Armando Leça, compositor, folclorista e etnomusicólogo

Armando Leça, pseudónimo de Armando Lopes Armando Leça, pseudónimo do compositor, folclorista e etnomusicólogo Armando Lopes, nasceu em Leça da Palmeira a 9 de agosto de 1893 e morreu em Vila Nova de Gaia a 20 de janeiro de 1977.

Estudou no Conservatório Nacional, onde veio a ensinar as disciplinas de Piano e Composição. Com 18 anos publicou valsas para piano e com 19 anos 14 canções líricas, contidas no Cântico das Flores, 1912.

Foi Professor de Canto Coral no Liceu de Rodrigues de Freitas (no Porto), compositor e folclorista. Compôs operetas, música coral, canções e música de piano e de acompanhamento para diversos filmes.

Foi este musicólogo encarregado em 1939, pela Comissão dos Centenários, de efetuar gravações da música que o povo português tocava e cantava na altura, gravações que se destinavam a publicação posterior.

Recolheu e harmonizou melodias de todas as províncias portuguesas.

Armando Leça realizou registos sonoros em todas as províncias do território continental, sendo o primeiro levantamento músico-popular no nosso país.

Leça ajudou a construir uma verdadeira escola de folclorismo, tornando claro que o efetivo significado da música popular portuguesa estava escondido nas aldeias mais remotas, longe de qualquer influência urbana ou estrangeira, acreditando que cabia aos músicos de formação expurgar de qualquer influência externa os exemplos musicais que encontravam no terreno.

A importância de Armando Leça na música popular

A importância de Armando Leça para o pensamento português sobre a música popular, que ainda hoje perdura em muitos contextos e, em especial, no das instituições folclóricas, foi enorme. Sobretudo, porque Leça transformou as suas convicções numa verdadeira cruzada de missionação, proferindo, desde 1919, um conjunto de conferências por todo o País.

Para isso, utilizou, muitas vezes, o harmónio (acordeão), o piano e, mais tarde, os agrupamentos corais que ensaiou (Orfeão do Asilo de Nossa Senhora da Conceição e Orfeão da Associação Protetora da Infância), para exemplificar musicalmente as suas opiniões, tentando instruir o público sobre o resultado das suas pesquisas e divulgando fórmulas acabadas sobre a música popular portuguesa.

Em janeiro de 1932, assumiu o cargo de Diretor Artístico, na Rádio Porto, dando início à emissão semanal do programa Hora de música portuguesa, onde apresentou vários grupos corais, com repertório «português», e obras de compositores portugueses.

Mais tarde, na sequência do encerramento da Rádio Porto, inaugurou, na secção do Porto do Rádio Clube Português, a rubrica semanal Do Minho ao Algarve, um programa com o mesmo teor do anterior, sempre marcado pelas suas opiniões e por uma postura profundamente didática.

O «músico caminheiro», como mais tarde virá a autodesignar-se, acabou por fazer a ponte entre a visão romântica do final do século XIX e a postura ruralista do Estado Novo, à qual essa imagem de uma nação baseada na pureza e na genuinidade do seu povo tanto convinha.

Alguma da sua obra literária

Da música portuguesa, 1900 (reedições: 1922 e 1942).

Solfejo entoado para uso dos Liceus e Colégios, Porto, Tip. Costa Carregal, 1933.

Cancioneiro músico-popular: relatório dos trabalhos de recolha para a organização duma discoteca de música popular portuguesa, pela brigada de técnicos, Comissão Executiva dos Centenários, 1940.

Música popular portuguesa, Instituto de Alta Cultura. Porto : Domingos Barreira, 1947.

Leça dos Mareantes, Sep. Bol. Bibl. Pública Municipal Matosinhos, 1957.

Motivos Ensoados pelo Povo, Sep. Bol. Junta Dist. Lisboa, n.º LXI-LXII, 1964. fonte 

O seu espólio musical está depositado na Biblioteca Nacional de Portugal, na Câmara Municipal de Matosinhos (espólio fotográfico), e no arquivo sonoro da RDP (gravações realizadas entre 1939 e 1940).

Fonte: “O Grande Livro dos Portugueses” – Círculo de Leitores, texto ampliado com informações retiradas daqui.