaterra.

Entre as suas principais obras, nomeadamente na área do folclore e da etnografia, contam-se

– Contribuições para uma mythologia popular portugueza (1880);

– Portuguese Folk-tales (1882);

– Tradições populares portuguezas, XV: o secular das nuvens (1883);

– Tradições Populares Portuguesas, Uma Crítica Positivista (1884);

– Contos Populares Portugueses (1910);

– Contribuições para um cancioneiro e romanceiro popular português

– Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa e outros Escritos Etnográficos;

– Contos populares portugueses (1878).

Faleceu em Sintra, a 3 de setembro de 1910, com a idade de 59 anos.

Fontes: Enciclopédia Universal Multimédia da Texto Editora (1997) | Revista “Occidente” nº1141 – 10 de Setembro de 1910 | Wikipédia

Ação de formação não presencial sobre trajes – AFERAM

Ação de formação não presencial sobre Indumentária Popular Portuguesa

No âmbito do Plano de Atividades da AFERAM, Associação de Folclore e Etnografia da Região Autónoma da Madeira, vai-se realizar uma ação de formação não presencial, pela plataforma ZOOM, na próxima segunda-feira, dia 12 de abril das 19 às 21 horas, com o tema:

Indumentária Popular Portuguesa – contributos, achegas, considerações e opiniões,

com Gil Raro (alfaiate do povo).

Pode inscrever-se através do formulário disponível aqui.

Ou enviando um email para aferam.madeira@gmail.com, com o seu nome, email e nome de grupo ou associação a que pertence.

A formação destina-se para além de elementos de Grupos de Folclore a todos os interessados na Cultura Tradicional.

Antes da formação receberá através do seu email os dados para aceder à formação.

Esta atividade vem ao encontro do trabalho que a AFERAM tem vindo a desenvolver junto dos grupos de folclore associados, cujo intuito é incutir a continuidade do registo e divulgação das práticas culturais tradicionais e populares da Madeira, este ano, mais especificamente os trajes tradicionais dos homens da Madeira e Porto Santo.

AFERAM – Associação de Folclore e Etnografia da Madeira

A riqueza do passado no presente da Cultura Saloia

Cultura Saloia

“(…). Nós, portugueses, estamos não nas vésperas, mas em plena fase de perdermos toda essa riqueza do passado. Se não corrermos rapidamente a salvar o que resta, seremos amargamente acusados pelos vindouros, pelo crime indesculpável de ter deixado perder o nosso património tradicional, dando mostras de absoluta incúria e ignorância. Se não o fizermos, daqui a duas gerações podemos ser um povo descaracterizado e profundamente pobre… (…)” (Jorge Dias)

Portal do Folclore Português

Permitam-me começar por saudar esta realização, neste território já pertença da Humanidade para abordar o tema da Cultura local, do Folclore e da renovação e reforço do papel dos ranchos etnográficos.

Cultura local, identidade local e memória coletiva constituem o campo folclórico onde interagem os ranchos.

Nada se pode ignorar na perspetiva de que Sintra está num contexto de turismo de elevadas expetativas e a paisagem, as tradições, a gastronomia e tudo o que compõe a imagem que o turista possui, arrastam consigo também implicações para estes especiais agentes e atores culturais, os ranchos etnográficos.

No fundo, estamos a falar de um importante ativo no quadro dos recursos turísticos de uma região.

Também há uma exigência maior dos visitantes, no sentido da compreensão dos lugares visitados e aqui entram os ranchos etnográficos.

Mundo rural em transformação

O processo de ludificação do rural (Baptista, 2004),observáveis na sequência das transformações ocorridas no mundo rural com o declínio da atividade agrícola, veio exigir que se atente à relevância propriamente cultural que vem sendo atribuída ao modo de vida rural, à ruralidade, para a construção de imagens territoriais atrativas.

Poder-se-á dizer que estamos perante uma cultura de paisagem global em redor da agricultura, uma agrocultura (Covas & Covas,2008) dos territórios primários e dos seus atributos mais essenciais, ou seja, uma turistificação do mundo rural, onde é necessário valorizar a identidade sem cair na moda identitária fundamentalista.

É  preciso salientar que os produtos com identidade –  pão saloio, o queijo saloio, o vinho de Bucelas ou Colares – são portadores de atributos fundamentais do território e geram identificação pois são uma imagem genuína desse território.

