Vinhos Portugueses: origem e proveniência

 

“Das uvas escolhidas na região demarcada podiam fazer-se quatro tipos básicos de vinho: o vinho de mesa (o consumo), o moscatel, o vinho fino (o tratado) e o vinho do Porto. Os primeiro três produziam-se integralmente na Região Duriense.” (A. L. Pinto da Costa, “Alto Douro, terra de vinho e de gente”)

Mas, pelos país fora, há muitos outros e bons vinhos…

Açores

Na ilha do Pico existe uma adega cooperativa que vinifica quase exclusivamente todo o vinho branco, obtido das castas Verdelho, Arinto e Fernão Pires, é fresco, leve, seco e frutado. Igualmente é laborado um vinho branco à base de Verdelho, que é seco, com uma graduação alcoólica entre os 15 e os 17 graus, com características organolépticas excelentes para aperitivo e que alcançou no século passado grande prestígio internacional, pois era muito apreciado na Corte Russa.

Alentejo

A cada região correspondem tipos de vinhos com características organolépticas diferenciadas, salientando-se os tintos de Reguengos de Monsaraz, os brancos da Vidigueira e os brancos e tintos produzidos em Portalegre, Redondo, Borba e Granja.

O prestígio e a originalidade destes vinhos é resultante dos processos tradicionais de vinificação. De um modo geral, tanto os mostos brancos como os tintos fermentavam em curtimenta em patamares ou talhas de barro, onde a fermentação podia atingir temperaturas da ordem dos 35 graus.

A guarda ou o armazenamento dos vinhos era efectuada em tonéis ou talhas de barro, que ainda hoje se podem ver em algumas adegas particulares.

Bairrada

Surgem-nos as vinhas no meio das casas ou escondidas pelos pinhais. A Bairrada, cujo nome advém do facto da constituição dos seus solos, de um vermelho vivo muito argiloso, é uma zona de localização privilegiada entre o Vouga e o Mondego, a meio caminho entre o Porto e Lisboa, e desde há muitos anos local conhecido de fartas e gulosas celebrações gastronómicas. Os seus tintos taninosos e ricos de cor resultam em óptimas reservas que melhoram progressivamente com o envelhecimento. Os brancos são frescos e acídulos e os melhores entre eles envelhecem com dignidade.

Beira Interior

No mais dentro de Portugal, entre serras e fráguas, nascem alguns dos vinhos brancos mais atraentes do país. E nascem também tintos rubis, abertos, aromáticos e leves.

As castas dominantes para os brancos são: Codo ou Síria, Arinto-do-Dão. Arinto-Gordo e Fontecal. Pérola. Rabo-de-Ovelha, e para os tintos: Bastardo, Marufo, Rufete, Touriga Nacional, Jaen e Tinta Amarela.

Dão

É entre as serras da Estrela, Caramulo, Nave, Lousã e Açor e o canto das águas do Mondego e do Dão que nascem os brancos e os tintos da região. Datada de 1912 esta região, de condições excepcionais para a produção de vinho, que advém do diálogo resultante das envolventes da região – as serras e o Atlântico – produz alguns dos melhores vinhos nacionais e é uma região com um grande potencial de desenvolvimento.

O tinto, de cor rubi, espirituoso de aroma delicado e sabor aveludado, é o vinho típico desta região, se bem que produza também excelentes brancos, leves, frutados e altamente aromáticos.

O Dão tinto evolui de um rubi para um vermelho-acastanhado prova já da experiência do tempo, acentuando a característica aveludada do seu sabor.

Douro

A região do Douro recebeu a sua primeira demarcação em 1756, pelas mãos do Marquês de Pombal, adquirindo ao longo dos anos um lugar de destaque entre as regiões. Considerada como uma das mais grandiosas e belas paisagens vinhateiras do mundo, o Douro apresenta-se como um anfiteatro gigante de xistos e videiras, uma das mais prolíficas regiões produtoras de vinhos em Portugal.

Rigorosa na utilização das castas recomendadas cujo peso no encepamento nunca deve ser inferior a 60%, assim como na atribuição da denominação de origem, que só acontece quando os vinhos são engarrafados com o estágio mínimo de 18 meses para os tintos, que são carregados de cor com aromas a uvas maduras e encorpados e 9 meses para os brancos. Esta região produz para além de vinhos do Porto e brancos e tintos de mesa, vinhos rosados, espumantes naturais, aguardentes velhas e bagaceiras que completam a sedutora palete vinícola desta região. Saber mais sobre os vinhos do Douro.

