Vinhos do Douro | Vinhos de Portugal

 

Nos dias que correm, muitas regiões demarcadas começam a ficar maculadas pela acção de produtores e distribuidores que preferem o lucro fácil e imediato à preservação de um elevado nível de qualidade que garanta a perenidade de um rendimento merecido. Há quem se lamente que, «quando a procura de um vinho aumenta, se faça vinho de tudo, às vezes até das uvas da região».

Não é o caso dos vinhos do Douro. Seja pelo facto de a região continuar a produzir uma quantidade de vinho suficiente para a procura, logo sem ter necessidade de baptizar os seus vinhos com uvas de outras regiões menos dotadas, seja por se tratar de uma região onde a tradição de respeito pelo vinho, pelo bom vinho, é quase tão ancestral como o próprio vinho.

A verdade é que o Douro é hoje quase a única região cujos vinhos podem ser escolhidos com a certeza de não se ter «gato por lebre», ou zurrapa em vez de líquido honesto. (…)

É nos contrafortes da Serra do Marão, quando esta começa a ajoelhar-se em socalcos perante o Douro, que medram as cepas que nos oferecem dos melhores vinhos de mesa do país. (…)

São vinhos que nascem neste palco em degraus, onde se representa o maior drama da vida rural portuguesa: a lavra da vinha do Douro. O ciclo do vinho ocupa aqui o cerne de todas as canseiras que marcam a sucessão das estações do ano para as gentes de Trás-os-Montes e Alto Douro. Em especial a azáfama colorida das vindimas quando, no final do Verão, as encostas começam a trocar o verde profundo pelas tonalidades amarelas e acastanhadas que acompanham e assinalam o amadurecimento da uva. O momento em que se aproxima o culminar de um encadeamento de actos de uma cultura ancestral, quando as passadas esforçadas, acima e abaixo naquelas encostas íngremes, prenunciam a chegada do cálido tinto ou do fresco branco ao copo do provador. (…)

A conjugação das características morfológicas, geológicas (ou litológicas, melhor dito), climatéricas e agrícolas da região duriense deu origem a um ambiente muito particular, que o vinhateiro soube, ao longo de séculos de adaptação, aproveitar para fazer evoluir a qualidade do seu produto final: o vinho.

Felizmente para os apreciadores de bom vinho, a procura não justifica o desvio de toda a produção para ter como destino o generoso vinho do Porto. Pois a verdade é que praticamente todos os vinhos do Douro possuem as condições essenciais para deles se fazer vinho fino, ou do Porto.

Este «ouro líquido», que «come pedras e bebe sol», transforma uma região agreste e montanhosa numa das mais ricas do país.

Tendo sido a primeira região do mundo a ser delimitada como região demarcada de vinhos, em 1756, ocupa a maior parte do vale do Douro e dos vales de embocadura dos seus afluentes entre Barca d’Alva e Barqueiros.

Grande parte dos vinhos do Douro são produzidos e comercializados por empresas sedeadas em Vila Nova de Gaia. (…)

In GUIA Expresso O Melhor de Portugal – nº6