Instrumentos musicais populares portugueses

Pequeno Guia para a Recolha de Instrumentos Musicais Populares

Distribuição regional dos instrumentos musicais populares – Ernesto Veiga de Oliveira – 1975

Minho

Rusgas: conjuntos instrumentais populares de carácter festivo – Viola braguesa, Cavaquinho, Violão, Tambor pequeno, Reque-reque (Braga, Esposende e Barcelos), Ferrinhos, Clarinete, Ocarina, Flauta, Guitarra, Rabeca, Banjolim, Conchas, Seixos, Castanholas, Harmónica, Acordeão, Concertina, Zuca-truca (Guimarães).

Zés-pereiras: conjuntos instrumentais populares de carácter cerimonial – Bombo, Caixa-tarola, Gaita-de-foles, Clarinete, Flauta, Pratos.

Nota: Os zés-pereiras das áreas de Basto, Amarante, Porto e Mareantes são constituídos apenas por Bombos e Caixas.

Rogas: ranchos de homens e mulheres da Serra Duriense contratados para as vindimas do Douro e cujos alegres cantares têm por instrumental – Bombo, Ferrinhos, Gaita-de-beiços, Viola, Guitarra, Violão, Banjolim, Concertina, Assobio.

Chulas: geralmente modas vivas e festivas, cantares ao desafio ou coreográficos (região de Amarante, Terras de Basto, etc.) – Rabeca chuleira, Viola amarantina, Violão, Tambor pequeno, Ferrinhos, Banjolim, Harmónica, Castanholas (Barqueiros).

“Calhandras” – Autos da Adoração dos Pastores (Terras do Gerês): Flauta, Pandeiro, Ferrinhos, Castanholas, “Calhandra” (idiofone especial da região de Barcelos).

Trás-os-Montes

Gaita-de-foles, Bombo, Caixa: Constituem pequenos conjuntos tradicionais designados genericamente por gaiteiros.

Tamboril e flauta: Tocados ao mesmo tempo por uma só pessoa – o Tamborileiro (Região de Miranda do Douro).

Pandeiro quadrangular: Tocado exclusivamente por mulheres, em ocasiões festivas (Região de Miranda do Douro).

Pandeiro quadrangular, Conchas (chamadas “Ferranholas“), Castanholas, Ferrinhos: Acompanhavam as canções de fiadeiro, etc. (Região de Vinhais),

Beira-Alta ocidental

Flauta travessa

Instrumentos de tuna

Pífaro e Caixa: Acompanham a Dança das Trancas, em Sameiro (Manteigas) e Verdelhos (Covilhã).

Coimbra

Viola toeira, Violão, Guitarra, Pandeiro, Ferrinhos, Harmónica, Cavaquinho, Concertina: São conjuntos acompanhando géneros musicais mais ligeiros.

Guitarra, Violão: Instrumental solista ou acompanhante do fado de Coimbra.

Gaita-de-foles, Bombo, Caixa: Conjunto dos gaiteiros.

Guitarra, Violão, Ferrinhos, Garrafa com garfo: Conjunto próprio para folguedos e danças de ruas – os fandangos, viras, malhões e farrapeiras, (Lavos – Figueira da Foz).

Beira-Baixa

Adufe: Usado correntemente em ocasiões festivas e em funções cerimoniais.

Bombo, Caixa, Flauta travessa: Constituem pequenos conjuntos designados por Bombos (Região do Fundão).

Palheta (de palheta dupla).

Zamburra, Almofariz, Garrafa com garfo: Acompanham, com o adufe, os cantos do Entrudo (Malpica do Tejo)

Acordeão, Concertina.

Viola beiroa ou Bandurra: Acompanha os descantes festivos, “parabéns” e “serenatas” aos noivos.

Viola beiroa, Genebres (espécie de xilofone), Trinchos: Acompanham a Dança dos Homens (Lousa).

Guitarra: Intervém na Dança das Virgens (Lousa).

Tambor: O instrumento obrigatório, por vezes único, que figurava nas “Folias” do Espírito Santo, (Região do Fundão).

Nota: Constituem várias formas instrumentais das “Folias” do Espírito Santo nesta região:

Tambor, Bandurra, Pratos chamados Chim-chim (Fatela);

Trinchos, Tambor (Escarigo);

Tambor, Pratos, Trinchos (Capinha);

Viola, Pandeiro, Tambor (Fundão);

Os membranofones | Instrumentos musicais tradicionais

Os membranofones

Os membranofones são instrumentos de percussão que produzem som através da vibração de membranas distendidas. Ou seja, o elemento vibratório, e que produz som, é uma membrana retesada.

Assim, podem considerar-se como pertencendo à família dos membranofones todos os instrumentos cujo som resulta de uma membrana, ou de uma pele esticada.

Normalmente, os membranofones têm o formato de caixas, circulares ou quadrangulares, e são cobertos por peles de animais de um ou de ambos os lados.

