As Janeiras voltam ao Principado de Andorra

As Janeiras no Principado de Andorra em 2023

Durante os próximos três fim de semana do mês de Janeiro, cantadores, cantadeiras e tocadores do Grupo vão visitar

– estabelecimentos comerciais,

– casas particulares,

– associações

e algumas igrejas do Principado de Andorra e em Espanha.

Em todos estes locais, os cantadores desejarão um próspero ano novo à sociedade andorrana e à comunidade portuguesa.

No sábado, dia 14, o Grupo vai participar na missa das 19h30, na Igreja de Santa Eulália, na paróquia de Encamp.

Além de animarem, musicalmente, a celebração da Eucaristia, os membros do Grupo vai oferecer, no final da mesma, um breve repertorio de Janeiras.

No domingo, dia 15, às 11h30, será a vez da visita à igreja de Sant Julià de Lòria.

No domingo seguinte, à mesma hora, a comitiva viajará até à vizinha Espanha para apresentar as Janeiras na Catedral de Santa Maria d’Urgell, na presença do Arcebispo e Copríncipe de Andorra Joan-Enric Vives i Sicília.

No dia 28, às 19h30, o grupo de cantadores das Janeiras visita a igreja de Sant Pere Mártir na paróquia de Escaldes-Engordany.

Está prevista, ainda, a visita a mais de uma dezena de locais durante a tarde e noite de sábado.

A edição deste ano vai terminar na igreja de Sant Esteve na capital do Principado com os cânticos das Janeiras e uma breve atuação no final da missa.

Concluída a tradição das Janeiras, o Grupo de Folclore Casa de Portugal vai preparar a exposição fotográfica “Integrados”, em colaboração com o Ministério da Cultura e Desporto do Principado de Andorra.

 

As Janeiras em Andorra - 2023

As Janeiras e os Reis

“O cantar das Janeiras é o domínio, quiçá o mais rico, do Cancioneiro Popular Português.

A sua origem remonta igualmente ao tempo do paganismo em imitação das Saturnais Romanas que, ao converterem-se à religião cristã, assumiram foros da maior originalidade.

No ancestral cantar das Janeiras está contido todo o espírito popular, a criatividade; a beleza, o encómio e o escárnio.

Muito embora neste domínio se acentuem as heterogenias regionais, é, no entanto, comum a todo o País a composição de pequenos grupos corais, normalmente acompanhados de instrumentos musicais, que percorrem os mais variados lugares da sua freguesia ou vila, batendo às portas e entoando loas religiosas à mistura com quadras de fino gosto popular.

O objetivo era serem bem recebidos pelos moradores que lhes ofereciam doces e vinho. Mas, caso não correspondessem a contento, eram “mimoseados” com canções de chacota, por vezes achincalhantes, e não raras vezes culminadas por cenas bem tristes e desnecessárias.

As esmolas recebidas, em géneros, guloseimas ou dinheiro, eram em certas regiões destinadas à ceia ou festa do grupo, enquanto noutras paragens revertiam a favor das almas do Purgatório.

No Algarve são bem conhecidas as tradicionais charolas que na orla marítima do Sotavento ainda se mantêm com o mesmo fulgor de há dezenas de anos atrás.

A recolha deste riquíssimo espólio da nossa literatura oral, foi, em parte, compilado por José Leite de VasconcelosAtaíde Oliveira e muitos antropólogos, amadores ou profissionais, que percorreram o país de lés-a-lés.” Fonte