Não é atrevimento dizer-se que se pode ver ou ler um pedaço de História e cultura local através desses produtos. 

O caldo da cultura é fundamental para este território saloio, Sintra, porque o certifica culturalmente, porque incorporam elementos simbolicamente relevantes e contribuem para a afirmação exterior da região.

O papel dos ranchos

– E onde entram os ranchos?

Na identidade e na autenticidade dos lugares e culturas, no cumprimento dos paradigmas de reconstituição histórica.

O conceito de identidade constrói-se, segundo Duarte e Lima (2005) de quatro princípios básicos: distintividade, continuidade, autoestima e autoeficácia.

Com estes princípios, os ranchos carregam uma elevada carga histórica, sentem orgulho e vivem uma estreita ligação com a Terra. Esta ligação, pela ação dos ranchos, fortalece a coesão social a nível interno e a nível externo, pela noção de autenticidade, abre -se ao turismo.

Mas estejamos atentos que não existem identidades fixas, mas antes processos de identificação, processo móvel.

O património passou a ser uma garantia de autenticidade, embora como refere Urry (2002) o turista saiba e sinta alguma artificialidade, mas continua a procurar o autêntico.

Os ranchos emergem das comunidades em torno de gente conhecedora da história, da música, dos costumes e tradições e  com objetivos de perpetuação e recriação da identidade, neste caso Saloia.

Contudo,  é importante referir que também há espaço para associações que se organizam em torno da designação de ranchos folclóricos mas o que os une é o gosto pela execução musical, canto e dança, porque assim se cria um espaço local de convivialidade intergeracional,  que contraria o afastamento dos destinos laborais e estilos de vida e abre oportunidades de encontro da comunidade.

Portanto, os ranchos folclóricos etnográficos ou simplesmente ranchos folclóricos são instrumentos de animação social local. José Eduardo Janas (1990) refere o seu importante papel ao envolverem a comunidade como expressões ativas de reconstituição de coletividades, afirmações de existência, de recusa de morte social, ou seja, são geradores de vida social.

Estamos num campo de grande importância social.

Diálogo entre realidade

O diálogo entre estas realidades é fundamental para se estimular o interesse pelo saber fazer tradicional, contrariando a inautenticidade de outros.

Ambos são agentes e atores fundamentais no campo folclórico.

Continuando com o mesmo autor, cito “O trabalho etnográfico, para lá da investigação das formas sociais do passado, pode afirmar-se como um trabalho sobre a consciência coletiva do tempo, isto é, sobre o modo como as pessoas pensam o tempo.”

Talvez o trabalho dos grupos folclóricos e etnográficos tenha que se alargar. Não basta a representação no palco, é preciso complementar a informação, pois os comportamentos de hoje não são os comportamentos de ontem, onde o retratado era exatamente esse.

Há que enriquecer e é necessário encontrar as formas adequadas em cada rancho para que um bailarito saloio  tenha mais algo a ensinar do tempo rural, que já não existe – exposições, documentários,  brochuras.

E aqui todos os ranchos podem ser importantes para tornar e criar um produto apetecível cultural e turisticamente, o turismo interno  e externo contribui para que haja benefícios locais.

No fundo, este poderia ser uma verdadeira comemoração da localidade e reflexão sobre a identidade local.

Todos ficaríamos mais ricos. E neste contexto, o papel das autarquias e comissões de festas dariam aos ranchos um espaço de representação e de divulgação com retornos de capital, necessários para a continuidade do trabalho ou da sua existência.

Continuemos com os ranchos folclóricos etnográficos, a sua renovação e credibilização são matéria premente, como já falámos no workshop do dia 16 de novembro.

Participação das novas gerações

O apelo à participação de crianças e jovens-rapazes e raparigas-já é uma estratégia posta em prática por alguns ranchos, mas é fundamental aprofundá-la. Deste investimento depende a passagem do testemunho.

A investigação, o aperfeiçoamento da representação e domínio da história da comunidade, das suas particularidades intrínsecas, carece de registos, de documentos, de imagens comparativas, de verificação do que se fazia e se foi fazendo, o tempo rigoroso a que se refere o registo.