Adufe e Pandeiro

O adufe é um instrumento de percussão português que terá evoluído dos membranofones introduzidos na Península Ibérica pelos árabes, entre os séculos VIII e XII. A influência muçulmana não se fica pelos instrumentos como também os ritmos terão migrado do norte de África. Ler+

Bombos e Tambores

O bombo é o membranofone de maiores dimensões usado em Portugal. Também é conhecido como o grande tambor. É constituído por uma caixa circular de madeira, ou folha de ferro, coberta na parte superior e inferior por uma pele esticada e apertada nas extremidades por parafusos de pressão. Ler+

Caixa e Tamboril

A caixa e o tamboril são dois instrumentos musicais da família dos bombos e tambores, embora de tamanho mais reduzido, e pertencem à categoria dos membranofones. A caixa é tocada, em posição horizontal, com duas baquetas. Sobre a pele inferior, geralmente, tem um ou mais bordões, geralmente feitos de tripa, o que lhe confere uma sonoridade característica muito própria. Ler+

Sarronca, Ronca ou Zamburra

Zamburra, Sarronca ou Ronca são os nomes mais conhecidos deste instrumento musical que pode ser integrado na categoria dos membranofones, pois é feito a partir da pele de animais.

É composto, na maioria das vezes, por uma vasilha, geralmente de barro, com cerca de 30 cm de altura e medianamente bojuda (a caixa de ressonância), com a boca revestida de pele, de onde parte uma haste fina de pau ou cana e que ao friccionar-se entre o indicador e o polegar produz um som grave e fundo, quase um ronco, tenebroso ou divertido. Ler+

Zamburra, Sarronca ou Ronca | Instrumentos musicais

Zamburra, Sarronca ou Ronca

Zamburra, Sarronca ou Ronca são os nomes mais conhecidos deste instrumento musical. Por ser feito a partir da pele de animais, pode ser integrado na categoria dos membranofones.

É composto, na maioria das vezes, por uma vasilha, geralmente de barro, com cerca de 30 cm de altura e medianamente bojuda (a caixa de ressonância), com a boca revestida de pele, de onde parte uma haste fina de pau ou cana e que ao friccionar-se entre o indicador e o polegar produz um som grave e fundo, quase um ronco, tenebroso ou divertido.

O executante, com a mão molhada, fricciona a cana ou pau, fazendo vibrar a pele e produzir o som característico.

É especialmente usado na altura do Natal e do Carnaval, e o Alentejo e a Beira Baixa são as regiões de maior uso tradicional.

Em Trás-os-Montes e na Beira Baixa é mais conhecido como zamburra

Este membranofone de fricção ou friccionado, é um instrumento primitivo, sendo mais conhecido em Trás-os-Montes e Alto Douro e na Beira Baixa como “zamburra”.

No fundo, é um tambor feito de uma base de barro ou madeira, que é coberta por uma pele que tem ao centro um elemento fixo, que é esfregado e do qual sai a vibração.

Era utilizada em toda a faixa ocidental do norte e também nas regiões pastoris do interior.

Em Trás-os-Montes, por exemplo, ela era utilizada como acompanhamento do violão, da rabeca e da guitarra nos encontros de taberna.

Na Beira Baixa, a ‘zamburra’ já deixou de ser tocada, mas antigamente era utilizada num cerimonial muito peculiar: durante a Quaresma, as gentes da aldeia iam com ela a casa das pessoas idosas, cantar e tocar numa cerimónia a que se dava o nome de serração da velha’.

Este instrumento era ainda utilizado noutras circunstâncias, como nas batidas aos lobos feitas pelos caçadores e pastores.

Fonte: imagem inserta e compilação de textos recolhidos e adaptados da internet | Imagem de destaque

 

Caixa e Tamboril | Instrumentos musicais tradicionais

A caixa e o tamboril

O tamboril e a caixa são dois instrumentos musicais da família dos bombos e tambores, embora de tamanho mais reduzido, e que pertencem à categoria dos membranofones.

A caixa é tocada, em posição horizontal, com duas baquetas. Sobre a pele inferior tem, geralmente, um ou mais bordões, geralmente feitos de tripa, o que lhe confere uma sonoridade característica muito própria.

O tamboril é um membranofone que, normalmente, tem uma caixa-de-ressonância bastante longa (fuste cilíndrico alongado) com pele dos dois lados.

Caracteriza-se, ainda, pela existência de um ou mais cordões (bordões) encostados a cada uma das peles. Eles vibram com os batimentos feitos pelo executante com uma baqueta.

O tamboril e a flauta

O tamboril é geralmente tocado apenas com uma mão, uma vez que a outra mão do executante é utilizada para tocar a flauta de tamborileiro.

