Nova Direção do Grupo de Folclore Casa de Portugal

Experiência, continuidade e juventude, atributos da nova Direção do Grupo de Folclore Casa de Portugal

O Grupo de Folclore Casa de Portugal, sediado no Principado de Andorra, reuniu, no passado dia 2 de abril, a sua Assembleia Geral.

Na agenda, além de assuntos de interesse geral para a coletividade, foram eleitos os corpos gerentes para o biénio 2022/2024.

Assim, Vânia Alexandra da Costa Novais foi eleita para assumir a presidência da instituição substituindo Tomás Pires de Jesus, que ocupava o cargo desde 2010.

Natural de Canillo, deu os primeiros passos no Grupo de Folclore Casa de Portugal com apenas quatro anos. É membro fundador do grupo em maio de 1996.

Desde 2011, Vânia Novais exercia as funções de Vice-presidente da instituição. A experiência e juventude levam-na agora a assumir a a presidência da associação portuguesa, atualmente mais antiga do Principado de Andorra.

Outros elementos da nova Direção

Acompanham nesta nova etapa os elementos do Grupo:

– Luís Mário Novais, como vice-presidente,

– José Luís Carvalho, secretário e diretor-artístico,

– Patrick Ferreira, tesoureiro,

– e as vogais Lurdes da Silva, Ana Sofia Pimenta, Mireia Medeiros e Cami Medeiros, que assume também responsabilidades no trajar.

As comemorações das bodas de prata do Grupo, que agora terminam, foram celebradas em plena pandemia com uma intensa atividade cultural: desde exposições, plantação de árvore, presidência do secretariado de Ágora Cultural do Principado, publicação de um livro e de vídeos nas redes sociais, entre outras.

Por isso, a nova equipe diretiva quer dar continuidade ao trabalho de promoção da cultura tradicional portuguesa no Principado de Andorra, agora que parece regressar-se à vida “normal”.

Agendado encontra-se já

– o Festival de Folclore (que terá lugar no próximo dia 30 de abril na sala de espetáculos do Centro de Congressos de Andorra la Vella),

– assim como a participação na semana da Diversidade Cultural de Andorra,

– e a organização da 7ª edição do Mercado Tradicional “O Feirão previsto para 3 de julho.

Termos relacionados com tecidos dos trajes tradicionais

Glossário de tecidos e outros

Albarrada – elemento decorativo de origem oriental, composto por vaso com flores.

Aletas – espécie de cabeção, existente na capa de honras, que desce até à cintura.

Barras – parte inferior do colete do traje das lavradeiras do Minho, que é geralmente de veludo bordado.

Bioca –  capa ampla, comprida e com capuz.

Branqueta – nome dado ao tecido confecionado com lã de cor natural; peça de vestuário  usada pelos sargaceiros do litoral minhoto.

Briche – nome dado ao tecido de lã fina, confecionado com la penteada.

Burel – nome dado ao tecido confecionado em lã. pisoado e usado no traje de trabalho.

Cachené – deturpação popular da palavra francesa «cache-nez», para designar um lenço de cabeça em tecido de la estampada.

Capeto – cobertura protetora do capuz que acompanha a saliência do pescoço e se prolonga até aos ombros.

Capucha – capa de burel que cobre a cabeça e o corpo, usada em Trás-os-Montes e Beira.

Carapinha – tira de malha executada com fio de la formando argola, usado na decoração dos barretes.

Catalão – carapuça de lã, oriunda de Espanha.

Cetim – ponto de tecelagem cujos ligamentos estão repartidos de maneira a dissimularem-se entre as lassas adjacentes, a fim de constituírem uma superfície unida de lassas.

Feltro – tecido fabricado com filamentos de lã ou pelos prensados e fortemente aglutinados.

Forro – larga barra, geralmente bordada, que guarnece a extremidade inferior das saias das lavradeiras do Minho.

Listrão – cordão de cores diversas usado à volta da cinta, para arregaçar as saias, oriundo de La Guardia e Baiona.

Louisine – ponto derivado do tafetá, em que os fios de teia, agrupados regular ou irregularmente, são remetidos cada um em sua malha, para se obter uma perfeita separação e paralelismo nos seus cruzamentos com a trama.

Moiré – efeito decorativo sobre um tecido, obtido por esmagamento a quente.

Ourelo – cordão de cores diversas usado à volta da cinta, para arregaçar as saias das poveiras.

Pala – nome dado à barra pregueada das saias do traje feminino da Madeira (viloa).

Palote – pequeno bastão usado pelos Pauliteiros de Miranda, na execução das suas danças.

Pequim – tecido de listras à teia, produzido por pontos diferentes.

Pestana – tiras cortadas em viés, pespontadas e terminadas em bico que decoram as camisas dos pescadores da Nazaré; são geralmente do mesmo tecido da camisa.

Pisão – máquina em que nas tecelagens se aperta e bate o pano, para o tornar mais consistente.

Precita – faixa usada à volta da cintura dos pescadores da Póvoa de Varzim.

Puxados – efeito decorativo produzido nos tecidos em que a trama é puxada por ganchos, formando pequenas argolas.

Raixa – possível deturpação de raxa – espécie de pano grosseiro sem pelo.

Redingote – palavra de origem inglesa («Riding-Coat») que se aplica a determinado tipo de corte

Riscado – tecido de algodão, ponto de tafetá, caracterizado por riscas de cor alternadas com riscas brancas.

Rodilha – argola confecionada em tecido e almofadada, usada sobre a cabeça para proteção e maior comodidade no transporte de volumes.