Este trabalho carece da intervenção de novas formas de trabalho e nesse campo, a juventude pode encontrar um importante desempenho. Está nas vossas mãos o registo do património imaterial desta região cultural, que também como já tenho vindo a referir, merece também um carimbo da UNESCO.

Os saloios de Lisboa, as  lavadeiras que enchiam a cidade são um património único a ser registado para  a posteridade. Chianca de Garcia quando retratou Lisboa foi buscar este património.

Mas antes, permitam-me, é preciso a elevação da qualidade da recolha e do respetivo registo e a sua comunicação.

A difusão dos valores culturais coleções e trajos, dos bailes e cantares dos ranchos é imprescindível que ocorra para fora das próprias fronteiras da comunidade para que o fator património se assuma, como algo de valor próprio e único dali.

A pedagogia da educação o é fundamental; o uso da história oral é valioso, por exemplo, na apresentação de uma representação, para se explicar o pormenor da roupa, do alamar no trajo de festa masculino ou da maneira de cruzar o lenço, no trajo da  na mulher de trabalho

O estudo, a formação de quem está no rancho é fundamental para que haja continuidade na vida folclórica etnográfica.

Simbolismo da barba – Páginas etnográficas

A barba como símbolo de virilidade e de honra, donde provém este símbolo

Um dote físico, que na mulher é desgosto, serve de orgulho ao homem como símbolo de virilidade e de honra, ao que sumariamente me referi nas Lições de Philologia, p.87-88; cfr. também Adrião in Rev. Lusit., XIX, 59-61; e supra (A barba em Portugal), cap.I.

Os rapazes, quando estão próximos da puberdade, começam logo a tactear a cara, e a puxar pela penugem, na esperança e no desejo de encontrarem barba que os faça homens.

Canta-se vulgarmente a tal respeito uma cantiga

Estes meninos d’agora
São franguinhos de vintém,
Prometem 10 réis às almas
A ver se lh’a barba vem…

Cantiga, como ponderaria um Alemão, «rica de conteúdo», – porque, pela comparação dos rapazes com frangos, liga-se a uma das funções mais activas da vida da linguagem, qual a da criação metafórica, tão fecunda no vocabulário quotidiano, como na escolha dos apelidos, e pela promessa às almas pertence aos extenso quadro das crenças populares: a isto agrega-se o pensamento geral satírico que conjuga aqueles dois, traduzido, de mais a mais, por forma simples e elegante.

Variantes

Eis outra versão da mesma cantiga:

Estes mocinhos d’agora
Só dizem que têm, que têm:
Prometem dez réis às almas
P´ra ver se l’a barba vem…

a qual me cantaram em Anha, concelho de Viana do Castelo.

Como variante das duas cantigas se pode considerar de certo modo a seguinte, que colhi no concelho de Melgaço, onde é muito conhecida:

Estes rapazes d’agora
São poucos, nem barba têm:
Já deram dez réis ao cuco
A ver se a barba le vem…

(le por «lhes»).

Com ela se relacionam as frases que vou mencionar, ouvidas por mim no mesmo concelho de Melgaço, e que lhe servem de explicação.

Tradições…

De um rapaz que ainda não tem barba caçoa-se assim: «há-de-se fazer uma encomenda ao cuco, para te trazer a barba para o ano»;

e de um que, apesar de estar nas mesmas condições, já namora: «tens de dar dez réis ao cuco, para te trazer a barba para o ano que vem».

Ao aparecer na cara a primeira peluge (vid. ob. cit. cap. I.) (1), diz-se ao respectivo rapaz: «já tens os pêlos do cuco: é que já lhe deste os 10 réis!»

Se a barba só nasce no mento, e não no resto da cara, o pobre rapaz ouve dizerem-lhe: «tu não encomendaste a barba ao cuco, mas à poupa!», onde poupa (ave) é simples trocadilho com o verbo poupar (barba poupada, isto é: rara ou incompleta).

Segundo a crença popular, o cuco dá pois a barba, e torna-se necessário pedir-lha.

Porque é que o cuco (Cuculus canorus de Linn.) dá barba ao homem?

O cuco e a Primavera

A razão, quanto a mim, está em ser o cuco ave da Primavera, anunciadora dela.

Um provérbio nosso diz: se o cuco não vem entre Março e Abril, || ou o cuco é morto, ou não quer vir. Variante da segunda parte: ou o fim (do mundo) está para vir.