Este “conjunto instrumental unitário e coerente é, em Portugal, uma forma rara e pouco representativa, que existe, pelo menos actualmente, apenas em duas regiões delimitadas e afastadas uma da outra:

– em algumas aldeias raianas de Terras de Miranda, no Leste trasmontano, como elemento instrumental fundamental das festas em que têm lugar — Danças de Pauliteiros, dos Velhos, Festas de Rapazes, Presépios de Natal, ofícios e certas outras solenidades religiosas —, a par ou em lugar da gaita-de-foles, em funções de nítido carácter cerimonial e até litúrgico, e também em funções profanas e lúdicas, fiadeiros e outras diversões avulsas e acontecimentos de menor vulto, ao serviço da velha música característica dessa zona;

– e na faixa alentejana além Guadiana, associado às festas religiosas patronais ou principais das várias localidades, aí apenas em funções cerimoniais qualificadas, servindo uma curta fórmula musical puramente ritual, que nada tem que ver com a música corrente da região.

Em cada uma delas, ele mostra certos caracteres comuns, e, por outro lado, diferenças muito sensíveis (…)

Em Rio de Onor e Terras de Miranda

(…) Em Rio de Onor, o tamboril acompanha a gaita-de-fole nas mesmas ocasiões em que esta se usa. E toca-se em posição horizontal, com duas baquetas, ambas sobre a mesma pele.

Em Terras de Miranda, onde ele é muito popular e de especial agrado do povo, ele toca-se de igual maneira, com grande maestria. Geralmente a acompanhar a dança, com o bombo, a gaita, a fraita, os ferrinhos, castanholas e «carracas» (conchas de vieiras).

Mas muitas vezes tocam-no mesmo sozinho, sem acompanhamento de qualquer outro instrumento, podendo as pessoas dançar horas sem fim, apenas com o seu rufar.”

Adaptado de “Instrumentos Musicais Populares Portugueses”, de Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira.

Na carta que Pêro Vaz de Caminha enviou ao rei D. Manuel I, por ocasião da descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral, é referido o tamboril como instrumento musical que encantou os indígenas.

Fonte: imagens e compilação de textos recolhidos e adaptados da internet

Bombos e Tambores | Instrumentos musicais tradicionais

Bombos e Tambores

O bombo é o membranofone de maiores dimensões usado em Portugal. Também é conhecido como o grande tambor. É constituído por uma caixa circular de madeira, ou folha de ferro, coberta na parte superior e inferior por uma pele esticada e apertada nas extremidades por parafusos de pressão.

É tocado na vertical, geralmente só numa das peles com uma baqueta grossa, chamada maceta. Não tem bordões nas peles, colocadas dos dois lados da caixa-de-ressonância e que podem ter até um metro de diâmetro, o que lhe dá uma sonoridade profunda.

Quem o vê passar pendurado ao pescoço do instrumentista, não pode deixar de sentir uma espécie de respeito. Este vai aumentando à medida que ele levanta a maceta para dar pancada atrás de pancada.

Os bombos são tocados em grandes grupos de percussão, e as principais regiões onde é utilizado são

Trás-os-Montes,

– Beira Baixa (onde até existe o museu “Casa do Bombo”),

– Minho,

– Douro Litoral e

– Beira Litoral (onde surge integrado nos conjuntos de “Zés Pereiras”).

Pelo seu poder rítmico e pela sua forte sonoridade, os grupos de bombos têm um impacto muito forte no seu auditório. Permitam-nos destacar o Grupo de Bombos de Lavacolhos, aldeia localizada no concelho do Fundão, que concorre sempre para a solenização de todos os momentos importantes da respetiva vida colectiva.

Os Bombos de Lavacolhos 

Sobre os Bombos de Lavacolhos, escreveu o Dr. Carlos Gomes: “Calculando-se que existem desde há mais de trezentos anos, os Bombos de Lavacolhos actuavam obrigatoriamente por ocasião da Festa do Senhor da Saúde. Esta ocorre no terceiro domingo do mês de Agosto e ainda na véspera de Santa Luzia, festividade que tem lugar a 15 de Setembro, mas sempre à margem das celebrações litúrgicas.

O ritmo é cadenciado e violento mas de simples execução, não seguindo uma regra que obrigue à transmissão, de geração em geração, do seu saber, deixando antes à iniciativa do executante a liberdade da imitação. Aos jovens compete apenas a tarefa de se iniciarem na arte de tocar o bombo de modo a preservarem o rito tradicional.

A arte de fazer rufar o bombo em Lavacolhos consiste em fazer ressoar a membrana de pele de cabra de forma ritmada, sendo característica a forma como o tocador conserva o pé esquerdo sempre à frente, suportando o bombo com a perna e fazendo-o saltar sempre que com a maceta lhe desfere violentas pancadas que o fazem ressoar de uma forma única.”

Em desfiles e fanfarras, o bombo é transportado à frente do peito, pendurado nos ombros por cintas de couro, e nesta situação é, normalmente, percutido em ambas as membranas, por duas macetas, uma em cada mão.

Os tambores portugueses

Os tambores portugueses são de um tipo comum: bimembranofones com caixa-de-ressonância cilíndrica, e peles tensas por meio de cordas ou parafusos que, apoiados em aros, esticam uniformemente as duas peles.