Saragoça – tecido de lã grossa confecionado em teares manuais.

Sarja – ponto de tecelagem caracterizado pelos efeitos oblíquos, obtidos pela deslocação de um fio de teia para a direita ou para a esquerda em cada passagem de trama.

Seriguilha – tecido de confeção manual, onde a teia é de linho e a trama de lã.

Silvas – elemento decorativo bordado, formando motivos vegetalistas, que decora o traje das lavradeiras do Minho.

Sueste – designação dada ao chapéu usado nas fainas piscatórias e na apanha do sargaço. Caracterizava-se pela impermeabilização do tecido por meio de óleo.

Tafetá – designação dos tecidos em cujo ponto a repetição se limita a dois fios e a duas passagens; e no qual os fios pares e impares alternam em cada passagem por cima e por baixo da trama.

Tecido pisoado – tecido com acabamento no pisão.

Trincha – tira pregueada com cerca de quinze centímetros de altura, cosida à parte superior da saia do traje da lavradeira do Minho.

Vega – nome atribuído à lã de ovelha de cor castanha-clara.

Veludo – tecido cuja superfície é coberta de anelado ou felpa, saindo de um cruzamento de fundo.

MCG; MG

Fonte: “Trajes Míticos da Cultura Regional Portuguesa” – Museu Nacional do Traje – Lisboa Capital Europeia da Cultura 94

“Dança, Canto e Trajos no Concelho de Castelo Branco”

“Dança, Canto e Trajos no Concelho de Castelo Branco”

A Equipa do Portal do Folclore Português recebeu, como oferta, o livro “Dança, Canto e Trajos no Concelho de Castelo Branco”, da autoria de Adelino José Henrique Carrilho e Mónica Liliana Martins Henrique Carrilho.

É uma obra, deveras, interessante.

Do texto introdutório, permitimo-nos destacar que os autores, “no âmbito de salvaguardar a cultura e as tradições da Beira Baixa” apresentam como “objectivo dar a conhecer as danças e canções populares portuguesas e os trajos do nosso concelho”.

Com este trabalho, não se propõem fazer “um levantamento de todas as danças e canções populares portuguesas e trajos mas só das que dizem respeito ao nosso concelho, e à nossa cidade propriamente dita.

Este trabalho não tem também como objectivo fazer um estudo exaustivo do mesmo tema, mas sim alertar e sensibilizar todas as pessoas para a grande riqueza do lirismo português, que encontramos nas danças e cantares populares, e beleza dos nossos trajos populares.”

Na obra é apresentada o resultado de um “levantamento de danças bailadas e cantadas no concelho de Castelo Branco, e também um levantamento dos seus trajos mais representativos.”

Terminam, dizendo que “As espécies de danças e canções locais, e respectivos trajos que fundamentam este trabalho foram em parte recolhidas no arquivo do Grupo Típico “O Cancioneiro de Castelo Branco”, na cidade de Castelo Branco.”

Livro com valor etnográfico

Para além do valor etnográfico contido neste livro, particularmente no que concerne

– aos trajes – de que apresenta inúmeras fotos a cores

– e aos cantares (letra e pauta musical), que acompanham as danças,

é de salientar as diversas informações sobre as freguesias do concelho de Castelo Branco:

– toponímia,

– património cultural,

– gastronomia,

– doçaria,

– festas e romarias,

– usos e costumes, etc.).

Este é um exemplo que pode e deve ser “copiado” por todos quantos, ao longos dos anos, se têm dedicado à recolha, preservação, divulgação e promoção do folclore e dos usos e costumes das respetivas localidades ou regiões.

Bom seria que as instituições públicas e entidades privadas apoiassem financeira a publicação de todos os trabalhos efetuados neste âmbito.

Desejamos os maiores sucessos ao Grupo Típico “O Cancioneiro de Castelo Branco”, aos autores do livro e a todos os que fazem parte do Movimento Associativo Folclórico.

Os pedidos para aquisição do livro podem ser feitos para o referido Grupo.

A Equipa do Portal do Folclore Português

Há Grupos que dizem “representar” o século XIX…

Existem Grupos de Folclore que “representam” o século XX quando afirmam representar o Folclore do final do século XIX

Em geral, todos os grupos folclóricos afirmam representar os usos e costumes das gentes da sua região a um tempo que remonta aos finais do século XIX.

Porém, na realidade, poucos são os que realmente o fazem.

Sucede que a sua maioria inclui elementos temporalmente mais próximos de nós, nomeadamente no traje, na música, nas coreografias das danças e até os instrumentos musicais que utilizam são de origem bem mais recente.

Por conseguinte, esses grupos representam já uma época situada algures em meados do século XX, na qual tais costumes há muito haviam desaparecido do quotidiano do povo para serem transformados em cartaz de turismo ou, quando muito, em peça de museu a evocar vivências de um tempo que não volta mais.

Os trajes

O traje adquiriu novas formas por vezes mais estilizadas e perderam o aspecto sóbrio que originalmente o caracterizava.

Passou a incluir botões e outros acessórios de plástico de invenção recente e as saias tornaram-se mais curtas e rodadas de modo a permitir observar a intimidade das moças, algo que seria impensável nos finais do século XIX.

Introduziram toda a sorte de fantasias no vestuário e, quase sempre, o calçado é de fabrico actual.

O chapéu braguês cedeu o lugar ao chapéu à toureiro e as mulheres da Nazaré passaram a vestir mais saias do que as que antes usavam.

