Trajos tradicionais da Madeira no início do séc. XX

 

Indumentária característica madeirense: camponesa e camponês

“O trajo da camponesa é muito típico, quando aparece nas festas. Na cabeça uma carapuça, saia curta de lã encarnada, com listas verticais de cores; capa de meia cintura, azul-escura, debruada de largas fitas de renda da mesma cor, posta sobre o ombro esquerdo e passando por de baixo do braço direito, indo encontrar-se as duas extremidades um pouco abaixo do peito, descobrindo uma branca camisa de linho, abotoada por grandes botões de oiro, com numerosas pregas e caindo sobre as franjas de um colete de cores, sobre o qual assentam grossos grilhões de oiro.

Usam botas brancas de canhas, debruadas com uma lista vermelha. A meia é branca e vê-se quase até ao joelho, por ser uma saia curta.

O trajar do camponês não é também menos original. Na cabeça uma carapuça, como a mulher, de forma cónica e pontiaguda, parecendo-se com um funil, feita de pano azul-ferrete. Jaqueta curta, apertada na cintura, também de pano azul, colete de seda vermelha com botões de vidro de diversas cores, camisa branca, de linho, de grandes colarinhos de bico, voltados para baixo e apertados com dois grandes botões de oiro, de cadeia. A calça é de linho branco, de pano azul ou de lã amarela, muito larga, caindo sobre uma bota branca, esmeradamente limpa a giz e sem salto.

Artigo n’O Século, 23 de Junho de 1901, sem assinatura” 1

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Vestes Tradicionais da Madeira

“As vestes tradicionais são ainda hoje bastante usadas principalmente nas seguintes freguesias: Santo da Serra, Santa Ana, Canhas, Porto de Moniz e Caniçal. Além das vestes tradicionais, há outros diversos tipos de vestes populares actuais, que por serem menos curiosos não me dei ao incómodo de notar.

No norte da Madeira, as mulheres fiam de lã branca de ovelha e tecem e fazem calças para os homens. Estas têm o nome de serguilha.

As saias riscadas das mulheres chamam-se saias cardadas. São de lã e têm conjuntamente as seguintes cores: amarela, azul, encarnada e verde.

As mulheres cardam a lã, depois tingem-na e tecem-na. Tingem com uns pós amarelos (batatinha) e com açafrão. Muitos chamam a estes pós: poses encarnados e verdes.

Antigamente, os homens usavam cueca branca de pano de linho da terra, camisa e botões dourados, faixa branca na cintura e carapuça (carbuça ou crabuça). Este trajo é ainda usado na freguesia do Caniçal: devo, porém, dizer que só o vi no sacristão da igreja.

Diz-se que antigamente as mulheres usavam saia, camisa copada, manga curta, colete bordado, como os do Minho, e carapuça; às vezes capa traçada e uns lenços de ouro, hoje muito apreciados.

Extracto de um estudo de um aluno da Faculdade de Letras de Lisboa, 30 de Junho de 1916″ 2

1 e 2 Informações e foto retiradas de “ETNOGRAFIA PORTUGUESA” – Livro III – José Leite de Vasconcelos

 

 

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