Das Tunas

conjuntos instrumentais compostos essencialmente de cordofones, ao serviço da música de género ligeiro e de feição meramente profana, com exclusão rigorosa de quaisquer funções ou figurações cerimoniais” (Ernesto Veiga de Oliveira),

normalmente, não fazem parte quaisquer tipo de bombos ou tambores.

Fonte: imagens insertas e compilação de textos recolhidos e adaptados da internet | Imagem de destaque 

Adufe ou Pandeiro | Instrumentos musicais tradicionais

Adufe ou pandeiro

O adufe é um instrumento de percussão português que terá evoluído dos membranofones introduzidos na Península Ibérica pelos árabes, entre os séculos VIII e XII. A influência muçulmana não se fica pelos instrumentos como também os ritmos terão migrado do norte de África.

O adufe é um bimembranofone: instrumento quadrangular, talvez por motivos simbólicos alheios à sonoridade, pois esta forma apresenta dificuldades na sua construção. Também na fase em que as peles são esticadas sobre a moldura de pau de laranjeira, posteriormente cosidas entre si, manualmente. O pau de laranjeira é uma madeira leve e cuja árvore está culturalmente muito associada à castidade.

No seu interior são colocadas sementes, grãos de milho ou pequenas soalhas, com o objectivo de enriquecer a sonoridade. Nos quatro cantos ondulam fitas coloridas ornamentais. Resulta assim um instrumento com duas membranas paralelas em pele de cabra ou ovelha, mas apenas uma é percutida ao executar a música.

Um adufe segura-se com ambas as mãos em lados adjacentes, usando os polegares e o indicador da mão direita. A pele é então percutida pelos restantes dedos, executando diversos ritmos.

O adufe nas regiões de Porugal

Embora com pequenas diferenças na sua construção, o adufe existe na faixa oriental do país, na chamada zona raiana, do Alentejo a Trás-os-Montes.

É tradicionalmente um instrumento quase exclusivamente feito e tocado pelas mulheres: as adufeiras. São famosas as Adufeiras de Idanha-a-Nova e de Monsanto. O facto de serem zonas ricas em pastorícia justifica, de algum modo, a grande explosão de adufes saídos das mãos habilidosas das mulheres da Beira Baixa.

Antigamente era vulgar as pessoas juntarem-se nas casas umas das outras ou no largo da aldeia e tocarem adufe ao despique. Enquanto as mulheres cantavam, dançavam e tocavam, os homens jogavam o “truque” (um jogo de cartas).

O adufe também esteve, desde sempre, ligado aos acontecimentos religiosos e às romarias. Mesmo na Quaresma quando os divertimentos eram “proibidos”, acompanhando as melodias tristes, próprias daquela quadra.

Em Trás-os-Montes e no Alentejo o adufe é mais conhecido por pandeiro. Enquanto na província transmontana a sua decoração é muito sóbria, no Alentejo os pandeiros são enfeitados com cores mais garridas.

A utilização no lazer e no trabalho

Tal como na Beira Interior, em Trás-os-Montes os adufes ou pandeiros eram igualmente tocados pelas mulheres por ocasião dos “jogos de roda” e das “danças em paralelo”.

Estas eram antigas formas de convívio que, infelizmente, já não se verificam, mas que antigamente eram bastante frequentes, em especial por ocasião do fim das fainas agrícolas.

Após terminar a apanha da azeitona, a apanha da amêndoa ou as colheitas do trigo, as pessoas reuniam-se, tocavam os seus instrumentos, cantava-se, dançava-se e faziam-se grandes paródias.

Há cerca de cinquenta anos atrás, quando ainda se fazia a monda, as raparigas levavam consigo o pandeiro para irem tocando pelo caminho. Os rapazes transportavam o realejo, a gaita-de-beiços e a pandeireta, que também não faltava. Cantavam, tocavam e até dançavam enquanto iam e vinham da faina.

Dizem os mais antigos da região de Bragança que eram tempos muito mais animados, em que as pessoas, apesar das agruras e dificuldades da vida e do trabalho quotidiano, eram mais alegres. Agora, dizem que as novas tecnologias são factores de dispersão para os mais novos, que deixaram de ligar às riquezas da tradição das respectivas regiões, o que só se pode lamentar.

Fonte: imagens e compilação de textos recolhidos e adaptados da internet

 

Instrumentos Musicais Tradicionais em Portugal

Introdução

Margot Dias, etnomusicóloga de origem alemã, casada com o antropólogo António Jorge Dias (ambos já falecidos), escreveu que “Em todos os tempos e em todos lugares o homem sempre mostrou grande engenhosidade ao fazer nascer o som e a música a partir de materiais existentes no seu ambiente natural. (…)

A voz e o bater das palmas podem certamente considerar-se as primeiras formas instrumentais usadas pelo homem, desde os tempos mais remotos, e que se encontram em muitas sociedades. Além dessas formas naturais, porém, desenvolveram-se através dos milénios instrumentos musicais mais ou menos bem elaborados, com os materiais que o ambiente natural fornece, e conforme a evolução técnica dos diferentes povos.