Tempos houve que as mulheres usavam franjinha e cabelos curtos e os homens sapatos de verniz.

Músicas e danças

As músicas nem sempre são as originais, mas arranjos feitos ao gosto popular ao tempo do Estado Novo.

E as coreografias frequentemente são inventadas quase ao jeito do teatro de revista. A tal ponto que a mulher algarvia outrora recatada passou a dançar o corridinho de forma assaz atrevida, engalfinhada no seu par.

Quanto aos instrumentos musicais, quase desapareceram a viola beiroa, a braguesa e a campaniça para dar lugar a modelos que não são tradicionais, da mesma forma que o acordeão substituiu a concertina e o harmónio.

Isto para já não falar dos instrumentos improvisados como as sarroncas e os zaquelitraques, as pinhas e os seixos.

Os registos fotográficos e fonográficos

A invenção da fotografia e do registo fonográfico permitiu-nos guardar testemunhos das formas de vivência dos finais do século XIX, constituindo por esse facto uma prova documental que, associado às peças de vestuário e aos testemunhos deixados na imprensa da época e ainda aqueles que foram sendo transmitidos ao longo das gerações mais recentes, dão-nos a possibilidade de reconstituir os seus usos e costumes.

Porém, as alterações que foram, entretanto, feitas acabaram por na maior parte dos casos serem assumidas como genuínas, apenas porque em lugar de investigarem com sentido crítico, os responsáveis dos grupos de folclore limitam-se a reproduzir aquilo que anteriormente foi feito.

E assim se compreende as disputas que frequentemente ocorrem em torno da origem de uma determinada música ou cantiga.

Ninguém com bom senso e sentido da evolução histórica do traje e dos comportamentos sociais pode conceber que, nos finais do século XIX, uma moça pudesse usar saias acima do tornozelo e exibir as suas roupas interiores.

Ou ainda, o homem vestir um casaco ou um colete que não possui qualquer utilidade, apenas porque o seu corte o não permite e apenas se destina a exibir elementos de mera fantasia.

Áreas geo-etnográficas

Outro aspecto que caracteriza muitos grupos folclóricos é o seu carácter híbrido, assim entendido na medida em que procuram representar áreas geo-etnográficas de vasta dimensão, misturando na representação elementos que minimamente não corresponde.

Pese embora as feiras e as romarias terem também servido para aproximar populações de localidades mais ou menos distantes, fazendo-as interagirem do ponto de vista cultural, essa realidade circunscrita a uma época na qual os meios de transporte eram ainda limitados jamais permitiam que tal contacto se exercesse em áreas de dimensão mais vasta, levando um sargaceiro da Apúlia a dançar o picadinho dos Arcos ou um ganhão de Estremoz a dançar uma saia de Portalegre.

Nalguns casos, sobretudo entre as comunidades portuguesas na emigração, este cenário vai ao ponto de colocar um ribatejano a dançar o vira e um minhoto o bailinho da Madeira

Convém saber que muito do que actualmente se apresenta como folclore genuíno não é mais do que estilizações que foram introduzidas ao longo do tempo com o propósito de servir outros objectivos que não a sua preservação.

E, sobretudo, não se deve apresentar como sendo dos finais do século XIX algo que na realidade é de invenção bem mais recente!

A exibição da intimidade seria impensável à mulher dos finais do século XIX.

 

Uma mulher de Barcelos, em 1912.

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História

Jornadas Internacionais de Etnografia – Leiria 2021

Jornadas Internacionais de Etnografia

Vão realizar-se no próximo dia 20 de novembro de 2021, das 9h às 17h30, as “Jornadas Internacionais de Etnografia – Leiria 2021” (JIEL 2021).

Estas jornadas vão lugar no Auditório do Museu Etnográfico do Freixial em Arrabal, Leiria, e são organizadas pelo Município de Leiria.

Estas jornadas surgem da necessidade de aprofundar o estudo amplo da Etnografia, apresentando fontes de conhecimento de diversas áreas e valências, oriundas de diversos lugares do mundo, tendo como base a pesquisa e investigação dos historiadores, antropólogos e investigadores que aprofundam o seu trabalho, incluindo o estudo no terreno, com o intuito de valorizarem, através da pesquisa e registo, as tradições, tendências e capacidades dos povos.

Assim, o Município de Leiria reúne, nestas Jornadas, um conjunto de estudiosos, aliados a temas de interesse transversal, e instituições académicas e culturais com referência mundial.

A sessão de abertura,

às 09h30, contará com as intervenções

– do presidente da Câmara Municipal de Leiria (Gonçalo Lopes),

– do Presidente do Politécnico de Leiria (Rui Pedrosa),

– do Presidente da Fundação INATEL (Francisco Madelino),

– da Presidente da Junta de Freguesia do Arrabal (Helena Brites)

e do coordenador das JIEL 2021 (Adélio Amaro).

As Jornadas irão decorrer em três painéis, com palestrantes oriundos do Brasil, do Chile, da Grécia, do México e de Portugal (incluindo Açores), abordando os

Temas

– “Olhares Antropológicos: Da Pesquisa ao Terreno”;

– “Música Tradicional, Processos de Promoção e Salvaguarda” e

– “Editar a Memória como Construção do Futuro”.

