A Feira dos Santos – Cartaxo – Ribatejo

A Feira dos Santos – resenha histórica

A Feira dos Santos, no Cartaxo, realiza-se 1 de Novembro

Em 1 de Novembro – na Liturgia Católica, Dia de Todos-os-Santos – todas as estradas do Ribatejo, Oeste e regiões limítrofes convergem para o Cartaxo, a fim de virem comparticipar com os cartaxeiros a realização da sua Feira maior!

De facto, a “Feira dos Santos“, nesta castiça cidade ribatejana, tem foros de interesse regional desde há muitos anos.

No séc. XVII, na Quinta do Senhor Jesus, ou melhor, na então Quinta do Moinho da Fonte, célebre pelos milagres do seu Santo Cristo, nasceu por mercê real, em 1654 uma feira que era a primeira que cá no burgo se efectivava, sendo instituído o dia que caísse o 3º domingo de Agosto.

No centro da vila do Cartaxo haviam os frades franciscanos mendicantes erigido um convento, em cuja cerca havia um pequeno bosque no qual, no dia 18 de Novembro se travou um combate sem consequências notáveis, entre as tropas portuguesas e as invasoras napoleónicas comandadas pelo General Massena.

Esse bosque foi destruído e muitos anos mais tarde o convento foi transformado em sede municipal, funcionando lá a Câmara Municipal, algumas escolas, o Tribunal e a cadeia comarcã. Foi o edifício que ardeu.

Mudanças de local

Como a Quinta de Santo Christo ficava longe, com a construção há mais de 100 anos da Praça de Touros, a feira foi deslocada para a “Cerca” do antigo convento e circundante da novel Praça taurina.

A rua do carril, prolongando-se para a Perna de Pau, através da Rua dos Eucaliptos tornara-se, com o advento do automobilismo, a Estrada Santarém-Lisboa, e a consequente passagem de muitos automóveis mais veio intensificar o interesse dos feirantes, transformando a Feira dos Santos talvez numa das maiores do Ribatejo:

– de Vila Nova de Ourém vinham os madeireiros com as mobílias em pinho;

– de Alcobaça também vinham as pessoas da fruta, que se estreavam precisamente aqui;

– da Guarda, os homens das castanhas;

As nozes vendiam-se às sacas, as mantas de Minde, os cobertores e as lobeiras de Trinta e da Serra da Estrela vinham engrossar as mercadorias que, além dos gados em que o concelho era farto, se vinham aqui vender em vultuosos montantes.

As célebres entradas de touros, para as corridas da Feira, eram sempre motivo de muita agitação, havendo às vezes fugidas dos bravos animais cornudos, que no seu deambular procurando a pastagem, a destruíam e maltratavam tudo o que lhes ficasse no caminho.

Vítima do progresso, a Feira dos Santos viu-se transportada do seu “habitat” natural, primeiramente para as Avenidas Novas, e ultimamente para o local onde está já há vários anos.

Entretanto a Câmara Municipal construiu um Pavilhão de Exposições para exibição das Actividades Produtivas do concelho e para sua promoção, mandou realizar espectáculos de folclore e outras manifestações paralelas.

In “O Povo do Cartaxo”, 1.11.84 (texto editado e adaptado) | Imagem de destaque: Passeando na Feira do Cartaxo, em 1912 (Ilustração Portuguesa, nº 352 – 18 de Novembro de 1912)

Pode ver imagens da Feira do Cartaxo, em 1812, aqui.