A vida militar no cancioneiro popular português

A vida militar no cancioneiro popular português

Reunindo algumas centenas de quadras populares que se referem à tropa, analisam-se através delas, os sentimentos que o nosso povo manifesta pelo serviço militar, bem como as judiciosas observações que nas mesmas se contém acerca da força armada, das suas qualidades e dos seus defeitos.

Entre as causas de um velho de pouco agrado, passam-se em revista os tempos passados em que, no dizer de um escritor, o tributo de sangue foi quase apanágio do pobre.

Lembra-se o desconforto da caserna e os castigos corporais e a propósito destes, referem-se algumas disposições que, no exército alemão do princípio deste século, os reprimiam.

Compara-se este quadro antigo com o actual em que, por motivo da passagem de todos os cidadãos válidos pelas fileiras, se originou um sentimento diferente.

Analisando o que Gustavo Le Bon escrevera acerca de um serviço militar necessário para a educação dos diplomados pelas universidades, diz-se que no nosso país é hoje uma realidade o que aquele pensador preconizava há meio século.

Conclui o autor que o nosso rural, que não morre de amores pela tropa, quando soldado e é preciso bater-se, o faz com uma galhardia que não deslustra os nossos maiores, e a propósito refere o exemplo heroico, na guerra de 1914/1918, de um dos seus soldados que originariamente pertenceu ao Batalhão do Regimento de Infantaria n° 8, aquartelado em Barcelos.

Pelo Tenente Coronel Afonso do Paço, da «Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia» da «Societé d’Ethnographie de Paris», da «Sociedad Española de Antropologia Etnografia y Prehistoria»

Fonte: “Guia oficial do I Congresso de Etnografia e Folclore” – Braga e Viana do Castelo – 22 a 25 de Junho de 1956 (texto editado e adaptado) | Imagem (meramente ilustrativa): “O abraço de despedida” – “Ilustração Portuguesa” nº456 – 1914