As JIEL 2021 são uma aposta forte do Município de Leiria, tendo a parceria da Fundação INATEL e a colaboração de um conjunto de instituições de enorme relevo e forte credibilidade, nomeadamente

– o Politécnico de Leiria;

– o Mosteiro da Batalha / DGPC – Direção Geral do Património Cultural;

– o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (Brasil);

– a Sociedade Iberoamericana de Antropologia Aplicada, Salamanca (Espanha);

– o Grupo de Investigación en Mvseus y Patrimonio Iberoamericano (Espanha);

– o Centro do Património da Estremadura (Portugal);

-a Associação Folclórica da Região de Leiria – Alta Estremadura;

– o Museu Etnográfico do Freixial;

– a Casa-Museu da Magueigia, Santa Catarina da Serra;

– a Associação Bajouquense para o Desenvolvimento;

– a Academia de Letras e Artes de Paranapuã, Rio de Janeiro (Brasil);

– a Académi des Lettres et Arts Luso-Suisse (Suíça);

– a Eco Academia de Letras, Ciências e Artes de Terezópolis de Góiás (Brasil) e

– In/Comparáveis Agência (Brasil).

Para marcar presença nesta Jornadas é fundamental fazer registo (gratuito) através do e-mail culturapopular@cm-leiria.pt para que a inscrição presencial fique confirmada.

As ovarinas, “raça especial” que invadiu Lisboa!

As ovarinas

É uma raça especial, robusta e bela que, como as andorinhas, na primavera, invadem Lisboa chilreando alegremente e trabalhando sem descanso no arranjo do seu ninho, assim as ovarinas veem em bandos para a capital ganhar a vida em trabalho honrado.

Em geral são formosas, mas diga-se para sua honra, não é desse precioso dote da mulher que tiram partido, mas da robustez dos seus músculos, da actividade da sua vida, deitando-se ao trabalho por mais violento que seja.

O principal emprego da ovarina, em Lisboa, é o da venda de peixe pela cidade, mas quando o não há, ela não se queda; o seu ânimo não lhe sofre estar à espera do que há-de vir; procura logo em que empregar a sua actividade.

Vai para a descarga do carvão de pedra, vai trabalhar em desaterros cavando ou carregando, e se não consegue arranjar trabalho assim, volta-se para a venda de quaisquer géneros pelas ruas da cidade, de modo que sempre ganhe o seu dia, e depois de toda a lida diurna, é vê-la à noite cuidar do arranjo da casa, fazer a ceia, ir buscar água ao chafariz, em grandes bilhas à cabeça, cantando e rindo com as suas companheiras.

Se são casadas e têm filhos – e raras são as que os não têm – as criancinhas não impedem que elas continuem nos mesmos trabalhos, e assim com os filhinhos ao colo ou pela mão lá andam lidando no seu comércio.

Nas noites de Santo António, de São João e de São Pedro, as ovarinas dão a nota alegre da cidade com os seus descantes e bailados pelas ruas e praças, especialmente no Rossio e no mercado da Praça da Figueira.

A festa do Senhor da Serra é também outro dia de regozijo para as ovarinas.

Vão todas para Belas em alegre romaria com os seus homens, algumas em carroças enfeitadas de flores e chitas de ramagens, outras a pé calcorreando por essas estradas não menos de quinze quilómetros, dançando e cantando pelo caminho, e assim como vão veem, sempre alegres e incansáveis, descalças ou de tamanquinhas, sustentando nos quadris bem reforçados, suas numerosas e fartas saias que lhe dão pela tíbia, e sobre o farto colo, onde se avolumam os seis protuberantes, bastos cordões de ouro, contas, corações, cruzes, Nossas Senhoras do precioso metal, como em tabuleta de ourives, recamando-lhe o corpete avivado ou a camisa de mangas ao punho com seus cabeções bordados.

Das orelhas pendem-lhe grandes arrecadas de filigrana ou até de ouro maciço e a emoldurar-lhe o rosco colorido e vivo, um lenço de seda de cores vistosas, pontas caídas, saindo-lhe de sob o chapéu redondo que lhe completa o traje.

É assim a ovarina nos seus dias de festa, e ainda nos dias de faina o seu porte e traje é sempre de ver, como a descreve Bulhão Pato, nestes graciosos versos:

(Georgica)

Com a sardinha empilhada
Inda saltando vivaz,
Vem de cestinho, avergada,
Vem de lá de baixo, da praia,
E sobe o pino o almaraz…
Mas nem por sombras cansada!
Corada ao sol, e puxada,
Faz vista de nova a saia!

Descalça. O pé regular
E brunido pela areia
Dessa arribas do mar.

Não se pode chamar feia,
Descaída e farta a trança,
Afrontada do calor,.
O lencito desatado,
E os beiços com tanta cor
Como a dum cravo encarnado:
– A mocidade é uma flor!

Magrinha; mas que vigor
No seu passo de balança.
E, para apressar os passos,
São duas asas os braços!

A venda deve ser boa
Que há muito que o mar não dá…
Com que alvoroço apregoa:
«Sardinha fresca!… fres-quiá!…»

Vêm as outras companheiras
Mais atrasadas. Avante,
Ao Monte por essa encosta,
Ao Monte, ao Pragal e adiante
Que há muito que o mar não dá…
«Sardinha fresca! da Costa!
Viva da Costa!… Fres-quiá!…»

Bulhão Pato

As Ovarinas – Desenho do sr. M. de Macedo

Fonte: “Ocidente”, nº730 – 1899 (texto editado e adaptado)

GF Casa de Portugal preside ao Dia da Cultura de Andorra

Dia da Cultura de Andorra

Hoje, quarta-feira, dia 27 de Outubro, vai celebrar-se o Dia da Cultura no Principado de Andorra.

Esta iniciativa vai ser organizada pela Ágora Cultural, plataforma que agrupa 26 entidades culturais do país [ver convite abaixo].

