Boas Práticas para os Agrupamentos de Folclore

Proposta I – Formação de um Grupo de Folclore

Nesta sugestão de “Manual de Boas Práticas para Agrupamentos de Folclore” irei apresentar um conjunto de propostas e sugestões a ter em consideração, com base na minha experiência e na minha maneira de estar neste aglomerado de sabedoria e “arte popular”.

Para mim, são importantes desde o início do processo, da fundação de um grupo até ao seu desenvolvimento.

Então sugiro que devemos começar pelo princípio. A formação de um grupo de pessoas, para estarem, viverem e sentirem o folclore.

Factores a ter em conta

O grupo deve receber formação inicial sobre o trabalho que vai desenvolver, quais os seus objectivos, critérios de desenvolvimento, tendo em conta os seguintes factores:

1.- O que vão fazer – Constituir uma equipa de recolha de 3 a 4 elementos que trabalhe no terreno e que tenha como coordenador um elemento com sensibilidade e perfil para desenvolver este trabalho, devo acrescentar que é um processo moroso, leva o seu tempo.

No mínimo um ano de trabalho de recolha. A escolha do nome do grupo etc.

2.- Como vão fazer – Depois de termos um conjunto de elementos recolhidos já apurados e tratados, como por exemplo: os trajes, danças, cantares e músicas, cenas etnográficas ou da vida quotidiana onde se insere o grupo, alfaias, utensílios de trabalho etc., deve-se partir para outra fase:

– Quem confecciona e costura os trajes? Se tiverem recursos humanos dentro do grupo, devem ser aproveitados e rentabilizados.

– Quem toca?

– E quem dança?

– Quem canta? etc.

Se tiverem pessoas que entendam de música ou de execução de instrumentos musicais tradicionais se puderem, devem abrir uma escola de instrumentos musicais tradicionais ou recorrerem a músicos populares que existam na comunidade.

Para dançar também são necessários homens e mulheres que estejam dispostos a uma aprendizagem das danças tradicionais.

Cantar, não é necessariamente haver solistas a não ser um fado mandado ou uma desgarrada; de resto as cantigas na sua maioria eram cantadas em coro.

E por fim pode haver aquelas pessoas que só queira estar no grupo para serem figurinos, também devem ser aproveitados, quem sabe mais tarde se sintam vocacionados para a dançar e cantar.

Os ensaios

3.- Quando fazer – Entre todos, escolher o melhor dia para ensaiar, que satisfaça a todos os elementos do grupo.

O ensaio, deve ser conduzido e dirigido com serenidade, porque no fundo também acaba por ser um espaço de encontro e de partilha entre todos, e que até aqui não era habitual.

O líder, dinamizador, ensaiador ou director técnico deve ser uma pessoa que tenha alguns conhecimentos sobre o assunto.

O ensaio deve começar a horas, tendo uma tolerância estipulada por todos (exemplo 15 minutos) e deve ser dividido numa primeira fase, em duas partes.

Uma primeira parte destinada a aprendizagem das cantigas, todos os elementos do grupo devem saber as cantigas de cor e não cantá-las pelo papel.

A segunda parte, a seguir a um intervalo de 15 minutos, pode ser de aprendizagem das danças ate porque já as sabem cantar e torna-se mais fácil a sua execução.

Todos os elementos devem saber falar do seu trajo, o que representa, o que significa, que carga simbólica encerra, etc.

O grupo só se deve apresentar em público, quando souber interpretar como deve ser as danças e os cantares e quando já estiver trajado a rigor.

Recomendações importantes

Depois de estarem devidamente trajados, recomenda-se:

– Não sentar de qualquer maneira e feitio, desrespeitando o traje.

– Não mascar chicletes

– As senhoras não devem fumar e estarem maquilhadas

– De unhas pintadas (senhoras)

– Não usar relógio de pulso

– As ornamentações das orelhas e peito das senhoras devem ser em ouro ou prata dourada e não fantasias que nada tem a ver com o trajo, e, se era uso.

– O homem deve usar relógio de bolso com corrente, mas atenção! Só se for de ouro.

– Os trajos de trabalho não usam meias de renda.

– O trajo, ou se veste na sua essência, ou então é melhor não, visto que há muita gentinha por aí meia trajada, isso não, por favor.

– Os toques também não devem tocar melodias menos apropriadas.

[A Equipa do Portal do Folclore Português sugere a leitura de Observâncias fundamentais para um Rancho Folclórico, da autoria de Augusto Gomes dos Santos, ao tempo Presidente da FFP, entretanto já falecido.]