As influências de outras culturas são aproveitadas e os instrumentos difundidos sofrem transformações dependentes das possibilidades e condições locais (…)“.

A opinião de Ernesto Veiga de Oliveira

Ao mesmo tempo, Ernesto Veiga de Oliveira, a propósito de alguns dos “últimos” tocadores de instrumentos musicais tradicionais, perguntava:

“(…) Quem tocará ainda a bandurra beiroa e a viola campaniça, desaparecidos o tio Manuel Moreira, de Penha Garcia, e o Jorge Caranova de Santa Vitória?… E quando se for o Virgílio Cristal, quem ficará para tocar o deslumbrante tamboril e flauta em terras mirandesas?… É bom, é mau?

É a lei dos tempos para lá do bom e do mau… e quando as alvíssaras da Páscoa ou as alvoradas dessas bárbaras festas transmontanas forem feitas por um altifalante instalado numa furgoneta que atroa os ares com a última canção duma vedeta da rádio, o mundo terá certamente perdido uma grande riqueza – ou melhor: a riqueza do mundo valerá muito menos a pena ser vivida.

Os primeiros instrumentos musicais?

Uma cana de bambu, uma pele ou uma corda esticada, criaram os primeiros instrumentos musicais. O seu uso teve um papel de tal maneira importante na história das civilizações que a sua invenção tem sido, em várias culturas atribuída aos deuses. Objectos de mitos e também de rituais, o seu som representa a voz dos antepassados.

Mas é também através deles que os homens encontram um meio de mostrar a sua alegria e a sua tristeza, o seu amor e o seu ódio. Eles são testemunhos não só de usos e crenças e dos símbolos aos quais estão associados, mas também dos feitos históricos, dos universos culturais e das invenções tecnológicas.

Alessandro Sistri

E como objectos de arte, da época e do meio social onde são produzidos. Por isso, conhecermos de perto estes objectos é conhecermos também um pouco a história do nosso povo, das regiões onde habita, dos seus hábitos de festa, de religião, de trabalho, da diversidade das suas formas culturais e artísticas já que os instrumentos musicais são, como nos diz Alessandro Sistri:

“(…) Documentos complexos que nos ajudam a conhecer diferentes aspectos da cultura a que pertencem, por serem objectos síntese do sistema expressivo sonoro-musical e do sistema simbólico-material, em que as funções sonora, simbólica e estética interagem e as componentes decorativas, iconográficas e plásticas dão sentido mágico ao instrumento (…)”

Portugal forma-se como nação num território culturalmente abrangido pela Península Ibérica.

Península Ibérica

A este espaço confluem vários povos e culturas que até ao séc. XVI se vão influenciar mutuamente, conservando particularidades que lhe são próprias e criando por isso aspectos muito ricos, nomeadamente no campo da música e dos instrumentos musicais.

Neste aspecto, tem particular importância a ocupação árabe. Os seus músicos alcançaram grande prestígio e alguns dos seus instrumentos foram rapidamente copiados e utilizados pelos músicos cristãos. Alguns deles chegam até aos nossos dias mantendo o nome árabe como por exemplo o adufe.

Os materiais usados na feitura dos instrumentos são também reveladores das actividades quotidianas dos seus proprietários.

Instrumentos feitos com peles de animais como por exemplo a gaita-de-foles, o adufe e a sarronca são de carácter pastoril aparecendo por isso nas regiões do país onde essa actividade é predominante.

Distribuição Regional

Não há dúvida de que a caracterização geográfica do País está intimamente ligada à distribuição das formas instrumentais. Ou será ao contrário?

Ernesto Veiga de Oliveira apoia-se na divisão que Orlando Ribeiro faz em Portugal: Atlântico, Transmontano e Mediterrâneo.

” (…) Sob o ponto de vista paisagístico e cultural especial e muito geral, distinguiremos em Portugal, ao norte do Tejo duas áreas fundamentais por um lado, as terras do planalto alto e leste transmontano e beirão, marcadamente arcaizantes e pastoris, fechadas em si mesmas até épocas muito próximas, na vastidão de um horizonte severo e áspero, e onde formas de vida extremamente antigas eram (e são ainda em muitos casos) a atmosfera quotidiana;

por outro lado, as terras baixas a ocidente da barreira central, do Minho ao Tejo, populosas, conviventes, intensamente humanizadas, abertas a todas as influências e naturalmente impelidas para fórmulas mais progressivas, embora imersas ainda em inúmeros sectores culturais, no seu ambiente tradicional.

O Alentejo, sob certos aspectos, prolonga a sul, o panorama pastoril do planalto; a cultura regional reflecte uma personalidade original muito forte, e é também acentuadamente tradicional, mas a marca do espaço é ali mais sensível do que a do tempo.

E no Algarve, por seu turno, inversamente, condições paralelas às que apontamos nessas regiões nortenhas ocidentais estão na base de um ambiente que sob certos aspectos, se assemelha ao dessas terras...”