Pelas 10h30, hora local, o hall do Parlamento andorrano vai acolher este evento que, no presente ano, conta com a presidência do Secretariado a cargo do Grupo de Folclore Casa de Portugal, coletividade sediada no Principado, e que integra a plataforma desde 2014.

O convite para a leitura do Manifesto Cultural foi efetuado pelas entidades que constituem a plataforma, por motivo das celebrações do 25º aniversário do Grupo.

A seguir à leitura do Manifesto Cultural, que será feita por José Luís Carvalho, Diretor Artístico do Grupo, os elementos do Grupo de Folclore Casa de Portugal, trajados “à moda” do Alto Minho, vão apresentar um dos momentos musicais com uma dança do seu repertório.

Na mesma cerimónia vão ser entregues os prémios Ágora Cultural 2020, que reconhecem o trajeto meritório de pessoas que, durante anos, contribuíram para enriquecer a cultura andorrana. O troféu é uma obra do escultor catalão Philippe Lavaill.

O evento vai contar ainda com

– um breve concerto pelo Instituto de Música do Comú de Andorra la Vella, e os discursos de

Rosa Suñe i Pascuet, Presidente do Parlamento de Andorra

– e de Silvia Riva i Gonzalez, Ministra de Cultura e Desporto,

na presença de diversas personalidades da área da política, cultura e sociedade civil.

Mais uma vez, o Grupo de Folclore Casa de Portugal, com sede no Principado de Andorra, eleva mais alto o nome de Portugal e da Cultura Popular Portuguesa, particularmente da região do Alto Minho.

Este Grupo continua a ser, após 25 anos da sua fundação, uma referência paradigmática para todos os Grupos de Folclore existentes nas Comunidades de Portugueses espalhadas pelo mundo.

 

GF Casa de Portugal na Fira d’Andorra la Vella 2021

Grupo de Folclore Casa de Portugal reafirma portugalidade na Fira d’Andorra la Vella 2021.

Encerrou, no passado dia 24 de outubro, domingo a 42ª edição da Fira d’Andorra la Vella, iniciativa que recebeu, durante os 3 dias da mostra multisectorial, cerca de 70.000 visitantes.

O espaço onde decorreu a Fira d’Andorra la Vella 2021 ocupou uma superfície de 10.000 m2, distribuídos em duas áreas cobertas com 150 expositores, e um espaço exterior que incluía um palco para as atividades culturais e de lazer.

O Grupo de Folclore Casa de Portugal marcou presença durante os três dias do evento, com um stand na Feira de Associações e no sábado, as danças e as cantigas tradicionais marcaram presenças no palco da Fira.

A elegância dos trajes minhotos e a vivacidade das danças tradicionais mereceram calorosos aplausos do enumero público assistente no Parc Central da capital andorrana.

Foi precisamente na edição da Fira de 2019 que o Grupo representou o folclore português antes da paragem forçosa devido à pandemia.

Nesta edição, o stand foi decorado com 58 fotografias dos elementos do Grupo, em grande formato, sob o lema: “Quem vê caras, vê corações”, para comemorar o 25º aniversário da coletividade e a dedicação de todos eles em enaltecer a cultura popular portuguesa em Andorra e nos países que tem visitado.

Os visitantes puderam adquirir produtos gastronómicos portugueses, já que não estava permitido o consumo devido às restrições sanitárias provocadas pelo Covid-19, e interagir com os elementos do Grupo apreciando o artesanato exposto.

Além do Grupo de Folclore Casa de Portugal, marcou também presença a Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Rancho Folclórico dos Residentes do Alto Minho em Andorra.

Bodas de Prata do Grupo de Folclore Casa de Portugal

O Grupo de Folclore Casa de Portugal está a celebrar as bodas de prata da sua fundação, em 1996, e além das atividades levadas a cabo desde o início do ano, como

– a plantação de uma árvore em Andorra la Vella,

– o lançamento do livro Memórias de prata ,

– e a inauguração da exposição Retratos de hoje e de antes,

tem previsto ainda a participação na próxima quarta-feira no dia da cultura de Andorra e um conjunto de iniciativas culturais nos próximos meses.

 

Folclore angolano – O folclore, factor social indígena

Folclore angolano – O folclore, factor social indígena

“Para além dos aspectos mais comuns, populares e externos, como sejam as manifestações artísticas, coreográficas, corais, musicais e outras, o folclore indígena necessita ser visto e considerado em uma sua feição, de longe a mais importante, que é a social.

Nela se inscrevem quatro grandes sectores de folclore, a saber: o do trabalho, o didáctico, o recreativo e o religioso.

No primeiro é evidente o seu emprego pelos indígenas como elemento abstractivo e amenizador da monotonia e do esforço penoso das actividades humanas, mediante o ajustamento de músicas e cantares aos movimentos de variadas tarefas, aos esquemas biomecânicos das diversas actividades profissionais, constituindo, a bem dizer, uma psico-técnica natural do trabalho, facto este da maior importância na sua fisiologia.

No segundo ou didáctico encontramos uma fonte tradicional, perene, instrutiva e educativa, de alcance cívico e moral, de significação jurídica, teológica e outras, largamente sociais.

No folclore recreativo, nomeadamente no batuque indígena, é evidente, entre outros, a actuação dum curioso fenómeno psico-orgánico derivado da influência do ritmo sobre o temperamento ritmo-sensivel dos indigenas, facto muito importante na sua vida sexual e afectiva, e em outras manifestações físicas e morais dai derivadas.