O não vir naquele prazo o cuco, isto é, no começo da Primavera equivaleria a interromperem-se as leis da Natureza.

É bem sabido que o cuco migra no tempo frio para climas quentes, e volta à sua terra quando o tempo melhora.

Já na antiguidade clássica se celebrava o carácter primaveril da ave. Ela acompanha as festas do consórcio de Zeus e Hera, ou do Céu e da Terra (2).

Na Primavera vicejam as plantas, e ornamenta-se de flores toda a Natureza. A barba do homem é comparável a rebento vegetal; e pois que os verdores da primavera os anuncia ou acompanha a vinda do cuco, isto foi considerado causador deles (post hoc, ergo propter hoc), e ipso facto do rebento da barba, esta aparente vegetação do rosto humano (3)

J. Leite de Vasconcelos

Notas

(1) A barba ainda muito tenra chama-se «penugem», em latim «lanugo». Cada povo tirou a metáfora daquilo que lhe pareceu mais mimoso; nós, de «pena» (de ave: isto é, da rama da pena); os Romanos, de «lana» (lã). No Alto Minho, em vez de «penugem» dizem «peluge» (= pelugem, de «pêlo»), e por gracejo: «pêlo de rato».

(2) Cfr.: A. de Gubernatis, My thologie zoology., II, 243 e Otto Keler, «Die antikie Tiesswelt, II (Leipzig 1913), 63-67.

(3) À barba que nasce no mento do homem atribuí-se o nome de um fruto («pêra»).

Fonte: “Alma Nova”, Número 3 – V Série, Outubro de 1927 (texto editado e adaptado) | Imagem: Oliveira Martins

5 lendas inesquecíveis do futebol português

Os portugueses levam o futebol nas veias, milhares de lusos seguem as transmissões das competições de suas equipes de futebol favoritos. Este fervor tradicional tem sido transmitido de geração em geração, motivando muitos a jogar desde muito jovens para se tornarem grandes estrelas da seleção nacional.

E assim tem sido ao longo da história, com o tempo surgiram grandes futebolistas capazes de mobilizar multidões aos estádios entrando no ranking como melhores futebolistas do planeta, por outro lado os adeptos se animam  a apostar na Betway apostas desportivas em seus jogadores favoritos.

Estas são as 5 grandes lendas portuguesas que deixaram uma herança futebolística indelével na história do esporte rei.

O grande Cristão Ronaldo

Cristiano Ronaldo é considerado uma eminência do futebol europeu, sua atuação não passa despercebida no cenário esportivo. Com sua força avassaladora conseguiu romper marcas importantes no campo de jogo. Sobram-lhe habilidades e se posiciona como um dos melhores jogadores ativos do momento.

A seleção portuguesa espera que o seu capitão consiga todas as vitórias e ganhe a próxima Copa do Mundo de Futebol 2022, o troféu mais importante a nível de seleções. Mas além de protagonizar os melhores encontros com a equipe nacional tornou-se um astro imbatível no Real Madri e continua brindando um excelente espetáculo a sua passagem pela Juventus de Turim.

Em toda a sua carreira profissional conseguiu obter títulos, ligas, Champions e muitos outros palmarés colectivos e individuais. O capitão CR7 deixou um legado valioso e é o único que continua ativo e em boas condições físicas para continuar somando prêmios, sem dúvida o melhor jogador português de todos os tempos.

Eusébio, a Pérola Negra

Eusébio foi uma das figuras mais proeminentes do esporte português de acordo com publicações da FIFA, antes da chegada de Cristiano Ronaldo. A Pérola Negra portuguesa tornou-se um ícone indiscutível do futebol para os adeptos do futebol em Portugal e em todo o mundo. Por seu excelente desempenho em sua seleção e no Benfica passou a integrar a lista dos melhores jogadores do século XX.

Paulo Futre

Paulo Futre foi uma divindade para os adeptos do Atlético de Madrid, embora também militou em outras equipas. Foi condecorado duas vezes com a distinção de melhor jogador da liga nacional e recebeu a “Bola de Prata” como melhor jogador da Europa.