Instrumentos musicais – Música tradicional Portuguesa

Instrumentos musicais portugueses

O instrumental popular português caracteriza-se por uma grande multiplicidade de formas, na sua maioria importadas de outros países, dando origem à grande diversidade musical portuguesa, traduzida numa dualidade paisagística fundamental:

– o leste transmontano e o beirão

– e a planície alentejana,

onde permanecem instrumentos antigos e rudimentares do ciclo pastoril, colorindo uma forma de vida arcaizante.

Nestas regiões verifica-se uma quase total exclusão dos cordofones (instrumentos de corda) do reportório tradicional. Encontram-se membrofones (instrumentos vibratórios) percutivos e atonais, como os pandeiros, adufes e tamboris, usados para marcar ritmo sem deformação da tonalidade das melodias. Numa linha mais melódica, são de realçar os pífaros e a gaita-de-foles.

A faixa ocidental do país, terras baixas do ocidente do Minho ao Tejo e, mais a sul, no Algarve, são regiões caracterizadas por um espírito mais aberto e expansivo.

Cordofones e outros

Aí predominam os cordofones como a viola, o cavaquinho, a rabeca, a guitarra, o violão e os instrumentos de «tuna». Ideais para exprimir musicalmente um temperamento alegre e festivo, estes instrumentos tornam-se privilegiados nas manifestações lúdicas, sendo os mais adequados à recepção de novas formas musicais e influências estrangeiras.

Para além dos cordofones, encontram-se ainda outros tipos de instrumentos como o acordeão, a harmónica e a concertina que, em determinadas circunstâncias, substituem os populares cordofones.

Todo este instrumental está fortemente ligado à música profana que caracteriza toda esta região.

Os instrumentos de corda permitem uma abertura e desenvolvimento de novas formas musicais, facto que não se verifica nunca nas terras pastoris e arcaizantes do leste, onde os cordofones são praticamente inexistentes.

No Minho as rusgas

Ao Minho correspondem formas musicais bem ritmadas e vivas, traduzindo nas canções coreográficas e danças de roda, desgarradas e desafios, um temperamento lúdico e festivo.

A voz faz-se acompanhar por braguesas e cavaquinhos, apoiados por idiafones (instrumentos vibratórios primitivos).

Nas rusgas (também conhecidas por tocatas, festadas ou rondas) intervêm ainda outros instrumentos tais como violas, tambores, reque-reques, flautas e ferrinhos, harmónicas e concertinas. Este grupo de instrumentos é igualmente extensível a parte da Beira Litoral, alegrando, quase sempre de improviso, feiras e romarias, caminhadas e trabalhos rurais.

Uma outra forma musical, instrumental, vocal e coreográfica é a chula, típica do noroeste do país, assumindo diferentes formas segundo as regiões. O traço comum entre estas diferentes chulas é o tom festivo e os cantares ao desafio.

Tal como a rusga, a chula não possui funções cerimoniais. São ambas de carácter profano e festivo, distinguindo-se pela forma como se apresentam.

A primeira surge de improviso, animando, por exemplo uma caminhada, ou uma tarefa rural, enquanto a chula se organiza como atracção de uma festa, apresentando-se em pequenos palcos onde vozes masculinas e femininas cantam ao desafio, acompanhadas por cordofones (de destacar a rabeca chuleira) e percutivos.

Concertina: um instrumento a preservar

A Concertina

Sempre que emigra, o minhoto leva consigo a concertina que o ajuda a manter viva a sua alma alegre e jovial.

Mesmo nos momentos mais penosos como as que ocorreram desde a segunda metade do século dezanove, que os levava a aventurarem-se clandestinamente nos porões dos navios que os levaram ao Brasil para aí começarem uma vida nova, por vezes na miragem de um rápido enriquecimento, era ainda a concertina que afagava as tristezas de uma existência difícil e lhes redobrava as energias com seus acordes vivos que logo os predispunham para dançar o vira e a chula, a gota e o picadinho.

E essa alegria contagiante do minhoto depressa envolvia outros portugueses que partilhavam a mesma sorte de emigrante e assim, à volta de uma concertina, todos se sentiam como fazendo parte da mesma família que é, afinal de contas, o verdadeiro significado do conceito de nação.

A concertina é um instrumento popular que teve a sua origem na Europa por volta de 1830 e faz parte dos membrafones ou seja, dos instrumentos musicais que produzem o seu som graças à actuação de uma membrana.

Estou convencido de que não existe método nem escola para se proceder à sua aprendizagem, facto que tem sido responsável pela sua gradual substituição pelo acordeão nos últimos tempos, sobretudo entre os grupos folclóricos portugueses.

Não obstante e apesar da sua leve aparência, o acordeão produz uma sonoridade completamente distinta da concertina, pois tratam-se na realidade de dois instrumentos distintos. No entanto, existem acordeões que possuem como alternância o som da concertina, bastando para o efeito accionar um botão específico.