Quanto à importância do folclore religioso, bastará dizer que, entre os indígenas, não há rito sem ritmo.

Nestes termos, como factor fisiológico, psico-orgânico, lúdico, instrutivo, educativo, cívico, ético e espiritual, o folclore é um importantíssimo elemento sociológico, em muitos casos vital.

Pela sua alta função na vida do homem e da comunidade indígena, o folclore angolano merece estudo cuidado, não apenas cultural, mas também biológico, ecológico, económico e outros.

Ele exige, finalmente, medidas tendentes a protegê-lo e a exortá-lo.”

Pelo Prof. Doutor José Redinha, do Instituto Superior de Estudos Ultramarinos

Fonte: “Guia oficial do I Congresso de Etnografia e Folclore” – Braga e Viana do Castelo – 22 a 25 de Junho de 1956 (texto editado e adaptado) | Imagem encontrada na net, de site desativado

GF Casa de Portugal regressa aos palcos

Grupo de Folclore Casa de Portugal regressa aos palcos com atuação na Fira de Andorra la Vella.

No próximo fim-de-semana (22 a 24 de Outubro) vai decorrer a 42ª edição da Fira de Andorra la Vella.

Este evento vai reunir, no presente ano, na capital do Principado de Andorra 150 expositores numa superfície de mais de 10.000 metros quadrados.

A inauguração está prevista para as 11 horas de sexta-feira, dia 22, depois do longo interregno que se verificou, devido à crise sanitária provocada pelo Covid-19, e que afetou a atividade económica e cultural do país durante mais de um ano.

O Grupo de Folclore Casa de Portugal retoma, assim, a sua atividade nos palcos com atuação prevista para sábado, dia 23, pelas 17h40, no palco do recinto da feira multi-sectorial.

Pretende-se, mais uma vez, proporcionar aos visitantes da Fira de Andorra la Vella momentos de cultura tradicional portuguesa, através da apresentação de danças e cantigas do cancioneiro popular do Alto Minho.

Além da atuação, e como vem sendo habitual, o Grupo participa também, durante os 3 dias que decorre o evento, na Feira de Associações.

Nesta Feira das Associações, formada por cerca de 50 entidades, o GF Casa de Portugal vai estar presente com um stand, no qual os visitantes poderão adquirir produtos alimentares portugueses, artesanato e merchandising do mesmo.

Devido às medidas sanitárias, esta edição não permite a degustação de produtos alimentares como era habitual o Grupo apresentar, o que muito lamentamos.

Como é já do conhecimento geral, no presente ano, o Grupo de Folclore Casa de Portugal está a celebrar as bodas de prata da coletividade, pelo que nesta edição da Fira o stand estará especialmente dedicado a todos os elementos que compõe a entidade portuguesa sediada no Principado de Andorra.

I Congresso de Etnografia e Folclore – Resumos

I Congresso de Etnografia e Folclore

Títulos e resumos de intervenções (apenas as de língua portuguesa) apresentadas no I Congresso de Etnografia e Folclore, promovido e organizado pela Câmara Municipal de Braga, em Braga e Viana do Castelo, de 22 a 25 de Junho de 1956, conforme o respectivo Guia Oficial:

O valor dos adagiários

O provérbio e sua expressão linguística

Em primeiro lugar, vêm as considerações preliminares acerca dessa coletânea; do valor do provérbio como elemento folclórico; da expressão formal do mesmo e do seu conteúdo ideal.

O ditado ou adágio é produto de criação popular. Breve referência faz o Autor ao pensamento dos clássicos a respeito dos adágios.

Depois vem a distinção sinonímica entre os termos: adágios, provérbios, rifões, ditados, etc., e exemplos de alcunhas étnicas e adágios em quadras populares.

Trata, em seguida, da pureza idiomática do adágio e do valor filológico dos adagiários. Dá exemplos.

Frisa, depois, o papel preponderante que a terra (o continente português) e o mar desempenharam na vida da linguagem do provérbio e doutras expressões normativas, em geral, em sentido figurado, generalizadas na linguagem geral. Dá exemplos.

Finalmente, faz breve referência a uma afirmação do grande polígrafo espanhol Rodrigues Marin acerca do valor do folclore.

Por Manuel Joaquim Delgado

Los Ramos Procesionales

Pelo Dr. José Ramón Y Fernández

Refranero del mar

Pelo Coronel Dr. José Gella Iturriaga

Constituição dos lares de Goa

Pelo Prof. Pe Graciano Morais, do Instituto Superior de Estudos Ultramarinos. Ler texto

El informante, elemento humano en la recolección folclórica

Por Virgínia R. R. Mendonza, do Conservatório de Música da Universidade do México

Analogias de refranes españoles e portugueses de aplicación psicomorfológica

Pelo Dr. Castillo de Lucas, Jefe de la sección de Medicina popular del Instituto de História de la Medicina del. Cons. Sup. de Inv. Cient. – Madrid

Los Aguinaldos de la Santa AguedaFiesta de los Mozo de Ruguilla (Guadalajara)

Por S. Garcia Sanz

Sobre um regime pastoril comunitário (Ermida – Ponte da Barca)

O autor analisa o comunitarismo pastoril que ainda hoje se verifica na freguesia de Ermida, do concelho de Ponte da barca.