Em seu repertório destaca-se uma Copa da Europa, 2 ligas, 2 Supercopas e uma Copa em Portugal, 2 Copas do Rei e uma Liga italiana, eventos disponíveis na seleção de apostas da Betway, marca líder em apostas esportivas.

Luís Figo

Figo integrou com sucesso as fileiras do Barcelona e do Real Madrid, duas equipes poderosas da Liga Santander, além do Inter de Milão, clubes nos quais se consolidou como um dos melhores jogadores da Europa.

Pôde competir em países europeus como Portugal, Itália e Espanha e conquistar 7 ligas, 4 Copas e 3 Supercopas nacionais, 2 Supercopas da Europa, uma Recopa, uma Champions e uma Intercontinental.

Com a camiseta de Portugal alçou-se com troféus juvenis, entre estes um Europeu sub-16 e um Mundial sub-20. Na sua galeria individual tem uma Bola de Ouro e está na lista FIFA dos 100 melhores futebolistas.

Rui Costa

Junto com Figo, o “Mestre” Rui Costa completa o quadro de grandes jogadores da chamada Geração de Ouro portuguesa, figuras emblemáticas e esperançosas do inesquecível Mundial sub-20. A participação da Costa foi definitiva naquele encontro com o Brasil para ganhar em pênaltis a preciosa copa do mundo juvenil. Também integra o ranking de 100 melhores jogadores FIFA.

(Artigo patrocinado)

O Folclore na era do disco vinil (tempos que já lá vão!)

O Folclore na era do disco vinil

Com o aparecimento em 1948 do disco de vinil, os antigos discos de 78 rotações que eram utilizados nas velhinhas grafonolas foram guardadas no baú das memórias.

A partir de então, começaram a produzir-se em série de dois formatos: o Long Play (LP) ou seja, de longa duração, com 33 rotações por minuto e o single de 45 rotações.

Porém, pouco mais de três décadas haviam de durar até aparecer no final da década de oitenta do século passado os compact discs, vulgo CD’s, transformando o disco de vinil em peça de museu.

O disco de vinil consiste num disco de plástico que, por meio da ação de um gira-discos, efetua a rotação do disco no sentido dos ponteiros do relógio e conduz a agulha sobre minúsculos sulcos que a fazem vibrar e, de forma mecânica, transformam as vibrações em sinal elétrico e este, uma vez amplificado, é produzido analogicamente em música.

A aproximação do Verão e com ele a época dos espetáculos era sempre antecedida pelo lançamento de um disco – um LP ou, pelo menos um single – que haveria de acompanhar toda a tournée do artista ou agrupamento, fazendo da primeira música do lado A o sucesso da ocasião.

À falta de reportório atualizado, as novas edições recuperavam gravações anteriores a fim de garantir a divulgação dos artistas e as receitas das editoras discográficas.

Algo que não difere substancialmente dos tempos que correm…

A capa dos discos constituía um dos seus principais atrativos, tanto pela qualidade gráfica como ainda pela informação disponibilizada, sobretudo nas capas dos discos de longa-duração (LP’s).

De resto, pela sua apresentação e o próprio circuito de distribuição, o disco de vinil possuía um estatuto diferenciado da cassete de fita magnética.

Grande contributo na divulgação do Folclore

Também o folclore deve ao disco de vinil em grande medida a sua divulgação.

Muitos foram os ranchos folclóricos que à época gravaram o seu disco, exibindo na capa um motivo etnográfico adequado ou a imagem do próprio grupo.

Dependendo naturalmente da importância da etiqueta e da sua capacidade de distribuição, o disco de vinil contribuiu grandemente para o prestígio de muitos grupos folclóricos uma vez que, de certa forma, representava um reconhecimento pelo seu trabalho por parte das editoras discográficas que apostavam na sua comercialização.

Encontramo-nos na era do compact discs (CD) e do Digital Versatile Disc (DVD) que permitem a leitura ótica e uma maior capacidade de armazenamento de ficheiros em formato digital.

O disco de vinil, contudo, ocupa um lugar de destaque na história da divulgação do folclore, com tanto ou maior impacto do que a sua própria atuação ao vivo.

Sem ele, seguramente muitas das nossas músicas tradicionais não teriam ficado no ouvido de muitas pessoas tanto que, salvo honrosas exceções, o folclore português jamais mereceu destaque significativo na programação televisiva e radiofónica.

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História

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