A substituição da concertina pelo acordeão

Com efeito, em virtude da evidente falta de tocadores de concertina, muitos grupos folclóricos optam pela substituição deste instrumento pelo acordeão, o que se na realidade não satisfaz constitui por vezes a única forma de viabilizar a existência desses agrupamentos.

A ameaça de desaparecimento da concertina coloca um problema sério principalmente ao folclore, sobretudo da região de Entre-o-Douro-e-Minho.

É que, sem o toque da concertina desaparece toda a sonoridade que caracteriza a música desta região e tudo se altera, como se o minhoto perdesse a sua pronúncia característica ou a música tradicional passasse a ser interpretada por meio de modernos instrumentos electrónicos.

É que, por melhor executada que fosse, o vira jamais seria o mesmo!

A preservação do uso e conhecimento da concertina coloca um problema sério aos grupos folclóricos e, em geral a todos aqueles que desejam manter vivas as nossas tradições populares.

Importa saber como poderá manter-se a continuidade da sua utilização sabendo-se que o seu ensino não é ministrado. Naturalmente, a sua aprendizagem pela sensibilidade auditiva passa pela prática do uso nos grupos folclóricos, embora sabendo-se que a formação de um excelente tocador é demorada e coloca algumas dificuldades na própria actuação dos grupos.

Mas, entre uma solução atamancada que vai adulterar a sonoridade original da música e a possibilidade de dar continuidade ao emprego da concertina, importa escolher a melhor opção. E essa terá de ser necessariamente a que melhor aproveita ao folclore português.

Carlos Gomes, Jornalista, Licenciado em História

 

Cavaquinho – Instrumentos musicais tradicionais

Cavaquinho

O cavaquinho é um cordofone popular de pequenas dimensões, do tipo da viola de tampos chatos – e portanto da família das guitarras europeias – caixa de duplo bojo e pequeno enfranque, e de quatro cordas, de tripa ou metálicas – de «arame» (ou seja aço) -, conforme os gostos, presas, nas formas tradicionais, em cima, a cravelhas de madeira dorsais, e, em baixo, no cavalete colado a meio do bojo inferior do tampo, por um sistema que também se usa na viola.

Além deste nome, encontramos ainda, para o mesmo instrumento ou outros com ele relacionados, as designações de machinho, machim, machete (que parece ser uma palavra, caída em desuso, e subsistente nas ilhas e no Brasil), manchete ou marchete, braguinha ou braguinho, cavaco, etc., que a seguir analisaremos.

Dentro da categoria geral com aquelas características, existem actualmente em Portugal continental dois tipos de cavaquinhos, que correspondem a outras tantas áreas:

– o tipo minhoto

– e o tipo de Lisboa.

É sem dúvida fundamentalmente no Minho que, hoje, o cavaquinho aparece como espécie tipicamente popular, ligada às formas essenciais da música característica dessa Província.

O cavaquinho minhoto

O cavaquinho minhoto tem a escala rasa com o tampo, como a viola, e doze trastos. A boca da caixa é, no caso mais corrente, de «raia», por vezes com recortes para baixo; mas aparecem também cavaquinhos de boca redonda.

As dimensões do instrumento diferem pouco de caso para caso:

– num exemplar comum, elas são de 52 cm de comprimento total, dos quais 12 para a cabeça, 17 para o braço e 23 para a caixa;

– a largura do bojo maior é de 15 cm, e a do menor, 11;

– a parte vibrante das cordas, da pestana ao cavalete, mede 33 cm.

A altura da caixa é menos constante: regula por 5 cm na generalidade dos casos, mas aparecem com frequência cavaquinhos muito baixos, que têm um som mais gritante (e a que, em terras de Basto e noutras regiões minhotas, chamam machinhos).

Madeiras para a construção

As madeiras variam conforme a qualidade do instrumento:

– os melhores tampos são em pinho de Flandres;

– mais correntemente, eles são em tília ou choupo;

– e as ilhargas e o fundo são em tília, nogueira ou cerejeira.

Em regra, os tampos são de uma folha única daquelas madeiras que apontamos, mas, não raro, fazem-se cavaquinhos em que a metade superior do tampo é em pau-preto;

– as ilhargas e o fundo são também, muitas vezes, nesta madeira. Braço, cabeça ou cravelhal são de amieiro. A cabeça ou cravelhal é geralmente muito recortada, segundo moldes variados e característicos. Rebordos e boca são sempre avivados e enriquecidos com frisos decorativos.

Os cavaletes são quási sempre em pau-preto; e já o Regimento para o ofício de violeiro, de Guimarães, de 1719, os indica assim para as violas.

A indústria dos cavaquinhos

Os cavaquinhos minhotos são construídos por uma indústria localizada outrora, sobretudo, em Guimarães e Braga, e, hoje no Porto e arredores de Braga. Em Guimarães, já no século XVII se construíram estes instrumentos, e o Regimento de 1719 menciona, entre as espécies então fabricadas, machinhos de quatro e, outros, de cinco cordas.