Por João Machado Cruz, Assistente da Faculdade de Ciências do Porto

Nótula folclóricas

Significação e âmbito do vocábulo folclore, sua entrada no vocabulário português;

tradição da caça do pio-pardo (gambuzinhos em Portugal e no mundo);

meteorologia adivinhada para o ano próximo futuro, pelos arremedantes (dias que simbolizam meses futuros) que parece arremedam bem;

superstições sobre feiticeiras, sombra de defuntos (até de anjinhos);

mezinhas para mal-da-gota (epilepsia), causa da doença, e remédio aplicado;

doenças dos ouvidos curadas com leite de mulher;

canções populares na fonética vulgar minhota, com notas gramaticais;

sentença vulgar sobre fidalgos, galos e galgos (significado vulgar de fidalgo e de trabalho);

rezas supersticiosas do povo, com fonética vulgar minhota, e respectivas notas gramaticais.

Pelo Dr. José Luís Ferreira

Infuencias portuguesas en la cultura tradicional canaria

Pelo Dr. José Pérez Vidal

Os santeiros da Maia – Arte popular religiosa do Norte

Imaginários e mestres de imagens foram os artistas que nos tempos medievais e nos da renascença esculpiram as figuras divinas e hagiológicas. Na era de seiscentos, porém, divulga-se o qualificativo de santeiros e aquele outro desaparece. Saber mais

Pelo Dr. Carlos de Passos

Aspectos e canções da apanha da azeitona em Borba

Descrição dos aspectos mais característicos da apanha da azeitona no concelho de Borba, seguida da análise das poesias que os trabalhadores cantam, enquanto realizam essa tarefa, buscando determinar as suas principais tendências, marcar as atitudes psicológicas mais típicas e estudar algumas questões que elas suscitam.

Um apêndice à comunicação contém 300 quadras recolhidas pelo autor durante a apanha da azeitona do ano de 1946.

Pelo Prof. Doutor Fernando Castelo-Branco

Notícias da Etnografia Portuguesa nas cartas do sueco Ruders

O pastor Ruders, que foi, de 1798 a 1802, capelão da legação da Suécia em Lisboa, escreveu, durante a sua estadia na nossa capital, a vários amigos de Estocolmo, cartas onde aborda um sem número de assuntos referentes ao nosso país e que, por não terem sido originariamente redigidas com intuitos de publicidade, constituem, por isso mesmo, documentos de grande interesse e valor.

Nesta comunicação apresentam-se noticias etnográficas extraídas dessas cartas, praticamente desconhecidas entre nós, sobre as festas dos santos populares Santo António, S. João e S. Pedro – sobre os festejos do carnaval em Lisboa, sobre vindimas, costumes ligados à Missa do Galo, etc., etc.

Pela Dr.ª Maria dos Remédios Castelo-Branco

La purificación por el fuego

Por G. Manrique

Aportación a la Paremiologia higiénico sanitária

Pelo Dr. Carlos Rico-a-Vello

La composición de um museu etnográfico y folclórico nacional, como elemento de cultura

Por Ismael Del Pan Fernandez

Folclore angolano – O folclore, factor social indígena

Para além dos aspectos mais comuns, populares e externos, como sejam as manifestações artísticas, coreográficas, corais, musicais e outras, o folclore indígena necessita ser visto e considerado em uma sua feição, de longe a mais importante, que é a social. Saber mais

Pelo Prof. Doutor José Redinha, do Instituto Superior de Estudos Ultramarinos

Meigas e meiguerias (Bruxas e bruxedos) na tradizon da Galiza

Por Leandro Carré Alvarellos, da Academia Real Galega

Teatro Popular – Da Idade Média à actualidade. Autos, representações e recreações. Os Quadros Vivos.

Exibição de figuras humanas a representarem mártires, santos ou diabos, os quadros vivos constituíam espectáculo curioso em que os actores se moviam, mas não falavam. Entendiam-se por mímica. Saber mais

Pelo Dr. Jaime Lopes Dias

Lo essencial en la música de México

Pelo Prof. Dr. Vicente T. Mendoza, Professor da Universidade do México

Tipos arcaicos no Traje Português (materiais e modelos)

Ainda hoje o povo português utiliza materiais, que directamente vai buscar à Natureza, para os empregar no traje. Peles, couros, lãs, no reino animal; palha, junco, madeira, no reino vegetal.

Como o homem primitivo, serve-se praticamente do que tem à mão. Prepara os materiais obtidos, utizando com inteligência a técnica necessária e apenas suficiente. Adapta-os formas suas, adaptadas e mantidas, em relação com o estilo de vida e com as condições exigentes do meio geográfico onde vive.

Pelo Dr. Luís Chaves

Sistemas de abatanado de tejidos en Salamanca Y Avila

Por Luís L. Cortés Y Vázques

Algunas fiestas religiosas de origen agrario en la region del Tâmega superior

Por Jesus Taborda

Raíces folkloricas en la obras de Rosalia de Castro

Por Juan Maya Pérez

A Confraria do Burraço em Quintela de Lampaças

Em 1578, a instâncias de naturais seus que em Castela haviam presenciado a veneração da Santa Cruz, o povo de Lampaças (Bragança) instituiu uma Irmandade desta invocação.

Logo os cristãos novos da terra, em desprezo daquela confraria, criaram uma outra, com organização semelhante, mas tendo por objecto comer, beber e folgar.

Denominaram-na do Burraço, concorrendo a ela cristãos velhos e até clérigos.

Naturalmente, o jogo causou escândalo e determinou, quatro anos depois, uma tardia intervenção do Santo Ofício.

É episódio curioso para o conhecimento do tão interessante e tão pouco estudado folklore judio-português.

