A Vinha e o Vinho Verde | Vinhos de Portugal

 

Desde a Antiguidade que a cultura da vinha tem grande importância e influência nesta Região, tanto no aspecto socio-económico como paisagístico. Apontamentos literários e vestígios arqueológicos indicam que esta cultura já existia durante a ocupação Romana no séc. III a.C.. Segundo o Prof. Fregoni – citado por Duarte Amaral – foram homens naturais da Toscana integrados nas legiões romanas que terão introduzido no Minho a forma de condução da vinha em enforcado. Uma doação do Rei Ordonho, de 915, à Igreja de S. Tiago (hoje freguesia da Correlhã, Ponte de Lima) refere vinhas nesses domínios.

Sabe-se que na segunda metade do séc. XIV saíam pela barra de Viana e com destino a Inglaterra, conjuntamente, os vinhos tintos de Monção e da Ribeira-Lima. Mais recentemente, nos finais do séc. XIX e em consequência da catástrofe vitícola europeia provocada pela filoxera, foram exportados para Bordéus vinhos da Ribeira-Lima.

A videira, planta trepadora, tem utilizado nesta Região, ao longo dos tempos, vários tipos de condução, dos quais se destacam os seguintes: Enforcado – tem por suporte um tutor vivo, árvore (de fruto ou madeira) onde a folhagem se entrelaça numa quase simbiose. Festão e Arjoada – as videiras expandem-se livremente num ou vários arames horizontais dispostos a diversas alturas sustentados em tutores vivos. Ramada – tem por suporte um tutor inerte (pedra, madeira, ferro, arame) desenvolvendo-se a folhagem num plano paralelo ao solo, a altura variável, formando autênticos corredores. Nestes casos, as videiras ocupam as bordaduras das parcelas, deixando livre o restante terreno para outras culturas. Cruzeta – tem por suporte tutores inertes em forma de cruz, ligados entre si por dois arames paralelos onde correm as videiras. Cordões – constituído por um conjunto de postes dispostos em linhas paralelas, ligados entre si por um arame onde corre o eixo da videira e/ou outros acima deste que suportam a vegetação. Estas duas formas utilizam-se em vinhas contínuas, a primeira a partir da década de 60 e a segunda de 80, dando resposta às necessidades de mecanização da cultura e maior eficiência nos tratamentos e na exposição solar.

A Ribeira-Lima faz parte de uma Região Demarcada, aliás a segunda maior do Mundo, denominada Região dos Vinhos Verdes onde se produzem vinhos tintos e brancos com características muito especiais e únicos no Mundo. Esta zona, pelas suas características naturais de solo e clima, pelas castas que possui e formas de condução praticadas, aliadas ao espírito laborioso das suas gentes, produz vinhos muito diferentes mas todos com características comuns, medianamente alcoólicos, ligeiramente ácidos, refrescantes e frutados.

Os vinhos resultam da vinificação de uvas perfeitamente maduras de castas regionais onde, nos brancos, o Loureiro tem representação especial pela sua magnífica adaptação à zona, por dar origem a vinhos muito apreciados pelo aroma pelas suas boas qualidades organolépticas. Também se cultivam a Trajadura e a Pedernã e outras, em áreas mais circunscritas, como a Cainho de Moreira, Esganoso do Lima, S. Mamede e a Branco Lameiro, que produzem vinhos de grande qualidade e muito apreciados. Estas castas, de uma maneira geral, dão origem a vinhos de cor citrina palha com limpidez de cristal, acídulos, aroma frutado e delicado, podendo distinguir-se notas florais, evoluindo para aromas de carácter amendoado e mel, o que lhe dá complexidade, estrutura untuosa e persistência. Quando jovens, são agradáveis para serem servidos como aperitivo, acompanham bem pratos de peixe, mariscos, doçaria. Num estádio mais avançado de evolução, são apropriados para acompanhar pratos de peixe mais elaborados, consomes, frutos secos… São, no fundo, vinhos para beber com prazer ao longo do ano, mas é nos meses mais quentes que se apreciam com maior agrado.

No tinto é a casta Vinhão que tem maior expressão. A Borraçal, Verdelho, Espadeiro e Doçais emprestam aos vinhos sabores peculiares. São de cor intensa, com uma diversidade do vermelho rubi intenso ao retinto, perfumados a frutos silvestres, onde domina a amora e framboesa, dadas pelo Vinhão e nuances de aroma a especiarias, característico da casta Verdelho. São para acompanhar pratos fortes, típicos desta Região, como sarrabulho, lampreia, sardinha, bacalhau e carnes vermelhas.

A Ribeira-Lima tem 7540 viticultores com uma área de 3832 ha e uma produção de 171692 hl (14,5% da produção da Região Demarcada) correspondente a 14,3% do VAB das agro-florestais. Em termos globais, há paridade entre a produção de brancos e tintos. Uma elevada percentagem é laborada nas três Adegas Cooperativas — Ponte de Lima, Ponte da Barca e Viana do Castelo — com maquinaria e tecnologia actualizada.

Pedro Malheiro – “Vale do Lima – um rio dois países”  | ADRIL – Associação do Desenvolvimento Rural Integrado do Lima | Imagem de destaque