O cavaquinho é um dos instrumentos favoritos e mais populares das rusgas minhotas, e, como estas e como o género musical que lhe é específico, tem carácter exclusiva e acentuadamente lúdico e festivo, com radical exclusão de usos cerimoniais ou austeros.

Não há ainda muitas dezenas de anos, rara era a casa rural do concelho de Guimarães onde ele não existisse e não fosse tocado.

Panorama Músico-Instrumental Português

Panorama Músico-Instrumental Português

Nas terras baixas do Noroeste, do rio Minho ao Tejo, populosas e progressivas, prevalecem geralmente os cordofones populares. Estão ao serviço de uma canção

– de carácter profano e puramente lúdico,

– também de contornos melódicos simples,

– de um diatonismo elementar

– e de ritmos coreográficos regulares e vivos.

São cordofones populares: a viola, o cavaquinho, a rabeca e certas espécies mais modernas: a guitarra (portuguesa), o violão, etc,

Nas terras altas do planalto Ibérico, a Nordeste, de Trás-os-Montes às Beiras Interiores, até ao Alentejo, no Sul, mais isoladas e preservadas, onde a canção é ainda presentemente de tipo arcaico, de linhas severas, mostrando não raro reminiscências modais e entonações microcromáticas, prevalecem os velhos instrumentos do ciclo pastoril:

– em Trás-os-Montes, a gaita-de-foles (e numa área restrita, a Nordeste, o tamboril e flauta tocados por uma só pessoa) e o pandeiro;

– nas Beiras, o adufe que serve a música tanto das ocasiões lúdicas como das ocasiões cerimoniais, festas religiosas, e a própria liturgia popular, dessas regiões.

Esta distribuição poderia parecer que aponta uma coincidência entre o carácter da cultura e da música, por um lado, e dos instrumentos, pelo outro, nas duas áreas.

Contudo, encontramos a gaita-de-foles com muita vitalidade em todo o Noroeste – aliás com um repertório mal ajustado ao instrumento – a acompanhar as festas religiosas populares, procissões, a visita pascal, etc., (da qual são nitidamente excluídos, pela força do costume, precisamente os cordofones).

E, simetricamente, vemos a Leste a viola, embora rara, que por seu turno acompanha um género lúdico local aparentado com a canção das terras ocidentais.

Os cordofones

Parece pois que os cordofones populares em geral se podem considerar instrumentos específicos da música profana e de expansão lúdica ou lírica, com exclusão de quaisquer usos cerimoniais.

Ao passo que as outras categorias e designadamente a gaita-de-foles, o conjunto do tamboril e flauta, o pandeiro quadrangular (e mesmo toda a série dos idiofones menores e outros “barulhentos”), ao mesmo tempo que servem as músicas das festas e danças profanas, são contudo também admitidas, sem objecção, em funções mais austeras, como instrumentos cerimoniais e mesmo, em certos casos (muito raros) sagrados.

Este carácter dos cordofones, que detectamos nos casos actuais, parece também afirmar-se historicamente: a viola foi o mais importante dos instrumentos trovadorescos, para as suas canções líricas; ao longo dos séculos, ela vê-se através de textos e imagens iconográficas, sempre em ocasiões estritamente profanas, danças e diversões, serenatas, cantares amorosos, para entretenimento de lazeres ou a enganar tristezas.

Na Madeira e nos Açores…

Na Ilha da Madeira, têm grande relevo, como instrumentos para ocasiões lúdicas e de festa, três cordofones da família das violas:

– a viola,

– o rajão

– e o braguinha.

E como espécie cerimonial distinguimos as grandes castanholas usadas na Ribeira Grande, na missa do Parto, no Natal.

Também relativamente aos Açores se podem estabelecer duas categorias fundamentais de instrumentos musicais populares: instrumentos de expansão lúdica e instrumentos cerimoniais.

Entre os primeiros distingue-se a viola “da terra” ou “de arame“- a mais importante espécie do arquipélago – que se usa

– em todas as ocasiões festivas, sozinha ou a acompanhar o canto das modas e descantes,

– nos balhos,

– nos serões e desfolhadas,

– nas romarias,

– de caminho,

– em casamentos,

– a entreter lazeres e saudades, etc.

Os instrumentos cerimoniais são fundamentalmente os que figuram nas Folias do Espírito Santo, que se fazem ouvir sublinhando ou acompanhando os cantares próprios de certos passos dessas complexas celebrações, aliás com cenários muito variáveis de Ilha para Ilha.

O instrumental da Folia encontra-se em muitos sítios em vias de extinção e em seu lugar – e aliás desde há largos decénios – com aceitação crescente, usam-se bandas ou filarmónicas.

De referir ainda que as violas e alguns cordofones usam-se também por toda a parte

– nos balhos que têm lugar nas casas dos mordomos,

– nos cortejos dos bezerros

– e outras ocasiões de carácter mais claramente festivas

que, apesar disso, se integram no complexo cerimonial das celebrações do Espírito Santo.

Ernesto Veiga de Oliveira (texto editado e adaptado)