Pelo Dr. Eugénio de Andrea da Cunha e Freitas, do Museu de Etnografia – História do Douro Litoral

A Vaca das Cordas

Sua tradição limiana.

Origem provável.

Documentação histórica.

Postura camarária sobre a obrigação dos moleiros do termo servirem às cordas.

O gado bravo de S. João.

Descritivo da usança.

Pelo Conde de Aurora

A Romaria Minhota

Origem.

Antiguidade.

Descrição histórica.

Unidade intramnense.

Identificação provincial.

A romaria e o progresso.

Laicização e deslaicização da romaria minhota.

Os alto-falantes.

Tocatas.

Bandas.

Preconização de medidas drásticas.

Ortodoxia folclórica.

Pelo Conde de Aurora

O Amor nas quadras populares portuguesas

São numerosas, inspiradoras e significativas as Quadras Populares que tratam do Amor:

… fogo que arde sem se ver
… ferida que doe e não se sente
… contentamento descontente
… dor que desatina sem doer.

Nessas quadras se preveem todas as situações a que podem levar os namoros, desde a classificação do amor, «uma albarda», até ser uma «paixão de alma».

Sendo o «amor um regalo», deve ser liberal no pedir.

É o que se afirma nas Quadras Populares.

Nascido do coração e da simpatia, o Amor preocupa extraordinariamente a alma simples do povo, que vive quase que exclusivamente para ele:

Paixão de alma:

A amar e a escolher amores
Ensinou-me quem sabia:
A amar foi a natureza
A escolher, a simpatia.

E enquanto houver mundo, o amor será um dos grandes problemas da humanidade.

Por Nuno Catharino Cardoso

História do Folclore na Galiza – Estudo da Literatura Popular – Teatro Popular

Por Lois Carré Alvarellos da Real Academia Galega

Da vida simples do povo português

Assunto:

Da vida simples do Povo Português.

História, costumes, tradições e linguagem de uma pequenina aldeia da Beira Douro.

1- História

a) Origens e etimologia

b) A tradição popular.

II – Costumes e tradições

a) O folclore, como manifestação do verdadeiro carácter dos povos.

b) O sentimento religioso e a superstição na vida tradicional das aldeias portuguesas.

c) Velhos costumes de antanho.

III – A linguagem

a) Frases e expressões características da linguagem popular.

Pelo Dr. Abílio Augusto Ferreira da Costa Brochado

O S. Martinho em Portugal

Noção de manjares cerimoniais. A natureza alimentar das celebrações de S. Martinho. Os «Magustos do S. Martinho. Sua relação com a matança do porco.

O S. Martinho e o vinho: a prova do vinho. «Irmandades» e «Procissões de bêbados. S. Martinho e Santa Bebiana. Natureza ritual destas práticas e dos direitos licenciosos que os bêbados então têm, fundados na sua provável origem orgíaca. Outros costumes e sua interpretação. O S. Martinho e a Festa dos Rapazes em terras bragançanas.

Pelo Dr. Ernesto Veiga de Oliveira do Centro de Estudos de Etnologia Peninsular

Dois aparelhos de elevar água de rega usados em Esposende

Descrição destes dois aparelhos, e sua integração na respectiva categoria tipológica. Um dos aparelhos é constituído por uma roda que aguenta o cadeado de canecos, e que simultaneamente serve para sobre ela marchar o homem que lhe dá o movimento.

O outro apresenta uma roda igual, mas é movido a gado; é de certo modo semelhante às noras de eixo baixo do litoral do centro do País.

Como característica especial, note-se que o cadeado dos canecos é integralmente de madeira.

2 Desenhos.

Pelo Dr. Fernando Galhano do Centro de Estudos de Etnologia Peninsular

A fala infantil – falar precoce e falar tardio nas tradições do povo

Acreditava-se antigamente no prodígio de haver crianças que falavam antes do tempo.

É verdadeiramente milagroso o facto narrado por Fernão Lopes e aproveitado por Luís de Camões nos «Lusíadas»:

Uma menina ter-se-ia levantando no berço, erguendo a voz a favor do Mestre de Avis (1).

Garcia de Resende, na Miscelânea e Variedade de Histórias, cita também um menino aparecido em Évora, que, não tendo atingido a idade de dois anos, entendia, falava e «era já bom latino».

Por seu lado as tradições populares, como o romance de Dona Silvana, vieram demonstrar-nos a existência da mesma tradição no meio do povo anónimo. Saber mais   

Pelo Dr. Augusto César Pires de Lima

Prácticas magicas para provocar la lluvia

Por Joan Amades, Conservador do Museo de Industrias y Artes Populares de Barcelona

Fundamentação filosófica do problema folclórico

A existência humana possui um carácter ingenitamente geórgico.

À luz de Verdade desta posição ôntica podemos deduzir, aprofundando a substância da experiência por um método de exame especulativo:

1.º as categorias metafísicas do processo de «incarnação»;

2.° os princípios que situam a «Pessoa» na «Natureza» e isto segundo um duplo plano individuante:

a) o imanente ao Homem

b) o do Homem na «Terra».

Dai dimana uma genuína fundamentação filosófica da realidade do «folclorismo» e a possibilidade de «introduzir» racionalmente os problemas suscitados pelo cunho geórgico da Existência Humana.

Pelo Doutor José Bacelar e Oliveira, S.J., Prof. da Faculdade de Filosofia – Braga

Fonte: “Guia oficial do I Congresso de Etnografia e Folclore” – Braga e Viana do Castelo – 22 a 25 de Junho de 1956 (texto editado e adaptado)

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