Encostas da Nave e Varosa

Nestas terras antigas, em que no século XI os monges de Cister já produziam vinhos, produzem-se vinhos brancos frutados, leves, frescos e secos, tintos cálidos e espumantes capitosos, estes provavelmente os melhores de todos os que se elaboram em Portugal.

As ‘‘Encostas da Nave” é uma região localizada nas fragas da serra que lhe dá o nome e abrange os concelhos de Moimenta da Beira, Penedono, São João da Pesqueira, Sernancelhe e Tabuaço. Os seus vinhos brancos são finos de aroma, citrinos e de elevada acidez fixa. A sua qualidade e prestígio deve-se fundamentalmente à casta Malvasia Fina, encontrando-se nos seus encepamentos também o Gouveio ou Verdelho, a Códega, o Cerceal e o Borrado das Moscas.

Estremadura

É a maior região vinícola do país, englobando todos os concelhos da faixa litoral, desde a foz do rio Tejo até aos concelhos de Óbidos e Caldas da Rainha, a norte, sendo limitada a leste pela região ribatejana.

Na realidade, a região de Vinho Regional Estremadura tem como limite norte os concelhos de Pombal e de Ourém, abrangendo Leiria, Batalha, Porto de Mós entre outros. (*)

Terra abundante em vinhos e casas brasonadas. Ouve-se cada vez mais falar nos vinhos da Estremadura. Produz-se agora menos, mas melhor.

Os vinhos tintos, vinificados a partir das castas regionais Trincadeira, Camarate, João de Santarém e Tinta Miúda, apresentam cor vermelha – violácia ou granada, são aromáticos, encorpados, com sabor vinoso, têm uma força alcoólica acentuada e adquirem qualidade com o envelhecimento. Os leves, de cor rubi são obtidos a partir das castas Mortágua e Tinta Pinheira.

Esta casta, que tem tido uma nomenclatura atribulada, foi recentemente renomeada na lista oficial como Castelão. (*)

A casta Baga, com forte presença na região da Bairrada, é também casta oficial nesta região e recomendada na região de VQPRD de Encostas D’Aire onde tem uma presença forte no encepamento e recebe, além do nome oficial, os nomes locais de Carrasquenho e Poeirinho. (*)

Ribatejo

O Ribatejo é uma das mais importantes regiões vinícolas do país, sendo constituída essencialmente pelos concelhos de Azambuja, Cartaxo, Rio Maior, Santarém, Almeirim, Alpiarça, Chamusca, Golegã, Salvaterra de Magos, situa-se e em grande parte na bacia baixa do rio Tejo.

Esta região produz tradicionalmente mais vinho branco que tinto. Os brancos vinificados a partir das castas Fernão Pires, a mais predominante na região. Alguns criados nos areais, são muito conversadores.

As castas tintas são predominantemente a Trincadeira-Preta, Castelões-Nacional, João de Santarém e Preto-Martinho.

Setúbal

A Península de Setúbal tem vinhos de montanha e vinhos de planície. Vinhos de mesa e vinhos generosos. Perfumados como as laranjas, frescos como a Serra da Arrábida, doces como o clima mediterrânico.

O clima da região é um clima misto, sub-tropical e mediterrânico, o que lhe fornece um micro­clima muito específico que, juntamente com as características do solo e a influência do mar e dos rios Tejo e Sado, dá origem a vinhos com características muito particulares.

Nesta região produzem-se bons vinhos de mesa tintos carregados de cor e encorpados, com elevado extracto seco, pouco áridos, ricos em álcool – 12/14 graus – e que envelhecem bem e rapidamente

Vinhos Verdes

Verde e fresca a paisagem, variada. E com muitos rios: o Minho com o Coura; o Lima com o Vez; o Cávado com o Homem; o Ave com o Vizela e o Douro com o Sousa, Tâmega e o Paiva.

Deste belo enquadramento natural nasce um dos mais típicos vinhos nacionais. Vinho a que a História erradamente classificou de verde. Esta designação nasce da ideia que as uvas não amadureceram, o que se verifica errado, já que as uvas estão maduras, só que os níveis de ácido presentes, neste tipo de uva, não permitem que os níveis de açúcar sejam muito elevados.

Fontes: ViniPortugal Alma Latina | (*) Informações fornecidas pelo Sr. António Marques da Cruz | Imagem de destaque